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Na vanguarda, JBS já adota sistema cobre e solta

O Presente Rural conversou com o diretor da Seara Alimentos – JBS Foods, José Antônio Ribas Junior, para saber como empresa está se adaptando aos novos sistemas

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Divulgação/MAPA

O diretor da Seara Alimentos – JBS Foods, José Antônio Ribas Junior, fala em entrevista ao jornal O Presente Rural como a empresa está se adaptando aos novos sistemas. Destaca que “acima de tudo, é um modelo mental de produção”, com ganhos reprodutivos na gestação coletiva em relação aos modelos anteriores. A JBS está na vanguarda. Todos os projetos dos últimos quatro anos já contemplam o sistema cobre e solta, quando as matrizes são imediatamente colocadas em baias coletivas, sem antes passar os 35 dias em baias individuais.

O Presente Rural – Quantas matrizes em produção a JBS tem atualmente e quantas estão em baias coletivas?

José Ribas – A JBS opera com mais de 220 mil fêmeas com um percentual de aproximadamente 62% em gestação coletiva.

O Presente Rural – Em que municípios ficam localizadas essas granjas?

José Ribas – Carambeí (PR), Dourados (MS), Seara (SC), Itapiranga (SC), São Miguel do Oeste (SC), Três Passos (RS), Seberi (RS) e Ana Rech (RS).

O Presente Rural – Desde quando e porque a JBS optou por baias de gestação coletivas?

José Ribas – Como a JBS/Seara é uma empresa formada a partir da aquisição/fusão de outras empresas, nossas granjas em suas diversas origens possuem uma variedade grande de layout e de padrão tecnológico em suas instalações. Isso nos trouxe desafios adicionais.

Sob a ótica de bem-estar animal, no entanto, nossas premissas e orientações antecederam qualquer outro movimento no Brasil. Importante reforçar que, mesmo antes dos movimentos contra o alojamento das fêmeas em espaços individuais, a Seara já desenvolvia projetos com manejos “cobre e fica”. Nesse processo as fêmeas permanecem em baias individuais por um período máximo de 35 dias.

Atualmente, todos os nossos novos projetos compreendem o sistema “cobre e solta”. Adotamos essa linha por entender que o pleno equilíbrio e harmonia entre ambiente, animal e homem permitem uma máxima expressão do potencial genético dos animais.

Isso se reflete em melhor desempenho reprodutivo, oferecendo maior competitividade à cadeia. Comprovamos isso quando avaliamos nossos indicadores zootécnicos, e as fêmeas em maior período em alojamento coletivo apresentam os melhores desempenhos.

O Presente Rural – Quando atingiram esse índice atual de 58% de matrizes em baias de gestação coletivas?

José Ribas – Temos compromissos públicos firmados e metas estabelecidas mês a mês para todos os anos. Isso coloca nosso time e todos os nossos produtores em linha com esse desafio. Atingimos esse indicador durante o último trimestre de 2020. Estamos atendendo nossos compromissos.

Méritos de nosso time de assistência técnica, mas muito mérito de nossos produtores, que estão entendendo a relevância do tema e estão comprometidos em fazer essa transformação.

O Presente Rural – Fale mais sobre os sistemas “cobre e fica” e “cobre e solta”.

José Ribas – Temos situações diferentes em nossa integração. Para os projetos novos, edificados nos últimos quatro anos, o sistema de manejo adotado compreende o “cobre e solta”, em que, após o desmame e inseminação artificial, as fêmeas passam a permanecer novamente em alojamento coletivo.

Para os projetos mais antigos, temos duas situações: para propriedades sem limitação de área de construção (por situação ambiental, matrícula ou física), adequamos as granjas por meio de uma expansão dos alojamentos coletivos para permitir a prática do manejo “cobre e solta” (transferência das fêmeas para o alojamento coletivo logo após a inseminação).

Já para as propriedades com limitações de expansão, adequamos as granjas para que as fêmeas permaneçam em alojamento individual até os 35 dias de gestação e, na sequência, as fêmeas já são encaminhadas também ao alojamento coletivo.

Estamos fazendo uma transformação não só cultural, mas também física nas granjas. Isso demanda investimentos e pode gerar impactos nas capacidades de produção. Dessa forma, há que se ter muita responsabilidade nesse processo para que possamos cuidar bem do bem-estar animal e, da mesma forma, das pessoas que vivem e fazem a nossa suinocultura.

