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Mycoplasma abre série de eventos da IDEXX no Brasil

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Desafio é uma palavra que faz parte do dia a dia da avicultura. Manter o elevado status sanitário não é apenas uma prioridade, como também um dever da maior exportadora de carne de frango do mundo e segunda maior produtora internacional. E quando se fala em sanidade no segmento, mycoplasma encabeça a lista de enfermidades que tiram o sono o produtor, seja pela complexidade da doença, seja pelo elevado impacto econômico que provoca.  Considerada uma das mais importantes doenças respiratórias das aves, ela é responsável pela perda no ganho de peso dos animais, também provoca problemas reprodutivos e pode levar ao sacrifício do lote inteiro em alguns casos, além de abrir portas para doenças secundárias. Em outras palavras, um surto de mycoplasma em uma atividade intensiva, que vende eficiência e trabalha com margens apertadas, pode até inviabilizar a manutenção do produtor neste segmento.

Diante deste quadro, da relevância do tema e das dificuldades enfrentadas pela indústria no diagnóstico da enfermidade, o mycoplasma foi tema eleito para iniciar uma série de eventos promovidos pela IDEXX no Brasil. O I Seminário IDEXX Brasil de Mycoplasma, que aconteceu durante o XV Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó, trouxe a médica veterinária e professora da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, Naola Ferguson, para debater estratégias de prevenção e controle com os principais especialistas da avicultura brasileira em encontro que reuniu cerca de 120 pessoas. “Com esta participação, a IDEXX dá inicio a uma série de investimentos no mercado brasileiro”, anunciou o Diretor da IDEXX no Brasil, Eduardo Abécia, na abertura do evento enquanto o Diretor Mundial de Marketing para Avicultura e Suinocultura da IDEXX, Pablo Lopez, destacava a importância da avicultura brasileira. “O Brasil tem um papel central na avicultura mundial. E a IDEXX tem o compromisso de assegurar que seus veterinários tenham informações sempre atualizadas a respeito das mais importantes doenças para o setor”.

Controle
Em sua apresentação, a especialista defendeu o uso combinado de biossegurança com vacinação no controle de mycoplasma. Ela destacou as diversas ferramentas disponíveis no mercado para controle e alertou para vantagens e desvantagens de cada uma. “Em casos de mycoplasma, é importante lembrar que você tem uma caixa com várias ferramentas. Cada uma delas tem vantagens e desvantagens, por isso a escolha das ferramentas a serem utilizadas deve ser feita a partir das vantagens de cada uma”, pontuou.

Com biossegurança eficiente, ela ressalta que é possível livrar o plantel de Mycoplasma synoviae com vacinação. A estratégia é usar a cepa da vacina para criar anticorpos nas aves e assim eliminar as cepas patogênicas. Para isso, é necessário vacinar vários lotes até atingir o resultado esperado. Ferguson estima um prazo de dois anos para atingir o benefício total da vacinação. “De uma maneira geral, é necessário dois anos de vacinação, mas essa regra tem suas variações, por isso recomendo esperar o segundo lote”. 

Ela também debateu o uso de antibióticos no tratamento de Mycoplasma synoviae, alertando que o resultado nunca é perfeito. “O uso de antibióticos vai ajudar a reduzir a carga bacteriana no campo, mas os animais vão continuar doentes e transmitir a doença. Outra desvantagem é que depois de muito uso, os animais criam resistência ao antibiótico e ele deixa de trazer o efeito desejável”, encerra.      

Prevenção 
Quando o assunto é prevenção, Ferguson decretou “não tem segredo, para prevenir é preciso isolamento, é preciso biossegurança”. Considerando que a enfermidade tem transmissão vertical, que significa que as matrizes podem transmitir para a progênie, Ferguson destaca a importância da segurança das matrizes. “A biossegurança é fundamental na prevenção de mycoplasma. É importante manter o isolamento de matrizes em ambientes de alta biossegurança, que significa isoladas de outras aves e isoladas de trânsito de muitas pessoas, além do isolamento por idade, que é manter uma só idade por galpão”. 

Diagnóstico
Explicando a sensibilidade dos diagnósticos e os fatores que podem levar a erros de interpretação dos laboratórios, Ferguson ressalta que não há diagnostico definitivo com resultado positivo de apenas uma prova. 

