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Na euforia das carnes, avicultura tem com que se preocupar, diz Itaú BBA

Preços das proteínas animais estão firmes na China, que tem lidado com uma oferta menor de carne suína após sofrer uma redução drástica no seu plantel pela PSA

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Arquivo/OP Rural

A indústria de carnes do Brasil tem colhido preços mais altos na exportação e no mercado interno e maiores embarques ao exterior, com impulso da demanda da China, mas a euforia é menor para o setor de frango, já que há alguns fatores que podem preocupar o setor avícola, avaliaram na quinta-feira (21) especialistas do Itaú BBA.

Segundo o analista de Alimentos e Bebidas da Itaú BBA Corretora, Antônio Barreto, os preços das proteínas animais estão firmes na China, que tem lidado com uma oferta menor de carne de porco após sofrer uma redução drástica no seu plantel pela peste suína africana.

“Quanto mais falta de proteína (na China), maior a rentabilidade para as empresas (brasileiras) listadas em bolsa”, disse Barreto, referindo-se à JBS, Marfrig, Minerva e BRF. “É festa no mercado da pecuária do Brasil… patrocinada pelos chineses”, acrescentou outro analista do Itaú BBA, César de Castro Alves, em evento do banco realizado com jornalistas.

Isso tem se refletido também em preços historicamente elevados para o mercado de carnes do Brasil, com o setor produtor de bovinos recebendo valores nunca vistos, acima de 200 reais a arroba, na medida que os chineses estão buscando fortemente o produto brasileiro, o que também tem inflacionado preços aos consumidores do país, segundo especialistas ouvidos pela Reuters.

Contudo, Barreto sinalizou que o cenário não é tão brilhante para a BRF, maior exportadora global de carne de frango, já que a China tem aumentado a produção das aves, como uma das alternativas mais rápidas para diminuir o impacto da queda de oferta de carne suína no maior consumidor global desse produto —uma ave fica pronta para o abate bem antes de porcos e bois.

Além da BRF, outra grande exportadora de aves do Brasil é a Seara, uma das divisões da JBS no Brasil.

Barreto citou números do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que projetou aumento de 14% na produção de carne de frango chinesa em 2020, para 15,8 milhões de toneladas, como sinal do investimento chinês. “Se a China de fato conseguir produzir todo este frango, pode ser que exista um cenário em que a China não precise importar tanto frango assim”, afirmou.

Enquanto isso, contudo, o Brasil aumentou em 22% duas exportações de carne de frango para a China de janeiro a outubro, para 444,7 mil toneladas, obtendo resultado cambial de 931,7 milhões de dólares (+38%) no mesmo período.

Milho e EUA

Em outro ponto preocupante para a indústria de aves, analistas do Itaú BBA citaram que a China derrubou uma barreira sanitária após quase cinco anos para o frango dos Estados Unidos, que agora deverão competir com o produto do Brasil, o maior exportador global desse tipo de carne.

Embora a indústria brasileira veja espaço para todos os fornecedores, tamanha a fome da China por proteínas, os especialistas do Itaú BBA avaliam que há ainda outros riscos para o setor de carnes relacionados à poderosa indústria norte-americana, não somente para o setor de frango.

“Uma resolução da guerra comercial (EUA-China) favorecia empresas que têm ativos nos EUA, e o noticiário é mais favorável à resolução, e é negativo para algumas empresas. Pensando na BRF, por exemplo, os Estados Unidos são um competidor que não tínhamos nos últimos quatro anos.”

Os analistas comentaram ainda o cenário de preço do milho, que é altista, tendo em vista o maior consumo e exportações do cereal em 2019, além da possibilidade de uma safra menor, após um recorde neste ano de mais de 100 milhões de toneladas.

O milho é a principal matéria-prima para a produção de ração para aves e suínos, dois dos principais produtos da BRF, e uma alta do cereal poderia apertar margens da indústria de carnes.

Para Guilherme Bellotti, também do Itaú BBA, a exportação de milho do Brasil deverá cair para 34 milhões de toneladas em 2020, após cerca de 39 milhões de toneladas previstas pelo governo para 2019, mas a produção deverá ser menor.

Ele disse esperar uma safra de milho de cerca de 98 milhões de toneladas no Brasil em 2020, uma queda na produção apesar da expectativa de um aumento de 3% na colheita de inverno, a maior do país.

Isso porque o atraso na safra de soja reduz a janela climática ideal para o milho, semeado logo em seguida, o que impacta na tecnologia da lavoura —produtores ficam mais cautelosos para investir em uma safra mais arriscada.

Bellotti não descarta nem mesmo que o país importe milho no primeiro semestre de 2020, quando a oferta será menor, antes da colheita da segunda safra, em um momento em que os preços do grão no exterior também podem ser mais interessantes para indústrias de carnes do Brasil.