O Presente Rural – Quais são os desafios de implantar o sistema?

José Ribas – Podemos alinhar os seguintes pontos principais: 1 – Há que se compreender que no Brasil temos uma diversidade de modelos de instalações e tecnologias implementadas que demandam estudos caso a caso para qualquer adaptação; 2) As propriedades, em sua maioria, vêm de projetos antigos que trazem, em sua essência, uma suinocultura intensiva em que o confinamento e gestação em espaço individual representam ganho em escala e otimização de metros de instalação; 3) A adequação para algumas granjas representa perda de inventário de fêmeas, pois se necessita de mais metro quadrado/fêmea (na cela é 0,72 m²/fêmea, na coletiva 2,20 m²/fêmea) e nem todas as granjas têm capacidade de expansão para as baias coletivas; 4) Necessidade de maior capacitação da mão de obra – processo de classificação das fêmeas (ordem de parto, tamanho das fêmeas, peso, etc.), diagnóstico de gestação (ultrassom), manejo de identificação de retorno (visualização de abortos na baia), manejo de arraçoamento (assegurar a quantidade de consumo adequado por fêmea); 5) Valores envolvidos nas adequações das granjas – aproximadamente R$ 600/fêmea.

Outro aspecto relevante é o “aculturamento” de todos. Desde o produtor, sua mão de obra, responsáveis pelos transportes e equipes. Enfim, o bem-estar animal não pode ser somente uma ação física ou tecnológica. Acima de tudo, é um modelo mental de produção. Esse aspecto é o mais relevante, pois, a partir desse entendimento, as demais ações podem ser tomadas em conjunto.

O Presente Rural – Quais foram os investimentos?

José Ribas – Os valores passam pelas modificações nas premissas dos projetos novos e pelas melhorias e mudanças dos projetos existentes. É difícil dimensionar todo o valor envolvido, mas estimamos que, nos últimos sete anos, os investimentos superem R$ 90 milhões.

Desenvolvemos uma linha própria de incentivo com o objetivo de reconhecer e acelerar a adequação das granjas que investem na melhoria das instalações por um período de 10 anos. Dessa forma, incentivamos aproximadamente 80% do recurso investido pelo produtor.

O Presente Rural – Vocês conseguiram notar diferenças na produtividade, sanidade etc. entre os dois modelos?

José Ribas – Realizamos vários experimentos para avaliar estatisticamente a diferença entre os sistemas (“cobre e fica” até 35 dias de gestação e “cobre e solta” após a inseminação). Não observamos diferenças estatísticas nos indicadores de produtividade e também nos de bem-estar animal. Mas vale ressaltar que os resultados estão diretamente ligados a boas práticas de produção realizadas junto às matrizes na granja.

Com relação aos modelos antigos, está claro que podemos ter ganhos. Sistemas adaptados trazem o benefício do bem-estar animal e oportunidades importantes de melhorias zootécnicas – e, em consequência, econômicas.

O Presente Rural – Quais pontos positivos da gestação coletiva?

José Ribas – Permite que as fêmeas manifestem os comportamentos específicos da espécie. Exemplo, definição de área limpa (para se alimentar, beber água) e área suja (para excretas). Permite ainda que a fêmea tenha um convívio social total e possibilita uma redução de problemas do aparelho geniturinário (fêmeas em gestação coletiva bebem mais água, urinam mais e evitam infecções urinárias). Observa-se menor manifestação das chamadas estereotipias (morder a cela, engolir ar, salivação e vocalização excessiva).

Os funcionários têm uma percepção mais positiva das granjas com alojamentos coletivos. São instalações com menor carga de grades, o ambiente parece mais limpo, e o nível de vocalização das fêmeas é menor. São aprendizados que estão sendo construídos e consolidados, mas que nos fazem ter a certeza do caminho que estamos percorrendo e dos objetivos a serem alcançados.

O Presente Rural – Quais pontos negativos da gestação coletiva?

José Ribas – Não considero que são pontos negativos. São, sim, aprendizados necessários e que farão toda a diferença. Quem tem feito a diferença nesse tema, mitigando eventuais dificuldades e sustentando investimentos, são nossos produtores rurais. A eles temos que buscar toda a ajuda possível e necessária.

São exemplos desses pontos de atenção: necessidade de maior acuracidade na classificação das fêmeas para formação do grupo (peso, tamanho, ordem de parto). No ambiente coletivo as brigas e disputas são maiores e, para não termos maiores danos, é preciso assegurar a correta classificação, permite disputas mais equilibradas.

