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Nova DEP facilita o parto de novilhas primíparas

Ferramenta contribui na seleção para precocidade sexual em raças zebuínas.

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Foto: Shutterstock

Foto: Divulgação/ANCP

Por Fernando Sebastián Baldi Rey, pós-doutor em Genética e Melhoramento Animal, professor do Departamento de Zootecnia da Unesp de Jaboticabal e Pesquisador Sênior da ANCP

As características relacionadas ao crescimento são tradicionalmente consideradas como critérios de seleção em programas de melhoria de bovinos, devido à sua importância produtiva e econômica e por estarem correlacionadas favoravelmente com o peso ao abate e peso de carcaça. Além disso, essas características são favoráveis à seleção, quando aplicados critérios de seleção em programas de melhoramento genético em bovinos.

No entanto, existe uma preocupação crescente sobre a seleção de taxas de crescimento mais altas em idades jovens e seu impacto no tamanho adulto, na composição da carcaça, na fertilidade e na produtividade do rebanho em programas de criação de bovinos de corte zebuínos. Recentemente, os estudos genéticos quantitativos se concentram nas características de precocidade sexual e na eficiência reprodutiva de fêmeas em raças zebuínas. Nesse sentido, a prenhez precoce das novilhas é uma característica economicamente relevante, diretamente relacionada com as fêmeas, para melhora da fertilidade e da precocidade sexual, e tem sido amplamente estudada na raça Nelore.

A prenhez precoce em novilhas é uma característica de fácil medição, não requer penalizações para as novilhas que não emprenharam e não pariram e apresenta uma herdabilidade de moderada a alta, o que justifica sua aplicação como critério de seleção em programas de melhoramento de bovinos, como ocorre no programa Nelore Brasil, da ANCP (Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores).

Nesse contexto, a probabilidade de parto precoce antes dos 30 meses (3P) é uma característica indicadora da precocidade sexual em novilhas, sendo utilizada por muitos pecuaristas para antecipar a primeira temporada de reprodução das novilhas e a proporção de partos precoces (<30 meses), utilizando também um melhor manejo nutricional das fêmeas e a seleção direta para 3P. Apesar do melhoramento genético para a precocidade sexual de fêmeas em rebanhos zebuínos, a incidência de problemas de parto atem aumentado nos últimos anos, provavelmente devido ao maior peso ao nascimento das progênies e à menor idade ao primeiro parto das novilhas precoces, como consequência da seleção para maiores taxas de crescimento e precocidade sexual.

Facilidade de parto em primíparas

A facilidade de parto de primíparas (FPP) é um componente essencial da eficiência reprodutiva em raças taurinas europeias, que beneficia a rentabilidade do rebanho e o bem-estar animal. A distocia severa em novilhas tem efeitos desfavoráveis sobre a fertilidade, pois proporciona taxas mais baixas de reconcepção, prejudica a viabilidade e aumenta a taxa de mortalidade dos bezerros. Apesar do impacto econômico da FPP, essa característica tem sido amplamente avaliada apenas em gado leiteiro. A incidência de partos assistidos em novilhas primíparas de 2 anos varia consideravelmente entre raças de gado bovino e rebanhos. A raça Nelore e a maioria das raças zebuínas são reconhecidas por uma baixa frequência de problemas de parto (distocia), mas sua incidência tem aumentado na raça Nelore, podendo chegar a 20% de partos assistidos em alguns rebanhos. Geralmente, uma menor FPP está associada a maiores pesos ao nascer, uma vez que os bezerros com alto peso ao nascer são mais suscetíveis à distocia que os bezerros com peso ao nascer baixo ou moderado.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

O uso do peso ao nascer do bezerro para indicar dificuldade no parto em novilhas precoces compreende até hoje estratégias de seleção e acasalamento que adotam DEPs moderadas a baixas para o peso ao nascer. Estudos têm corroborado uma associação genética de moderada a alta entre o peso ao nascer e os problemas ao parto. Em raças taurinas, existem estudos mostrando estimativas de correlação genética desfavoráveis de moderadas a altas, que oscilam entre 0,62 e 0,80, entre o peso ao nascer e a dificuldade do parto.

A seleção para menor peso ao nascimento sem dúvida interfere no desenvolvimento futuro do animal, prejudicando o ganho de peso e o peso vivo em idades posteriores. Embora a seleção por baixo peso contribua para melhorar a FPP, a seleção direta para reduzir a dificuldade ao parto seria uma melhor alternativa a longo prazo. Nesse sentido, vários pesquisadores relatam que a seleção direta para maior FPP em vez de menor DEP para peso ao nascer melhorou substancialmente a FPP e resultou em animais mais pesados. Além disso, trabalhos da equipe de pesquisadores da ANCP concluíram que o peso ao nascer explica apenas 40% da variação genética da FPP em novilhas precoces. Portanto, existem outros fatores genéticos controlando a característica FPP, não sendo apenas o maior peso ao nascer do bezerro.

