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Suínos / Peixes Sanidade

Moscas e ratos determinam sucesso ou fracasso na suinocultura

Além de serem carreadores de doenças, urinam, defecam, perdem pelos dentro do sistema, depredam as instalações e consomem toneladas de ração

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Arquivo/OP Rural

As patas de uma única mosca podem transportar mais de 250 bactérias, como Salmolla e E. Coli. Nos sistemas intensivos de produção de suínos, a mosca representa sérios riscos na transmissão de doenças para os animais. Já um único casal de ratos, em um ano, pode gerar quase 13 mil descendentes. Além de serem carreadores de doenças, urinam, defecam, perdem pelos dentro do sistema, depredam as instalações e consomem toneladas de ração. Juntos, moscas e ratos podem ser decisivos para o sucesso ou o fracasso da atividade suinícola. Por isso é tão importante manter um rigoroso controle desses vetores na produção de suínos.

Alisson Mezalira, mestre em Medicina Veterinária, tratou do tema com centenas de profissionais envolvidos com o setor durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), que aconteceu no início de agosto, em Chapecó, SC. Ele foi convidado pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas de Santa Catarina (Nucleovet) para aprofundar as discussões sobre a importância da identificação e controle de vetores para a suinocultura. “Esses vetores conseguem viver em condições extremamente adversas, e os sistemas de produção (de suínos) oferecem condições favoráveis ao aumento das populações”, menciona.

As moscas, destaca Mezalira, são talvez as principais vilãs, já que o contato direto delas com os suínos é praticamente inevitável. “As extremidades das patas das moscas podem carregar até 250 bactérias. Devido ao amplo contato direto com os suínos, por exemplo, a mosca doméstica é a espécie que tem a maior chance de ser positiva e carrear Lawsonia”, microrganismo causador da Enteropatia Proliferativa dos Suínos (EPS). Os sintomas incluem fezes diarréicas escuras e sanguinolentas, fraqueza, letargia, anemia e anorexia. De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Suíno (ABCS), “a mortalidade pode ser superior a 6%. A morte geralmente ocorre em 48 horas, no entanto alguns animais se recuperam quando tratados a tempo. Fêmeas gestantes podem abortar”. “A forma crônica geralmente se manifesta como uma enterite necrótica associada com a diminuição do consumo de alimentos e ganho de peso. Animais de 6 a 20 semanas são os principais afetados”, esclarece a ABCS.

Além de doenças, as moscas causam estresse ao animal e aos seres humanos que trabalham na granja. “As moscas são vetores mecânicos, que voam por até 1,6 quilômetro, mas podem ser transportadas, por exemplo, por veículos, para distâncias maiores. Elas são sugadoras e regurgitam sobre os alimentos. Além dos problemas com doenças, elas aumentam o nível de estresse do animal, o que acaba diminuindo seu ganho de peso diário. É comum ver suínos com inquietação, fazendo movimentos contínuos de cauda e cabeça (para afastar mocas)”, alerta o profissional.

Controle das moscas

O controle das moscas, alerta Mezalira, deve ser iniciado muito antes de o inseto ser visto voando, espalhando desafios dentro da granja e incomodando os animais. O controle começa com a eliminação das larvas.“Poucos produtores fazem o controle larval de moscas. Se você começar tarde o controle de moscas, vamos ter uma infestação de larvas e uma rápida multiplicação”, aponta.

O profissional cita que uma mosca adulta vive cerca de duas semanas. Nesse período, pode colocar entre 400 e 900 ovos. Entre as primeiras oito e 24 horas a mosca já deposita os ovos. Em cerca de 12 dias os ovos “amadurecem” e já são novos adultos. Pela velocidade do ciclo, o descuido pode castigar. “É importante saber o ciclo biológico da mosca. Devemos ter atenção com os indivíduos adultos no início da infestação, mas foco na eliminação das larvas das moscas. Para se ter um controle das larvas das moscas é indicado pulverizar a cada sete dias sobre os focos de larvas ou pontos onde as larvas saem das estruturas”, indica.