Também há maior disputa pelo alimento no momento do arraçoamento. Existe necessidade de maior área para instalação dos alojamentos coletivos. Algumas granjas não têm área para realizar a expansão, precisando reduzir inventário das fêmeas, prejudicando a sustentabilidade econômica da atividade.

Maior cuidado e acompanhamento na observação das baias para identificação de fêmeas que não estão comendo e a identificação proativa de abortos no grupo.

Quando identificada uma fêmea com queda do escore corporal ou com a saúde comprometida, é necessário ter uma área “hospital” para a separação da matriz de modo a facilitar a recuperação dela.

Há também mais chance de problemas de disputas longas com fêmeas introduzidas em grupos já hierarquizados. Necessidade de fazer a introdução de mais de uma fêmea ao mesmo tempo ou acompanhar as primeiras horas logo após isso para assegurar o término das disputas. Se elas ocorrerem por tempo prolongado, há risco de mortalidade de fêmeas.

O Presente Rural – O compromisso da JBS é ter 100% em baias coletivas até 2025, mas, analisando que hoje praticamente 6 em cada 10 já estão nesse sistema, é possível que esse prazo seja reduzido? A JBS tem planos de se antecipar a 2025?

José Ribas – Todos os esforços estão sendo feitos. Estamos focados em fazer bem feito. A soma de esforços de nossos produtores e o nosso é que tem nos permitido atender até aqui esse compromisso. É difícil afirmar a respeito da possibilidade de o prazo de adequação ser reduzido.

Temos desafios conhecidos e outros novos. Veja que em 2020 tivemos a pandemia, que afetou os processos de produção, com maior ou menor impacto. Obras atrasaram, e investimentos ficaram mais caros, apenas para citar alguns obstáculos. Com relação à Covid-19, temos dificuldade de mão de obra, falta de insumos e até de equipamentos.

Os últimos acontecimentos nos desafiam ainda mais quando olhamos para nosso compromisso de adequar as gestações até 2025. Continuamos firmes em nosso propósito, incentivando e conscientizando os produtores de que esse é mais um grande passo, como tantos já realizados, rumo à melhoria, cada vez mais em linha com as boas práticas de produção animal, pois são essas que nos proporcionam maior competitividade e sustentabilidade para a cadeia produtiva.

Todos entendemos – toda a cadeia de produção, de produtores, transportadores, agroindústria – que esse caminho é necessário. A sociedade é cada vez mais exigente e menos tolerante a qualquer procedimento que cause desconforto aos animais.

Atender esse propósito de alimentar o mundo, cuidar de gente e do bem-estar animal são atributos inegociáveis da produção de proteína. Todos estamos comprometidos. Sempre que houver oportunidade incorporaremos melhorias e faremos isso na melhor velocidade possível, considerando sempre todos os aspectos envolvidos. Está claro que temos que falar o que fazemos e fazer o que falamos. Dessa forma continuaremos a alimentar o mundo.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Comedouros seco-úmidos ganham espaço na suinocultura e melhoram desempenho produtivo

Tecnologia reduz desperdícios, aumenta velocidade de consumo e pode elevar a rentabilidade das granjas.

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Fotos: Divulgação/STA

Na suinocultura moderna, a escolha e o manejo do comedouro podem definir tanto o desempenho zootécnico quanto a rentabilidade da granja. Entre as opções, o debate entre modelos secos e seco-úmidos de inox ganha cada vez mais relevância: de um lado, praticidade em sistemas sem acesso fácil à água; de outro, maior velocidade de consumo, redução de desperdícios e ganhos econômicos no longo prazo. A zootecnista e coordenadora técnica comercial da STA, Kaine Cubas, explica as diferenças entre os sistemas, aponta erros comuns de manejo e projeta a tendência de adoção dos comedouros seco-úmidos no Brasil.

Qual a sua percepção sobre o uso de comedouros de inox (tulha) no mercado atual?

Esse equipamento já existe há muitos anos no mercado mundial, mas, na minha opinião, o comedouro de inox veio para o Brasil, e o que aconteceu foi que a forma correta de uso para quem o utilizava não chegou junto com a tecnologia. E aí, o que acontece? A tecnologia acaba sendo queimada, assim como já ocorreu com várias outras. Além disso, vários aspectos evoluíram muito na suinocultura, como a nutrição e a genética. Entretanto, percebo que não só os comedouros, mas os equipamentos em geral acabam sendo um dos últimos pontos de atenção dentro da produção. Sempre falo que isso causa um impacto silencioso, mas de grande proporção em desempenho zootécnico e no âmbito financeiro.

