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Mudança geracional impõe nova dinâmica ao valor das propriedades rurais
Falta de sucessão estruturada pressiona mercado fundiário com excesso de oferta e abre espaço para concentração de ativos por grandes grupos.

O Brasil está vivendo o início da chamada “era da grande sucessão” no campo, um processo de transição de comando nas propriedades rurais que promete transformar profundamente o mercado de terras nos próximos anos. Mais do que um fenômeno geracional, esse movimento traz riscos e oportunidades que já começam a impactar os preços dos imóveis rurais em diversas regiões do país.
De acordo com a CEO da Chãozão, Geórgia Oliveira, muitas das terras que irão trocar de mãos nos próximos anos não serão vendidas por uma decisão estratégica, mas por necessidade. “Boa parte das propriedades será alienada para quitar tributos ou devido à ausência de herdeiros dispostos ou preparados para dar continuidade à operação”, afirma.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Esse cenário tende a provocar uma pressão dupla sobre o mercado fundiário. De um lado, o aumento da oferta de terras, especialmente em regiões de menor liquidez, pode conter ou até reduzir os preços localmente. De outro, grandes investidores, fundos nacionais e internacionais e grupos agroindustriais enxergam nesse movimento uma janela de oportunidade para adquirir ativos de qualidade com valores atrativos, impulsionando a consolidação fundiária em áreas estratégicas.
Duas realidades, dois mercados
A mudança no perfil de quem investe e gere propriedades rurais também está remodelando o panorama. Herdeiros com formação técnica, investidores institucionais e empresas com governança estruturada vêm assumindo papéis de protagonismo na administração do campo. O resultado é uma elevação do padrão de gestão, que atrai capital para modernização, tecnologia e eficiência.
Segundo Geórgia, isso gera uma clara segmentação no mercado: “Enquanto veremos liquidação de terras por falta de planejamento sucessório, propriedades com gestão profissional, sucessão bem definida e boa infraestrutura serão tratadas como ativos estratégicos e receberão um prêmio de mercado.”
Assim, o impacto da sucessão familiar no preço das terras não será homogêneo. Ativos localizados em áreas com vocação produtiva clara, acesso à logística, estabilidade jurídica e alta densidade tecnológica tendem a se valorizar no médio e longo prazo. Já propriedades em regiões isoladas, sem planejamento de governança ou marcadas por disputas familiares, podem enfrentar significativa depreciação.
Uma nova geografia fundiária

Foto: Tomaz Silva
Embora a valorização estrutural das terras agricultáveis no Brasil continue forte, a tendência é que a próxima década seja marcada por uma reorganização da geografia fundiária nacional. Terras que antes permaneciam sob o controle de famílias por gerações podem mudar de perfil e de donos, abrindo espaço para a expansão de grandes grupos com estrutura de gestão e foco em resultados.
Nesse contexto, o planejamento sucessório deixa de ser um assunto apenas de família e passa a ser um fator determinante para a saúde financeira e o futuro do agronegócio brasileiro. A capacidade de transitar entre gerações sem perder competitividade será decisiva não apenas para manter as terras na família, mas também para garantir que elas permaneçam produtivas e valorizadas.

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Tecnologia com infravermelho agiliza análise de milho e sorgo na produção agrícola
Sistema portátil validado por pesquisadores mede parâmetros nutricionais dos grãos e pode reduzir custos com análises laboratoriais.