Além da demanda maior do setor de carnes, impulsionada pela China, o milho do Brasil ganhou um novo mercado, a indústria nacional de etanol, em ascensão, o que também colabora para a alta do preços do cereal, disseram os analistas.

“Nos próximos oito meses, o milho e a proteína animal vão dar mais notícia”, resumiu Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA.

Fonte: Reuters
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Notícias Grãos

USDA vê oferta de trigo nos EUA em mínima de 5 anos em 2019/20

USDA manteve inalteradas suas perspectivas para os estoques finais de milho e soja do país

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Arquivo/OP Rural

A oferta de trigo nos Estados Unidos vai recuar para uma mínima de cinco anos em 2019/20, em meio a um avanço nas exportações do país devido às reduzidas colheitas de importantes competidores globais, disse o governo norte-americano na terça-feira (10).

Em seu relatório mensal de oferta e demanda, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) manteve inalteradas suas perspectivas para os estoques finais de milho e soja do país. O órgão também não alterou sua previsão para as safras de milho e soja de Brasil e Argentina.

O governo norte-americano reduziu sua projeção para os estoques finais de trigo dos EUA no ano-safra 2019/20 para 974 milhões de bushels, ante 1,014 bilhão de bushels na previsão anterior. Se a estimativa se confirmar, este será o menor estoque final de trigo norte-americano desde 2014/15, quando foram registrados 752 milhões de bushels.

Analistas esperavam os estoques finais do cereal em 1,010 bilhão de bushels, de acordo com a média das estimativas compiladas pela Reuters em pesquisa. Ainda assim, a oferta será suficientemente grande para atender à demanda, disseram analistas. “Os estoques são tão grandes que essa redução é como tirar um copo d’água de um lago”, afirmou Craig Turner, corretor de commodities da Daniels Trading. “Não muda o cenário, de jeito nenhum.”

O governo dos EUA elevou suas perspectivas para as exportações de trigo do país em 25 milhões de bushels, para 975 milhões de bushels, após reduzir suas projeções para as safras do produto na Austrália, Argentina e Canadá.

Após a divulgação do relatório, os contratos futuros do trigo na bolsa de Chicago passaram a subir, enquanto os futuros da soja devolveram ganhos e os do milho permaneceram em leve alta.

Sobre a América do Sul, o USDA afirmou que a produção de milho da Argentina em 2019/20 será de 50 milhões de toneladas, enquanto a do Brasil totalizará 101 milhões de toneladas.

Para a soja, o órgão estima a safra brasileira nesta temporada em 123 milhões de toneladas. A produção argentina é vista em 53 milhões de toneladas.

O USDA disse também que os estoques finais de milho dos EUA serão de 1,91 bilhão de bushels, valor inalterado ante a previsão de novembro. A estimativa para os estoques finais de soja foi mantida em 475 milhões de bushels.

Fonte: Reuters
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Notícias Recorde

Abiec estima exportação de carne bovina em 1,8 mi t em 2019

Embarques dispararam em 2019 com maior número de frigoríficos habilitados pela China

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Divulgação

A exportação brasileira de carne bovina foi estimada em recorde de 1,828 milhão de toneladas em 2019, ante 1,643 milhão em 2018, informou na terça-feira (10) a associação da indústria do setor Abiec. A exportação de carne bovina do Brasil em dezembro foi estimada em 185.344 toneladas, o que seria o segundo maior volume mensal no ano, segundo a entidade.

Os embarques dispararam em 2019 com maior número de frigoríficos habilitados pela China, que tem importado mais para lidar com a menor oferta de carne de porco, em função da peste suína africana, que reduziu drasticamente o plantel do país.

A receita com exportação do produto pelo Brasil, maior exportador global, foi estimada em cerca de US$ 7,45 bilhões, de acordo com a Abiec.

Fonte: Reuters
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Notícias Sanidade

Reino Unido registra caso de gripe aviária pela 1ª vez desde 2017

Cerca de 27 mil aves da fazenda serão abatidas após a descoberta da variedade H5

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REUTERS/Darren Staples

O governo do Reino Unido informou o registro de ocorrência de gripe aviária em uma criação de frangos no leste da Inglaterra na terça-feira (10), no primeiro relato da doença no país desde junho de 2017.

Cerca de 27 mil aves da fazenda serão abatidas após a descoberta da variedade H5, que o Ministério da Agricultura britânico descreve como “pouco contagiosa”.

“O risco do vírus à saúde pública é muito baixo”, acrescentaram as autoridades da saúde. “Aves completamente cozidas e produtos de aves, incluindo ovos, podem ser ingeridos com segurança.”

Fonte: Reuters
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