Qual é a principal diferença prática entre o comedouro seco e o seco/úmido, e o que isso significa para o desempenho do animal?

Zootecnista Kaine Cubas explica as diferenças entre os sistemas, aponta erros comuns de manejo e projeta a tendência de adoção dos comedouros seco-úmidos no Brasil

Basicamente, quando utilizamos água em quantidade adequada (isso é bastante importante), a velocidade de consumo de ração pelo animal aumenta. Ou seja, no comedouro seco a velocidade de consumo de ração pelo animal é menor. Aliado a isso, o animal não tem água disponível no comedouro, então precisa se deslocar até o bebedouro auxiliar da baia. Na alimentação seca o animal acaba levando um pouco de ração na orelha, além de sair comendo e derrubando ração seca da boca, o que aumenta o desperdício. Por esses motivos, em um comedouro seco a capacidade de animais é reduzida pela metade com relação a um comedouro seco-úmido. Portanto, na alimentação seco-úmida, o custo por animal do equipamento é reduzido em comparação à alimentação seca. Noto que muitas vezes há a percepção de que um comedouro seco não é bom e isso não é verdade. Em situações em que o produtor não tem condições de utilizar um comedouro seco-úmido por falta de mão de obra, por indisponibilidade de adequar encanamentos, entre outros motivos, o comedouro seco é uma ótima opção, assim como em regiões em que há falta de água ou pouca disponibilidade.

O manejo da água nesse sistema pode trazer vantagens também em relação à redução de desperdícios?

Em meu ver a água é um dos pontos principais para o sucesso no uso de comedouro seco-úmido. Percebo a preocupação dos produtores e pessoas do setor com a regulagem de ração, mas o primeiro ponto a ser regulado deveria ser a água. É necessária uma quantidade controlada de água na bandeja inferior do comedouro, justamente para se umedecer a ração, sem excessos. Vejo claramente no campo o uso comum de uma torneira ou registro na linha de água para regular a quantidade de água do comedouro. Isso não é normal e foi um mecanismo criado para compensar uma deficiência dos comedouros, essa é a verdade nua e crua. Esse comedouro foi desenvolvido para reduzir o uso de mão de obra na granja e não para que uma pessoa precise ficar o dia todo abrindo e fechando uma torneira: quando abre um pouco mais, o comedouro enche de água; quando fecha, a ração fica seca, e por aí vai. Quanto à redução de desperdício, o uso da água minimiza o desperdício de ração. Mas igualmente melhora o desperdício de água, visto que o animal também consome água no comedouro. Visto isso, muitos produtores canalizam a medicação via água para que o animal consuma no comedouro. Outra questão é que se há redução no desperdício de água, logo, há redução no volume de dejetos, que se sabe que é um problema principalmente para produtores que têm poucas áreas para destiná-los.

Além do desempenho zootécnico, que efeitos esse tipo de comedouro tem sobre o bem-estar animal e o comportamento dos suínos?

Obviamente o comedouro é apenas um componente dos sistemas de creche e de terminação. Mas ressalto que um dos cinco pilares do bem-estar se refere à liberdade de fome e sede, isto é, garantir acesso à água e alimentação adequadas. Assim, espera-se que animais bem alimentados tenham melhor imunidade e, com isso, menor incidência de doenças e taxa de mortalidade. Aliás, em animais alimentados em comedouro seco-úmido com manejo adequado nota-se que a uniformidade dos lotes também melhora.

Quais são os principais erros de manejo que podem comprometer os resultados esperados desse sistema?

