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Suínos / Peixes Artigo

Mycoplasma hyopneumoniae em uma visão contemporânea

Estratégias de controle do Mycoplasma são várias e se baseiam na necessidade de uniformizar a imunidade e reduzir a transmissão da porca para os leitões

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Divulgação/Monalisa Pereira

Artigo escrito por Heloiza Nascimento, médica-veterinária formada pela UFV, com MBA em Marketing pela FGV. É mestranda em ciência animal pela UFMG. Atualmente, faz parte da equipe de assistentes técnicos de suínos da Zoetis

A infecção pelo Mycoplasma hyopneumoniae (MH), também chamada de pneumonia enzoótica dos suínos, tem sido um problema bastante conhecido na produção há algumas décadas. Estima-se que 80% das granjas ao redor do mundo sejam positivas para este agente. Granjas positivas e não controladas encaram problemas econômicos na ordem de 41 gramas de ganho de peso diário a menos, redução de 16% na taxa de crescimento e 14% a menos de conversão alimentar.

Os antígenos de superfície ao redor da membrana lipídica do Mycoplasma se ligam nos receptores do trato respiratório do suíno, resultando na presença persistente deste microrganismo nas vias aéreas dos suínos. Estes animais infectados, assintomáticos são uma fonte de infecção para os demais suínos, resultando em episódios clínicos recorrentes e agravando a situação clínica quando outras coinfecções estão presentes, como por exemplo, o circovírus (PCV2) e o vírus da influenza (além de outras bactérias, que juntos formam o complexo respiratório dos suínos).

O MH tem a habilidade de variar a expressão genética dos seus antígenos de superfície, o que pode permitir que ele escape da resposta imune do suíno infectado. Além disso, o MH pode alterar a resposta imune do hospedeiro, reduzindo, dessa forma, a resposta dos macrófagos a patógenos secundários, o que piora o estado clínico do animal em uma segunda infecção.

Apesar da vacinação contra o MH reduzir a severidade das lesões, as respostas imunes celular e humoral aparentemente proporcionam uma proteção incompleta contra este agente, pois ele permanece colonizando as vias aéreas dos suínos. A vacinação sozinha não deve ser considerada como a única ferramenta no controle do MH. Embora seja uma ferramenta importante no controle, a vacinação não resolve sozinha as causas da infecção. Os programas de vacinação são mais bem-sucedidos em populações de leitões com baixa e média prevalências para Mycoplasma. Em rebanhos com alta prevalência, a vacinação precoce combinada com antibióticos (leitões e porcas pré-parto) surtem melhores resultados. A vacina de escolha deve ser aquela que provoca uma boa resposta imune celular nos suínos. Deve possuir em sua composição cepas de alta patogenicidade e conter antígenos de qualidade, como os de superfície do Mycoplasma.

Estudos realizados por Bandrick et al em fêmeas vacinadas contra MH, mostraram que seus leitões foram capazes de absorver anticorpos e imunidade mediada por células do colostro por mais de 20 horas, mas menos de 24 horas após o nascimento. A transferência de anticorpos da porca para o leitão via colostro acontece independentemente da origem do anticorpo. Leitões de diferentes leitegadas podem absorver os anticorpos de uma porca mesmo não sendo o da própria mãe. Para imunidade mediada por células ou imunidade celular, isso já não ocorre. É necessário que o leitão mame apenas o colostro da própria mãe, caso contrário ele perde a capacidade de absorver estas células imunes presentes no colostro da mãe. É importante que a mistura de leitões ocorra o mínimo possível e apenas seja feita após o leitão ter tido a oportunidade de mamar, de maneira adequada, o colostro da própria mãe.