DEP para facilidade de parto

Desde 2018, a equipe de pesquisa da ANCP, com a colaboração de criadores associados que forneceram dados fenotípicos de FPP, vem trabalhando no desenvolvimento de uma DEP para FPP em novilhas precoces da raça Nelore. Com um volume de dados de quase 40.000 registros de FPP e mais de 300 mil animais genotipados, classificando os partos como normais sem assistência ou partos anormais com assistência, a ANCP apresentou a nova DEP para FPP em agosto de 2024, durante a 17ª Expogenética, em Uberaba (MG).

A DEP será expressa como porcentagem ou probabilidade de parto sem assistência, parto normal, variando de 0 a 100, e terá um componente direto (DEP direta) e um componente maternal (DEP maternal), uma vez que essa característica sofre uma forte influência do componente maternal. A DEP direta para FPP (DFPP) deverá ser utilizada para a seleção de touros, pais dos animais da próxima safra. Já a DEP maternal (MFPP) será usada para a seleção de touros para serem pais de novilhas, fêmeas de reposição, uma vez que identificará touros que vão produzir filhas ou ventres com maior facilidade de parto.

Os estudos preliminares mostram que a DEP de FPP será particularmente útil em situações de animais com DEP para peso ao nascer maior que 1 kg, onde as DEPs para FPP direta e maternal deverão ser utilizadas de forma complementar junto com a DEP para peso ao nascer na hora de realizar a seleção e o acasalamento dos animais. Para isso, devem ser utilizados os filtros genéticos oferecidos no programa de acasalamentos.

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Fonte: O Presente Rural com Fernando Sebastián Baldi Rey

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Fundocarne une produtores e frigoríficos para reposicionar pecuária gaúcha

Campanha aposta na identidade dos campos do Rio Grande do Sul e cria modelo inédito de financiamento conjunto para fortalecer a marca no mercado interno e externo.

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Fotos: Divulgação

O lançamento do Fundo de Promoção da Carne Gaúcha, na terça-feira (24), na Estação de Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, marca uma nova estratégica na forma como a pecuária do Rio Grande do Sul pretende se apresentar ao mercado. Pela primeira vez, produtores e indústrias frigoríficas estruturam um mecanismo conjunto e permanente de promoção da carne do estado.

O Fundocarne nasce a partir da articulação entre o Instituto Desenvolve Pecuária e o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul, reunindo dois elos historicamente tensionados da cadeia. A proposta é substituir disputas por coordenação estratégica, com foco em construção de marca, posicionamento e valorização do produto.

“O gaúcho precisa valorizar essa carne e o brasileiro precisa reconhecer que o que produzimos aqui é igual ou até superior ao que fazem Uruguai e Argentina”, afirma Antonia Scalzilli, presidente do Desenvolve Pecuária.

A comparação com os vizinhos do Mercosul não é casual, visto que os dois países consolidaram identidade forte para suas carnes no mercado internacional, associando origem, qualidade e tradição.

Campanha aposta em identidade e patrimônio cultural

O primeiro movimento do fundo é a campanha “Carne gaúcha é diferente”. O vídeo institucional, que será veiculado nas redes do Desenvolve Pecuária, do Sicadergs e parceiros, constrói uma narrativa baseada na tradição campeira, no manejo extensivo e no churrasco como símbolo cultural.

As imagens foram captadas em atividades reais de nove propriedades rurais de diferentes regiões do estado. A proposta é comunicar que a qualidade não está apenas no produto final, mas no sistema de produção: genética, pastagens, respeito ao tempo do animal e à paisagem dos campos sulinos.

A estratégia privilegia o apelo emocional, tratando a carne como patrimônio cultural, e não apenas como commodity.

Para Ivon Silva Jr., presidente do Sindicato das Indústrias, o momento exige confiança. “Se nossos vizinhos fazem, nós também podemos fazer. É preciso acreditar que isso trará resultados para todos”, sustenta.

Modelo de financiamento coletivo

O Fundocarne será constituído como pessoa jurídica independente. O financiamento virá de contribuições voluntárias de produtores e frigoríficos.

Os 17 frigoríficos participantes assumiram o compromisso de destinar R$ 0,50 por cabeça abatida, considerando a totalidade dos abates. Já os produtores contribuem de forma espontânea, inclusive em leilões. “Há produtores que doaram R$ 1,00 e outros R$ 10,00”, relata Antonia.

Segundo Ronei Lauxen, presidente executivo do Sicadergs, o projeto começou com cinco frigoríficos e rapidamente mais que triplicou a adesão. A meta agora é ampliar a base de participantes para garantir escala financeira e continuidade às ações de marketing e posicionamento.

Arena Pecuária debate mercado e rastreabilidade

O lançamento do fundo ocorreu dentro da programação da Arena Pecuária na Abertura da Colheita de Arroz, que ampliou sua estrutura nesta edição e reuniu produtores, técnicos e representantes da cadeia.

