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Nematoides já estão em 99% das áreas de soja em Mato Grosso, aponta estudo

Pesquisa com 2.738 amostras coletadas em 44 municípios revela avanço silencioso do nematoide das lesões radiculares e reforça alerta para perdas bilionárias na produção.

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Foto: Divulgação/AgroMaxt

Microscópicos e invisíveis a olho nu, os nematoides seguem avançando silenciosamente nas lavouras de soja e já estão presentes em praticamente todas as áreas analisadas em Mato Grosso. Um levantamento realizado pela AgroMax Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola identificou que o nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) ocorre em 99,2% das áreas avaliadas no estado.

O estudo foi conduzido a partir da análise de 2.738 amostras de solo e raízes, coletadas em 44 municípios mato-grossenses durante a safra 2023/2024. Os dados revelam um cenário de ampla disseminação desses organismos nas áreas produtoras de soja.

Além do nematoide das lesões radiculares, os pesquisadores também identificaram outras espécies importantes para a cultura, como o nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines), encontrado em 22% das amostras na forma juvenil e em 30,5% na forma de cisto viável no solo.

De acordo com a engenheira agrônoma e pesquisadora da AgroMax, Tatiane Zambiasi, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o olhar sobre o problema dentro das estratégias de manejo nas lavouras. “Os dados mostram o quanto os nematoides já estão disseminados nas áreas produtoras e reforçam a importância de olhar com mais atenção para o manejo”, destaca.

Prejuízos bilionários

Os impactos econômicos também são expressivos. Um estudo conduzido pela Syngenta, em parceria com a Agroconsult e a Sociedade Brasileira de Nematologia, estima que os prejuízos provocados por nematoides em diferentes culturas podem chegar a R$ 65 bilhões no Brasil.

Somente na soja, as perdas são estimadas em R$ 27,7 bilhões, o que equivale, na prática, à perda de uma safra completa a cada dez ciclos produtivos da cultura.

De acordo com Tatiane, um dos principais desafios é justamente o caráter silencioso do problema. “É um problema silencioso. Muitas vezes o produtor acredita que está perdendo produtividade por fatores como falta de chuva ou adubação, quando, na verdade, a lavoura está sendo impactada por nematoides no sistema radicular. Quando os sintomas aparecem de forma clara, o prejuízo já vem se acumulando há anos”, explica a engenheira agrônoma.

Dia de campo para discutir manejo

Diante desse cenário, iniciativas voltadas à difusão de conhecimento sobre o manejo desses organismos ganham importância. Com esse objetivo, a AgroMax promove no dia 20 de março, em Primavera do Leste (MT), o 4º Dia de Campo sobre Manejo de Nematoides, voltado a produtores, consultores e profissionais do agronegócio.

Segundo Tatiane, o evento busca aproximar produtores de tecnologias e estratégias de controle. “É o único Dia de Campo do Brasil dedicado exclusivamente ao manejo de nematoides na prática, com resultados reais apresentados por pesquisadores e consultores. Nesta edição, teremos a participação de 14 das principais empresas do setor, que irão apresentar tecnologias e inovações voltadas ao controle de nematoides”, afirma.

A programação contará com especialistas reconhecidos na área, entre eles Rosângela Silva, pesquisadora da Fundação MT; Mariana Stutz, da BASF; e o pesquisador Adailton Feitosa. Entre os temas abordados estão resistência genética, novas moléculas e o uso de produtos biológicos no manejo.

Rosângela destaca que novas abordagens tecnológicas têm apresentado resultados promissores no controle desses organismos. “A ideia é apresentar uma inovação no manejo de nematoides que é o uso de peptídeos para ativar os mecanismos de defesa da planta. Em estudos realizados em áreas com nematoide das lesões radiculares, nematoide espiralado e nematoide reniforme, observamos incrementos que chegaram a 3,5 sacas por hectare”, explica.

Conscientização no campo

Para o produtor rural Pierre Patriet, que participa do encontro desde a primeira edição, eventos voltados à nematologia são fundamentais para ampliar a conscientização no campo. “Durante muito tempo existiram poucos eventos focados em nematologia. É fundamental sensibilizar o produtor para olhar com mais atenção para a própria lavoura. O nematoide é um problema que não será eliminado completamente; é algo com que o produtor vai conviver, aprendendo a manejar”, afirma.

Experiência para ‘enxergar’ o invisível

Uma das novidades desta edição será a estação interativa “Mundo dos Nematoides”, criada para mostrar, de forma prática, o que ocorre abaixo da superfície do solo.

