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Mário Lanznaster

Muito além do Mercosul

Temo pela perda de protagonismo do Brasil no mercado mundial, não só pela inoperância do Mercosul mas, principalmente, porque o País ficou fora do Acordo Transpacífico (TPP)

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Mário Lanznaster – Presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos e vice-presidente para o agronegócio da FIESC

            Acredito que o Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um daqueles projetos listados com o selo de “fracasso” pela diplomacia brasileira. São 25 anos de esforços de aproximação e muito pouco avançamos na criação de um verdadeiro mercado comum, na eliminação de barreiras, na simplificação de procedimentos, na homogeneização de tributos etc. Atravessar as fronteiras em operações comerciais de importação/exportação ou em simples viagens de turismo ainda envolvem muita burocracia e documentação.

            De outra parte, nossos parceiros não são tão leais assim. Frequentemente criam barreiras alfandegárias e não-alfandegárias, fixam cotas, suspendem compras, internalizam como seus produtos de fora do bloco (há forte suspeita sobre o leite em pó). Enfim, o Mercosul é um mercado comum que não funciona, nem para os agentes econômicos, nem para os turistas. E o que é pior: nossos parceiros buscam acordos isolados com outros países, ignorando o Brasil que representa 90% do PIB do bloco.

Temo pela perda de protagonismo do Brasil no mercado mundial, não só pela inoperância do Mercosul mas, principalmente, porque o País ficou fora do Acordo Transpacífico (TPP). Doze países participam do acordo de livre-comércio e essa aproximação entre os países-membros, que representam 40% da economia global, pode dificultar o acesso do Brasil a um mercado combinado de 800 milhões de habitantes. O tratado assinado entre os Estados Unidos, Japão, Austrália, Canadá, Chile, Cingapura, Brunei, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã prevê a derrubada de barreiras tarifárias, estabelecimento de padrões e normas de comércio, além de aumentar os investimentos entre os países. O acordo produzirá seus efeitos econômicos após a conclusão dos processos internos de aprovação (nos parlamentos nacionais), quando as mercadorias terão acesso preferencial aos mercados desse novo e promissor bloco.

O que pede o setor produtivo nacional diante desse novo cenário do mercado mundial? Que a diplomacia brasileira atue no mercado externo para a eliminação integral dos subsídios às exportações nos demais países e para a redução dos picos tarifários de acesso aos novos mercados. É óbvio que a liberalização dos mercados agrícolas mundiais é fundamental não só para o setor primário nacional, mas para o futuro de toda a economia brasileira.

O Brasil não participa desse acordo, por isso, precisa correr atrás do prejuízo e gestionar novos acordos comerciais para a entrada de seus produtos agropecuários nesses países. Precisamos acelerar a celebração de novas parcerias entre o Brasil e a União Europeia, União Aduaneira Euroasiática, China e Estados Unidos. O País já está negociando a ampliação do Acordo de Complementação Econômica 53 com o México, visando benefícios de acesso aos mercados, ampliação de fluxos do comércio bilateral e harmonização de medidas sanitárias e fitossanitárias.

Outra medida necessária é o fortalecimento da figura do adido agrícola em todas as  embaixadas brasileiras instaladas em países cujos mercados interem ao Brasil, integrando ações dos Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores. A associação de diplomatas com conhecimento na área e qualificados adidos agrícolas resultarão, na prática, na defesa mais efetiva do setor primário e da vasta cadeia produtiva do agronegócio. Isso representa um avanço na capacidade de negociação e intervenção mercadológica do Brasil. Precisamos pensar e agir muito além do Mercosul.