Para se diagnosticar um animal infectado pelo MH devemos levar em consideração três pontos: sinais clínicos, lesões macroscópicas e histopatológicas e, por último, a confirmação pelo laboratório da presença do MH. Os sinais clínicos são tosse, que é exacerbada com a movimentação dos animais e acontece predominantemente no final da fase de crescimento ou durante a fase de terminação. Os animais geralmente não apresentam febre e não há aumento significativo da mortalidade, porém há perdas importantes no ganho de peso diário (GPD). As lesões macroscópicas consistem em áreas de consolidação pulmonar, tipicamente cranioventral, que frequentemente não excede 10% do volume pulmonar total. Há também alterações peribronquiolar e perivascular. O PCR é um dos métodos de diagnóstico que pode confirmar a presença do MH no tecido com lesão. A combinação destes três fatores confirma a presença do MH no animal. Porém, determinar o estado do plantel é diferente. Vários outros parâmetros devem ser levados em consideração, como a quantidade de leitões positivos para MH ao desmame, presença e magnitude dos sinais clínicos e tempo. Estes fatores podem indicar se a granja deve ser considerada positiva estável ou positiva instável para MH. As sorologias são úteis quando se deseja verificar ou confirmar o estado de granjas negativas para MH.

Segundo Fano et al, existe uma correlação positiva entre a presença de MH no trato respiratório superior do leitão ao desmame e a extensão das lesões pulmonares ao abate, ou seja, quanto mais leitões positivos para MH no desmame, mais lesões pulmonares teremos no abate desses animais. Com base nestas informações, devemos trabalhar para produzir leitões que sejam negativos ou com baixa positividade para MH no desmame.

Alguns fatores importantes limitam o controle do MH, como a troca de leitões recém-nascidos desnecessariamente, vacinações inconsistentes (deixar animais susceptíveis), superlotação, espaço inadequado nas baias, falhas no diagnóstico e controle de infecções concomitantes, tratamento antimicrobiano no momento errado, por períodos e doses menores que o recomendado, escolha da droga incorreta e porcas excretando MH durante a lactação.

Após ter se contaminado, o suíno pode excretar o MH por aproximadamente 220 dias, podendo transmiti-lo a outros animais susceptíveis durante este período. Fêmeas do plantel excretando MH durante a lactação, representam leitões saindo da maternidade infectados. E, devido à cronicidade da doença, apresentarão os sinais clínicos tardiamente, na recria ou na terminação.

As marrãs são o principal grupo envolvido na excreção de MH e desestabilização da granja. Devido às altas taxas de reposição no plantel reprodutivo, são os animais mais propensos a se infectarem com o MH nos 200 dias antes do parto, o que as tornam mais propensas a excretar MH para seus leitões no momento do parto e durante a lactação.

A aclimatação das leitoas é altamente recomendada e tem como objetivo, em granjas comerciais, fazer com que as marrãs não estejam excretando MH no momento do parto, e assim reduzir a contaminação de sua leitegada.

As estratégias de controle do Mycoplasma são várias e se baseiam na necessidade de uniformizar a imunidade e reduzir a transmissão da porca para os leitões. As intervenções devem ser pensadas para se produzir animais sem sinais clínicos de pneumonia e com baixa prevalência de MH, para que as granjas positivas possam atingir a estabilidade e se manterem estáveis. E claro, sempre bom lembrar que biossegurança, manejo adequado, bons programas de vacinação, medicação e monitoramento constituem ferramentas valiosas para o controle das doenças em animais de produção.

Fonte: Assessoria
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1 Comentário

1 Comentário

  1. Mateus

    7 de novembro de 2019 em 21:46

    Oi tudo bom

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Suínos / Peixes Produção

Paraná amplia liderança em piscicultura de cultivo

Levantamento da Peixe BR mostra crescimento de 18,7% para o Estado, bastante superior à média brasileira de 4,9% no ano passado

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Divulgação/AENPr

O Paraná teve um crescimento superior à média nacional na produção de pescados de cultivo em 2019 e consolidou ainda mais a liderança nesse setor. Enquanto no Brasil o aumento foi de 4,9%, o do Paraná alcançou 18,7%, com 154.200 toneladas produzidas. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) e divulgado esta semana.

