Notícias Da geopolítica aos biocombustíveis
Mudanças globais colocam novos desafios para a cadeia da proteína animal
Fórum AgroLogs durante a Conbrasfran 2026 vai discutir como logística, insumos, rotas comerciais e a expansão do etanol influenciam a competitividade do setor.

A competitividade da cadeia brasileira de proteína animal depende cada vez mais de fatores que vão além da produção dentro das granjas e agroindústrias. Mudanças no cenário geopolítico global, desafios logísticos, disponibilidade de insumos e a expansão da produção de biocombustíveis estão entre os temas que serão debatidos no 2º AgroLogs, o Fórum de Logística e Suprimentos da Proteína Animal, que integra a programação da Conbrasfran 2026, que será realizada de 23 a 25 de novembro pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), em Gramado (RS).

Foto: Divulgação/Asgav
O fórum vai reunir especialistas para discutir o mercado nacional e internacional de aminoácidos em um cenário de transformações geopolíticas, os impactos da nova realidade da produção de grãos e do crescimento das indústrias de etanol e biocombustíveis sobre a produção de proteína animal, além dos desafios relacionados às rotas comerciais globais, ao transporte marítimo e à logística de carnes, ovos e suínos nos mercados interno e externo.
O presidente executivo da Asgav e organizador do evento, José Eduardo dos Santos, destaca que os temas refletem questões que passaram a influenciar diretamente a competitividade do agronegócio brasileiro. “A eficiência produtiva continua sendo fundamental, mas hoje fatores como logística, disponibilidade de insumos, infraestrutura e geopolítica têm impacto direto sobre custos, planejamento e acesso aos mercados. São temas estratégicos para toda a cadeia de proteína animal”, afirma.
Para ele, discutir essas transformações é essencial para preparar o setor para os desafios dos próximos anos. “O Brasil ocupa posição de destaque na produção e exportação de proteína animal. Manter essa competitividade exige capacidade de adaptação, visão de longo prazo e compreensão das mudanças que estão ocorrendo no cenário global”, destaca.

Colunistas
Safra 2026/27 amplia peso da gestão financeira dentro das propriedades
Com custos ainda elevados, crédito mais restrito e passivos acumulados, produtores terão de equilibrar produtividade, liquidez e gestão de risco para preservar a rentabilidade.

A safra 2026/27 tende a expor uma lógica econômica diferente no agronegócio. Mais do que medir desempenho pela produtividade isolada, o novo ciclo exigirá avaliar a capacidade de cada operação de sustentar margem, liquidez e disciplina financeira em um ambiente de custos ainda elevados, crédito mais seletivo, juros mais altos e passivos acumulados de safras anteriores. Em outras palavras, nesta safra, produzir bem continuará sendo necessário, mas não será, por si só, suficiente para garantir solidez econômica.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Essa mudança altera de forma relevante a leitura de risco e retorno no setor. Em ciclos mais favoráveis, parte das ineficiências operacionais e mesmo perdas localizadas de produtividade por intempéries climáticas podiam ser absorvidas por preços melhores, maior liquidez e expansão do crédito. Esse ambiente mudou. Na safra 2026/27, mesmo operações com bom desempenho produtivo podem enfrentar pressão de caixa se ingressarem no ciclo com estrutura de capital desequilibrada, alavancagem excessiva ou baixa capacidade de gerir riscos.
A diferença entre operações mais resilientes e mais vulneráveis tende a aparecer com mais nitidez. No Centro-Oeste, especialmente em regiões com maior escala e melhor diluição de custos, permanecem vantagens estruturais relevantes, mas elas já não asseguram conforto financeiro por si só. No Matopiba, o desafio tende a ser mais sensível em razão da pressão logística, da dependência de infraestrutura e da menor margem de tolerância a desvios. No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, o clima e o peso de sucessivas frustrações produtivas e renegociações anteriores torna o novo ciclo ainda mais exigente.
Nesse contexto, o desafio já não está apenas em aumentar a produtividade. Está em preservar a capacidade econômica da

Foto: Shutterstock
operação diante de uma combinação mais dura de margens estreitas, caixa pressionado, maior seletividade do crédito e exposição climática permanente. Quando o espaço entre receita esperada e obrigação financeira se estreita, qualquer frustração relevante de safra pode migrar rapidamente do campo agronômico para o financeiro.
É exatamente por isso que o seguro agrícola ganha centralidade. Em um cenário de margem comprimida, ele deixa de ser apenas um instrumento de compensação patrimonial e passa a atuar como mecanismo de preservação de liquidez, continuidade operacional e capacidade de pagamento. Proteger a safra, nesse ambiente, é também proteger a estrutura financeira da operação rural.
Esse movimento faz parte de uma transformação mais ampla do agro. Decisões de crédito, seguro e gestão de risco precisarão ser cada vez mais apoiadas por dados e inteligência, seja pela leitura do risco em nível de talhão, pelo monitoramento contínuo ou pela maior integração do seguro às operações financeiras.
O que está em jogo, portanto, não é apenas o desempenho de uma safra, mas a capacidade de manter a operação economicamente íntegra em um ambiente mais complexo e adverso. Isso exige uma agenda mais profissional de proteção, governança e gestão de risco.
Notícias
Frimesa antecipa meta de energia renovável e alcança 96,4% de matriz limpa nas operações
Índice previsto para 2030 foi superado cinco anos antes, reforçando estratégia da cooperativa para atingir a neutralidade de carbono até 2040.

