Suínos Como identificar
Entenda a síndrome da necrose de ponta de orelha em suínos
A síndrome da necrose de ponta de orelha pode ocorrer independente do sistema de produção. Considerando que a disseminação da doença é multifatorial, é necessária a identificação dos fatores de risco. O uso de enriquecimento ambiental pode amenizar os canibalismos de cauda e orelha a partir da redução do estresse dos suínos em diversas fases.

A síndrome da necrose de ponta de orelha tem dois padrões distintos de apresentação. A forma branda é a mais frequente e as lesões iniciam-se com exsudação e dermatite superficial, localizadas na ponta da orelha ou no bordo ventral, causando pouco desconforto e sem manifestação sistêmica no animal (Figura 1).

Figura 1 – Lesão inicial com necrose e formação de crosta na extremidade da orelha
A outra forma, que ocorre ocasionalmente, é a mais severa, que compromete boa parte da extremidade da orelha, causando cianose, exsudação, ulceração e necrose irregular devido a um processo inflamatório agudo e que, geralmente, é sistêmico (Figura 2A e Figura 2B).

Figura 2A – Necrose em fase avançada da lesão.

Figura 2B – Lesão na fase final da evolução do quadro clínico em que a orelha perde sua forma característica e cai.
Os principais fatores envolvidos para a ocorrência aguda da necrose de orelha são o estresse e a imunossupressão. Como a síndrome não tem sido reproduzida experimentalmente, o motivo específico ainda é pouco elucidado, pois várias causas podem estar associadas: Epidermite exsudativa, Inflamação por Staphyococcus (St.) Hyicus ou por Streptococcus (Str.) beta hemolítico.
Uma alteração vasomotora é iniciada pela penetração e desenvolvimento dessas bactérias, que causam um processo inflamatório, intensificando o metabolismo e resultando em celulite, vasculite, trombose, isquemia e necrose. Esses processos geram uma deficiência na irrigação sanguínea e, consequentemente, a síndrome de necrose de orelha. As lesões traumáticas iniciais (Figura 4) permitem a penetração e desenvolvimento de um processo inflamatório bacteriano por St. Hyicus ou Str.B-hemolitico.