Em 2018, o Estado já liderava a produção, com 129.900 toneladas. Agora, ficou mais dilatada a diferença para os seguidores mais próximos. A segunda colocação é de São Paulo, que teve um decréscimo de 4,6%, caindo de 73.200 toneladas para 69.800 toneladas. Segundo a Peixe BR, em terceiro lugar aparece Rondônia, que reduziu em 5,5% a produção, baixando de 72.800 para 68.800 toneladas.

“Essa é uma atividade bem acolhida por cooperativas do Estado. Os investimentos na agroindústria e na infraestrutura de comercialização e logística deram segurança para os produtores”, afirmou o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Para ele, o pescado deve adquirir cada vez mais importância como fonte de proteína, com presença forte no mercado internacional.

Ortigara também destacou os ajustes feitos pelo governo nas resoluções de liberação e validade das licenças ambientais. “Foram identificados os entraves e tomadas providências para que os processos fossem agilizados”, disse. Como resultado, dos empreendimentos de médio e pequeno porte passou-se a exigir apenas o Licenciamento Ambiental Simplificado.

Mais espaço

Para o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), responsável pelo setor de pescados, Edmar Gervásio, o peixe é um produto que deve conquistar mais espaço em futuro breve tanto em área de produção quanto no gosto do consumidor. “É uma fonte rica de proteína e seguramente pode contribuir para a segurança alimentar da população, assim como representa uma alternativa rentável e segura para a agricultura familiar”, disse.

Tilápias

A pesquisa do Anuário Peixe BR mostra que o Brasil passou de 722.560 toneladas para pouco mais de 758 mil toneladas de pescados de cultivo. O destaque é a tilápia, espécie da qual o País é o quarto maior produtor mundial, com 432.149 toneladas. Esse mercado é liderado pela China, com 1,93 milhão de toneladas.

Com crescimento de 7,96% em 2019, a espécie representa 57% da produção brasileira de pescados de cultivo. O Paraná mantém liderança folgada em tilápia, bastante à frente de São Paulo, que está na segunda colocação, com 64.900 toneladas, e de Santa Catarina, em terceiro lugar, com 38.559 toneladas. A participação paranaense no mercado nacional de produção de tilápias é de 33,8%.

Em peixes nativos, a produção brasileira teve crescimento de apenas 20 toneladas, passando para 287.930 toneladas – 38% do mercado nacional. No Paraná, a produção de peixe nativos (entre eles, bagre, dourado, jaú, pintado e lambari) foi de 4.194 toneladas. As demais espécies (principalmente carpa, truta e panga) ocupam apenas 5% da produção brasileira. A liderança neste caso é do Rio Grande do Sul, com 16.304 toneladas, e o Paraná está em terceiro, com 3.794 toneladas.

Exportação

No ano passado, de acordo com os dados do Ministério da Economia citados pelo levantamento da Peixe BR, as exportações da piscicultura de cultivo (filés e subprodutos alimentícios ou não – peles, escamas, farinhas e outros) renderam US$ 12 milhões. Os pescados em geral geraram US$ 275 milhões.

O volume de produtos de pesca de cultivo exportado ainda é pequeno, mas crescem a cada ano. De 2018, quando foram enviados para fora do País 5.185 toneladas, para 2019 o acréscimo foi de 26% e passou a 6.543 toneladas. A tilápia está no topo, com 81% de participação. O Paraná foi o segundo Estado exportador de tilápia e derivados, com pouco mais de 1.302 toneladas (24,47% do total). A primeira colocação é de Mato Grosso do Sul, com 2.085 toneladas (39.19% de participação).

Japão, China e Estados Unidos são os principais compradores da piscicultura de cultivo brasileira. Os Estados Unidos, apesar de ser o terceiro em volume, é o que traz mais divisas para o Brasil pois a preferência é pelo filé de tilápia fresco, que tem alto valor agregado. Japão e China importam mais subprodutos.