Ela defende o uso combinado de resultados de provas sorológicas com provas moleculares, conhecidas como PCR em Tempo Real. “A técnica de PCR em Tempo Real vai detectar o DNA da bactéria em três dias após a infecção. Outra maneira é através de cultivo bacteriano, mas é muito complexo em laboratório. Assim, se você vai fazer monitoria de uma grande quantidade de aves, o método sorológico é o mais indicado. Ele fica pronto em uma semana e é mais econômico”. 

Contudo, no caso de aves de elevado valor, no caso das avós, por exemplo, a pesquisadora recomenda o uso de PCR em Tempo Real. “Estas aves têm um valor muito elevado, por isso é importante fazer um diagnostico mais preciso. No caso de matrizes de menor valor, é possível fazer monitorias com sorologia e, em casos de resultados positivos, então fazer um PCR em Tempo Real para confirmar o resultado”. Lembrando que o Brasil usa a técnica de spiking, que é a introdução de machos novos no galpão, ela destaca a importância de um exame de PCR nos galos spiking antes de introduzi-los no galpão.  

O Evento
A importância de reunir representantes de vários segmentos da avicultura para debater os desafios em comum foi ressaltado por Ferguson. “É fundamental que haja cooperação entre a indústria e entre as diferentes empresas, pois muitas vezes elas vivem os mesmos desafios. Especialmente em se tratando de sanidade, já que o surto de uma doença em uma empresa pode se alastrar para todas as outras, uma vez que a produção é concentrada”, pontuou. 

A relevância do tema e a didática da pesquisadora foram apontadas, pelos participantes, entre os pontos altos do encontro. “Eu aplaudo e reconheço como boa a iniciativa da IDEXX de trazer especialistas renomados em assuntos de interesse público. Esta apresentação de hoje ajudou esclarecer dúvidas importantes”, afirmou o médico veterinário e diretor Técnico do laboratório MercoLab e consultor nacional e internacional em sanidade e patologia avícola. Ele apontou ainda diagnósticos precisos entre os desafios impostos pela micoplasmose a avicultura brasileira. “Existem ainda dificuldades em fazer bons diagnósticos e controle de mycoplasma por parte da indústria”. 

O médico veterinário e diretor da Lohmann, Paulo César Martins, ressaltou o desafio de controlar a doença. “É importante ouvir uma pessoa com o mais alto conhecimento e mais alta didática, como a Doutora Naola Ferguson. O controle de mycoplasma é um desafio no campo. Neste caso, a vacinação cumpre um papel muito importante. Para controlar é importante lançar mão de exames de sorologia combinados com biossegurança das aves. Daí esta palestra foi tão importante, ela tratou de uma ferramenta já conhecida, mas muito importante. E isso faz parte de um processo de educação continuada”, disse o especialista. 

O encontro foi considerado fundamental, pela gerente Técnica para América Latina da Hipra, Beatriz Cardoso, por tratar de um dos temas mais importantes para a avicultura. “Incidências de mycoplasma ainda dá muita dor de cabeça, pois os produtores nem sempre conseguem resolver com as ferramentas disponíveis. É uma enfermidade que não dá, ao avicultor, a chance de combater a não ser com planos de medicação ou abate, que é praticamente inviável na avicultura industrial”, alertou a executiva. Ela ainda ressalta o desafio de ampliar conhecimentos na parte de diagnósticos. “Falta muito para conhecer na parte de diagnóstico. Ainda falta muito para o produtor saber trabalhar com resultados positivos. E a sorologia ajuda muito na interpretação de status sanitário do lote”, encerra.

A médica veterinária e representante Técnica na região sul de aves e suínos da IDEXX, Mônica Brehmer, falou dos impactos econômicos da enfermidade na avicultura brasileira. “Foi importante ouvir a Doutora Naola, que é reconhecida mundialmente pelas suas pesquisas com mycoplasma. Esta doença é especialmente desafiadora porque provoca grande impacto econômico na atividade”. Abecia avalia como positivo o balanço do evento. “Foi muito positivo porque reunimos pessoas que fazem parte dos principais processos decisórios na avicultura”. A médica veterinária e gerente de LPD de Ruminantes, Equinos, Aves e Suínos e assuntos regulatórios IDEXX, Andréa Carneiro, também faz um balanço positivo deste encontro, destacando a importância e isenção das informações transmitidas. “Todas as informações que trabalhamos têm base científica. Só debatemos assuntos cientificamente comprovados e já publicados. A IDEXX tem uma tradição de jornais científicos mundiais publicando trabalhos que validam a qualidade e consistência dos resultados”. 