Cientistas da Embrapa Milho e Sorgo (MG) e da empresa Spectral Solutions desenvolveram um método portátil de avaliação da composição química de grãos moídos de milho e de sorgo. A tecnologia utiliza a espectroscopia NIR, baseada na luz infravermelha, que além de não destruir as amostras, reduz os custos do processo, com segurança, higiene e eficiência. O modelo de análise portátil, utiliza o MicroNIR, um equipamento com tamanho semelhante ao de uma caneta, e pode ser instalado para leitura diretamente em celulares, tablets ou outros dispositivos via bluetooth.
O sistema utiliza sensores miniaturizados que mantêm a precisão em um formato compacto, possibilitando análises rápidas e em tempo real, sem necessidade de reagentes químicos. Com isso, facilita a tomada de decisão no campo, armazém ou indústria. O Sistema Portátil NIR de análise é resultado da união entre o conhecimento químico, agronômico e a base de dados de cultivares de milho e de sorgo da Embrapa com a tecnologia de hardware e de software da empresa parceira.
“O objetivo foi criar modelos de calibração robustos que considerassem a diversidade do clima, do solo e de diferentes cultivares de milho e sorgo plantadas no Brasil, garantindo que o equipamento funcione com precisão em qualquer região do País”, relata a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo Maria Lúcia Simeone.
O desenvolvimento dessa técnica foi motivado pela necessidade de superar as limitações dos métodos laboratoriais tradicionais, mais lentos, caros e muitas vezes destrutivos. “O setor agrícola precisava de uma solução capaz de garantir a qualidade nutricional do grão, baseada nos teores de proteína, de óleo e de amido, de forma instantânea para melhorar o armazenamento e o processamento”, diz Simeone.
Precisão analítica e validação
O Sistema Portátil NIR está disponível para análises de grãos moídos. “Os modelos de análise foram construídos dessa forma para garantir maior precisão analítica. Foram validados para mensurar elementos como proteína, óleo, fibra bruta, matéria mineral, amido e umidade”, destaca o diretor-executivo da Spectral Solution, Luiz Felipe Aquino.
Basicamente, a ferramenta promove uma impressão digital, em que a luz infravermelha incide sobre o grão moído e as ligações moleculares absorvem energia de formas específicas, gerando um espectro único para cada amostra. “Em seguida ocorre o que chamamos de calibração multivariada, que traduzem esses sinais de luz em valores percentuais de proteínas, umidade e outros dados de qualidade dos grãos. Como esse espectro é complexo, são usados modelos matemáticos e estatísticos, compostos por algoritmos de calibração multivariada ou aprendizado profundo, que chamamos de deep learning”, complementa Simeone.
“A metodologia utilizada demonstrou equivalência com métodos oficiais, o que nos permitiu validar o ativo como uma alternativa real à química úmida. Não houve diferença estatística significativa entre os resultados utilizando os modelos obtidos com o Sistema Portátil NIR e os métodos de referência da Associação de Químicos Analíticos Oficiais (Association of Official Analytical Chemists, AOAC)”, complementa Aquino.
A tecnologia emprega os conceitos da “Química Verde” e da agricultura sustentável por vários motivos que impactam positivamente a sustentabilidade da cadeia produtiva e o meio ambiente. “Ao contrário das análises químicas convencionais, o NIR trabalha com resíduo zero, ou seja, não utiliza reagentes químicos nem solventes tóxicos”, descreve o diretor-executivo.
Ele destaca ainda que o modelo promove a eficiência energética, com a redução do transporte de amostras para laboratórios distantes e agiliza os processos industriais, economizando energia. “Além disso, reduz o desperdício porque permite identificar lotes fora do padrão precocemente, evitando que produtos de baixa qualidade estraguem ou contaminem processos maiores”, observa.
Benefícios no campo
As perspectivas em relação ao uso do equipamento são evidentes. A pesquisadora Simeone afirma que o sistema promove uma otimização da lavoura e contribui para a decisão do melhor momento de colheita, baseada na maturação real, em termos de valores de umidade e amido, ou na possibilidade de segregar os grãos de maior valor proteico para nichos de mercado.
“Além disso, o preparo da amostra é mínimo. É preciso apenas fazer a moagem dos grãos, tornando a operação simples para funcionários da fazenda após um treinamento curto. Em termos econômicos, o retorno sobre investimento virá da economia com taxas de laboratórios externos, da redução do uso de reagentes, do acompanhamento da qualidade dos grãos e, principalmente, do ganho na negociação de lotes com qualidade comprovada na hora”, acrescenta.
A expectativa é que a adoção do sistema promova agilidade na classificação dos lotes, pois os caminhões ficarão parados por menos tempo esperando os resultados de análises físico-químicas, melhore o ajuste na formulação de dietas animais, quando o sorgo e o milho forem destinados para silagem e ração, e aumentem a confiança entre comprador e vendedor.
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Cédulas de Produto Rural atingem R$ 561 bilhões em fevereiro
Boletim do Mapa aponta crescimento de 16% nas CPR em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a nova edição do Boletim de Finanças Privadas do Agro, com dados sobre o desempenho dos principais títulos e fundos de financiamento privado do setor no mês de fevereiro.
As registradoras contabilizaram crescimento de 16% nos estoques de Cédulas de Produto Rural (CPR) em fevereiro de ano, quando comparado ao mesmo período do ano passado, com 402 mil cédulas registradas, totalizando R$ 561 bilhões. Na atual safra, de julho de 2025 a fevereiro de 2026, as registradoras emitiram R$ 248 bilhões em CPR, valor ligeiramente menor que o verificado em igual período da safra passada, com queda de 8%.