Fonte: AEN/Pr
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Suínos / Peixes Suínos

Projeções para o mercado de suínos em 2020 indicam que exportações seguirão em alta

A previsão é de novo recorde de embarques e estima-se um aumento na produção brasileira de carne suína, segundo USDA

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Inicio de ano é tempo de se planejar e de preparar os próximos passos para cumprimento de metas. E se tratando do mercado de suínos, o setor já se organiza para tomar decisões. Para isso, a ABCS traz uma análise da produção brasileira, da produção mundial e das exportações durante o período de 2019 e também as previsões para 2020. Dentre as principais observações, identificou-se que as exportações devem continuar crescendo, além de um aumento na produção brasileira de carne suína. No entanto, no cenário global a realidade é de queda na produção e de elevação dos custos para criação de suínos. Os dados mostram que a atual conjuntura exige atenção dos profissionais que atuam na área, especialmente dos produtores.

Exportação recorde em 2019 e janeiro de 2020 mantendo embarques em alta

O ano de 2019 atingiu recorde de exportação com o volume de 750,3 mil toneladas entre in natura (649,38 mil ton.) e processados e um faturamento de US$ 1,597 bilhão (ABPA). A China permanece o carro chefe das exportações brasileiras fechando o ano com 38,1% da carne suína in natura exportada pelo Brasil (tabela 1).

Tabela 1. Volumes exportados de carne suína brasileira in natura para os cinco principais destinos de 2019 (China, Hong Kong, Chile, Uruguai e Rússia) e quantidades para os mesmos destinos nos anos anteriores. 

Comparando com 2016, o ano que detinha o recorde anterior de exportação de carne suína, em 2019, com novo recorde de volume total embarcado (649,38 mil toneladas), observa-se a China praticamente substituindo a Rússia como principal destino, com volumes muito próximos quando comparamos a Rússia em 2016 e 2017 com a China em 2019. Em 2018, o mercado russo estava embargado por quase todo o período, mas no ano passado voltou em ritmo muito baixo. Por outro lado, chama a atenção o crescimento de embarques para Chile e Uruguai.

Os três estados do sul do Brasil lideraram os embarques com mais de 95% da exportação de carne suína in natura em 2019 (tabela 2).

Tabela 2. Os 10 estados maiores exportadores de carne suína in natura em 2019, em toneladas (MDIC).

Mudanças no câmbio e seus reflexos na produção

Outro dado que chama a atenção é o aumento expressivo do faturamento com exportação. Na tabela 3, observa-se que não somente o valor unitário em dólar subiu em 2019, mas também o valor recebido em reais, em função do câmbio favorável às exportações. Enquanto em 2018 o faturamento dos embarques de carne suína in natura totalizou pouco mais 1,07 bilhões de dólares, em 2019 superou 1,47 bilhões, um crescimento de 37,5%. Se aplicarmos o câmbio médio do ano sobre estes valores (tabela 3), considerando que o dólar encareceu mais de 3% de 2018 para 2019, então estima-se em reais um aumento de faturamento total de 42,4% de 2018 para 2019.

Tabela 3 – Exportação brasileira de carne suína in natura, volumes e valores de 2016 a 2019. Devido à elevação do câmbio em 2019, também o valor recebido por kg de carcaça em reais foi recorde. (Dados de volume e valores em dólar do MDIC).

* não considerada inflação no período

** trata-se de uma estimativa baseada em valores cambiais médios do ano, não obrigatoriamente representam o valor efetivamente convertido na comercialização, pois há diferenças em contratos e prazos e oscilações de volumes e valores ao longo dos meses do ano

Em janeiro de 2020 (tabela 4) as exportações continuaram em alta e a China este ano já representa pouco mais da metade dos embarques.

Tabela 4. Volumes de carne suína in natura (ton) exportados pelo Brasil no total e para China em janeiro de 2020 e o comparativo com o mesmo período de 2019. MDIC.