Fonte: Ass. de Imprensa IDEXX

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Instituto de Pesca aposta no futuro sustentável da tilapicultura brasileira com menos antibióticos e mais prevenção

Doenças causadas por bactérias como a Francisella orientalis e vírus Megalocytivirus pagrus1 (subtipo ISKNV) estão entre os maiores desafios, provocando taxas de mortalidade e perdas significativas para os produtores.

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Foto e texto: Assessoria

O Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tem desenvolvido soluções para transformar a sanidade na piscicultura brasileira, com o fortalecimento da prevenção de doenças e redução do uso de antibióticos. As ações fazem parte do Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sanidade em Piscicultura (CCD Sanidade), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

De acordo com o anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), a tilápia (Oreochromis niloticus) é hoje uma das espécies mais cultivadas no mundo e lidera a produção brasileira, representando mais de 68% dos peixes de cultivo. No Estado de São Paulo, a produção ultrapassou 88 mil toneladas em 2025.

No entanto, o crescimento acelerado do setor traz desafios sanitários constantes. Doenças causadas por bactérias como a Francisella orientalis e vírus Megalocytivirus pagrus1 (subtipo ISKNV) estão entre os maiores desafios, provocando taxas de mortalidade e perdas significativas para os produtores.

Tradicionalmente, o controle dessas doenças depende do uso de antibióticos e manejo sanitário adequados. Mas o uso frequente desses medicamentos tem se restringido devido ao surgimento de resistência a antibióticos: quando bactérias desenvolvem mecanismos para sobreviver a medicamentos que antes eram eficazes. Isso compromete a eficácia de tratamentos e representa um dos principais desafios globais em saúde única, que conecta a saúde humana, animal e ambiental.

Para enfrentar este cenário, o projeto CCD Sanidade atua em três abordagens preventivas: desenvolvimento de vacinas, diagnóstico rápido e seleção genética de peixes mais resistentes.

Entre as estratégias em desenvolvimento estão vacinas inativadas e vacinas de DNA, que estimulam o sistema imunológico dos peixes a reconhecer e combater as doenças. Essas tecnologias podem ser aplicadas por injeção ou pela alimentação, ampliando seu potencial de aplicação.

Outra frente importante é a seleção genética de peixes com maior capacidade natural de sobreviver a infecções. Paralelamente, o projeto também investe no desenvolvimento de kits de diagnóstico rápido, capazes de detectar precocemente a presença de F. orientalis e ISKNV em campo.

Para o pesquisador do IP Leonardo Tachibana, a solução não está em tratar mais, mas em prevenir melhor. “Precisamos reduzir a dependência de antibióticos e oferecer alternativas sustentáveis ao produtor”, afirma.

As ações do CCD Sanidade não beneficiam apenas os produtores. Ao integrar diagnóstico, tratamento e melhoramento genético, o projeto contribui para uma piscicultura mais sustentável e segura fortalecendo a conexão entre ciência, mercado e o produtor.

 

SOBRE O CCD

O Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sanidade em Piscicultura (CCD Sanidade) tem como instituição Sede o Instituto de Pesca e como parceiros a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA-USP), o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA), Instituto Biológico (IB-APTA), Instituto Butantan e a empresa Loccus Ltda. O projeto colaborativo é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e orientado a desenvolver soluções para problemas específicos de interesse social ou econômico do Estado de São Paulo.

 

Fonte: Assessoria - Por Elionio Galvão Frota
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São Paulo anuncia R$ 1,2 bilhão para o agro durante abertura da Feicorte 2026

Governo também já emitiu mais de 6,3 mil títulos rurais e reforça ações voltadas à competitividade da pecuária paulista.

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Autoridades durante a cerimônia oficial de abertura da Feicorte 2026 - Foto: Divulgação/Agência Result

A abertura oficial da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte 2026), realizada na terça-feira (23), em Presidente Prudente (SP), foi marcada pelo anúncio de novos investimentos voltados ao desenvolvimento rural paulista. Durante a cerimônia, o governador Tarcísio de Freitas também realizou a entrega simbólica de títulos de propriedade rural, em uma ação voltada à regularização fundiária no Estado.

