Peixes
MPA encerra COP30 destacando força da pesca e da aquicultura como soluções climáticas
Ministro André de Paula defende protagonismo do Brasil e reforça que sistemas alimentares aquáticos têm emissões muito menores, papel estratégico na segurança alimentar global e potencial decisivo na agenda climática.

O Ministério da Pesca e Aquicultura se despediu da COP30 na última sexta-feira (21) em clima de missão cumprida. Isso porque os setores pesqueiro e aquícola foram colocados como prioritários na pauta das negociações entre os países. E foi nesse espírito que o ministro André de Paula falou sobre o tema Sistemas Alimentares Aquáticos como Soluções Climáticas.
Com o fim da COP30, André de Paula enfatizou o quanto as mudanças climáticas têm afetado o a rotina de quem vive da pesca. “Estamos vivendo um momento decisivo: as mudanças climáticas já impactam profundamente oceanos, rios, estuários e comunidades pesqueiras. Milhões de pessoas enfrentam inundações, perda de renda, insegurança alimentar e deslocamentos forçados”, ressaltou.
O ministro completou mostrando o impacto que a os sistemas alimentares aquáticos podem ter na mitigação da crise. “Entre 23% e 43% das emissões globais estão associadas aos sistemas alimentares. E os alimentos oriundos das águas apresentam pegada de carbono muito menor que as proteínas terrestres. Espécies cultivadas como sardinhas, carpas e tambaquis podem ter emissões até cem vezes menores do que proteínas de origem terrestre. E produzem mais alimento por área, reduzindo a pressão sobre florestas e outros biomas”, acrescentou.
Solução climática global
Segundo o ministro, cerca de 10% da população mundial vive da pesca extrativa, gerando renda para mais de 800 milhões de pessoas. Além disso, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os sistemas aquáticos são a principal fonte de proteína para mais de 3,3 bilhões de pessoas no mundo, um mercado que movimento mais de US$ 500 bilhões por ano.
Assim, André de Paula acredita que o mercado da pesca e aquicultura precisa ser fortalecido por meio de iniciativas globais. “Esses números mostram o potencial transformador dos sistemas alimentares aquáticos — para o clima, para a economia e para a segurança alimentar mundial”.
Ele também enalteceu o protagonismo do Brasil nessas iniciativas. “O Brasil tem atuado com determinação para fortalecer essa agenda global. No G20, sob presidência brasileira, os sistemas alimentares aquáticos foram reconhecidos pela primeira vez como essenciais para a nutrição global e a resiliência climática, com apoio ao plano de ação para Transformação Azul da FAO. No BRICS, sob nossa liderança, a pesca e a aquicultura foram colocadas no centro da agenda agrícola”, declarou.
Ações do Governo Brasileiro
O ministro André de Paula encerrou a participação do MPA na COP30 destacando as ações recentes do governo para a manutenção dos sistemas alimentares aquáticos. Entre eles está o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura, a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP) e o Roteiro Belém-Campo Grande para a Pesca e Aquicultura Sustentáveis. “Sob a liderança do presidente Lula, o Ministério da Pesca e Aquicultura foi recriado para fortalecer políticas públicas que integrem sustentabilidade, inclusão social e inovação tecnológica”.
Por fim, ele falou sobre a importância da COP30 na Amazônia para as comunidades que vivem das águas. “A Amazônia nos convoca à coragem. O mundo nos convoca à responsabilidade. E as comunidades pesqueiras nos ensinam o caminho da sustentabilidade. Que esta COP30 marque o início de um novo ciclo, em que os sistemas alimentares aquáticos estejam no centro das estratégias de mitigação, adaptação e justiça climática”, concluiu.

Peixes
MPA e MMA definem novas regras para coleta e monitoramento da atividade pesqueira
Portaria interministerial estabelece procedimentos, cronograma até 2027 e integração de dados para fortalecer a gestão dos recursos pesqueiros e a formulação de políticas públicas.