Acordos comerciais e recorde nos embarques

Em meados de janeiro foi assinada a primeira fase do acordo comercial entre EUA e China. A China deve comprar US$ 12,5 bilhões a mais que em 2017 em produtos agrícolas dos EUA no primeiro ano e US$ 19,5 bilhões no segundo ano. Caso o acordo seja cumprido, isso significaria uma elevação nas exportações dos EUA para a China de 149% e 197% em relação ao ano de 2019. Segundo a consultoria MBAgro, para os produtos agropecuários os efeitos não devem ser muito significativos, uma vez que o balanço de oferta e demanda mundial é o que interessa para a precificação dos produtos e o quadro mundial segue apertado tanto para carnes como para grãos. A tendência é que haja apenas uma reorganização nos destinos dos produtos transacionados entre os países.

No dia 10 de janeiro, o USDA atualizou as projeções para 2020 para a produção, consumo e exportações/importações dos principais mercados de carnes. Para este ano, o USDA projeta uma importação chinesa de carne (boi, porco e frango) da ordem de 7,15 milhões de toneladas, 27% acima do importado pelo país em 2019. Outros destaques do relatório do USDA são a previsão do aumento das exportações do Brasil em relação a 2019 da ordem de 9,5% para carne bovina, 20% da carne suína, sem crescimento significativo dos embarques de frango.

Tomando como base o segundo semestre de 2019, que foi quando a China elevou as compras da carne suína brasileira a outro patamar, projeta-se novo recorde de embarques para este ano de 2020, conforme a tabela 5, a seguir.

Tabela 5. Projeções de embarque de carne suína in natura para 2020, baseadas nos volumes exportados no segundo semestre e no último trimestre de 2019. Simulação baseada em dados de exportação de 2019 do MDIC.

Se por um lado o USDA projeta um aumento da produção brasileira de carne suína em 2020, ao redor de 4,5%, por outro lado, o órgão norte americano estima uma queda na produção mundial de carne suína ao redor de 10%, puxada principalmente pela China (-25%), Filipinas (-16%) e Vietnã (-6%).

No tocante a sanidade, além da peste suína africana (PSA) ainda não controlada na China e com focos recentes em outros países asiáticos e na europa oriental, 2020 iniciou com uma série de ocorrências como gripe aviária na China e Febre Aftosa em bovinos na Rússia, que podem afetar não somente o mercado de carnes, como a economia mundial, esta última mais relacionada ao Coronavirus.

Oscilações de preço no mercado doméstico de carnes

De dezembro de 2019 até o momento houve uma oscilação significativa nos valores pagos ao produtor brasileiro, tanto na carne suína, quanto na bovina (gráficos 1 e 3) que atingiram preços recorde no final do ano passado e experimentaram queda acentuada em janeiro. Segundo MBAgro, na média mensal, o suíno fechou o mês de janeiro com preços 6% abaixo do mês anterior, enquanto a carne suína fechou em queda de 12% no atacado em São Paulo. Porém, vale destacar que mesmo com as recentes quedas, o preço do suíno continua em um patamar histórico elevado. De fato, no início do mês de fevereiro tanto o suíno (gráfico 2) como o boi já demonstram uma retomada da subida de preços de forma mais lenta.

Gráfico 1. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 2 anos (até 07/02/2020). Fonte: CEPEA.


Gráfico 2. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 30 dias (até 07/02/2020). Mês de fevereiro já apresenta viés de retomada da subida de preço. Fonte: CEPEA.


Gráfico 3. Evolução dos preços do boi gordo no estado de São Paulo (valor da arroba), nos últimos dois anos (até 07/02/2020). Fonte: CEPEA.

Já o movimento de queda do valor da arroba do boi gordo esteve dentro da sazonalidade, pois janeiro é um mês onde o consumo costuma se retrair, em função das férias escolares e do início da “safra” do boi, com maior disponibilidade de animais para o abate (MBAGro). Além disso, as exportações sofreram uma espécie de ressaca, principalmente por parte da China, que foi o principal destino dos embarques em 2019 e se abasteceu para as comemorações do Ano Novo Chinês (25 de janeiro). Ainda segundo o MBAgro, apesar desta queda, a carne bovina deve continuar com preços elevados no mercado interno, por conta da forte demanda externa, mantendo as carnes de frango e suína mais competitivas frente às altas do boi.