A Frimesa alcançou em 2025 um marco em sua estratégia de sustentabilidade ao registrar 96,4% de energia proveniente de fontes renováveis em suas operações industriais. O percentual supera a meta estabelecida no Roadmap ESG 2040, que previa atingir 95,7% de energia limpa apenas em 2030.

Foto: Divulgação/Frimesa
O resultado fortalece o compromisso da cooperativa com a redução das emissões de gases de efeito estufa e com a meta de neutralidade de carbono até 2040.
Ao longo do ano, o consumo total de energia da companhia chegou a 1,98 milhão de gigajoules (GJ). Desse total, biomassa e biogás responderam por 61,5% da matriz energética, consolidando-se como as principais fontes utilizadas pela agroindústria. A geração solar também teve participação relevante no desempenho alcançado.
Na unidade frigorífica de Assis Chateaubriand, por exemplo, a expansão da produção não comprometeu a predominância de fontes renováveis. A empresa já mantém no planejamento novos investimentos, como a ampliação da usina fotovoltaica, estudos para utilização de biometano e a eletrificação gradual da frota. “Esse resultado demonstra nossa capacidade de integrar inovação e sustentabilidade na operação industrial. A sustentabilidade não é apenas uma meta a ser alcançada, mas a nossa própria razão de ser. Como uma cooperativa, o impacto social, a governança ética e o respeito ao campo e ao meio ambiente estão no nosso DNA desde a fundação”, afirma Elias José Zydek, presidente executivo da Frimesa.
Segundo o executivo, alcançar a meta cinco anos antes do previsto representa um avanço importante na trajetória rumo à neutralidade de carbono. “Seguiremos

Presidente executivo da Frimesa, Elias José Zidek: “A sustentabilidade não é apenas uma meta a ser alcançada, mas a nossa própria razão de ser” – Foto: Divulgação/Frimesa
investindo na diversificação da matriz e na eficiência energética de nossas unidades”, destaca.
Troca da gasolina por etanol reduz emissões da frota
Além dos avanços na matriz energética, a cooperativa também registrou redução nas emissões ligadas ao transporte. Desde 2024, a Frimesa vem substituindo gradualmente a gasolina pelo etanol em sua frota leve.
A estratégia resultou em uma queda de 44,6% nas emissões de CO₂ provenientes da combustão móvel, o equivalente a aproximadamente 200 toneladas de carbono que deixaram de ser lançadas na atmosfera.
Em 2025, o movimento ganhou força com a redução de 238 GJ no consumo de gasolina. “A substituição do combustível fóssil por um de origem renovável demonstra como atitudes simples e de baixo custo geram grande impacto”, enaltece Zydek.
Os resultados fazem parte do Roadmap ESG 2040, que reúne as metas ambientais, sociais e de governança da cooperativa e orienta as ações voltadas ao uso mais eficiente dos recursos e à transição para uma economia de baixo carbono.
Notícias
Mais do que falta de chuva: o que impede a água de abastecer as lavouras
Pesquisa do IFRS mostra que a compactação do solo reduz a infiltração de água e pode comprometer a produtividade das lavouras em períodos de estiagem.

A compactação do solo tem se consolidado como um dos principais entraves para a produtividade agrícola, especialmente em regiões que convivem com estiagens recorrentes. Além de restringir o crescimento das raízes, o problema dificulta a infiltração da água, reduz a circulação de ar no perfil do solo e compromete a eficiência do sistema de plantio direto, amplamente adotado na produção de grãos no Brasil.

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Buscando alternativas para enfrentar esse cenário, pesquisadores do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Ibirubá, desenvolveram estudos para avaliar estratégias capazes de melhorar as condições físicas e químicas do solo sem a necessidade de revolvimento excessivo das áreas cultivadas.
Os experimentos foram conduzidos em uma área da própria instituição e analisaram os efeitos da descompactação mecânica associada à aplicação de corretivos agrícolas, como calcário e gesso, sobre o solo e o desempenho da cultura da soja.
Os resultados indicaram que a combinação entre a descompactação e a calagem proporcionou melhores índices de correção da acidez em camadas mais profundas. Segundo os pesquisadores, o uso do descompactador rotativo favoreceu a movimentação do calcário para além da superfície, ampliando o efeito corretivo em até 15 centímetros de profundidade. Já nas áreas com aplicação superficial, os resultados ficaram mais concentrados nos primeiros 10 centímetros.

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Mais água no solo e ganhos na produtividade
Além dos avanços na qualidade química do solo, os trabalhos apontaram benefícios relacionados ao armazenamento de água e ao desempenho da soja. As áreas submetidas à descompactação apresentaram ganhos numéricos de produtividade, com rendimentos próximos de 200 quilos por hectare acima da média do experimento.
Os pesquisadores também observaram maior peso de mil grãos nos tratamentos que receberam correção do solo, evidenciando que a melhoria da estrutura física favorece o ambiente radicular e pode aumentar a tolerância das lavouras aos períodos de déficit hídrico.
Os estudos reforçam que a adoção de práticas de manejo voltadas à recuperação da estrutura do solo pode ser decisiva para aumentar a capacidade das lavouras de enfrentar eventos climáticos extremos e preservar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.