Na realidade, o que acontece é uma sucessão de erros, desde a escolha do modelo de comedouro até a execução do manejo em si. Vejo no mercado de equipamentos muitas informações disseminadas por fornecedores e outras pessoas do setor que, quando questionadas, não sabem explicar de onde vieram e, quem sofre com isso, no final das contas, é o produtor. O erro mais clichê que vejo enraizado é o conceito de que nas fases iniciais de terminação e creche, quanto mais ração é deixada na parte inferior do comedouro, melhor será o consumo e a conversão alimentar. Tenho a oportunidade de acompanhar o andamento de lotes de terminação em muitas regiões do Brasil e sou convicta de que isso é um mito. O que vejo é um conceito teórico que não funciona, embasado na utilização de comedouro funil. Quando realizamos o manejo de um comedouro funil em um comedouro de inox o que eu espero é um resultado desastroso, pois quando se deixa mais ração na bandeja inferior do comedouro no início da terminação, a ração acaba ficando seca. Se a ração fica seca, o animal reduz a velocidade de consumo e seria necessário utilizar um comedouro com o dobro de bocas para atender a mesma quantidade de animais. Ou seja, acaba sendo ocasionada uma restrição de consumo. O que precisamos é de uma regulagem correta do começo ao final do lote.

Do ponto de vista econômico, a melhoria na conversão alimentar na terminação compensa o investimento inicial no comedouro seco/úmido?

Com toda a certeza. Para exemplo, vou considerar um comedouro de três bocas por lado que será instalado na divisória de duas baias. Esse modelo de comedouro comporta em média 84 animais. Se o produtor faz três lotes de terminação ao ano e é esperado que o comedouro tenha no mínimo 10 anos de vida útil, esse produtor terá R$ 1,37 de custo por animal em 10 anos para a compra de uma unidade desse equipamento. Já quando o produtor piora a conversão alimentar em 0,05 em um comedouro desse modelo, isso representa em torno de 1.500 kg de ração a mais que passará por um único comedouro em um ano. É uma conta que fecha tranquilamente, mas o olhar precisa ser a longo prazo.

Hoje, há tecnologias associadas aos comedouros que potencializam o efeito sobre o desempenho?

Com certeza, atualmente há tecnologias nos comedouros que melhoram substancialmente o desempenho dos animais. Um exemplo é o sistema que emprega válvulas de silicone capazes de controlar a pressão e, consequentemente, a vazão de água, garantindo o umedecimento adequado da ração. Essa tecnologia evita o enchimento excessivo dos comedouros de água e dispensa o ajuste manual de vazão por meio de torneiras ou registros, o que proporciona maior precisão e praticidade no manejo. Em testes de campo, foi possível observar comedouros operando com vazão de 2 L/min, que é considerada muito alta, mas, mesmo assim, mantendo o nível ideal de umidade na ração, resultado obtido graças à ação controladora do silicone presente na válvula umedecedora.

Quais as características que um comedouro seco-úmido de inox precisa ter para ser considerado de qualidade?

Há vários quesitos a serem considerados, vou comentar sobre os principais. Em primeiro lugar é importante que o comedouro seja composto de inox 304, que é um tipo de aço durável e resistente à corrosão. Muito cuidado: existe outra liga de aço no mercado, a 201, que visivelmente é parecida com a 304, entretanto não é resistente à corrosão. Outro ponto é que em termos de durabilidade, comedouros de inox soldados são mais resistentes e duráveis com relação a comedouros parafusados. Além disso, a regulagem de ração precisa e milimétrica em um comedouro é fundamental, pois impacta diretamente nos resultados produtivos. Por último, mas tão importante quanto, uma válvula umedecedora que controle água é primordial. Lembrando que o excesso de água está atrelado a excesso de consumo de ração.

Na sua visão, qual deve ser a tendência de adoção do comedouro seco/úmido no Brasil nos próximos anos?

Acredito que em cada sistema há um modelo de alimentação dos animais que se enquadre melhor, pois cada realidade é única. No entanto, com todos os produtores e empresas com quem converso acabo ouvindo um assunto em comum: a falta de mão de obra. Vejo a adoção do comedouro seco-úmido no Brasil nos próximos anos como algo promissor e que pode ajudar os produtores nesse quesito, pois esse equipamento foi desenvolvido para utilizar o mínimo possível de mão de obra e ser manejado de forma bastante simples. Outro aspecto a considerar é que é um equipamento durável e que demanda de pouquíssima manutenção.

Se você pudesse dar um conselho a alguém que irá comprar comedouros seco-úmidos de inox, qual seria?

Independentemente de quem for, que esse produtor escolha um fornecedor de sua confiança, que seja capaz de lhe auxiliar a obter os melhores resultados possíveis com o equipamento. Não é apenas comprar e instalar, o resultado vem da forma de manejar. Quando falo em manejo as pessoas associam à regulação de ração. Mas o manejo engloba vários aspectos, desde a escolha do modelo, até as estratégias de regulagem de ração e de água ao longo do lote. Não há resultado sem pós-venda, isso é fato.