Custo de produção: o grande desafio do suinocultor para 2020

Apesar da safra recorde de milho em 2018/2019, o volume exportado do grão (mais de 43 milhões de toneladas no ano, segundo o MDIC) foi o principal determinante de uma alta acumulada de 24% ao longo de 2019, com sucessivos acréscimos de preços desde o mês de setembro (gráfico 4).

Gráfico 4. Preço do milho, saca de 60kg (Campinas-SP), nos últimos 2 anos (até 07/02/20). Fonte CEPEA

O custo de produção de suínos calculado pela Embrapa-CNPSA acumulou em 2019 alta de 8,6%. A nutrição foi o item que mais subiu entre os itens dos custos, com 7,2% de aumento no ano. Durante o primeiro semestre de 2020, o mercado de milho deve permanecer pressionado, tendendo a se normalizar durante o segundo semestre, com a entrada da segunda safra. Até lá, o indicativo é de que os custos permaneçam elevados, comprimindo a rentabilidade do produtor (MBAgro).

Embora se estime uma produção muito similar a do ano passado (tabela 6), o atraso na colheita da soja e especialmente no plantio do milho segunda safra já são evidentes em 2020, quando comparados com os números de 2019 (tabelas 7 e 8).

Tabela 6. Oferta e demanda de milho do Brasil (em mil toneladas) nas últimas safras e projeção para safra 2019/2020. Observa-se uma previsão de estoque de passagem de 2020 para 2021 de cerca de 6 milhões de toneladas, a mais baixa dos últimos anos. (Conab/MBAgro). 


Tabela 7. Estimativa de colheita de soja no Brasil até o final de janeiro de 2020. Enquanto no mesmo período do ano passado 17% da área estava colhida, neste ano somente 8%.

Fonte: S&M, MBAGro.


Tabela 8. Estimativa de plantio de milho segunda safra no Centro-Sul do Brasil até o final de janeiro de 2020. Enquanto no mesmo período do ano passado 29% da área estava plantada, neste ano somente 8%.

Fonte: S&M, MBAGro.

Este atraso no plantio da segunda safra determina um risco climático que poderá determinar quebras na produção nacional de milho, pois esta segunda safra tem peso de mais de 70% na produção total do país. O consumo interno está aumentado, em função do crescimento das exportações de carne e também o etanol de milho. As exportações de milho começaram o ano com volume de 2,3 milhões de toneladas em janeiro de 2020 (MDIC), menos do que o primeiro mês de 2019 e 2018 e bem abaixo da média do segundo trimestre de 2019, que beirou os 6 milhões de toneladas mensais. Essa queda nas exportações de milho, aliado ao início da colheita da primeira safra deste grão, fez com que o preço caísse neste início de fevereiro (gráfico 4), depois de 6 meses de alta praticamente contínua.

A queda da produção mundial de carne suína, que deve se manter ao longo de 2020, conforme projeções do USDA, determinou uma inflação das carnes, na qual percebe-se que houve uma mudança de patamar de preço pago ao produtor. Além disso, a valorização dos insumos, em especial o milho, determinam um custo de produção recorde que deverá se manter em alta ao longo de todo o ano, dependendo da colheita e das exportações. Em paralelo, o Brasil está ficando cada vez mais dependente do mercado Chinês para exportar boa parte da produção de suínos. Estas questões aliadas ao dólar em alta recorde em fevereiro, riscos de desaceleração da economia mundial e a demora para que a crise econômica brasileira efetivamente se dissipe, aumentam o risco da atividade para este ano.

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, o momento é de cautela. “Precisamos produzir com eficiência, observar os indicadores do mercado de insumos e operar nesse mercado no momento certo são os pontos a serem trabalhados para que o suinocultor mantenha margens positivas ao longo do ano”.

