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Suínos / Peixes Bem-estar

No calor ou no frio, saiba como evitar estresse térmico em cada fase na produção de suínos

Nas regiões em que o frio é mais agudo as condições climáticas também podem afetar negativamente os animais

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Arquivo/OP Rural

O friozinho está chegando, mas o calor ainda pode atingir boa parte do país nos próximos meses. Nas regiões em que o frio é mais agudo, como no Sul, onde fica ampla parte da produção de suínos do país, as condições climáticas também podem afetar negativamente os animais.

Para orientar sobre os manejos ideais, destacar os riscos do estresse térmico na suinocultura, o jornal O Presente Rural entrevistou o PhD. em Medicina Veterinária, Filipe Antonio Dalla Costa, da Maneja Consultoria, e seu pai, o também PhD. Osmar Antonio Dalla Costa, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves nas áreas de bem-estar animal e qualidade de carne.

O Presente Rural – O que é estresse térmico em suínos, em suas diferentes etapas de produção e quais suas consequências em cada uma delas?

Filipe Antonio Dalla Costa e Osmar Antonio Dalla Costa – Estresse térmico tem características semelhantes para todas as fases de produção, contudo, as condições ambientais que desencadeiam essa condição são distintas. O estresse térmico ocorre quando o desafio ambiental extrapola a capacidade do animal de manter a temperatura dentro da zona termo neutra, resultando em maior gasto fisiológico ao animal, uma vez que requer a ativação de mecanismos de controle térmico. O estresse térmico pode ocorrer tanto por condições ambientais de excesso quanto de falta de calor. Em ambos extremos haverá consequências negativas para o animal e índices produtivos.

No verão, caso as condições ambientais caracterizadas por altas radiações solares e temperaturas superam as capacidades de controle do animal, pode haver redução de consumo alimentar, maior gasto energético para perda de calor e, consequentemente, redução no ganho de peso, conversão alimentar, aumento de casos de diarreia e em alguns casos extremos aumento na mortalidade.

Já em períodos de inverno, onde as temperaturas são menores, pode haver um aumento na demanda energética do animal (maior consumo alimentar) que é direcionado para produção de calor através da maior atividade metabólica e muscular.

O Presente Rural – Suínos passarem por estresse térmico ainda é comum na suinocultura brasileira?

Filipe e Osmar Dalla Costa – A ocorrência de estresse térmico pode acontecer em casos de falhas no controle ambiental. Contudo, a suinocultura moderna evoluiu muito nos últimos anos, principalmente na parte de ambiência e o conforto ambiental. É notável a preocupação dos produtores em em fornecer condições adequadas aos animais, a fim de que possam manter uma boa adequação ao meio e assim ter boas condições para expressar seu máximo potencial genético em cada uma das fases produtivas. Tecnologias como pisos aquecidos, controle automatizado de cortinas, sensores de monitoramento e galpões com ambiência totalmente controlada e ventilação forçada são apenas algumas das melhorias que estão atualmente presentes no campo para reduzir a ocorrência de estresse térmico e manter uma boa ambiência.

O Presente Rural – Quais são as fontes geradoras de calor de uma granja?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Maternidade: A manutenção do conforto térmico na maternidade é um dos maiores desafios da suinocultura, pois precisamos fornecer dois ambientes muito distintos: um para a matriz, que está produzindo muito calor devido ao metabolismo acelerado para produção de leite, e outros ao leitão que ainda está desenvolvendo seus mecanismos de homeostase e precisa receber calor. Assim, muitas das maternidades estão adotando os sistemas climatizados. Esses sistemas têm ventilação forçada/pressão negativa para manter uma boa ambiência as matrizes que precisam de uma faixa de temperatura baixa, e estratégias como pisos aquecidos para manutenção da ambiência dos leitões. Outras alternativas de aquecimentos para leitões são escamoteadores com resistências ou lâmpadas de aquecimento.