Para o controle de moscas adultos, o profissional sugere “aplicar inseticida de forma localizada ou espacial conforme efeito residual do produto, preferencialmente nas superfícies metálicas e plásticas da granja, como fios, canos, bordas de comedouros, divisórias de baias, cortinas, forros e telas, sempre avaliando o efeito residual do produto usado”. O especialista ainda aconselha: “O importante é iniciar as aplicações quando a infestação ainda é baixa”. Ele exemplifica: “na creche no quinto dia após o alojamento e nas maternidades no terceiro dia após o início dos partos”.

Mezalira elencou vários inseticidas disponíveis no mercado, tanto para larvas quanto para adultos, em várias formas (iscas granuladas, pó molhável, emulsão aquosa, grânulos solúveis em água, etc.), mas recomenda como ideal um produto “com baixa toxicidade e efeito residual prolongado”.

Ratos

Existem três principais ratos que acometem a suinocultura brasileira. Na verdade, dois ratos e um camundongo, este erroneamente classificado como rato. E o produtor precisa saber que animais são esses para saber seus hábitos e promover o controle da maneira mais eficiente.

Os prejuízos econômicos dos ratos se dividem entre a produção propriamente dita e a depredação das instalações. “Os ratos se apresentam como um risco sanitário aos rebanhos. O produtor tem gastos com tratamentos de doenças (transmitidas pelo rato) e aumenta o número de surtos”, destaca. Para se ter uma ideia, explicou o profissional, 200 ratos eliminam 14 mil fezes por dia, quatro litros de urina e milhares de pelos. O prejuízos se somam à depredação das instalações, pois “ratos escavam, roem, causam curtos circuitos, incêndios, além de depreciar os alimentos (ração)”, sustenta. A título de curiosidade, em uma escala de dureza o ferro é 4 e o dente do rato é 5,5.

Os prejuízos se agravam com o consumo de ração. De acordo com o profissional, ratos consomem 10% do peso todos os dias e geram muito prejuízo. Ele exemplificou. “Em um sistema de produção com 500 ratos, no fim de um ano eles vão ter consumido 4,5 toneladas de ração”. Além disso, estima-se que eles destroem de três a cinco vezes o que consomem.

Biologia das principais espécies de roedores

Mezalira explica que o controle começa com a identificação dos tipos de roedores. Ele cita três como principais: a ratazana, o rato de telhado e o camundongo. Cada um com um jeito de se esconder, se reproduzir e procurar alimentos.

De acordo com ele, a ratazana tem o desmame aos 28 dias e maturidade sexual aos 75 dias. Tem de seis a oito cios por ano, com prenhez de 20 a 24 dias, com ninhadas entre seis e 16 filhotes (média de 12), vida média de dois anos e peso entre 280 e 480 gramas. “A ratazana tem como principal hábito escavar tocas e morar nas partes baixas e arredores das granjas. Ela tem neofobia, ou seja medo de coisas novas.

O rato de telhado, como o nome já diz, vive nos telhados das granjas e descem somente para alimentar-se. Ele tem o desmame aos 26 dias e maturidade sexual aos 62 dias. Também tem de seis a oito cios por ano, com prenhez de 20 a 22 dias, com ninhadas entre três e 10 membros (média de oito), vida média de um ano e meio e peso variando entre 110 e 340 gramas. Ele também tem medo de coisas novas, por isso o controle tem que ser bem planejado. “O principal hábito é morar nas partes altas da granja. Ele é um escalador que só desce para se alimentar”, cita o profisisonal.

O camundongo é o menor deles, com apenas 35 gramas. Tem o desmame aos 25 dias e maturidade sexual com apenas 42 dias. Tem oito cios por ano, com prenhez de 19 a 21 dias, com ninhadas entre três e 12 membros (média de sete) e vida média de um ano. Ao contrário dos demais, ele é curioso. “O principal hábito dos camundongos é morar em entulhos, pequenos orifícios e sacarias. Ele é extremamente curioso”, revela o profissional.

Controle 

Mezalira elenca estratégias de controle: “colocar iscas em tocas e entulhos, como madeiras, equipamentos, lenha e pedras, fixando a isca com bloco parafinado, arame e estaca; oferecer iscas com ração na proporção 1:1 ou iscas com laranja, distribuir as iscas em recipientes extras nas bases do silo, corredores, baias em vazio sanitário, forros e próximo à base das caixas d’água; se possível retirar a alimentação dos suínos no momento que as iscas são ofertadas aos roedores. Ratos voltam ao comedouro que estão acostumados a comer, isso facilita o consumo da isca”, aponta. “Para se ter uma estimativa da infestação, o ideal é visitar a granja ao anoitecer, quando os ratos iniciam suas atividades”, observa.