As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que também desempenham um papel importante no funding de recursos direcionados ao setor, alcançaram o estoque de R$ 588 bilhões em fevereiro, valor 9% maior em comparação a um ano atrás.
Vale mencionar que, desse estoque de LCA, no mínimo 60% do valor deve obrigatoriamente ser reaplicado pelas instituições financeiras emissoras no financiamento rural. Em fevereiro, o valor total a ser reaplicado chegou a R$ 352 bilhões, indicando aumento significativo de 31% em comparação ao verificado no mesmo período de 2025.
O mercado de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) vem repetindo o bom desempenho observado ao longo do início de 2026, apresentando um crescimento de 15% no valor dos estoques em doze meses até fevereiro deste ano, atingindo o montante de R$ 176 bilhões.
Já os estoques dos Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) apresentaram retração de 8% em fevereiro, na comparação com o ano anterior, chegando a R$ 32 bilhões. A queda ainda reflete o crescimento momentâneo e atípico ocorrido em agosto de 2024, revertido gradualmente ao longo dos meses seguintes.
A atualização dos dados sobre o desempenho dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) retornou em dezembro, após uma breve interrupção no ano passado. Em janeiro, o patrimônio líquido dos Fiagro chegou a R$ 48 bilhões, crescimento de 10% nos últimos doze meses, com 220 fundos em operação, número 60% maior do que o verificado em idêntico período do ano passado.
O boletim é desenvolvido mensalmente pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário da Secretaria de Política Agrícola do Mapa.
Para informações mais detalhadas, acesse a publicação completa clicando aqui.
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4ª Feira AgroExperts Boituva reúne cadeia de aves e suínos em abril
Evento gratuito no dia 17 deve reunir cerca de 600 participantes e contará com palestras técnicas, feira de equipamentos e presença de frigoríficos do setor.

A cidade de Boituva (SP) recebe, no dia 17 de abril, a 4ª edição da Feira AgroExperts Boituva – Aves e Suínos. O evento será realizado no Centro Municipal de Eventos, com abertura às 8 horas, durante café da manhã rural. A entrada é gratuita.
A feira é correalizada pelo Sistema Faesp/Senar e pelo Sindicato Rural, com apoio da Prefeitura de Boituva, da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) e da Associação Paulista de Avicultura (APA). A expectativa da organização é reunir cerca de 600 participantes, repetindo o público da edição anterior, quando o evento passou a integrar o Calendário Oficial do município.
Paralelamente à programação técnica, o evento contará com uma feira de equipamentos e soluções para o setor, com cerca de 30 empresas expositoras apresentando tecnologias, serviços e inovações voltadas à produtividade, eficiência e sustentabilidade nas granjas.
Entre os frigoríficos convidados da avicultura estão Seara, Flamboiã, Alliz, Céu Azul, Rosaves, Grupo Spina, Frango da Hora, Frango dos Campos, Itabom, Pluma, Ad’oro, Grupo Alvorada e Korin. No setor de suínos participam Gran Corte, Frinni, Rajá, Friuna, Camari e CowPig.
Programação técnica
A programação inclui palestras e mesas-redondas com especialistas e representantes do setor.
8 horas – Início da feira com café da manhã rural
9 horas – Abertura oficial com autoridades
9h45 – Palestra: Políticas Públicas para Fortalecer a Competitividade e Sustentabilidade da Avicultura e Suinocultura no Brasil
Palestrante: deputado federal Arnaldo Jardim
Moderação: Valdomiro Ferreira (APCS)
10h15 – Coffee break
11h15 – Mesa-redonda: Como conter focos e impactos financeiros da Influenza Aviária e da Peste Suína Clássica
Moderação: Erico Pozzer (APA)
Palestrante: Lia Coswig (MAPA)
Debatedores: Paulo Blandino (Programa Estadual de Sanidade Avícola) e Arthur Felício (Programa Estadual de Sanidade Suídea)
12h30 – Almoço gratuito no local
14 horas – Ações para o correto preparo das instalações entre o alojamento de lotes – Vazio sanitário
Moderação: Mateus Mora (Seara)
Palestrantes: Lívia Pegoraro (Cobb-Vantress) e Tarcísio Vasconcelos (Topigs)
15h30 – Café da tarde
16h10 – Modernização das instalações de frangos e suínos: onde estamos e o que precisamos fazer para aproveitar o máximo potencial genético
Moderação: Victor Souza (Zanchetta Alimentos)
Palestrante (suínos): Felipe Carlos Luckow (Agroschorr Construções)
17h10 – Confraternização
De acordo com o presidente da AgroExperts, Ariel Mendes, a realização da feira reforça a importância da cadeia de proteína animal para a economia regional e contribui para a troca de informações técnicas entre produtores e empresas. Realize sua incriação e clique aqui.