Creche: São estratégias para redução da temperatura apenas manejo de cortinas, ventilação forçada.

Terminação: São estratégias para redução da temperatura apenas manejo de cortinas, ventilação forçada e lamina d’água em alguns casos.

O Presente Rural – Quais as fases mais delicadas para o suíno em relação ao estresse térmico?

Filipe e Osmar Dalla Costa – O estresse térmico pode causar prejuízos em qualquer uma das fases de produção do suínos. Contudo, particularmente, os leitões recém-nascidos são os mais suscetíveis aos problemas de estresse térmico devido ao menor desenvolvimento dos mecanismos de controle da temperatura em relação as demais fases.

O Presente Rural – Como identificar suínos em situações de estresse térmico? Quais os sinais?

Filipe e Osmar Dalla Costa – A melhor forma de identificar um problema na suinocultura é através da observação do comportamento dos animais. Suínos em condições de estresse térmico por excesso de calor apresentam comportamento de ofegação – caracterizado pela respiração com a boca aberta, animais espalhados nas baias, deitados com a maior parte do corpo em contato com o chão ou buscando sombra e locais com água/molhados, aumento no consumo de água, redução no consumo alimentar.

Já em condições de estresse por falta de calor, os animais encontram-se sempre agrupados, buscando áreas de radiação solar ou luz, pode haver tremores musculares, piloereção e aumento de consumo alimentar. Esses são alguns reflexos clássicos observados no dia a dia.

O Presente Rural – Cite as temperaturas ideais de termoneutralidade para cada fase na produção de suínos.

O Presente Rural – Existem vários tipos de granjas, com diferentes tecnologias. Há diferença no manejo sob altas temperaturas?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Sim. Em dias com altas temperaturas, recomenda-se que os produtores mantenham as cortinas abertas ou, em sistemas de pressão negativa, seja mantida a ventilação forçada para manutenção de uma boa ambiência na granja. Esses sistemas podem ser manuais ou automatizados de acordo com cada tecnologia.

O Presente Rural – Quais os equipamentos mais modernos que o produtor pode instalar nessas diferentes granjas para controlar a temperatura?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Atualmente o sistema mais moderno para controle de ambiência consiste na utilização do sistema de pressão negativa que trabalha com placas evaporativas e ventilação forçada.

O Presente Rural – Como a nutrição pode ser aliada na manutenção de temperaturas ideais?

Filipe e Osmar Dalla Costa – O fornecimento de água em quantidade e qualidade adequada é fundamental para o manutenção da homeostase, bons níveis de bem-estar animal e obtenção de bons resultados. Isso implica em monitorarmos e adequarmos as instalações para que haja bebedouros e quantidade adequada nas baias e que a vazão esteja dentro do recomendado para cada fase. Bebedouros mal regulados, com vazão muito baixa, podem fazer com que os animais gastem muito tentando obter o recurso e até mesmo reduzir o seu consumo. Por outro lado, altas vazões podem jogar um jato de água nos animais e dificultar a obtenção do recurso. Outro ponto extremamente importante é mantermos caixas d’água em locais protegidos da ação do tempo para evitar que a radiação solar aqueça demais a temperatura da água, evitando que ela chegue aos animais em temperaturas inadequadas e reduza o consumo.

O Presente Rural – A nutrição dos suínos muda do inverno para o verão?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Há algumas estratégias nutricionais que podem ser utilizadas para reduzir estresse térmico. Contudo, de forma geral, monitoramento e ajustes no ambiente são mais efetivos e oferecem maiores vantagens aos animais e produtores.

O Presente Rural – Durante o transporte para o frigorífico no verão e no inverno, o que muda?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Cada estação tem sua particularidade. Durante o inverno podemos aumentar a densidade dentro das carrocerias e precisamos nos atentar a fechar parcialmente as laterais a fim de manter a temperatura interna estável e dentro do recomendado.