Fonte: ABCS
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Suínos / Peixes Mercado

Schoeler completa 20 anos de transformação e eficiência na suinocultura

Contribuinte do FNDS, Schoeler é parceira da ABCS na missão de trazer qualidade e inovação para o setor

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Arquivo/OP Rural

Uma das cinco maiores produtoras de suínos independentes do Brasil, a Schoeler comemora 20 anos de história neste ano. A empresa é reconhecida nacionalmente como referência na produção de suínos, contando com uma estrutura própria de fábrica de rações, logística e transporte, unidades produtivas de leitões e sede administrativa, além de incentivar o desenvolvimento de ações nacionais para o setor por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura, uma iniciativa da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). A cerimônia em homenagem ao aniversário da Schoeler acontece nesta terça-feira (18), na cidade de Carambeí, no Paraná.

O início de tudo se deu pelo Patriarca Bertholdo Schoeler e sua esposa Melânia, que desde a década de 50, já exerciam as atividades agropecuárias por meio da produção familiar. Por volta da década de 80, já com os filhos Auri e Erni, participando ativamente da gestão da propriedade rural, iniciaram com a produção de suínos, com um plantel de 100 Matrizes. O interesse na pecuária foi se mostrando cada vez maior, o que levou a ampliação das estruturas de produção, ao longo dos anos, e no ano 2000, a inauguração de uma instalação para 500 Matrizes com padrões modernos e profissionais. Atualmente a terceira geração, Diego, Maikel e Lilian coordenam a gestão dos negócios, o qual foi crescendo durante essas duas últimas décadas, investindo em uma postura mais profissional de produção e com parcerias sólidas com outras organizações. A cada ano amplia seu Plantel de animais e se fortifica no estado do Paraná, onde atuam desde o ano 2005.

Conquistas

Hoje, a Schoeler é uma empresa de sucesso no setor, tendo sido premiada sete vezes pelo Melhores da Suinocultura. O campeonato anual promovido pela Agriness analisa os indicadores de produtividade e as granjas com melhores colocações recebem auditorias in loco (auditorias físicas), garantindo a credibilidade das informações geradas.

Com valores como produtividade, honestidade, profissionalismo e qualidade, a Schoeler tem a missão de produzir e comercializar suínos de excelência, com alta produtividade e rentabilidade. Para isso, a entidade atualmente conta com 200 granjas de parceria e integração no Paraná e Santa Catarina e atua nos municípios de Arapoti, Jaguariaiva e Piraí do Sul (PR). Sua fábrica de rações tem capacidade produtiva de 50 ton/hora, além de armazenamento de ração pronta de 200 toneladas e estocagem de grãos de 22 mil toneladas. A companhia também atua na área de logística, conta com uma frota de 33 veículos, distribuídos nas operações granel, rações e suínos, atendendo parceiros integrados e granjas próprias.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, parabenizou a empresa por seu histórico de inovação e transformação na suinocultura. Ele elogiou a história e a dedicação da Schoeler por sempre trazer melhorias para o setor. “A Schoeler está sempre ligada nas tendências e mudanças e busca sempre aprimorar seus processos, além de apoiar ações nacionais voltadas para o setor por meio do FNDS. É uma honra para nós da ABCS ter a Schoeler como parceira”, afirmou.

Nova identidade visual para uma nova fase

Além de celebrações, 2020 é um ano de renovações para a Schoeler. Para marcar uma nova fase, a empresa decidiu investir na atualização de sua identidade visual para que contemplasse seus atuais desafios e objetivos.

“Com essa nova solução conseguimos transmitir, por meio de um símbolo forte, o porte da produção e da estrutura de apoio da Schoeler. O nome da empresa está escrito em caixa baixa, nos aproximando de nossos colaboradores, clientes e de você com o jeito especial que temos de nos relacionar há muito tempo. Por fim, mudamos a nossa assinatura para Agro, pois entendemos que ela traduz melhor todo o processo da nossa empresa e tudo que oferecemos para que o suíno da Schoeler seja um produto de qualidade”, explicaram.

Fonte: Assessoria
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Biochem site – lateral

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