A proposta é oferecer uma experiência imersiva em uma estrutura semelhante a uma trincheira, onde os participantes poderão observar o perfil do solo enquanto recursos audiovisuais simulam a atividade dos nematoides nas raízes das plantas. “Queremos mostrar de forma visual algo que normalmente é invisível para o produtor. A ideia é que as pessoas possam literalmente entrar no solo e entender como esses organismos interagem com as raízes e impactam a produtividade”, explica Tatiane.

O evento é gratuito, mas possui vagas limitadas, com inscrições disponíveis online, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria AgroMaxt

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Credenciamento inédito no Paraná autoriza coleta de animais mortos com rastreabilidade

Processo transforma resíduos em biocombustível e fertilizantes, sob fiscalização e normas sanitárias rígidas.

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Fotos: Divulgação

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) celebrou de forma oficial, na quinta-feira (16), o primeiro credenciamento de uma empresa que será responsável pelo recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos e resíduos da produção pecuária em propriedades rurais de todo o Estado. A empresa é a A&R Nutrição Animal, sediada em Nova Aurora, região Oeste. O evento ocorreu na sede da empresa, com a presença de representantes da Adapar, diretores e funcionários.

A autorização representa uma alternativa formal e regulamentada, por meio da publicação da Portaria nº 012/2026, à eliminação desses materiais nas próprias fazendas. O documento de autorização é de janeiro deste ano e foi assinado pelo diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, com base na Lei Estadual nº 11.504/1996 e no Decreto Estadual nº 12.029/2014. A medida responde a uma demanda antiga do setor pecuário por soluções estruturadas no descarte de animais mortos.

A A&R Nutrição Animal chegou a essa atividade após deixar o ramo de ração animal e reinvestir toda a sua infraestrutura para atender à necessidade da região. O redirecionamento das atividades aconteceu em parceria com a Secretaria da Agricultura de Toledo e a Suíno Oeste, Associação dos Suinocultores do Oeste do Paraná.

Agora, a empresa passa a poder recolher carcaças de suínos e peixes mortos em qualquer propriedade rural paranaense, embora em um primeiro momento a atuação seja exclusivamente com suínos. O credenciamento tem validade de três anos e é responsabilidade do representante legal da empresa providenciar a renovação dentro do prazo.

O diretor da A&R Nutrição Animal, Charbel Syrio, comemorou a conquista e diz que pretende expandir o negócio de recolhimento dos animais em propriedades rurais. “O objetivo é capitanear esse processo no Brasil e no Paraná, em função de termos o mercado que mais produz o suíno. E a gente vem nessa demanda”, pontuou.

Charbel também explicou o processo e a finalidade do trabalho. “Esses animais, hoje, serão coletados, irão para uma unidade de indústria que vai processar as carcaças e os produtos acabados terão dois destinos: o óleo vai para o biocombustível, para a indústria de higiene e limpeza, indústria química; e a farinha vai para adubos”, complementou.

O chefe do departamento de Saúde Animal, Rafael Gonçalves Dias, destacou a importância do manejo correto das carcaças e do credenciamento de empresas como uma das alternativas disponíveis. Mas frisou que a prática só deve ser realizada quando permitida pela Adapar. “É importante abrir novos caminhos, mas temos que reforçar que é proibida a retirada de animais mortos, de qualquer espécie produzida, de dentro das propriedades por terceiros. Essa prática é somente permitida para empresas credenciadas pela Adapar. Por isso, o principal destino dos suínos mortos ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”, elucida.

Dias também explicou que, por regra geral, a prática de manejar e tratar os animais mortos dentro das propriedades diminui os riscos sanitários envolvidos nesse processo. “É fundamental que a empresa agora credenciada, assim como qualquer outra que venha a se credenciar no futuro, não adentre nas áreas limpas das propriedades, a fim de evitar qualquer tipo de contaminação cruzada entre elas”, conclui.

Restrições e vedações

A portaria estabelece limitações claras sobre a atuação da empresa. Fica expressamente proibido o recolhimento de animais mortos oriundos de outros estados da federação, restringindo a atividade ao território paranaense. Além disso, os produtos gerados a partir do processamento das carcaças não poderão ser utilizados na fabricação de alimentos, seja para consumo animal ou humano.

É de responsabilidade da Adapar a garantia da rastreabilidade de toda a operação. A Agência define que apenas veículos previamente vistoriados e credenciados pelo órgão estão autorizados a realizar o transporte, que deve ser acompanhado da documentação específica. As carcaças são processadas na indústria e transformadas em farinha, destinada posteriormente à produção de adubo ou fertilizante.

Controle sanitário

Em situações em que a Adapar identifica a suspeita de doenças de notificação obrigatória em explorações pecuárias, o recolhimento de animais mortos ficará automaticamente sujeito a restrições, só podendo ser retomado mediante autorização expressa do órgão fiscalizador. O descumprimento das normas previstas na portaria ou das demais regulamentações do Serviço de Defesa Agropecuária pode resultar na suspensão ou no cancelamento do credenciamento.

