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Mudanças nas regras do Fiagro pode influenciar decisões de investimento no agro

Fim da isenção para pessoas físicas a partir de 2026 e redução da alíquota para ganho de capital estão entre as mudanças.

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Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

O setor agropecuário deve ficar atento às novas regras para os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro). A Medida Provisória (MP) publicada pelo governo federal na última quinta-feira (13) altera a tributação dos rendimentos e ganhos de capital tanto para pessoas físicas quanto jurídicas que investem nesses fundos, considerados uma das principais fontes de financiamento para o agro brasileiro.

Até agora, os rendimentos de cotas de Fiagro com mais de 100 cotistas eram isentos de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas, e sujeitos a uma alíquota de 20% para pessoas jurídicas. Já os ganhos de capital, diferença entre compra e venda das cotas, eram tributados em 20% para ambos os perfis, com limitações para compensação de perdas.

Com a nova MP, o cenário muda:

  • Pessoas físicas

A isenção do IR sobre rendimentos se mantém apenas para cotas emitidas até 31 de dezembro de 2025.
Para cotas emitidas a partir de 1º de janeiro de 2026, será aplicada uma alíquota de 5% sobre os rendimentos.
Já os ganhos de capital terão redução da alíquota de 20% para 17,5%, com possibilidade mais ampla de compensar perdas.

  • Pessoas jurídicas (exceto isentas ou optantes do Simples Nacional)

A alíquota de IR sobre rendimentos e ganhos de capital cairá de 20% para 17,5%, sendo o imposto apurado diretamente no momento do ganho.

Essas mudanças impactam diretamente produtores rurais, cooperativas e empresas do agro que utilizam o Fiagro como instrumento de captação ou aplicação de recursos.

Instrumento estratégico para o agro
O Fiagro foi criado em 2021 para aproximar o mercado de capitais da produção agroindustrial, permitindo que investidores financiem atividades como produção agrícola, infraestrutura no campo, armazenagem, aquisição de terras e muito mais. Desde então, o modelo ganhou adesão de diversos elos da cadeia produtiva por oferecer maior previsibilidade e diversificação de fontes de financiamento.

Com a nova regra, a expectativa é de que haja uma movimentação de investidores interessados em manter a isenção até 2025, o que pode gerar aquecimento no curto prazo. Já no médio e longo prazo, o impacto dependerá da resposta do mercado às novas alíquotas.

Mudanças no IOF também afetam crédito rural
A mesma MP vem acompanhada de um decreto que ajusta as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), impactando operações de crédito, inclusive no meio rural. Entre as principais mudanças:

  • A alíquota fixa de 0,95% para crédito às empresas foi revogada, retornando para 0,38% por operação, mais 3% ao ano.
  • Fim da diferenciação entre empresas do Simples Nacional e demais, simplificando o acesso ao crédito.
  • Em operações com risco sacado (antecipação de pagamento a fornecedores), a cobrança fixa foi eliminada, valendo apenas a alíquota diária de 3% ao ano, o que pode reduzir o custo efetivo da operação em até 80%.

No caso da previdência privada tipo VGBL, houve isenção de IOF para aportes de até R$ 300 mil por ano até o fim de 2025, e de até R$ 600 mil por ano a partir de 2026, medida que pode beneficiar produtores e empresários rurais com planejamento financeiro de longo prazo.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil

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Show Rural Digital reforça papel como hub de tecnologia e conhecimento do agronegócio

Edição 2026 amplia expositores, atrai lideranças internacionais e aposta em temas estratégicos como IA e cibersegurança.

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Foto: Gabriel Rosa

Integrado ao Show Rural Coopavel desde 2019, o Show Rural Digital tornou-se um dos principais ambientes dedicados à inovação e à transformação digital no evento, que chega à sua 38ª edição. O espaço deixou de ser apenas expositivo para se consolidar como um ponto de encontro entre conhecimento, tecnologia, networking e oportunidades de negócios voltadas ao avanço do agronegócio.

Coordenador do Show Rural Digital, José Rodrigues da Costa Neto: “O Show Rural Digital é um evento que cresce de forma consistente, gera conteúdo altamente relevante e deixa sua marca a cada edição” – Foto: Divulgação/Coopavel

De 09 a 13 de fevereiro, a programação reúne 60 apresentações e atividades, além de dezenas de expositores e conteúdos que abrangem toda a cadeia produtiva, da base no campo às soluções tecnológicas mais avançadas. “O Show Rural Digital é um evento que cresce de forma consistente, gera conteúdo altamente relevante e deixa sua marca a cada edição. Em 2026, teremos mais expositores, mais atrações e uma agenda ainda mais completa”, ressalta o coordenador José Rodrigues da Costa Neto.