Figura 4 – Lesão sugestível de trauma, que pode consequentemente desenvolver a Síndrome de necrose de orelha
Embora a Síndrome de necrose de orelha (SNO) ainda não esteja clara, o desenvolvimento das bactérias St. Hyicus ou Str.B-hemolitico, que são comensais na microbiota epitelial dos suínos, exige uma solução de continuidade na pele (lesões traumáticas iniciais, que permitem a penetração das bactérias como lesões por mordedura), pois não são capazes de penetrar no tecido sadio.
Circovirose
A necrose auricular pode também ser decorrente da circovirose suína, e nesses casos as lesões são resultantes de uma vasculite generalizada por hipersensibilidade imunomediada. Geralmente as lesões são bilaterais e avermelhadas, começando na extremidade da orelha e se estendendo ventralmente. Nesse caso, simultaneamente à lesão auricular, ocorrem sinais clínicos e lesões sistémicas de circovirose em vários leitões do lote, sendo que o diagnóstico deve ser confirmado através de exames laboratoriais.
Intoxicação por Ergot
A ingestão de grãos contaminados com fungo do gênero Claviceps púrpura, que produz a toxina denominada Ergot, é outra possível causa de necrose da orelha. Esse fungo é parasita de grãos, principalmente o centeio, aveia e trigo, e quando ingerido produz uma toxina alcaloide que causa gangrena e problemas reprodutivos, especialmente hipogalaxia/agalaxia, além de leitegadas pequenas. Nesse quadro, a gangrena que ocorre nas extremidades é do tipo seca e não exsudativa, causada por vasoconstrição e danos endoteliais. Os sintomas sistêmicos principais compreendem: depressão, diminuição no consumo de ração, pulso acelerado, laminite e, em alguns casos mais severos, é visível a necrose da orelha e cauda, além da queda das unhas. Os sinais são mais intensificados no período de inverno e o tratamento envolve limpeza local e uso de antibióticos para controlar as infeções secundárias.
Eperitrozoonose
Quando ocorrem infecções por Mycoplasma suis, causador da Eperitrozoonose, é possível verificar a ocorrência de necrose da orelha. Uma vez que essa bactéria está presente no plasma sanguíneo, o organismo desenvolve anticorpos que podem provocar micro aglutinações, principalmente nas extremidades das orelhas, com consequentes distúrbios circulatórios manifestados por cianose, exsudação e necrose.
Doenças sistêmicas
A Salmonelose e a Erisipela são outras doenças sistêmicas. Quando ocorre septicemia em casos raros e em reações tardias, um dos sinais clínicos pode ser a cianose, exsudação e necrose das extremidades das orelhas.
Controle
Primariamente, deve-se avaliar as condições de criação dos leitões, principalmente na creche a no início do crescimento: brigas ou comedouros inadequados levam à ocorrência de lesões traumáticas em excesso; superlotação e formação de lotes muito grandes; evitar misturar leitegadas na formação dos lotes/baias, tanto na creche quanto no crescimento, diminui a ocorrência de brigas; a qualidade do desgaste dos dentes na maternidade deve ser observada; e independente da etiologia da SNO é importante melhorar a limpeza e desinfecção da maternidade, creche e crescimento
Eliminar riscos
Apesar de não estar bem definida a etiologia dessa doença, que pode ser multifatorial como relatado anteriormente, quando constatadas irregularidades com problemas sanitários, a implementação de ações corretivas é indispensável (em qualquer patologia). É preciso atentar sempre à limpeza das baias e desinfeção correta, tempo de vazio sanitário, retirar água dos comedouros na chegada do lote, manter baias secas, manutenção de todo barracão, baias, ventilação, chupetas, cortinas, etc. Note-se que controlar a SNO é agir na eliminação dos fatores de risco, proporcionando conforto e bem-estar aos animais e fornecendo alimento com formulação adequada.
Em se tratando de conforto e bem-estar aos animais, uma boa ferramenta é o enriquecimento ambiental. Ele pode trazer inúmeros benefícios como a redução da incidência de canibalismo de cauda e até mesmo de orelha, uma vez que diversos estudos têm demonstrado que o enriquecimento pode ser eficaz para reduzir a severidade de doenças infecciosas.
A escolha do material de enriquecimento é muito importante, pois devem ser adequados às necessidades comportamentais dos suínos para que os mesmos não fiquem ainda mais estressados. É preciso avaliar se os materiais são seguros, comestíveis, mastigáveis, investigáveis, manipuláveis e, ainda, como deverão ser fornecidos.
Vale ressaltar que as causas primárias desses comportamentos anormais devem ser investigadas. Por si só, o enriquecimento não é suficiente para atenuar o problema, mas pode ajudar a prevenir e complementar o trabalho de combate ao estresse.
Às vezes os antimicrobianos não exercem efeito direto sobre algumas causas da SNO, entretanto, quando a patologia atinge vários suínos em um mesmo lote é recomendável o uso oral de um antibiótico de amplo espectro, de oito a dez dias.
Dependendo do caso, individualmente, alguns leitões necessitam de tratamento com anti-inflamatórios e soluções tópicas. Em outros casos, quando o problema ocorre somente em alguns suínos, apenas a separação do animal em baia hospital pode ser suficiente para a recuperação espontânea.
Caso a SNO esteja associada a uma doença sistêmica como Eperitrozoonose e Circovirose, medidas específicas devem ser adotadas para o agente envolvido. Além disso, é importante manter comedouros e bebedouros suficientes para o número de animais na baia para evitar competição.
Considerações finais
A síndrome da necrose de ponta de orelha pode ocorrer independente do sistema de produção. Considerando que a disseminação da doença é multifatorial, é necessária a identificação dos fatores de risco. O uso de enriquecimento ambiental pode amenizar os canibalismos de cauda e orelha a partir da redução do estresse dos suínos em diversas fases. Sendo assim, deve-se agir na eliminação dos fatores de risco e monitorar os animais em nível nutricional, ambiental e sanitário.
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Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.



