Suínos Suinocultura
“Não comunicamos. Por isso deixamos um campo aberto para desinformação”, sustenta José Luiz Tejon
Tejon defende uma comunicação mais eficiente para o público, especialmente sobre a ciência e a tecnologia hoje empregadas no meio rural

O Presente Rural entrevistou com exclusividade o palestrante internacional, professor e autor José Luiz Tejon. Ele é Top of Mind de RH, considerado uma das maiores autoridades nas áreas da gestão de vendas, marketing em agronegócio, liderança, motivação e superação humana. É ainda uma das cem personalidades mais influentes do agronegócio mundial. Ele defende uma comunicação mais eficiente para o público, especialmente sobre a ciência e a tecnologia hoje empregadas no meio rural. “Não comunicamos. Por isso deixamos um campo aberto para a desinformação”, sustenta.
O Presente Rural – O agronegócio é repetidamente atacado por personalidades e pela população em geral. Porque isso acontece?
José Juiz Tejon – O agronegócio é, enquanto agricultores, querido pela população em pesquisa para a Abag (Associação Brasileira do Agronegócio). Dentre cinco profissões consideradas fundamentais para a vida das cidades, os agricultores foram citados ao lado de médicos, bombeiros, professores e policiais, portanto precisamos rever nossos próprios auto preconceitos. Por outro lado, cabe ao agronegócio esclarecer o que significa ciência e tecnologia envolvida hoje na produção de alimentos. Não fazemos isso, não comunicamos. Por isso deixamos um campo aberto para a desinformação.
O Presente Rural – Como o senhor avalia o vídeo postado pela Xuxa sobre a suinocultura?
Tejon – De uma granja de suínos ultrapassada e que não responde mais pela modernidade das criações. Mas o velho ainda convive com o novo. Precisamos de comunicação esclarecedora das formas modernas de criação e bem-estar animal. Se não investir em comunicação abre espaço para desinformação, a má informação e até fake news. Neste caso essa cena existe, porém ela é ultrapassada e de uma granja que não vai ao futuro. Não representa a nova suinocultura. Importante que a nova suinocultura mostre seus procedimentos ao consumidor e para toda a sociedade. Sem comunicação não teremos futuro.
O Presente Rural – Que impactos esses desserviços fazem no agronegócio?
Tejon – Como são exemplos ultrapassados, não sobrevivem no tempo e não significam todo o setor. Como vemos em várias cadeias produtivas como leite, como já vimos nos ovos, etc. Porém, com a globalização das imagens e desinformações, podem influenciar segmentos de mercados e interferir no consumo. Não cabe mais se vitimizar e reclamar. Precisa comunicar, informar e entender que isso é vital doravante, luta pela percepção… fight for perceptions.
O Presente Rural – A comunicação do agro com o consumidor é falha? Como melhorar?
Tejon – Não temos essa comunicação. Temos a comunicação das marcas na luta – por market share, no consumidor urbano. Mas não temos uma ação permanente de educação publicitária sobre a sociedade comunicando o processo a originação e como os produtos são desenvolvidos desde a ciência até a mente dos consumidores. Não basta mais apenas falar das marcas e de seus atributos agroindustriais. Precisa comunicar os processos, a rastreabilidade e o bem-estar animal envolvido.
O Presente Rural – Porque é difícil para as agroindústrias comunicar as boas práticas na produção, como bem-estar animal, por exemplo?
Tejon – Não deveria ser nada difícil. Basta apenas reservar um percentual no orçamento da comunicação para educar consumidores sobre as práticas boas e sanitárias e humanas na originação de seus produtos. Muito fácil. Apenas uma questão de decisão. E logicamente, contratar publicitários com competência para isso. Mensagem e meios inteligentes e abrangentes.
O Presente Rural – Há pontos positivos na comunicação e marketing das empresas do agro?