Segundo o governo paulista, a atual gestão já emitiu mais de 6,3 mil títulos rurais, abrangendo cerca de 270 mil hectares regularizados. No Pontal do Paranapanema, uma das principais regiões contempladas pelo programa, foram entregues 4.347 títulos, volume que corresponde a aproximadamente 75% da área passível de regularização na região.

Homenagem ao ex-secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, responsável pela ida da Feicorte a Presidente Prudente – Foto: Divulgação/Agência Result

Além do governador Tarcísio de Freitas, participaram da solenidade o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, o senador Flávio Bolsonaro, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado, além de deputados federais, estaduais e prefeitos da região.

Durante o evento, o governo paulista anunciou a disponibilização de R$ 1,2 bilhão em linhas de crédito voltadas ao setor agropecuário. Ao apresentar as medidas, o secretário destacou os indicadores da pecuária de corte paulista e defendeu a ampliação dos investimentos em tecnologia e intensificação produtiva. “Queremos mais confinamento, mais tecnologia, mais produção sustentável e maior inserção internacional”, afirmou.

Ao comentar o retorno da Feicorte ao interior do Estado, Tarcísio de Freitas associou a retomada do evento ao potencial de crescimento da região do Pontal do Paranapanema e às ações de regularização fundiária conduzidas pelo governo. “A Feicorte precisava voltar para o interior, onde o agro acontece de verdade. O Pontal do Paranapanema será uma nova fronteira de desenvolvimento, marcada pela prosperidade e pela segurança jurídica. O produtor precisa de estabilidade e previsibilidade nas políticas públicas e é isso que estamos garantindo em São Paulo”, declarou.

Infraestrutura e conexão com a sociedade 

A cerimônia de abertura também foi marcada pelo anúncio da doação definitiva do Recinto de

Foto: Divulgação/Agência Result

Exposições Jacob Tosello ao município de Presidente Prudente. O espaço, que sedia a Feicorte, passará a integrar oficialmente o patrimônio da prefeitura após a formalização da escritura.

Durante o evento, o prefeito Milton Carlos de Mello (Tupã) informou que a administração municipal já prepara um projeto de modernização da estrutura. Segundo ele, a previsão é investir cerca de R$ 4 milhões na reforma do recinto. “A partir do momento em que a escritura estiver registrada, a Prefeitura de Presidente Prudente publicará o edital para a reforma do recinto de exposições. Será uma obra estimada em cerca de R$ 4 milhões, que vai modernizar o espaço e fortalecer ainda mais a realização de eventos como este”, afirmou.

Para a organização, a presença da Feicorte em Presidente Prudente está diretamente ligada à integração entre os diferentes segmentos da cadeia pecuária e a comunidade local. Segundo a CEO da Verum e organizadora da feira, Carla Tuccilio, o evento ampliou seu papel ao longo dos anos e passou a atuar como uma vitrine da produção pecuária brasileira. “A Feicorte já não é mais apenas um evento: ela se tornou um movimento da cadeia produtiva da carne. Conseguimos abordar desde a genética até a carne brasileira de qualidade e o grande objetivo é divulgar esse setor para que todos entendam como funciona nosso sistema produtivo”, destacou.

Carla Tuccilio, CEO da Verum e organizadora da Feicorte 2026: “A Feicorte já não é mais apenas um evento: ela se tornou um movimento da cadeia produtiva da carne” – Foto: Divulgação/Agência Result

Durante seu discurso, Carla também homenageou o ex-secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, apontado por ela como um dos responsáveis por viabilizar a realização da Feicorte em Presidente Prudente.

A solenidade foi encerrada com a doação de uma camisa da seleção brasileira autografada pelo governador Tarcísio de Freitas para o Leilão Pecuária Solidária, programado para sexta-feira (26), às 19h. Os recursos arrecadados serão destinados ao Núcleo Ttere, entidade de Presidente Prudente que atua na qualificação profissional e na inclusão social de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Fonte: Assessoria Feicorte
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Nova rota pelo Pacífico pode reduzir custos e aproximar agro brasileiro dos mercados asiáticos

Programa lançado pelo governo federal prevê integração com a Bolívia, fortalecimento da infraestrutura e criação de corredores logísticos para escoar grãos e carnes com mais competitividade.

