Suínos Sanidade
Moscas na suinocultura podem transmitir até PSA
Além das doenças que podem transmitir aos lotes, as moscas causam estresse aos animais e às pessoas envolvidas na rotina de trabalho da granja

Artigo escrito por Maurício Schiavo Marchi, médico veterinário e coordenador Técnico na Theseo Saúde Animal
A mosca é o inseto mais prevalente na suinocultura brasileira, sendo considerada uma das maiores pragas das criações de suínos. Em um país tropical como o Brasil, as altas temperaturas e umidade relativa elevada favorecem a multiplicação do inseto, fazendo com que 100% das nossas granjas sofram com as consequências negativas da infestação da praga.
Dentre as diferentes espécies, a mosca doméstica (Musca domestica) é a mais comum. Possui um ciclo de vida curto, chegando à fase adulta em até 10 dias no verão. Sendo assim, caso não sejam tomadas medidas de controle em tempo hábil, a biosseguridade dos lotes será colocada em xeque, comprometendo o desempenho do plantel e causando prejuízos ao suinocultor.
De acordo com pesquisadores, para efeito de estudo de campo considera-se que cerca de 60% da população de moscas domésticas permanece em um raio de 500m do criadouro, 80% até 1,5 km e o restante até 3 km. Em termos práticos, é muito comum a migração de população de moscas entre diferentes granjas, núcleos e propriedades.
As moscas atuam como vetores e hospedeiros de diversos patógenos causadores de diarreias neonatais e em leitões lactentes, como o Cystoisospora suis, causador da coccidiose suína. Segundo outros estudiosos, a coccidiose suína pode causar perdas econômicas significantes por diarreias transitórias, desidratação em leitões lactantes, seguidas por queda no desempenho. A queda no ganho de peso é a principal manifestação da doença, porém, em casos graves pode vir acompanhada de mortalidade de até 20%.
Estudos apontam que moscas hematófagas da espécie Stomoxys calcitrans que se alimentam do sangue de suídeos selvagens contaminados com o vírus da Peste Suína Africana (PSA) representam uma rota potencial na transmissão da doença aos lotes de suínos industriais, mesmo em fazendas com alto nível de biosseguridade.
Um estudo, realizado em 2018, demonstra que é possível a transmissão via oral do vírus da PSA quando suínos ingerem moscas da espécie S. calcitrans que foram alimentadas com sangue de suídeos selvagens contaminados com o vírus.
Outros patógenos também são carreados por moscas, como a Salmonela spp., agente da Salmonelose, doença gastrointestinal que acomete animais na fase de terminação; o Streptoccus suis, agente da Meningite Estreptocócica Suína; e agentes virais, como o PCV-2, causador da Circovirose Suína, um dos agentes primários mais importantes na suinocultura.
Além das doenças que podem transmitir aos lotes, as moscas causam estresse aos animais e às pessoas envolvidas na rotina de trabalho da granja. É extremamente desconfortável realizar as tarefas diárias, como raspagem de baias, arraçoamento e administração de medicação injetável com alta infestação de moscas.
Controle integrado
O controle de moscas na suinocultura deve ser realizado através de medidas integradas de controle: o controle químico e mecânico. O controle químico deve ser realizado com objetivo de quebrar o ciclo de vida da mosca, atuando nas fases adulta e larval.
No campo, muitas vezes o controle é realizado com foco em adultos, porém os adultos representam apenas 20% da infestação total, enquanto 80% é representado por formas jovens: larvas, pupas e ovos.
Portanto, recomenda-se escolher inseticidas com dupla ação: adulticida e larvicida, e que aceita diferentes vias de aplicação, como pulverização, nebulização, atomização e termonebulização.
Outro ponto importante no controle das moscas é a frequência de aplicação dos inseticidas. Em períodos de primavera-verão é comum haver maior aumento populacional, pois condições de alta temperatura e umidade aceleram o ciclo biológico das moscas, aumentando o número de gerações neste período.
Além do intervalo de aplicação de inseticidas, outro ponto importante deve ser considerado: os locais de procriação das moscas em uma instalação de suínos.
O controle mecânico deve ser focado em reduzir locais de oviposição das moscas. Carcaças expostas e chorume na composteira, poças de água nos arredores da instalação, vazamentos em sistemas de fornecimento de água etc., devem ser evitados. Utilizar lâmina de água nas calhas de dejetos evita que moscas adultas depositem seus ovos nestes locais. Tal manejo deve ser constante e acompanhado de perto pelo produtor.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019.

Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.