Fonte: Ass. Imprensa

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Mário Lanznaster

Uma reivindicação histórica do grande oeste catarinense

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Artigo escrito por Mário Lanznaster, presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos e vice-presidente para o agronegócio da FIESC

Com mais de 100 anos de ocupação, colonização e desenvolvimento, o grande oeste de Santa Catarina – apesar de sua imensa importância econômica – nunca elegeu um governador. Esse fato não se deve à incompetência da classe política oestina. É preciso lembrar que até o final da década de 1970, a região mantinha fortes laços culturais e econômicos com Porto Alegre e todo o Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Florianópolis era uma terra distante e fora de curso para os catarinenses do oeste. As emissoras de radiodifusão que penetravam na região eram gaúchas ou paranaenses; os jornais que faziam a opinião pública eram editados nos pampas…

A preocupação com a integração esteve sensatamente presente no governo Celso Ramos que, em 8 de agosto de 1963, editou a lei 3283, criando a Secretaria dos Negócios do Oeste. Essa estrutura funcionou como uma administração avançada, promovendo investimentos essenciais em rodovias, pontes, escolas e obras em geral para a infraestruturação. Apesar da importância administrativa da Secretaria, foi a força da comunicação social que começou a operar a definitiva integração cultural e política do território catarinense a partir da década de 1980, quando os sinais das emissoras catarinenses atingiram todas as comunidades e jornais editados na Capital e em cidades-polos começaram a ser acessados pela população. Linhas aéreas passaram a fazer a conexão oeste-litoral. O intercâmbio leste-oeste se intensificou.

O saudoso governador Luiz Henrique da Silveira, em sua primeira campanha vitoriosa para o governo, desfraldou a arrojada bandeira da “deslitoralização”. O êxodo das áreas rurais para os polos e micropolos regionais e, especialmente, para o litoral, estava – e ainda está – esvaziando os campos e as cidades do interior e inchando o litoral. Enquanto o interior perde recursos humanos, densidade populacional e importância político-eleitoral, as áreas litorâneas ganham problemas insuperáveis em face das demandas por saúde, educação, habitação etc.

A eleição de um governador oestino pode influenciar na reversão desse processo porque é no hinterland que estão os recursos naturais, a riqueza econômica, a diversidade étnica e cultural e as condições para sustentar o desenvolvimento catarinense. No litoral, apesar de suas potencialidades, estão as demandas e a concentração de problemas.

Há uma latente aspiração do grande oeste em eleger um governador, não apenas porque é a única região que ainda não o fez, mas, fundamentalmente, porque há um conjunto de lideranças de praticamente todas as correntes ideológicas e todos os matizes políticos preparadas para essa missão. Se houvesse um deserto de líderes, essa pretensão seria apenas uma quimera. 

Fonte: Assessoria

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Mário Lanznaster

A próxima estrela do agronegócio

Cadeia produtiva de lácteos vem fazendo, nas últimas duas décadas, fortes investimentos para a contínua elevação da qualidade nas várias fases do processo

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Artigo escrito por Mário Lanznaster, presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos e vice-presidente para o agronegócio da FIESC

Santa Catarina tem uma inequívoca vocação para a produção de alimentos.  A nossa produção de grãos, frutas e carnes já conquistou os mercados mundiais mais exigentes. Desenvolvimento e expressão semelhantes atingirão, num futuro breve, os setores ligados à produção de leite. Temos a quarta maior bacia leiteira do Brasil e uma moderna indústria de processamento e industrialização dessa importante matéria-prima, essencial à nutrição humana. Cerca de 80 mil famílias rurais se dedicam a essa atividade, que gera importante receita mensal, contribuindo com a qualidade de vida e com a economia dos municípios catarinenses.

A cadeia produtiva de lácteos vem fazendo, nas últimas duas décadas, fortes investimentos para a contínua elevação da qualidade nas várias fases do processo. Nesse esforço se aliaram as cooperativas, os laticínios, os produtores rurais e os integrantes do Sistema S – Senar, Sebrae, Sescoop.

Evoluímos, mas precisamos avançar ainda mais. Nosso referencial, no plano internacional, é a Nova Zelândia, que detém a mais eficiente cadeia produtiva do Planeta. O processamento industrial do leite neozelandês gera 1.400 derivados.