Já no verão, geralmente recomenda-se trabalhar com densidades mais baixas, e manter as laterais abertas para aumentar a circulação de ar no interior das carrocerias e favorecer a perda de calor. Além disso, deve-se atentar para cobertura do caminhão que deve estar fechada para evitar a incidência direta de raios solares sobre os animais. Pode-se também optar por transportar suínos em horários de temperaturas mais amenas e com menor incidência solar.

O Presente Rural – Quais as perdas mais comuns por estresse térmico durante o transporte e na chegada ao frigorífico?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Perdas com estresse térmico no transporte incluem a maior ocorrência de animais cansados e taxa de mortalidade ao chegar no frigorífico ou granja. Além disso, pode haver também prejuízos a qualidade de carne, com maior incidência de carne classificada como PSE (pálida, mole e exsudativa).

O Presente Rural – Qual o tempo máximo que o suíno deve esperar nos caminhões?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Os caminhões devem permanecer parados o menor tempo possível. Quando parado, há uma redução na circulação interna de ar dentro da carroceria, podendo levar ao aumento da temperatura ambiental e, consequentemente, desconforto térmico. Contudo, sabemos que muitas vezes os caminhões precisam esperar para desembarcar ou para checar o estar dos animais. Assim, sempre que seja necessário parar, deve-se optar por locais protegidos do sol e com boa circulação de ar.

O Presente Rural – Quais os últimos estudos para a questão do estrese térmico? Há novas tecnologias a vista?

Filipe e Osmar Dalla Costa – Há muitos estudos sendo realizados sobre como a ambiência pode afetar os animais e a produção. Hoje o que há de mais moderno são instalações com pressão negativa, onde há uma ventilação forçada sobre placas evaporativas para manutenção de uma boa ambiência nas instalações. Isso tudo monitorado e controlado eletronicamente. Esse monitoramento tem gerado um banco de dados enorme (big data) que ainda vem sendo explorado e deve gerar muitos resultados positivos para melhorarmos o manejo dos animais num futuro breve.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Tecnologia e inovação como ferramentas de produção segura: menos antibiótico, mais observação e análise de risco

Aplicação bem-feita de tecnologias pode auxiliar na redução do uso indiscriminado de antimicrobianos nas granjas de suínos

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Divulgação/Agroceres Multimix

Artigo escrito por Lucas Avelino Rezende, consultor de Serviços Técnicos de suínos na Agroceres Multimix

Atualmente, a demanda por proteína de origem animal tem crescido significativamente, obrigando a cadeia produtiva a alcançar níveis de produtividade cada vez mais altos. Na suinocultura, por vezes, esses elevados níveis de produtividade vêm acompanhados da utilização exacerbada de antimicrobianos, sejam eles via ração, água de bebida ou injetável. Um estudo demonstrou que o Brasil utiliza, em média, 358,0 mg de diferentes antimicrobianos por quilograma (kg) de suíno produzido e que esses animais passam, pelo menos, cerca de 66,3% da vida expostos a diferentes tipos de antimicrobianos. É uma média elevada, se compararmos a uma tendência global de 170 mg/kg de suíno produzido.

De maneira geral, os antimicrobianos são utilizados de três maneiras: como promotores de crescimento, de maneira preventiva e de forma terapêutica. Entretanto, o uso como promotores de crescimento vêm sendo cada vez mais banido da produção, principalmente por várias drogas já serem restritas.

O uso preventivo também é controverso, uma vez que os animais são tratados com doses, por vezes, subterapêuticas, em determinados períodos da vida do animal, na tentativa de minimizar ocorrências sanitárias já conhecidas na granja. De forma geral, esse tratamento é metafilático (no qual todos os animais do lote recebem o tratamento via ração). E no uso terapêutico iniciamos o tratamento somente com o aparecimento de um determinado sinal clínico, sendo feito, preferencialmente, via injetável ou via água de bebida.