Entre os temas debatidos no primeiro dia esteve a necessidade de maior alinhamento entre os elos produtivos. A rastreabilidade ganhou destaque como ferramenta de gestão, sanidade e acesso a mercados premium. A certificação e a integração com o poder público foram apontadas como pilares para fortalecer o protagonismo do estado no sistema nacional de identificação bovina.
Nesta quarta-feira (25), o tema central é “A pecuária potencializando sistemas”, com debates voltados à integração produtiva, eficiência e geração de valor dentro da propriedade rural. E na quinta-feira (26), os painéis abordam Integração Lavoura-Pecuária e Pecuária Intensiva, com foco em verticalização, produtividade por hectare e uso de tecnologias.

O movimento articulado pelo Fundocarne indica uma mudança de postura da cadeia gaúcha: menos fragmentação e mais coordenação estratégica para disputar espaço em um mercado cada vez mais orientado por marca, origem e diferenciação.

Fonte: O Presente Rural com Sicadergs
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Exportações de lácteos caem em janeiro e déficit supera US$ 71 milhões

Leite em pó lidera compras externas, e queijos registram alta de quase 18% nas importações.

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Foto: Divulgação/OP Rural

As exportações brasileiras de lácteos somaram 4,30 milhões de litros em equivalente-leite (EqL) em janeiro de 2026, queda de 16,75% em relação a dezembro de 2025. Já as importações avançaram 7,94% no mesmo período, totalizando 178,53 milhões de litros EqL.

Na comparação com janeiro de 2025, tanto os embarques quanto as compras externas recuaram, respectivamente, 11,43% e 14,32%. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e foram analisados pelo Cepea.

Foto: Divulgação

Com o resultado, o déficit da balança comercial de lácteos chegou a 174,24 milhões de litros EqL em janeiro, volume 8,7% superior ao registrado no mês anterior. Em valores, o saldo negativo foi de US$ 71,68 milhões, aumento de 11,1%, também segundo a Secex.

Do lado das importações, o leite em pó respondeu por 75,6% do total adquirido pelo Brasil no exterior. As compras desse produto cresceram 4,93% em janeiro, alcançando 134,90 milhões de litros EqL. O preço médio foi de US$ 3,29 por quilo, recuo de 1,4% frente a dezembro.

As importações de queijos, que representaram 23,8% do total, avançaram 17,85% na comparação mensal. O preço médio subiu 4,3%, para US$ 10,08 por quilo.

Entre os produtos exportados, leite condensado e queijos tiveram maior participação nos embarques de janeiro, com 29,2% e 36,3% do total, respectivamente. As vendas externas de leite condensado recuaram 11,46% em relação a dezembro, somando 1,25 milhão de litros EqL. Já os embarques de queijos diminuíram 8,37%, totalizando 1,56 milhão de litros EqL. Análise feita por João Vitor Sesso.

Fonte: Assessoria Cepea
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Passaporte Verde mobiliza debate sobre regularização ambiental da pecuária em Mato Grosso

Audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso reuniu governo, entidades do setor e produtores para discutir critérios e efeitos da Lei 13.153/2025.

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Foto: Gabriel Faria

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, na segunda-feira (23), audiência pública para discutir a lei que institui o Passaporte Verde, programa de monitoramento socioambiental das propriedades pecuárias no estado. Participaram representantes do Governo de Mato Grosso, do Instituto Mato-grossense da Carne, lideranças do setor produtivo e representantes dos municípios de Colniza e Juara.

O programa foi apresentado como instrumento para reinserir no mercado formal produtores com algum tipo de irregularidade ambiental. Segundo o presidente do Imac, Caio Penido, a proposta busca permitir que pecuaristas regularizem suas propriedades e retomem a comercialização, em um cenário no qual frigoríficos e compradores impõem exigências socioambientais crescentes.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que a lei pretende reforçar a imagem da carne mato-grossense no mercado internacional. Ele destacou que o projeto foi discutido por quase quatro anos antes de ser aprovado e avaliou que a iniciativa antecipa possíveis exigências externas.

Durante o debate, o deputado estadual Gilberto Cattani sustentou que a tramitação da lei levou em consideração produtores de diferentes portes e afirmou que o objetivo foi oferecer segurança jurídica ao setor.

Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, um dos pontos centrais do programa é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). A ferramenta foi descrita como mecanismo para permitir que produtores com pendências ambientais regularizem a situação e retornem ao mercado pecuário formal.

Representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, afirmou que a Lei 13.153/2025 não cria exigências além daquelas já previstas no Código Florestal Brasileiro e que o programa tem como foco apoiar a regularização ambiental das propriedades.

Como funciona o programa

Sancionado no final de 2025 pelo governador Mauro Mendes, o Passaporte Verde estabelece o monitoramento socioambiental do rebanho bovino e bubalino em Mato Grosso, alinhado ao cronograma do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).

Entre os critérios exigidos estão ausência de desmatamento ilegal após julho de 2008, Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e inexistência de embargos ambientais.

O programa também prevê o Prem, voltado ao desbloqueio e à regeneração de áreas degradadas. A iniciativa permite que produtores com pendências ambientais avancem na regularização e retomem a comercialização com frigoríficos. Atualmente, mais de 160 pecuaristas participam do programa.

Fonte: O Presente Rural com Imac
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