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Foto: Divulgação

Uma nova estratégia para encurtar distâncias e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro começou a sair do papel na terça-feira (23). O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, iniciativa que busca criar alternativas para o escoamento da produção nacional por meio de corredores que atravessam a Bolívia e chegam aos portos do Oceano Pacífico.

Foto: Percio Campos/Mapa

A medida tem como objetivo reduzir custos logísticos, fortalecer a inserção internacional do agro brasileiro e ampliar o acesso aos mercados da Ásia e dos países banhados pelo Pacífico.

Durante a cerimônia de assinatura da portaria, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou a importância da iniciativa para aproximar a produção brasileira de mercados considerados estratégicos. “Quando a gente fala do agro, a gente precisa reconhecer o papel de protagonismo do estado de Mato Grosso, que é responsável por cerca de 35% disso tudo que nós falamos aqui. Que bom saber que um ato singelo, simples, que coroou um conjunto de esforços, é tão importante no sentido de reduzir distâncias, reduzir custos e viabilizar o acesso a esse mercado tão promissor”, enfatizou.

Alternativa às rotas tradicionais

A proposta cria uma alternativa aos atuais corredores de exportação utilizados pelo país. Na prática, produtos como grãos, carnes e outros itens agropecuários poderão seguir por rotas terrestres até a Bolívia e, de lá, alcançar os portos do Pacífico, encurtando o trajeto até os principais compradores asiáticos.

Além da redução dos custos de transporte, o programa prevê estímulo à agregação de valor da produção, desenvolvimento regional e atração de investimentos em

Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou que a nova rota pelo Pacífico pode reduzir custos e ampliar a competitividade do agro brasileiro – Foto: Percio Campos/Mapa

infraestrutura e comércio exterior.

Segundo o coordenador-geral de Cooperativismo, Associativismo Rural e Agregação de Valor do Mapa, Nelson Andrade, a iniciativa está estruturada em quatro pilares. “Os eixos envolvem apoio à infraestrutura e logística, facilitação regulatória e do comércio internacional, cooperação técnica e sanitária e promoção comercial com atração de investimentos”, explicou.

Mato Grosso no centro da estratégia

Por fazer fronteira com a Bolívia e concentrar a maior produção agropecuária do Centro-Oeste, Mato Grosso desponta como um dos principais beneficiados pela nova rota.

A expectativa é que a integração de trechos rodoviários, como a MT-199, fortaleça o oeste mato-grossense como porta de acesso ao Pacífico, ampliando a competitividade da produção regional.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, acredita que a iniciativa poderá impulsionar o desenvolvimento econômico da região. “Essa integração vai encurtar caminhos e desenvolver uma região que possui terras fantásticas e uma agricultura forte. Esse corredor que agora se abre para o oeste de Mato Grosso certamente vai melhorar a competitividade e trazer benefícios em todos os sentidos”, afirmou.

Foto: Percio Campos/Mapa

Projeto começou a ser articulado em 2024

De acordo com o ex-secretário-executivo do Mapa, Irajá Lacerda, o programa é resultado de um trabalho iniciado em 2024 e construído em conjunto com diferentes órgãos e setores. “Hoje é a consolidação de muitos anos de trabalho. Foram três anos e três meses dialogando com todos os ministérios e com todos os setores para mostrar que a fronteira oeste de Mato Grosso e a fronteira entre Brasil e Bolívia precisavam ser vistas como uma zona de integração”, disse.

O presidente do Comitê de Integração Brasil-Bolívia em Mato Grosso, Pedro Panoff de Lacerda, classificou a iniciativa como uma antiga demanda regional. “Essa rota mais próxima é um sonho para o estado de Mato Grosso”, destacou.

Próximos passos

O programa prevê a realização de estudos técnicos, recomendações estratégicas, monitoramento das ações e articulação entre diferentes instituições. A execução também poderá contar com parcerias público-privadas nacionais e internacionais.

A regulamentação ficará a cargo da Secretaria-Executiva do Mapa, responsável pela criação de um Comitê Gestor para acompanhar a implementação das ações.

Com a iniciativa, o governo busca diversificar os corredores logísticos do país e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro em um mercado cada vez mais disputado.

Fonte: O Presente Rural
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