Geralmente, o uso preventivo de antimicrobianos vem para cobrir falhas de manejo e/ou biossegurança nas propriedades como, por exemplo, falta de vazio sanitário, falta de limpeza e desinfecção nas baias, mistura de diversas origens, além da lotação acima da recomendada. Todos esses fatores propiciam o aparecimento de doenças no plantel.

A redução no uso preventivo de antimicrobianos ainda é um processo complexo e que exige modificações na cultura dos suinocultores, além de mudanças estruturais nas granjas, como: aumento na biossegurança, melhoria nos processos de limpeza e desinfecção e uso de vacinas. Vale lembrar que a redução no uso de antimicrobianos de forma preventiva fará com que o uso de forma terapêutica seja uma prática mais adotada e, consequentemente, o uso de medicação via água seja aumentado.

Outro ponto importante é conhecer bem a dinâmica das doenças e suas manifestações clínicas para que o início do tratamento seja no momento exato e não haja perda de desempenho dos animais. Sendo assim, rotinas de monitoramento sanitário devem ser empregadas nas granjas.

Dessas rotinas, o mais empregado é o monitoramento da saúde entérica e respiratória dos animais. Para o monitoramento da saúde entérica o escore de consistência das fezes é o método mais utilizado, e apesar de ser um método subjetivo e passível de variações, é eficaz. Conforme representação abaixo, o escore de consistência das fezes é determinado por: 1= normais; 2= pastosas; e 3= líquidas (fezes diarreicas):

Essa monitoria pode ser realizada em lotes de creche, crescimento e terminação, porém o método consiste em avaliar periodicamente em horários fixos. O lote é considerado “com diarreia” quando 20% dos animais apresentarem diarreia, podendo classificar o grau da severidade em:

  • Lote sem diarreia – nenhum dia com diarreia/semana;
  • Lote com pouca diarreia – um a três dias por semana com diarreia;
  • Lote com bastante diarreia – quatro ou mais dias sem diarreia.

Para a monitoria da saúde respiratória, visamos medir a quantidade de tosse e espirros, com os animais parados e em movimento. Para evitar a subjetividade da observação, um índice de contagem deve ser empregado. Aliado a isso, uma avaliação da severidade dos sinais respiratórios é importante, assim, espirros com corrimentos, presença de respiração abdominal (“batedeira”), posição de cão sentado para respirar ou presença de espuma sanguinolenta na boca podem servir como indicadores da severidade dos problemas respiratórios. Um protocolo para a contagem de tosse e espirro está descrito a seguir:

  • Entrar na instalação/sala, identificar o lote a ser examinado e agitar os animais por estímulos auditivos, durante, no mínimo, um a dois minutos;
  • Aguardar um minuto;
  • Realizar a contagem de tosse e espirros, simultaneamente. Logo após, anotar o total em uma tabela (1ª contagem);
  • Movimentar os animais;
  • Após, realizar nova contagem (2ª contagem);
  • Movimentar os animais;
  • Após, realizar nova contagem (3ªcontagem).

O próximo passo é calcular a frequência de tosse e espirros, contabilizando o número de animais do lote e calcular a média das três contagens e o percentual de tosse e de espirros, utilizando a seguinte fórmula:

Calculada a frequência, a interpretação dos valores é a seguinte:

  • Frequência de espirro igual ou maior que 15%: indicativo de que está ocorrendo um problema grave de rinite atrófica progressiva;
  • Frequência de tosse igual ou maior que 10%: indicativo de um problema grave de pneumonia.

Em granjas que apresentam alto status sanitário (livre de Mycoplasma hyopneumoniae), essa frequência deve ser igual ou menor a 5%. A tosse é um sinal clínico inespecífico, indicativo de alguma lesão nos brônquios ou pulmões, sendo necessário outros métodos para a identificação da doença respiratória presente no plantel. Vale lembrar que antes da realização da contagem de tosse e espirro é importante realizar a abertura das cortinas ou janelas do prédio para que o ar seja renovado e o gás e a poeira acumulados não influenciem na contagem.