Entre as medidas no ambiente que podem ser tomadas para conter a infestação de roedores, Mezalira cita: “roçar arredores, limpar, retirar entulhos, fechar tocas, lavar as manchas de gordura e consertar pisos danificados”.

O palestrante destaca ainda que o custo para controle de roedores é relativamente baixo, o que não justifica sua não execução. “Em um sistema com mil matrizes, são 108 pontos de iscas, com custo de R$ 1mil, ou seja, R$1 por matriz”, menciona, ampliando: “Todos os raticidas funcionam inibindo a síntese da vitamina K no organismo do rato, interrompendo o sistema de coagulação do sangue. O rato morre por hemorragia/desidratação. Para raticidas de dose única, os sintomas iniciam entre 3 e 7 dias após o consumo da dose letal”.

Responsabilidade

De acordo com o profissional, a implantação de sistema de controle de moscas e ratos começa essencialmente na escolha de uma pessoa responsável por executar as tarefas de forma ordenada e corriqueira. “É importante eleger um responsável. Vetores são importantes reservatórios e carreadores de agentes (patogênicos). Com relação às moscas, é importante ter atenção com início da infestação de adultos e foco em larvas. Já em relação aos roedores, é importante reconhecer a espécie para atar de acordo com sua biologia, manter uma barreira química ativa com raticida eficiente, ter atenção com tocas (iscagem e fechamento) e utilizar o vazio sanitário para ajuste fino do controle. Mas tudo depende de mantermos pessoas treinadas e motivadas para fazer esse controle, fazendo avaliações periodicamente”, sustenta o profissional.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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1 Comentário

1 Comentário

  1. Mário Filipi

    18 de novembro de 2019 em 10:10

    O ideal é que se contrate uma empresa especializada no controle de pragas. Somente um profissional especializado tem condições de implantar e manter um programa de controle integrado eficaz.Inclusive para se adequar à legislação vigente.

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Suínos / Peixes Suinocultura

A importância do pH dos detergentes na higienização das granjas

Nosso maior objetivo é cuidar dos animais, mas acima de tudo é cuidar do planeta

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 Artigo escrito por Rildo Belarmino, biólogo e gerente Técnico Neogen Brasil

A higienização possui dois objetivos: Preservar a saúde dos animais e evitar a proliferação de microrganismos patogênicos, evitando assim o risco eminente a possíveis doenças transmitidas por fungos, bactérias e vírus. As medidas higiênicas e de profilaxia ambiental dos locais representam um aspecto essencial na economia e contribuem para a inocuidade dos alimentos, deixando-os assim livres de salmonelas, E. coli, Campylobacter entre outros.  Simultaneamente também previnem ou reduzem a difusão de patógenos. É importante ressaltar que uma superfície que não foi suficientemente limpa não pode ser desinfetada, pois os resíduos presentes protegem os microrganismos da ação dos desinfetantes.

“Um programa básico de limpeza e desinfecção tem um baixo custo, sendo que os custos com tratamentos antimicrobianos normalmente são superiores, sem considerar o prejuízo com queda no desempenho zootécnico”, cita a doutora Anne de Lara, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

  • Dentro de conceito de limpeza temos
  • Limpeza seca: Varredura e retirada de todos os resíduos antes da limpeza úmida.
  • Limpeza Úmida: jateamento de água e utilização dos detergentes.
  • É imprescindível lembrar que uma não substitui a outra.
  • Outro fator importante é rotação dos pH dos detergentes nas limpezas úmidas, sendo 3 semanas com pH alcalinos e uma semana com pH ácido, e assim sucessivamente.
  • O uso de detergente na limpeza úmida é essencial para o sucesso da higienização, reduzindo em até 90% a carga de microrganismos patogênicos.

Desafios da Limpeza são eles:

  • Presença de Biofilme
  • Presença de matéria orgânica
  • Tipos de superfícies
  • Desafios microbiano
  • Surtos de doenças

Biofilme

É uma fina camada geralmente resistente de microrganismos (como bactérias) que se formam e revestem várias superfícies. Estas células aderentes são frequentemente incorporadas dentro de uma matriz de Substância Polimérica Extracelular (EPS). Biofilme é uma substância polimérica extracelular, que também é referido como limo.