Tejon. Sim, como em tudo. Sempre há o positivo e o negativo. As empresas do antes da porteira têm sido valorosas na difusão das inovações e tecnologias para o campo. Os produtores rurais, através de cooperativas principalmente, da mesma forma, como exemplo do sistema Aurora, mostrando o compromisso humano com suas famílias para a qualidade e a sustentabilidade na produção. Idem para as cooperativas de crédito, como Sicredi, revelando a evolução da qualidade de vida em áreas como o Oeste do Paraná, etc. Da mesma forma podemos ver ações da agroindústria sobre educação nutricional e também dos supermercados com o programa Rama, rastreabilidade e monitoramento de alimentos, com uma vontade de transformar 90 mil pontos de vendas em 90 mil pontos de educação de consumidores em luta inclusive contra o desperdício. Existem exemplos. O que não existe é uma reunião integrada conjunta e conjugada de esforços comunicacionais contra a desinformação e a ignorância na percepção pública.
O Presente Rural – Como seria a abordagem ideal de marketing do agronegócio para melhorar sua imagem?
Tejon – A abordagem ideal é mostrar seres humanos cuidando de seres humanos. Uma família de Medianeira (Paraná) cuidando da produção de suínos, por exemplo, com capricho, carinho e paixão para uma família que tem um restaurante a quilo em São Paulo servir com saúde a população. Precisa reunir a sociedade urbana com a rural. Humanizar.
O Presente Rural – Como a comunicação e/ou o agronegócio deve lidar com grupos extremistas ou radicais, como alguns veganos e algumas ONGs de proteção animal?
Tejon – Faz parte da vida. Não pode odiar, xingar e muito menos ignorar. Precisa tratar como seres humanos que são do agro, afinal vegano é agro; e as ONGs separar joio do trigo. Existem ONGs sérias que precisam ser convidadas para o diálogo. Sem uma postura conciliadora não vamos ao bom futuro.
O Presente Rural – Porque ainda se separa tanto o rural e o urbano se um depende do outro?
Tejon – Não se separa. Está totalmente unido. O auto preconceito é muito maior do que o verdadeiro preconceito. E o pessoal do agro embarca em canoas furadas de problemas que não são seus. A quem pertence o problema de agrotóxicos? Aos agricultores? Não. A quem pertence o problema do desmatamento ilegal? Aos produtores? Não. A quem pertence esclarecer o uso da ciência no agro? Aos produtores? Não. A quem pertence esclarecer os problemas da fome no mundo? Aos agricultores? Não. A quem pertence esclarecer os dramas da sanidade da carne nos frigoríficos? Aos pecuaristas? Não. Dessa forma cabe saber o que agribusiness significa, um sistema de cadeias produtivas, onde o elo mais fraco é o agricultor, e cabe aos “irmãos grandes”, as agroindústrias e processadores comandarem as cadeias produtivas protegendo legitimamente seus originadores, os agricultores.
O Presente Rural – Como o senhor avalia parte da sociedade que se alimenta do campo e fala mal dele? Isso vai mudar algum dia?
Tejon – A sociedade não fala mal dele. Isso é uma generalização. Na neurolinguística e na comunicação aprendemos que são três as fórmulas que são utilizadas para a “manipulação” das mentes humanas: generalização, eliminação, distorção. Ao generalizarmos: “a sociedade urbana fala mal do agro” estamos generalizando, distorcendo e eliminando outras versões de amizade e de reverência positiva aos produtores rurais. Por isso comunicação difere totalmente de manipulação. E o que precisamos é de comunicação, para a generalização positiva, para as distorções favoráveis e para a eliminação dos maus exemplos. A cidade reconhece e gosta sim dos agricultores. As exceções não representam a maioria. Mas o silêncio e a omissão das indústrias do antes das porteiras, das agroindústrias do pós-porteira e de entidades, associações do dentro da porteira na educação da sociedade cliente e consumidora é o eixo central do que precisamos cuidar doravante. Para o Brasil é para o mundo.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Suínos
ABCS reúne cadeia suinícola e prepara agenda política para apresentação na Câmara dos Deputados
Encontro FNDS Collab discutiu mercado, integração da cadeia e criação de plataforma nacional de inteligência de dados para a suinocultura.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) reuniu nesta quarta-feira (04), em São Paulo, lideranças da cadeia suinícola brasileira no encontro FNDS Collab, iniciativa que marcou a abertura das atividades do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS) em 2026. O evento congregou representantes de frigoríficos que contribuem para o fundo, associações estaduais, produtores e empresas ligadas ao setor. A proposta foi alinhar prioridades estratégicas da cadeia e discutir instrumentos capazes de ampliar a organização de dados e a capacidade de planejamento da atividade no país.