Atualmente, existe uma tendência mundial da utilização da inteligência artificial e de processamento de dados em diversas áreas. Algumas dessas tecnologias já chegaram ao campo e podem ser utilizadas para auxiliar na monitoria dos rebanhos como,  por exemplo, câmeras 2D e 3D que tiram fotos para facilitar tarefas, como: contar animais, estimar seu peso, avaliar seu padrão de movimento para detectar problemas, como claudicação ou animais anormalmente imóveis, além de comportamentos agressivos, como brigas ou mordidas de cauda, sensores ambientais (temperatura, umidade e gases nocivos), sensores de monitoramento de consumo de água e ração, microfones para monitoramento automático de tosse e vocalizações relacionadas ao estresse, dentre várias outras aplicações. Aliadas ao processamento de dados, essas tecnologias podem ser uma boa ferramenta de diagnóstico para veterinários, na monitoria clínica de rebanhos. Com isso, a aplicação de tecnologias no campo permite que o diagnóstico de doenças, bem como a avaliação de fatores de risco, se torne algo mais preciso e correto no dia a dia das granjas e que, de modo geral, faça com que os veterinários tenham mais segurança em iniciar ou não um tratamento em lote de animais. Ou seja, a aplicação bem-feita dessas tecnologias pode auxiliar na redução do uso indiscriminado de antimicrobianos nas granjas de suínos.

Em complemento às rotinas de acompanhamento clínico dentro das granjas, surge a necessidade de rotinas de acompanhamento laboratorial e acompanhamento de abate. O acompanhamento laboratorial, por vezes, é demorado e caro, porém, em alguns casos, é indispensável para fechar o diagnóstico do problema dentro da granja e o mais importante, a indicação da droga mais eficaz para o tratamento do problema.

Já o acompanhamento de abate é uma ferramenta indispensável para o veterinário, uma vez que é possível ver muitos animais e reflete a saúde final do lote sem a necessidade de sacrifício dentro da granja. Dessa forma, o índice de pneumonia e pleurisia, calculado a partir das lesões pulmonares vistas nos frigoríficos, é um bom indicativo de como está o comportamento de problemas respiratórios dentro da granja e se os tratamentos e vacinações são eficazes.

No Brasil, algumas dessas tecnologias ainda não estão disponíveis, porém a aplicação das técnicas de observação do veterinário responsável pela saúde do plantel, bem como as boas práticas de produção, é indispensável para a redução do uso de antimicrobianos como forma preventiva.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Creep feeding: estratégia é importante aliada frente aos novos desafios da suinocultura

Creep feeding torna-se cada vez mais importante e benéfico à medida que aumenta a idade de desmame

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Natália Yoko Sitanaka, doutora em Zootecnia e gerente técnica de formulação e nutrição de suínos na Polinutri

Um dos principais objetivos da indústria suinícola é aumentar o tamanho das leitegadas. Entretanto, verifica-se que há um aumento na desuniformidade e menor viabilidade de leitões provenientes de leitegadas mais numerosas. Devido a maior competição por tetos, alguns leitões podem não ter adequado acesso ao leite, aumentando o número de leitões fracos e consequentemente mais suscetíveis a mortalidade.

Além disso, a produção de colostro e de leite não aumentam suficientemente para atender a demanda de leitegadas maiores, desta forma, os ganhos genéticos em prolificidade podem não ser totalmente aproveitados.

Este aumento no número de leitões nascidos vivos por leitegada implica em novos desafios nutricionais, sanitários e de manejo na fase de maternidade. Neste contexto, o creep feeding se apresenta como uma solução para suprir à quantidade de leite insuficiente enfrentada por leitegadas muito numerosas, além de preparar o leitão para o desmame.

Na suinocultura, creep feeding é o fornecimento de ração durante o pré-desmame. Essa estratégia é utilizada para adaptar precocemente os leitões a nova fonte de nutrição. As dietas de creep feeding são disponibilizadas na maternidade, em comedouros, fora do alcance das porcas.