Fonte: Assessoria Adapar
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Frimesa apresenta novidades em proteínas suínas e fortalece posicionamento de marca

Lançamentos destacam sofisticação, versatilidade e nova identidade visual da cooperativa.

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Foto: Divulgação

Com foco em inovação e diversificação, a Frimesa, uma das maiores cooperativas de alimentos do Brasil, escolhe a vitrine da ExpoApras 2026 – um dos principais eventos do setor supermercadista no Brasil – para apresentar novos itens do portfólio de proteínas animal. A aposta são os lançamentos das linhas premium Fogo & Sabor e os novos hamburgueres da marca, que chegam às gôndolas de todo o país a partir de junho.

Entre as novidades, estão as novas linguiças saborizadas e a Manta de Linguiça Toscana, da marca Fogo & Sabor, que são voltadas aos entusiastas do churrasco e valorizam a inovação e a experimentação de novos cortes e temperos. Versátil, a manta permite aplicações que vão da grelha a air fryer até o preparo de recheios e ragus. Pioneira no formato de linguiça frescal, a nova Chistorra da Frimesa é um diferencial exclusivo no mercado nacional. Já a versão Chimichurri insere na categoria de embutidos a herança dos sabores platinos, amplamente apreciados no Brasil.

Já a linha de hambúrgueres de 120g, nos sabores Toscana, Defumado e Pernil, com assinatura Frimesa, foi projetada para o consumidor que deseja replicar a experiência das hamburguerias artesanais em casa. Ambas as linhas foram desenvolvidas para o segmento premium, posicionando-os junto aos produtos gourmet já consolidados no varejo. Com as inovações, a Frimesa visa suprir a demanda do consumidor que busca valor agregado e qualidade superior.

Rodrigo Fossalussa, superintendente comercial da Frimesa, explica que o lançamento das linhas marca uma fase estratégica de evolução e consolidação do portfólio da Frimesa, alinhado ao novo posicionamento de marca e identidade visual. “O momento exige não apenas inovação, mas sofisticação técnica para demonstrar ao mercado porque somos a maior especialista em carne suína do Brasil. Estamos elevando a percepção de valor da proteína suína”, afirma.

O estande da Frimesa na ExpoApras conta com uma estrutura de 296m² e explora o conceito “A Casa da Família Frimesa”, convidando o varejista a degustar os novos produtos, além dos itens tradicionais já consolidados no mercado. O evento também é uma oportunidade para apresentar a nova identidade visual, lançada em março deste ano junto ao rebranding, que tem como um dos pilares a família. O tema é explorado na campanha de comunicação veiculada a partir de abril e se faz presente também no estande da cooperativa na ExpoApras

“Estamos chegando com presença física em São Paulo, mas as raízes da Frimesa estão no Paraná. Fazer parte da ExpoApras reforça o nosso compromisso com o varejo regional e nacional e o quanto valorizamos esse mercado que tanto nos abraça”, comenta Fossalussa.

Fonte: Assessoria Frimesa
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Fertilizantes sobem em março com impacto de conflitos e gargalos logísticos

Tensões no Oriente Médio elevam custos de energia e frete, pressionando nitrogenados e fosfatados no mercado global.

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Fotos: Claudio Neves

O mercado de fertilizantes registrou alta nos preços ao longo de março, influenciado por tensões geopolíticas e limitações logísticas no cenário internacional. O conflito no Oriente Médio impactou diretamente a produção e o transporte de insumos, especialmente em países do Golfo Pérsico, pressionando custos de energia e frete.

Os fertilizantes nitrogenados seguiram em trajetória de valorização entre março e o início de abril. A ureia acumulou forte alta no período, alcançando cerca de US$ 760 por tonelada CFR em 10 de abril, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA. A combinação de oferta restrita, petróleo e gás natural em níveis elevados e maior incerteza global mantém o mercado volátil no curto prazo.

No segmento de fosfatados, o cenário também foi de pressão. Além do impacto do conflito, a alta do enxofre, insumo essencial para a produção, elevou os custos. No Brasil, os preços subiram cerca de 7% nas últimas semanas, com o MAP atingindo aproximadamente US$ 890 por tonelada CFR. Mesmo com a demanda agrícola avançando de forma gradual, os preços seguem sustentados.

Já os fertilizantes potássicos apresentaram comportamento mais estável em comparação aos demais. A oferta internacional permanece equilibrada, com Rússia e Belarus mantendo volumes relevantes no mercado global. Apesar da menor volatilidade, os preços seguem firmes, acompanhando o aumento dos custos logísticos e o ambiente de incerteza.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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