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Não basta implementar ações ESG, é essencial comunicar o que está sendo feito
Mercado exige posicionamento claro das empresas em relação às práticas ambientais, sociais e de governança.

No cenário empresarial contemporâneo, a conscientização sobre a responsabilidade social e ambiental tornou-se essencial. Já são muitas as ações ESG, práticas ambientais, sociais e de governança desenvolvidas pelas empresas comprometidas com um futuro mais sustentável.
Segundo a jornalista Silvana Piñeiro Nogueira, as empresas têm dúvidas sobre quando começar a divulgar essas ações interna e externamente. “É importante que o conceito ESG esteja impregnado em todas as áreas da empresa, que as ações estejam sendo realmente implementadas, para que a comunicação seja feita sem receio de que se torne um green washing”, afirma.
Para isso, Silvana alerta que as áreas de comunicação e marketing devem entender que ESG não é apenas uma ferramenta para vender, mas que a prática precisa ser verdadeira. “É fundamental ter coerência e solidez quando divulgamos, por exemplo, que temos diversidade na empresa ou se uma embalagem é totalmente reciclável”, aponta.
A jornalista destaca que quando o ESG se transforma em uma fachada e a divulgação segue ainda assim, criando uma cortina de fumaça, o impacto sobre a reputação da marca é profundo e pode resultar em multas e sanções do governo. Perante a lei, aqueles que divulgam sem embasamento concreto e resultados, correm o risco de aumentar a penalidade em mais de 10 vezes. “Estamos em um caminho sem volta. As empresas vão ter que olhar e se adaptar a uma gestão sustentável e precisam dar voz a essas iniciativas. Até porque o próprio mercado exige esse posicionamento. Ao comunicar, o conceito se fortalece e promovemos mudanças de cultura no meio empresarial”, reforça.
ESG em pauta
Silvana Piñeiro é uma das palestrantes no evento ESG: implemente, mensure e comunique a seu favor, promovido pela Câmara de Comércio Brasil Alemanha, por meio do seu Grupo de Intercâmbio de Experiências em ESG (Giema+SG), que será realizado no dia 29 de novembro, das 14 horas às 17h30, no Hotel Bristol Brasil 500, em Curitiba (PR). As inscrições podem ser feitas aqui.
O objetivo é compartilhar experiências de implementação, falar sobre indicadores, como comunicar positivamente e compartilhar as dificuldades enfrentadas pelas empresas que já desenvolvem ações de ESG.
Além da jornalista Silvana Piñeiro, fundadora e CEO da Smartcom – Inteligência em Comunicação, mestre em Estudos Políticos pela Sorbonne – Paris II, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação para Sustentabilidade pela Deutsch Akademie Public Relation (DAPR) – Alemanha, participam como palestrantes do evento Cris Baluta, CEO da Roadimex Ambiental e Head do Impacto+, especialista em Gestão Ambiental, que vai abrir o evento com a atual contextualização do ESG e suas polêmicas.
Na sequência, Rubia Moisa, mestre em Passivos Ambientais e Engenheira Química pela UFPR, além de diretora técnica da Roadimex e Head do Impacto+, vai falar sobre as normas ABNT 2030, e Claudia Coser, doutora em Administração pela UFPR nas áreas de Estratégia e Organizações, além de fundadora e CEO da Plataforma Nobis, que vai falar sobre Indicadores ESG.
A programação também terá como convidados especiais Luciano Ávila (Harbauer do Brasil),Rafael Tögel (Licks Attorneys) e Carlos Polakowski (Elis do Brasil), que irão compartilhar os desafios práticos que enfrentam no dia a dia em relação ao ESG.

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
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Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