O creep feeding torna-se cada vez mais importante e benéfico à medida que aumenta a idade de desmame. À medida que os leitões crescem, sua demanda por nutrientes cresce de forma semelhante e, com o aumento da idade, essa demanda supera a capacidade da porca de supri-los, à medida que a produção de leite da porca atinge o pico em torno de três semanas e depois declina lentamente.

O creep feeding acelera o desenvolvimento e ação das enzimas digestivas e o amadurecimento intestinal, favorecendo o consumo, digestão e absorção das dietas sólidas. Além disso, condiciona o comportamento de busca de alimento no comedouro, diminuindo a dependência do leite da porca.

Além do creep feeeding se mostrar como uma ferramenta positiva para o ganho de peso no período pré-desmame, trabalhos mostram que os leitões que consomem alimento suplementar na fase pré-desmame precisam de um período de tempo menor para se alimentarem sozinhos após o desmame, pois o consumo na fase de maternidade estimula o consumo na fase pós-desmame.

Qualidade da dieta

Perante o exposto e considerando a imaturidade fisiológica de leitões para digerir rações no período pós desmame, o consumo do creep feeding apresenta-se como uma alternativa para aumentar o consumo e o ganho de peso nessa fase, porém é fundamental manter a preocupação com a qualidade da dieta que será oferecida, assim como a adaptação do melhor manejo a ser adotado, visto que as respostas desta prática são variáveis e dependente de inúmeros fatores.

Para atender a demanda de creep feeding, existe soluções como o leite líquido pronto para uso, projetado para alimentar todos os leitões durante o período da maternidade. Com o objetivo de garantir a  maior ingestão e mais precoce possível, além do leite de porca, o leite líquido pronto resulta em um melhor status de saúde, maior crescimento e uniformidade dos leitões.

O produto possui um alimentador exclusivo e adequado para fornecê-lo de forma prática para que esteja sempre disponível para o leitão. Ele possui compartimento exclusivo para que a ração pré inicial seja oferecida, estimulando, assim, o consumo da ração seca também.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Sustentabilidade alinha bem-estar animal e humano em granjas de região polo

No Oeste do Paraná, granjas estão eliminando odores das granjas para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e colocando música clássica para deixar os suínos mais à vontade na hora das refeições

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Divulgação

Um dos pilares da sustentabilidade na cadeia de produção de carnes é o bem-estar animal, quesito que tem sido colocado cada vez mais em prática como resultado das legislações de da pressão dos consumidores por um processo produtivo com os menores níveis de estresse possíveis. Aliado a isso, a qualidade de vida e bem-estar das pessoas que trabalham na suinocultura é um dos pilares dos sistemas produtivos modernos. Com mais de 1,6 mil granjas e um rebanho de aproximadamente 2,8 milhões animais (IBGE), o Oeste do Paraná tem empenhado esforços para garantir que bem-estar de animais e seres humanos seja cada vez mais aplicado.

Hoje, diversas granjas possuem robôs que distribuem ração ao som de música clássica. Tudo para deixar os animais confortáveis no dia-a-dia. Os produtores também estão usando produtos para eliminar os fortes odores característicos das granjas de produção de suínos, melhorando o cotidiano dos trabalhadores – e também dos animais. Quem explica é a presidente da Associação Regional de Suinocultores do Oeste do Paraná (Asssuinoeste), Geni Banberg.

“A legislação ambiental está bastante exigente para que se produzam os suínos de forma sustentável e cuidando do meio ambiente. As granjas hoje estão sendo modernizadas e, desta forma, é possível ampliar o plantel e não onerar mais mão de obra. E o que mais se destaca é o sistema de piso grelhado, onde os dejetos ficam depositados em um fosso e os animais não têm o contato tão direto com o dejeto como no sistema tradicional que é com lâmina de água nas baias”, explica a presidente. De acordo com ela, nesse sistema os suínos ficam mais limpos e se sentem bem com isso.