Onde precisamos melhorar para produzir um leite de qualidade e a custos competitivos? É preciso perseverar nos programas de melhoramento genético dos rebanhos de gado leiteiro porque uma das prioridades deve ser o aumento de sólidos. O leite brasileiro rende 1/3 a menos, na indústria, em relação ao leite da Nova Zelândia. Outro caminho irreversível é a produção de pastagens e a adoção do sistema Voisan (pastoreio rotativo), que já vem sendo praticado com sucesso em Santa Catarina, com grande efeito na redução de custos.

Também é essencial perseverar nas metas de erradicação da brucelose e da tuberculose, investir em equipamentos de ordenha e resfriamento nos estabelecimentos industriais e aperfeiçoar a logística. 

Hodiernamente, não temos presença no mercado internacional de lácteos, mas, não há dúvida de que, em poucos anos, seremos um importante competidor. Talvez o principal concorrente da Nova Zelândia. Temos solos, clima, recursos humanos e vocação para esse desiderato. A estrada para essa conquista será pavimentada com esforços e investimentos dos produtores rurais, das indústrias, dos centros de pesquisa e do Estado.

Os resultados serão econômicos e sociais, já que praticamente todos os estabelecimentos agropecuários em território barriga-verde produzem leite, o que gera renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. 

Fonte: Assessoria

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Mário Lanznaster

Suíno ideal: a evolução da cadeia produtiva

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Agricultura e agronegócio prosperam com investimentos em ciência e tecnologia. Estimuladas por esse princípio, as cooperativas praticam uma suinocultura industrial, no grande oeste de Santa Catarina, que é considerada uma das  mais avançadas do mundo. Reflexo desse conceito superlativo é o projeto Suíno Ideal que a Cooperativa Central Aurora Alimentos desenvolve há nove anos em parceria com as suas cooperativas filiadas. O objetivo é arrojado: produzir um suíno estandardizado, ou seja, que obedeça a padrões de peso, tamanho, qualidade da carne etc., permitindo a otimização do aproveitamento industrial.

O Suíno Ideal é um processo de melhoria contínua que envolve as questões de genética, sanidade, nutrição, manejo etc. e está sempre voltado para as demandas de mercado. Seu foco está na implantação de padrões de manejo e de assistência técnica. É a aplicação destes procedimentos nas rotinas dos técnicos e produtores, aliados à genética (através da Unidade de Disseminação de Gens) e nutrição, que garantem as melhorias que o mercado exige.

Os resultados mensurados nesses nove anos de programa comprovam seu sucesso na busca da melhoria contínua, tanto no aspecto de resultado zootécnico, como nos aspectos de organização dos recursos ambientais da propriedade, buscando atender as exigências dos mercados nacional e internacional. Neste período evoluíram-se muito os indicadores zootécnicos. O objetivo do projeto é a redução na variabilidade de peso de carcaça fornecida para a indústria. A padronização do processo de produção é extremamente importante, pois assegura domínio do processo produtivo, redução da variabilidade dos suínos disponibilizados para o abate e, por consequência, rendimentos padronizados, cortes padronizados e volume produzido dentro da necessidade das indústrias, bem como maior controle sobre os custos.

Essa imensa ação cooperativa impacta nos resultados industriais no tocante a otimização das carcaças de suínos e, portanto, nos resultados econômicos e financeiros. Esse conhecimento está devidamente codificado. Todas as práticas estão descritas no manual de produção de suínos na fase de crescimento e terminação. A cada dois anos ocorre a revisão de todo o processo com as equipes técnicas das cooperativas filiadas.

Os resultados econômicos são evidentes para produtor rural, indústria e consumidor. A cadeia de suíno já detinha um alto grau de eficiência, por isso, potencializar ainda mais os ganhos zootécnicos é um resultado fantástico. As avaliações e mensurações comprovam os ganhos zootécnicos em termos de redução da mortalidade  no transporte e na  propriedade, melhor conversão alimentar e redução do coeficiente de variação de peso no abate.

 

Fonte: Ass. de Imprensa

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