Foto: Selmar Marquesin/OP Rural
Um dos principais temas apresentados durante o encontro foi o desenvolvimento de uma plataforma digital de inteligência de mercado para a suinocultura, iniciativa que pretende consolidar dados do setor em um ambiente estruturado e acessível às entidades participantes.
Segundo a apresentação da ABCS, o projeto prevê três frentes principais: criação de painéis interativos com indicadores do setor, consolidação de bases de dados provenientes de diferentes fontes e implantação de processos sistemáticos de coleta, tratamento e análise das informações.
A proposta é permitir que os diferentes elos da cadeia tenham acesso a indicadores estratégicos de forma mais organizada, contribuindo para decisões de produção, investimento e formulação de políticas públicas.
Plataforma de dados e previsibilidade de mercado
Entre os potenciais da iniciativa apresentados durante o evento está a possibilidade de antecipar cenários de mercado, incluindo a comercialização de genética. Na avaliação apresentada pela entidade, a cadeia suinícola possui uma vantagem estrutural em relação a outras proteínas na previsibilidade produtiva, o que abre espaço para análises mais precisas de oferta e demanda.
A consolidação dessas informações, entretanto, depende de desafios operacionais relevantes, entre eles o engajamento das entidades do sistema ABCS e o acesso a bases de dados oficiais e de empresas de genética e indústria.

Foto: Selmar Marquesin/OP Rural
A estrutura tecnológica da plataforma deverá operar em infraestrutura em nuvem, com camadas de controle de acesso e mecanismos de anonimização de dados para adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O sistema também prevê acessos diferenciados para produtores, associações e empresas parceiras. Entre as aplicações mencionadas estão previsões de mercado e benchmarking para produtores, subsídios para planejamento setorial e formulação de políticas públicas pelas associações e análises de potencial de mercado para empresas do setor.
Integração da cadeia
Durante o encontro, a ABCS também destacou o papel do FNDS como instrumento de articulação da cadeia produtiva. A proposta do FNDS Collab é reunir periodicamente frigoríficos, associações estaduais, produtores e empresas parceiras para troca de informações e construção de iniciativas conjuntas voltadas ao fortalecimento da suinocultura brasileira.
Segundo a entidade, o modelo busca aproximar os diferentes elos da cadeia e estimular ações coletivas capazes de ampliar competitividade, acesso a informações e articulação institucional do setor.
Agenda política do setor chega à Câmara
As discussões realizadas no encontro também integram a preparação do Retrato da Suinocultura Brasileira e da Agenda de Demandas do setor, documento que será apresentado em Brasília no próximo dia 16 de junho de 2026, em evento político organizado pela ABCS com lideranças da cadeia e parlamentares.
A iniciativa pretende atualizar dados econômicos e estruturais da suinocultura nacional e apresentar aos deputados federais as principais

Foto: Selmar Marquesin/OP Rural
prioridades do setor em temas como competitividade, políticas públicas, defesa sanitária e desenvolvimento de mercado.
De acordo com a entidade, o objetivo é reforçar a presença institucional da suinocultura nas pautas do Congresso Nacional, utilizando dados consolidados para demonstrar o peso econômico e social da atividade.
