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Mycoplasma hyopneumoniae e a complexidade da Pneumonia Enzoótica Suína

Um dos principais causadores de doença respiratória em suínos é Mycoplasma hyopneumoniae, bactéria responsável por uma condição crônica conhecida como Pneumonia Enzoótica Suína (PES)

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A suinocultura é uma parte fundamental da indústria agropecuária global, desempenhando um papel crucial no suprimento de proteína animal. O sistema de produção de suínos enfrenta uma série de desafios à medida que vem aumentando a densidade animal nas granjas, e um dos mais significativos é a prevalência de infecções respiratórias, que impactam tanto o bem-estar dos animais quanto a viabilidade financeira dos produtores. As infecções respiratórias em suínos são prevalentes em todo o mundo e acarretam custos significativos, incluindo tratamentos, vacinação, redução do desempenho dos animais e aumento da mortalidade devido a infecções secundárias.

Um dos principais causadores de doença respiratória em suínos é Mycoplasma hyopneumoniae, bactéria responsável por uma condição crônica conhecida como Pneumonia Enzoótica Suína (PES). Além disso, M. hyopneumoniae é um dos principais patógenos envolvidos no complexo de doença respiratória suína (PRDC), o que o torna uma preocupação ainda mais premente para a suinocultura.

A PES afeta suínos em todas as fases de criação, mas é mais prevalente nas fases de crescimento e terminação. Os suínos afetados apresentam tosse crônica não produtiva, redução no ganho de peso e eficiência alimentar prejudicada, além de um aumento na mortalidade, principalmente durante o período de creche. A tosse pode surgir em até 14 dias após a infecção e atingir seu pico aproximadamente 28 dias após, com uma diminuição gradual nos dias subsequentes.

A transmissão de M. hyopneumoniae ocorre principalmente por meio do contato direto entre suínos infectados e não infectados. Isso inclui a transmissão da porca para sua leitegada, pois os leitões nascem livres do patógeno, mas podem se infectar se a porca estiver excretando o microrganismo pela via nasal. O risco de transmissão aumenta à medida que o período de desmame se prolonga. O desmame é um momento crítico para os leitões, não somente devido à janela imunológica que ocorre nos dias subsequentes, como também pelo estresse causado pela separação da mãe e mistura com leitões de outras origens. Estas condições imunossupressoras fazem com que os leitões fiquem mais suscetíveis à entrada de microrganismos patogênicos, e o encontro com animais de diferentes status sanitários pode levar a uma propagação de infecções nesta fase.

Quando M. hyopneumoniae infecta os suínos, ele age sobre as mucosas do epitélio respiratório, onde se adere aos cílios e altera a frequência dos batimentos ciliares, promovendo a ciliostase e a morte das células epiteliais. Além disso, esse patógeno tem a capacidade de modular tanto a imunidade celular quanto a humoral, levando a uma reação inflamatória exacerbada nos pulmões. A aderência do patógeno ao epitélio respiratório é um pré-requisito para o início da doença, e esse processo é multifatorial e complexo.

Este patógeno também possui a capacidade de modular a resposta imune dos suínos, e esta modulação das respostas imunes inatas e adaptativas desempenha um papel crítico na colonização e na infecção. M. hyopneumoniae interfere tanto na imunidade celular quanto na humoral, evadindo do sistema imune e diminuindo a capacidade do organismo de combater a infecção. Isso torna os animais infectados mais suscetíveis a infecções secundárias por outros patógenos respiratórios. Há também uma reação inflamatória exacerbada nos pulmões dos suínos. Essa inflamação é, em parte, uma resposta à colonização do patógeno, mas também contribui para os danos ao tecido pulmonar. Isso pode levar a lesões pulmonares significativas e, subsequentemente, aos sinais clínicos observados na PES.

Sinais clínicos e lesões

A característica mais evidente das lesões pulmonares causadas por M. hyopneumoniae é a consolidação pulmonar. Isso ocorre na região crânio-ventral dos pulmões (Figura 1). A consolidação resulta da inflamação e acúmulo de fluidos, muco e células inflamatórias nos alvéolos pulmonares. Essa é uma das principais razões pelas quais os suínos afetados experimentam dificuldade respiratória e tosse.

A tosse é um sinal clínico evidente da PES. Os suínos afetados frequentemente apresentam tosse seca e não produtiva, que se manifesta como um reflexo contínuo e irritante. A tosse é, muitas vezes, o primeiro sinal clínico observado e é um indicativo crucial da presença da doença no rebanho. Há uma diminuição no ganho de peso dos suínos e impacto na conversão alimentar dos animais afetados. Eles requerem mais alimento para alcançar um peso adequado, resultando em custos adicionais para os produtores.

Figura 1: Lesão de consolidação pulmonar crânio-ventral em animal desafiado experimentalmente com M. hyopneumoniae – Foto: Arquivo Pessoal

Infecções secundárias

A patogenia da Pneumonia Enzoótica Suína é complexa e multifatorial, e o resultado é um comprometimento significativo no desempenho dos suínos, tornando-os mais suscetíveis a infecções secundárias e reduzindo a viabilidade econômica da produção. Embora a PES em si não acarrete alta mortalidade, o desenvolvimento de infecções secundárias, como pneumonia bacteriana, pode levar a um aumento na mortalidade. Compreender a patogenia da PES é fundamental para desenvolver estratégias de controle eficazes. Portanto, o controle eficaz da PES é uma prioridade para os produtores de suínos, com a vacinação desempenhando um papel fundamental nesse processo.

Diagnóstico

O diagnóstico da Pneumonia Enzoótica Suína é baseado em vários fatores, incluindo sinais clínicos observados nos suínos, avaliação de lesões pulmonares características, como consolidação na região crânio-ventral do pulmão, e lesões histológicas que envolvem principalmente hiperplasia de tecido linfoide associado aos brônquios. No entanto, é importante observar que essas características não são exclusivas de M. hyopneumoniae, e infecções mistas podem resultar em lesões e sinais clínicos menos típicos desta doença.

Controle

No controle da Pneumonia Enzoótica Suína, várias estratégias são empregadas. A biosseguridade desempenha um papel importante na prevenção da disseminação do patógeno. A vacinação é uma estratégia-chave no controle da doença, pois ajuda a minimizar os sinais clínicos, as lesões pulmonares e a perda de desempenho dos suínos.

Conclusão

Em resumo, a Pneumonia Enzoótica Suína representa um desafio significativo para a suinocultura, não apenas prejudicando o bem-estar dos animais, mas também afetando os resultados financeiros dos produtores. O controle eficaz da PES requer uma abordagem multifacetada, que inclui práticas de biosseguridade, monitoramento constante, uso adequado de antimicrobianos e, de forma crucial, a vacinação desempenha um papel essencial na minimização dos impactos dessa enfermidade.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na Nutrição e Saúde Animal clique aqui. Boa leitura!

 

Fonte: Por Marina L. Mechler Dreibi, médica-veterinária, mestra e doutora com ênfase em Sanidade de Suínos Pesquisadora P&D Desenvolvimento Bioanalítico na Ourofino Saúde Animal

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Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações

Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

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O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).

Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.

Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.

Os dados têm como base levantamento do Cepea.

Fonte: Assessoria Cepea
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Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido

Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

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O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!

Hiperconectividade e decisão de compra

Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.

A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.

Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.

Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.

Rapidez e personalização

Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.

O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.

Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.

“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente,  carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Fonte: Assessoria ABCS
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Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

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Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
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