Avicultura
Na matriz reprodutora: eliminando falhas grosseiras
A cadeia perde dinheiro tendo que eliminar lotes com salmonella por falhas grosseiras de biosseguridade
O tema salmonella foi esmiuçado entre profissionais que lidam com biosseguridade nos aviários durante um evento na região Oeste do Paraná, a maior região produtora de frango do país. No início de março, promovido pela Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícolas (Facta), a atividade reuniu especialistas que discorreram sobre as formas de prevenção e combate à bactéria nas matrizes reprodutoras, no incubatório, do pintinho ao frango (aviário) e no abate e processamento. Cerca de 150 profissionais, especialmente veterinários, se debruçaram sobre o impacto da salmonella na avicultura durante dois dias de capacitação. O sistema ainda tem muitas falhas, apesar dos avanços.
Coube ao assistente técnico da Cobb-Vantress, Cristiano Pereira, falar sobre o modo de operar com as matrizes reprodutoras para evitar a dor de cabeça. Para ele, apesar da tecnificação, erros crassos ainda são cometidos nessa fase de produção avícola. “Quando a gente prensa em controle em matrizes o primeiro foco nas granjas é biosseguridade, e é algo que está ao nosso alcance. As estruturas modernas auxiliam mais esse cuidado, mas aviários mais simples também sempre tiveram condições de controlar os desafios. Apesar disso, hoje passamos por um momento interessante, com estruturas tecnificadas, menos mão de obra, mas as falhas de biosseguridade ainda permanecem. A gente percebe no dia a dia que são deixadas de lado ações básicas, como a falta de controle do fluxo dentro das granjas, portas abertas, falta de banho dos funcionários”, explica.
Segundo Pereira, não adianta saber o que fazer e não fazer. “É preciso um check-list bem executado. A cadeia perde dinheiro tendo que eliminar lotes com salmonella por falhas grosseiras de biosseguridade”, enfatizou.
Para ele, identificar as portas de entrada da doença é parte fundamental do problema. Nos núcleos de matrizes, a salmonella entra pelas mais diversas portas, como introdução de machos positivos, contato com equipamentos, veículos, pessoas, mortalidade – quando os animais não são retirados adequadamente -, roedores, pássaros, na água e na ração. Existem inúmeras portas que precisam ser mapeadas, ser identificadas, e para cada risco precisa ser criado padrão de bloqueio. A equipe tem que estar comprometida com isso”, disse, em relação à qualificação do pessoal que está diariamente em contato com os núcleos. Além disso, o profissional destacou a importância de realizar auditorias nas fábricas de ração periodicamente.
Cenário ideal
Pereira explica que tudo começa por um bom isolamento da granja, que muitas vezes não acontece. “É preciso uma arborização ao redor dos núcleos, que devem ser isolados. Hoje ainda se vê muito núcleo próximo a rodovias, estradas, o que não é bom por conta dos veículos que passam próximo, levantam poeira”, exemplificou.
“Temos que ter várias barreiras sanitárias, como tela nos aviários – se estiver arrebentada, tem que arrumar porque o passarinho entra no aviário e o produtor perde a garantia de que essas avós estejam negativas. Temos que ter uma correta desinfecção dos veículos e veículos destinados exclusivamente para o transporte de rações. O ideal, e granjas mais tecnificadas já usam esse conceito, é ter um silo na fronteira (lado de fora) da granja e caminhões no transporte (interno) até os núcleos. Caminhão que vem da fábrica de ração não se aproxima dos núcleos”, pontua.
A higiene do pessoal, para pereira, é fundamental, mas ainda negligenciada, muitas vezes, por falta de condições adequadas. “Os vestiários precisam ter condições para um bom banho, com sabonete, xampu, condicionador para as mulheres, escovas, chuveiro quente. Se não tiver essas condições, o funcionário acaba burlando essa etapa e já coloca em risco todo o investimento”, pontuou.
Para Pereira, o controle rigoroso se explica pela resistência da bactéria. “A salmonella dura até dias no cabelo, 30 dias no solo e 18 meses na cama de aviário”, exemplificou.
O controle de vetores também é fundamental, na opinião do assistente técnico. “É bom termos muretas anti-rato, controle de insetos, mapa de roedores – está difícil achar mapa de roedores hoje em dia, apesar de ser uma ferramenta muito eficiente. E justifica: “A prevalência da salmonella chega a 50% em roedores, 20% em cachorros, 40% em moscas, 7% em gatos. Bichos têm que ficar para o lado de fora”, frisdou.
Outros cuidados apontados para evitar a doença nos núcleos matrizeiros é manter calçadas internas e pedilúvio sempre limpos, usar álcool gel e avaliar constantemente a saúde intestinal das aves. Ainda de acordo com ele, a retirada dos ovos é parte crucial para evitar a salmonella. “Ter uma coleta frequente dos ovos é fundamental. O ovo não pode ficar muito tempo em contato com a cama de aviário”, argumenta.
Depois de retirados os lotes, a desinfecção é fundamental. “Pode ser com ácido, formol, cloro. Existem muitos métodos que funcionam, mas tem que checar com frequência se estão sendo feitos adequadamente”, disse, enaltecendo a função dos profissionais na execução das tarefas. “Os supervisores precisam estar sempre atentos”.
Mais informações você pode encontrar na edição impressa de Aves de abril/maio de 2016 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura
SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura
Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.
Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.
Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.
A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio
De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Frango cai 5,2% em março e atinge menor preço desde julho de 2023
Cotação média de R$ 6,73/kg no atacado paulista reflete demanda interna fraca e incertezas no mercado externo. Recuo amplia vantagem frente às carnes suína e bovina.

Os preços da carne de frango seguem em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas no mercado externo. O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras, tem gerado cautela entre agentes do setor e influenciado as negociações.

Foto: Shutterstock
No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março, até o dia 18, recuo de 5,2% em relação a fevereiro. Em termos reais, considerando deflação pelo IPCA de fevereiro de 2026, trata-se do menor patamar desde julho de 2023.
Com a queda mais acentuada nos preços, a carne de frango amplia sua competitividade frente às demais proteínas. No caso da suína, embora também haja desvalorização, o ritmo de recuo do frango é mais intenso. Já em relação à carne bovina, o diferencial é ainda maior, uma vez que os preços da carcaça casada seguem em alta, ampliando a atratividade do frango para o consumidor.
Avicultura
Diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos supera 40% em março
Menor oferta de ovos vermelhos e demanda da Quaresma ampliam descolamento de preços. Granjas operam com produção ajustada.

A diferença entre os preços dos ovos brancos e vermelhos se ampliou ao longo de março nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea. Em Santa Maria de Jetibá (ES), maior polo de produção do país, o diferencial já supera 40% na parcial até o dia 18, acima do observado em fevereiro.

Foto: Divulgação/Asgav
De acordo com o Cepea, o movimento é puxado principalmente pela menor disponibilidade de ovos vermelhos no mercado interno. A oferta mais restrita dessa categoria tem sustentado reajustes mais intensos em comparação aos ovos brancos, ampliando o descolamento entre os preços.
A demanda sazonal também contribui para esse cenário. Durante a Quaresma, há aumento no consumo de ovos, o que pressiona ainda mais as cotações, especialmente dos vermelhos, tradicionalmente mais valorizados em períodos de maior procura.
Com a produção mais enxuta, agentes do setor relatam que parte das

Foto: Divulgação
granjas tem operado com entregas previamente programadas, limitando negociações no mercado spot. Esse ajuste entre oferta e demanda resultou em elevação dos preços médios dos ovos nos últimos dias, com maior intensidade para a variedade vermelha.