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), juntamente com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA), divulgou as novas regras para o sistema de coleta de dados e o monitoramento da atividade pesqueira e dos recursos pesqueiros. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), na última sexta-feira (09), por meio da Portaria Interministerial MPA/MMA Nº 44.
As novas regras já haviam sido estabelecidas nos artigos 1º e 6º, do Decreto nº 12.527, de 24 de junho de 2025, que traz definições para a concessão do Seguro-Defeso, entre outras providências. Agora, a portaria regulariza procedimentos e o cronograma completo para a implementação.
De acordo com a portaria, o processo de coleta de dados será baseado em conhecimentos técnico-científicos, considerando também os saberes tradicionais consolidados pelos pescadores e pescadoras. A essas ações somar-se-ão, ainda, os resultados de projetos de monitoramento, pesquisas e demais iniciativas já desenvolvidas pelos Ministérios.
O documento define, ainda, que todas as ações serão coordenadas pelo MPA e pelo MMA, de acordo com as competências de cada um. Esse processo será feito em parceria com outros órgãos federais, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e entidades representativas do setor pesqueiro. O cronograma prevê, até 2027, a consolidação do Plano Nacional de Monitoramento e Estatística Pesqueira e a criação da Rede Integrada de Monitoramento e Estatística Pesqueira.
A secretária Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura, Carolina Dória, ressalta que o objetivo é integrar, fortalecer e dar continuidade à produção de dados pesqueiros, garantindo informações confiáveis para subsidiar a gestão da pesca e a formulação de políticas públicas.
“Esta norma faz parte dos esforços do Governo Federal para promover uma gestão transparente e responsável dos recursos pesqueiros, ao fortalecer a produção contínua e integrada de dados de qualidade, fundamentais para apoiar decisões bem-informadas e a construção de políticas públicas mais eficazes e sustentáveis”, completou Carolina Dória.
Clique e confira a portaria na íntegra com o cronograma completo das ações.
Peixes
Portaria prorroga uso de redes de emalhar para pesca do parati no Sul de Santa Catarina
Norma dos ministérios da Pesca e do Meio Ambiente estende prazo até 31 de março de 2026, mantendo critérios técnicos e exigência de monitoramento semanal da atividade pesqueira no Complexo Lagunar Sul.

Após amplo diálogo técnico e institucional, os Ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicaram, nesta segunda-feira (12), a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 43, de janeiro de 2026.
A norma prorroga até 31 de março o prazo para o uso de redes de emalhar na pesca do parati (Mugil curema) no Complexo Lagunar Sul de Santa Catarina, que abrange as lagoas de Santo Antônio dos Anjos, Mirim e Imaruí, exclusivamente para a captura dessa espécie.
Apesar da prorrogação, permanecem inalterados os critérios técnicos para o uso das redes de emalhe, descritos abaixo:
- Malha mínima: 50 mm entre nós opostos;
- Altura máxima: 1,5 braça (equivalente a 2,25 metros);
- Comprimento máximo: 500 braças de rede (750 metros) por embarcação.
O monitoramento da atividade pesqueira no Complexo Lagunar Sul de Santa Catarina continuará sendo realizado por meio da entrega do Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (REAP), cuja apresentação semanal permanece obrigatória.
A ação conjunta das pastas reforça o compromisso da gestão compartilhada com a promoção da pesca sustentável e o acompanhamento contínuo da atividade pesqueira na região.
Peixes
Governo inicia reconhecimento de territórios pesqueiros e inclui pesca artesanal na reforma agrária
Parceria entre MPA, INCRA e SPU garante segurança jurídica a comunidades tradicionais e cria Projetos de Assentamento Agroextrativistas para pescadoras e pescadores artesanais em três estados.

A partir de uma parceria entre o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), foi dado início ao reconhecimento de territórios tradicionais pesqueiros e à inclusão de pescadoras e pescadores artesanais no Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), por meio da criação de Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAEs).
O PAE é uma modalidade específica de assentamento da reforma agrária, que se destina a populações tradicionais (como as ribeirinhas, seringueiras, pescadoras, etc.), que tem como principal fonte de sustento o extrativismo, a agricultura familiar e outras atividades de baixo impacto ambiental.
A criação dos PAEs objetiva garantir o acesso à terra e a segurança da posse para comunidades que ocupam e produzem nessas terras públicas, de forma sustentável há gerações, mas não possuem documentação de propriedade. Além do reconhecimento e da segurança jurídica aos territórios tradicionais pesqueiros, a ação busca também garantir o acesso das pescadoras e dos pescadores artesanais às políticas que fazem parte do PNRA.