E a forma de distribuir e gerenciar a dieta dos animais também tem mudado em boa parte dessas propriedades, menciona. “O sistema de arraçoamento também tem evoluído, inclusive com um modelo ao som de música e disponibilizando dados muito precisos na distribuição da ração por baia e por tratada, possibilitando o controle diário do consumo e do estoque da ração no silo”, menciona. Esse tipo de sistema, aponta a produtora paranaense, reduz a necessidade de trabalhos que exigem mais força do colaborador. “Esse sistema diminui o trabalho braçal, melhorando a vida do trabalhador, além de amentar a eficiência na gestão da granja, que passa a ser informatizada”, menciona Banberg.

Cooperativa de energias renováveis

A destinação de animais mortos ainda é feita, em sua maioria por compostagem, explica a presidente, mas o aproveitamento de dejetos contendo esses animais mortos está sendo cada vez maior no Oeste paranaense. De acordo com Geni, novos projetos nesse sentido estão sendo criados na região. “Já se caminha para a resolução dos passivos da atividade, com alguns projetos já em estudo. Em Toledo foi fundada no último dia 13 de abril uma cooperativa de energias renováveis. Nela, os dejetos de suínos de 46 granjas, incluindo as carcaças de animais mortos, que ao serem processados por uma usina vão gerar energia elétrica, biometano e biofertilizante, com capacidade de um megawatt-hora (Mwh). É um maneira muito inteligente de resolver um problema”, destaca a suinocultura.

No entanto, projetos para destinação de animais mortos ainda são muito onerosos, em sua avaliação. “No destino dos animais mortos o sistema que prevalece é o da compostagem com o uso da maravalha, mesmo já existindo a instrução normativa da lei federal n°48 de 17 de outubro de 2019, que normatiza a recolha, transporte e destinação, porém a viabilidade econômica para algum sub produto não é atraente”, destaca a produtora. Ela explica que a Assuinoeste está estudando um sistema que foi desenvolvido em Santa Catarina e que processa animais mortos, de onde são extraídos dois subprodutos, o carvão e o óleo. “Porém novamente esbarramos na viabilidade econômica, desde a logística do transporte processamento e a possível comercialização desses subprodutos”, reforça a presidente.

Sem antibióticos

A sustentabilidade está também no uso cada vez mais prudente de antibióticos nas granjas suinícolas da região. Na avaliação da presidente da Assuinoeste, a troca de antibióticos por elementos naturais durante a produção já é observada e cada vez presente entre as dietas ofertadas pelas empresas integradoras. No Oeste do Paraná, ampla parte dos produtores são integrados ou cooperados.

“Se entende que as empresas integradoras e as cooperativas estejam muito atentas à nutrição e também na sanidade dos animais, já que o uso de antibióticos na ração está a caminho da retirada por questões de saúde humana. Nestes casos, estudos devem ser feitos na linha de produtos naturais tanto no preventivo quanto no curativo. E assim continuaremos produzindo e quem sabe melhorando ainda mais a colocação que hoje o Brasil ocupa, como quarto maior exportador de carne suína de altíssima qualidade e paladar”, destaca a presidente.

Em sua opinião, o cenário é favorável para ampliar a atividade, se tornando cada vez mais sustentável no Oeste do Paraná. “A genética dos animais é boa, temos tecnologia tem de ponta, interesse para ingressar na atividade ou ampliar as pocilgas também não falta. Temos todas as condições para estar no topo da produção brasileira”, destaca.

Assuinoeste

A Assuinoeste foi fundada em 13 de dezembro de 1975. São 46 anos de existência. Com sede em Toledo, contribui de forma direta na manutenção e desenvolvimento da suinocultura em toda a região Oeste do Paraná.

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Fonte: O Presente Rural
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CONBRASUL/ASGAV

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