Com distribuição nacional nas principais regiões produtoras do agro brasileiro, O Presente Rural – Suinocultura também está disponível em formato digital. O conteúdo completo pode ser acessado gratuitamente em PDF, na aba Edições Impressas do site.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Preço do suíno vivo recua quase 7% em janeiro com demanda interna e externa mais fraca

Dados do Cepea apontam desequilíbrio entre oferta e procura, mesmo com ritmo de abates semelhante ao de dezembro.

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Depois de atravessarem o último trimestre do ano passado em estabilidade, os preços do suíno vivo apresentaram forte queda em janeiro, apontam dados do Cepea. A pressão sobre as cotações veio sobretudo do desaquecimento das demandas interna e externa. Pesquisadores do Cepea ressaltam que esse movimento de baixa já é tipicamente observado em janeiro, quando a demanda doméstica costuma diminuir, por conta dos maiores gastos no período.

Neste ano, verificou-se também retração da demanda externa, o que reforçou as quedas de preços. Segundo dados da Secex, a média de embarques na parcial de janeiro foi de 4,9 mil toneladas, contra 5,4 mil toneladas em dezembro.

Do lado da oferta, pesquisadores do Cepea indicam que os abates em janeiro estiveram em ritmo similar ao observado em dezembro, o que, somado à demanda retraída, acabou resultando em forte desequilíbrio entre disponibilidade e procura em janeiro.

Na praça SP-5, o suíno vivo posto na indústria teve média de R$ 8,24/kg em janeiro, baixa de 6,9% frente à de dezembro. Trata-se da queda mais intensa no preço do suíno vivo desde janeiro de 2025 (em valores reais), quando o animal registrou forte desvalorização de 13,3% frente a dezembro de 2024.

Fonte: Assessoria Cepea
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Suínos Em Minas Gerais

Suinfair 2026 aposta em inovação e negócios para impulsionar suinocultura

Evento reunirá produtores, empresas e especialistas nos dias 01º e 02 de julho com foco em eficiência produtiva e gestão de custos.

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A suinocultura moderna exige rapidez. O que funcionava ontem já não atende aos custos e à competitividade de hoje. É com esse foco em dinamismo que a Suinfair 2026 chega aos dias 01 e 02 de julho, consolidando o Vale do Piranga como o grande ponto de encontro estratégico para quem vive a atividade na prática.

Com o conceito “Suinocultura em Movimento”, a feira deixa de ser apenas uma exposição tradicional para se tornar um ambiente de decisão. O evento é pensado para o produtor que busca transformar dados em lucro e inovação em rotina, mantendo o protagonismo de quem está no dia a dia da porteira.

Realizada em território oficialmente reconhecido como o Polo Mineiro de Incentivo à Suinocultura, a Suinfair se destaca por sua objetividade. O ambiente é planejado para otimizar o tempo de produtores, técnicos e gestores, conectando-os a soluções tecnológicas e novos modelos de negócio de forma direta.

Além de impulsionar a economia regional e fortalecer o comércio local, o evento reafirma a organização da cadeia produtiva em Minas Gerais. A edição deste ano conta com o apoio institucional da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS).

O que esperar da edição 2026: Foco em Resultado, tecnologias e conteúdos voltados para a eficiência operacional e gestão de custos. Networking qualificado, encontro direto entre as principais empresas do setor e o produtor independente e ambiente estratégico, um formato dinâmico, focado em trocas de experiências e geração de negócios reais.

O Diretor Presidente da Assuvap, Rodrigo Torres, explica que a próxima edição da Suinfair significa muito para os associados da Assuvap pois traz duas mudanças muito significativas. “Sua realização se dará no próprio espaço da associação, o que possibilitará um maior envolvimento  dos associados com espaço físico de sua sede e com a própria instituição e o tradicional jantar de encerramento será substituído por um churrasco integrado à feira, concomitante com a realização da mesma, o que reflete um desejo de priorizar a cada nova edição do evento as negociações e fechamentos de negócios”, conclui.

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, é motivo de grande orgulho apoiar a feira mais significativa da Zona da Mata Mineira. “Este é um evento estratégico, visto que a região abriga o maior polo de suinocultores independentes de Minas Gerais. Estamos ao lado da Assuvap para fortalecer essa nova fase”, destaca.

Fonte: Assessoria ABCS
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