Foto: Divulgação/FAO
Até o momento, foram reconhecidas seis comunidades, localizadas nos estados de Santa Catarina, Pará e Ceará. Essa ação reforça a garantia dos territórios pesqueiros para o fortalecimento da pesca artesanal, dos modos de vida e da cultura local, além de garantir mais segurança jurídica contra conflitos fundiários.
Segundo o diretor de Gestão Estratégica do INCRA, Gustavo Souto, o Instituto já trabalhava antes com o PAE, em comunidades e povos tradicionais da Amazônia, mas sem o olhar específico aos territórios pesqueiros. A partir do trabalho com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a SPU, e em diálogo com o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) e o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), o INCRA procurou o MPA para iniciar o trabalho de inclusão da pesca artesanal no PNRA.
Souto ressalta que o MPA tem sido um parceiro fundamental para estabelecer os diálogos com as comunidades e avançar no processo. Veio dessa parceria também, a inclusão de “território pesqueiro” nos nomes dos referidos PAEs. “A nossa expectativa é que, neste ano de 2026, a gente possa levar mais políticas da reforma agrária, ou seja, mais cidadania, direitos, créditos e inclusão produtiva para as milhares de famílias que vivem nos territórios pesqueiros”, apresenta.
A participação do MPA se dá por meio da Coordenação-Geral de Territórios Pesqueiros e Integração de Políticas Públicas (CGTIP), da Secretaria Nacional de Pesca Artesanal (SNPA), com o acompanhamento e parceria da coordenação do Fórum Nacional da Pesca Artesanal, da Articulação Nacional das Pescadoras e do Movimento Nacional dos Pescadores e Pescadoras.
De acordo com a coordenadora de Territórios Pesqueiros e Integração de Políticas Públicas do MPA, Suana Medeiros Silva, “o reconhecimento legal dos territórios pesqueiros é uma luta histórica dos movimentos sociais, pois ele garante a continuidade da atividade e a reprodução socioeconômica das famílias que vivem da pesca”. Além disso, ela destaca que “com a criação dos PAEs Pesqueiros, essa demanda histórica passa a integrar a agenda do INCRA, reconhecendo as comunidades tradicionais pesqueiras no PNRA, considerando as suas especificidades”.
Para a concretização da ação, o MPA e o INCRA convidaram pessoas das próprias comunidades como colaboradoras nos processos de articulação, de delimitação do território e da elaboração dos dados necessários para a criação do PAE.
Confira abaixo a relação das comunidades tradicionais contempladas:
PAE Território Pesqueiro Ponta do Leal
Município: Florianópolis (SC)
Área: 1,96 hectares
Capacidade prevista: 50 unidades familiares
Portaria nº 1.548, de 30/12/2025
PAE Território Pesqueiro Praia do Rincão
Município: Balneário Rincão (SC)
Área: 111,12 hectares
Capacidade prevista: 1.000 unidades familiares
Portaria nº 1.549, de 30/12/2025
PAE Território Pesqueiro Praia Central de Balneário Camboriú
Município: Balneário Camboriú (SC)
Área: 31,02 hectares
Capacidade prevista: 100 unidades familiares
Portaria nº 1.550, de 30/12/2025
PAE Pesqueiro – Território Balbino
Município: Cascavel (CE)
Área: 255,92 hectares
Capacidade prevista: 600 unidades familiares
Portaria nº 1.552, de 30/12/2025
PAE Pesqueiro – Território Francês
Municípios: Anajás (PA) e Ponta de Pedras (PA)
Área: 8.232,61 hectares
Capacidade prevista: 180 unidades familiares
Portaria nº 1.554, de 30/12/2025
PAE Pesqueiro – Território Joviniano Pantoja
Municípios: Santa Cruz do Arari (PA), Ponta de Pedras (PA) e Anajás (PA)
Área: 5.471,80 hectares
Capacidade prevista: 400 unidades familiares
Portaria nº 1.555, de 30/12/2025