O evento em Brasília também deve funcionar como espaço de diálogo entre representantes do setor produtivo e parlamentares, com foco na construção de agendas legislativas e institucionais relacionadas à cadeia.
Presença do O Presente Rural
O jornal O Presente Rural acompanhou o encontro realizado em São Paulo, que marcou o início das atividades do FNDS em 2026 e antecipou discussões estratégicas da cadeia suinícola brasileira. A iniciativa reforça a articulação entre os diferentes elos do setor em um momento em que a disponibilidade de dados, a organização institucional e a interlocução política passam a ocupar papel cada vez mais relevante na definição dos rumos da atividade no país.
Suínos
Brasil na 3ª posição mundial: avanço da suinocultura é estrutural ou circunstancial?
Nova edição de Suínos de O Presente Rural analisa recordes, estabilidade para 2026 e mostra o setor como você nunca viu na Expedição Rotas do Brasil.

A nova edição do jornal Suínos de O Presente Rural coloca em debate, já na capa, uma pergunta estratégica para a cadeia produtiva: o Brasil na terceira posição mundial em exportações veio para ficar? A publicação parte dos números recordes recentes, da diversificação de mercados e das decisões de longo prazo adotadas pelo setor para analisar se o atual protagonismo brasileiro é resultado de construção estruturada ou de circunstâncias favoráveis do mercado internacional.
A reportagem central destaca que há uma diferença fundamental entre produzir muito e produzir de forma organizada, previsível e estratégica. Ao alcançar a terceira posição global nas exportações de carne suína, somando-se ao fato de ser o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, o Brasil consolida um modelo de agroindústria que opera com planejamento, escala e inserção internacional consistente. A análise da edição aponta que o desempenho não pode ser tratado apenas como uma sequência de recordes, mas como parte de um processo de maturação produtiva e comercial.
Além da reportagem de capa, a nova edição traz conteúdos que ampliam a visão sobre o momento do setor. Um dos destaques é a análise sobre o ciclo de maior estabilidade projetado para 2026, com base em avaliações da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), indicando cenário mais previsível após períodos de forte oscilação.
A publicação também aborda temas técnicos e econômicos que impactam diretamente a rentabilidade nas granjas. A alimentação de precisão surge como ferramenta capaz de reduzir em até 10% os custos com ração, enquanto outra matéria detalha como cada grau a mais na temperatura pode reduzir o consumo dos animais em quase meio quilo por dia, reforçando a importância do manejo térmico. No campo sanitário, a edição discute os limites técnicos e regulatórios das vacinas autógenas, trazendo ao debate um tema sensível e estratégico para a biosseguridade.
O jornal ainda traz uma reportagem especial sobre o Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece em junho, destacando a importância do encontro para as discussões sobre competitividade, inovação e sustentabilidade na cadeia produtiva.
E ainda destaca o documentário Expedição Suinocultura Rotas do Brasil, que percorreu Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. A iniciativa apresenta, em texto e vídeo, a suinocultura brasileira sob uma perspectiva inédita, mostrando bastidores, desafios, tecnologia e as pessoas que sustentam uma das cadeias mais organizadas do agro nacional.
Além das reportagens, o jornal reúne artigos técnicos assinados por especialistas, abordando temas como manejo, inovação, bem-estar animal, nutrição e as tecnologias que estão moldando o futuro da atividade. A publicação ainda apresenta as novidades das principais empresas do agronegócio do Brasil e do exterior.
A nova edição de Suínos de O Presente Rural além de informar também convida o leitor a refletir sobre o futuro do setor, com dados, análise e conteúdo multimídia que ajudam a entender se a terceira posição mundial é um ponto de chegada ou apenas mais uma etapa de uma trajetória em consolidação.
Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!
Suínos
Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações
Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).
Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.
Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.
Os dados têm como base levantamento do Cepea.