Um dos momentos centrais será o Fórum Internacional das Cooperativas, programado para terça-feira, dia 10, com a participação de CEOs e diretores técnicos de cooperativas do Brasil, Paraguai e Argentina. “O fórum ganhou dimensão internacional e se transformou em um espaço estratégico de discussão sobre o futuro do cooperativismo”, destaca Neto.

A inovação prática também ganha protagonismo com o Hackathon, maratona que desafia equipes a desenvolver soluções para demandas reais do agronegócio em mais de 40 horas de imersão. A equipe vencedora será premiada com uma visita a um dos principais ecossistemas de inovação da América do Sul, experiência vivenciada, no último ano, na Colômbia. Segundo Neto, o nível dos projetos apresentados evolui a cada edição, com propostas cada vez mais próximas da realidade de mercado.

Foto: Albari Rosa

Novos caminhos ao agro
A agenda do Show Rural Digital contempla temas como inteligência artificial aplicada ao agronegócio, cibersegurança, eventos climáticos extremos, agricultura de precisão, biotecnologia e valorização de resíduos. O público também poderá participar de rodadas de negócios, painéis com fundos de investimento e iniciativas de inovação aberta, como o Iguassu Valley Show, que trará ao debate as estratégias do ecossistema regional de inovação.

O compromisso com a diversidade segue fortalecido com o retorno do Founders Mulheres, que reunirá cerca de 150 mulheres de diferentes municípios do Oeste do Paraná em uma programação voltada à equidade, liderança feminina e ampliação da participação das mulheres no ecossistema de startups.

Entre os participantes confirmados está Renato Chaves, presidente da Extreme Networks América Latina, que integra o Fórum das Cooperativas com reflexões sobre cibersegurança e infraestrutura digital, temas cada vez mais estratégicos e transversais para o setor agropecuário. O Show Rural Digital conta com a parceria do Governo do Paraná, Sebrae, Fiep, UTFPR, Biopark, Ocepar e Iguassu Valley.

Fonte: Assessoria Show Rural Coopavel
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Comunicar bem é produzir valor para a cadeia da proteína animal, defende Tejon

Especilista destaca campanhas, ética e estratégia como pilares para aproximar o campo do consumidor e do mercado internacional.

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Publicitário, jornalista e doutor em Educação, José Luiz Tejon Megido: "Queremos um mundo bem informado sobre o Brasil. Isso é responsabilidade de todos os elos da cadeia produtiva" - Foto: Divulgação

Com foco na relevância da comunicação e em fortalecer o agronegócio, a primeira edição do Mercoagro Talks de 2026 contou com a palestra do publicitário, jornalista e doutor em Educação, José Luiz Tejon Megido, um dos principais nomes do setor no Brasil, que abordou o tema “A importância da comunicação no mercado da proteína animal”.

Tejon frisou que as transformações no consumo e na cadeia produtiva da proteína animal brasileira foram impulsionadas pela força da comunicação. “A tecnologia, a genética, o cooperativismo já existiam. Mas foi a comunicação que mudou a cabeça do consumidor final”, evidenciou, ao citar o avanço no consumo de carne suína no Brasil, que dobrou nos últimos anos graças a campanhas direcionadas ao público.

O professor relembrou episódios marcantes de sua trajetória profissional e citou líderes que ajudaram a construir o setor, como Atílio Fontana, Saul Brandalise e Aury Bodanese. Para ele, a comunicação eficaz é aquela que conquista o coração antes da razão, e precisa ser usada com ética, emoção e estratégia. “Um bom comunicador diz o que as pessoas precisam ouvir, não apenas o que elas querem ouvir”, frisou.

O palestrante defendeu uma comunicação voltada não apenas ao setor produtivo, mas também ao consumidor final, especialmente os mais jovens, que demandam informações sobre origem, processo e valores das marcas. “A família produtora é a marca mais preciosa que temos. Precisamos mostrar isso com autenticidade”, afirmou.

Tejon também alertou sobre os desafios enfrentados pela imagem do Brasil no exterior. De acordo com ele, apenas 8% dos europeus têm alguma ideia sobre o agronegócio brasileiro. “Quando você é ignorado, qualquer bobagem vira verdade. Precisamos de uma estratégia internacional de comunicação que mostre a dignidade e a origem dos nossos produtos”, ressaltou.

Acrescentou também que o Brasil se tornou a segurança alimentar do planeta Terra. E isso precisa ser reconhecido, divulgado, valorizado. “Queremos um mundo bem informado sobre o Brasil. Isso é responsabilidade de todos os elos da cadeia produtiva”, enfatizou.

A programação marcou a abertura oficial do calendário da Mercoagro 2026 – Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização da Carne, que ocorrerá entre os dias 17 e 20 de março, em Chapecó (SC).

O evento é uma realização da Associação Comercial, Industrial, Agronegócios e Serviços de Chapecó (ACIC), com apoio da Prefeitura de Chapecó e patrocínio da Aurora Coop, BRDE, Unimed Chapecó e Sicoob. Conta ainda com o apoio institucional do Nucleovet, Chapecó Convention & Visitors Bureau, Fiesc/Senai, Sebrae/SC, SESI, Unochapecó e Pollen Parque.

Fonte: Assessoria
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Animais merecem cuidado, respeito e proteção

Cooperativas adotam tolerância zero a maus-tratos e investem em tecnologia, manejo e auditorias.

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A maneira como a sociedade humana se relaciona com os animais é um indicador inequívoco de seus valores éticos, de sua maturidade social e de sua capacidade de projetar um futuro sustentável. Tratar os animais com respeito não é um gesto acessório, tampouco um modismo. É um compromisso moral que envolve indivíduos, organizações e sistemas produtivos inteiros. Nesse contexto, as cooperativas estão engajadas de forma ativa e responsável, assumindo seu papel histórico de conciliar desenvolvimento econômico, justiça social e cuidado com a vida.

Foto: Divulgação

Animais domésticos e animais de produção, ainda que inseridos em realidades distintas, compartilham a mesma condição de dependência da ação humana. Nos lares, cães e gatos integram famílias e oferecem vínculos afetivos profundos.

No campo, aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos e tantos outros sustentam a produção de alimentos essenciais à população. Em ambos os casos, o respeito, o cuidado e a proteção devem ser princípios inegociáveis. Não há espaço para negligência, maus-tratos ou abandono, seja nas propriedades rurais, seja nas cidades, ruas e rodovias brasileiras.

No segmento agroindustrial da proteína animal, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior. Pessoas, empresas e organizações precisam adotar, de forma concreta, o moderno conceito de saúde única, que reconhece a interdependência entre a saúde animal, a saúde humana e o equilíbrio ambiental. Essa visão integrada orienta práticas que asseguram sustentabilidade, biosseguridade e bem-estar em todas as etapas produtivas. Ao cuidar adequadamente dos animais, protege-se também o alimento, os trabalhadores, os consumidores, o meio ambiente, o sistema produtivo e a segurança alimentar global.

As áreas de produção intensiva merecem atenção absoluta e permanente. A avicultura industrial, a suinocultura industrial, a

Foto: Divulgação

bovinocultura de corte e de leite, assim como a criação de equinos, caprinos e outras espécies, exigem rigor técnico, planejamento e investimentos contínuos. O mesmo nível de prioridade deve ser direcionado aos animais domésticos, especialmente àqueles que foram abandonados e hoje vivem em situação de vulnerabilidade extrema, submetidos à fome, doenças e violência silenciosa.

Essa filosofia de respeito se traduz em ações práticas e mensuráveis. A política de Tolerância Zero a maus-tratos é fundamental, com postura firme contra qualquer prática abusiva ou negligente. O monitoramento contínuo e a capacitação permanente, por meio de treinamentos regulares, promovem o manejo ético e humanitário. A ambiência adequada, sustentada por investimentos em infraestrutura, assegura conforto térmico, liberdade de movimento e acesso à água e alimentação de qualidade.

Foto: Divulgação

Auditorias internas e externas, realizadas de forma periódica, garantem conformidade, transparência e melhoria contínua. O alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável reforça que o bem-estar animal é parte central de uma agenda global de responsabilidade e futuro.

As cooperativas têm avançado de maneira consistente nesse caminho, implementando ações estruturais, tecnológicas e educativas para assegurar condições dignas aos animais em todas as etapas da cadeia produtiva. Os investimentos concentram-se na melhoria das condições sanitárias, no conforto térmico e na implantação de tecnologias de monitoramento da saúde animal. Sistemas de notificações e penalidades complementam esse esforço, salientam que ética e respeito são compromissos permanentes, não retóricos.

Respeitar os animais é respeitar a vida em todas as suas dimensões. É reconhecer que produção, consumo e sustentabilidade não são conceitos opostos, mas interdependentes. É uma responsabilidade coletiva, que exige consciência, ação e compromisso. As cooperativas seguem firmes nesse propósito, porque acreditam que não há desenvolvimento verdadeiro sem dignidade, cuidado e respeito.

Fonte: Artigo escrito por Vanir Zanatta, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc).
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