Abordando especificamente a questão do rodizio de pH dos detergentes, temos 4 tipos de matéria dentro das granjas que precisam ser removidas, para que a ação dos desinfetantes seja o mais efetiva possível, e também para que estas sujidades não neutralizem a ação dos desinfetantes por diferença de carga eletrostática, uma vez que a matéria orgânica é  aniônica (-) e a maioria dos desinfetantes são catiônicos(+).

Como podemos observar, os detergentes alcalinos têm uma maior ação sobre matéria orgânica (esterco, restos de ração, pelos, penas) e lipídios , e os detergentes ácidos tem uma melhor ação sobre matéria biológica (bactérias, vírus, fungos e principalmente biofilme), atuando através da oxidação, e também sobre matéria mineral (carbonatos de cálcio e magnésio) presentes principalmente em granjas onde temos “água dura”. Quando utilizamos um detergente alcalino, alternando com um detergente ácido, estamos removendo os quatro tipos de matéria que encontramos dentro da granja. Como já foi dito anteriormente, nossa recomendação é realizar 3 limpezas com detergente alcalino e uma limpeza com detergente ácido, sucessivamente, variando conforme o protocolo da granja.

Modo de Ação dos detergentes

  • Solubilizar sujidades/ partículas de sujeira
  • Deslocar matéria orgânica
  • Emulsificar partículas sólidas/sujas
  • Diminuir tensão superficial entre a sujeira e a superfície
  • Combater os fatores de dureza de água
  • Hidrólise da Biopelícula

Conclusão

Uma excelente higienização depende de bons detergentes e de um protocolo de trabalho com etapas bem definidas, realização da rotação dos pH dos detergentes na rotina de higienização das granjas, com utilização de produtos de qualidade e registrado nos órgãos regulatórios para suas finalidades.

Além da preocupação de uma excelente higienização, precisamos nos preocupar com os resíduos dos detergentes pós limpeza, e para isso dependemos de uso de detergentes biodegradáveis.

Nosso maior objetivo é cuidar dos animais, mas acima de tudo é cuidar do planeta. Todos os dias nós protegemos as pessoas e os animais que gostamos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Manejo

Diarreias na maternidade: como diagnosticar o agente que está causando o problema?

A fim de reduzir as perdas e economizar recursos com medicamentos, o diagnóstico assertivo da doença é crucial

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Sarah Rodrigues Chagas, médica veterinária, doutoranda em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás; Lívia Mendonça Pascoal, médica veterinária, professora de Sanidade de Suínos da Universidade Federal de Goiás; e Mariana Dall’Agnol, médica veterinária, especialista em Sanidade Animal pela Universidade Federal de Goiás

As diarreias na maternidade são causas recorrentes de preocupação para produtores rurais e veterinários. Em geral, quando ocorrem acometem grande parte dos leitões, causando aumento de mortalidade, perda de peso, desuniformidade e aumento dos gastos com medicamentos. A fim de reduzir as perdas e economizar recursos com medicamentos, o diagnóstico assertivo da doença é crucial. Para isso, existem algumas particularidades que devem ser levadas em consideração na coleta e envio da amostra dependendo da suspeita diagnóstica.

Suspeita de colibacilose neonatal

Causada pela Escherichia coli, essa doença é talvez a mais comum na maternidade de granjas de suínos. A suspeita recai sobre a colibacilose neonatal quando a diarreia tem início nas primeiras horas de vida do leitão, podendo também surgir até o terceiro dia de vida. Em geral, toda a leitegada é acometida, apresentando diarreia aquosa amarelada, rápida desidratação e “aspecto sujo”. A mortalidade é alta.

Para diagnóstico laboratorial, deve-se enviar pool de fezes de leitões acometidos, colhidas diretamente da ampola retal, utilizando suabe ou coletor universal esterilizado evitando o contato do frasco coletor com a pele do leitão. Em caso de necropsia, pode-se enviar também alças intestinais. O material deve estar refrigerado e chegar ao laboratório em até 48 horas.

Suspeita de clostridioses

Existem três espécies de Clostridium mais conhecidas por causarem diarreias em maternidade: C. perfringens tipo A, C. perfringens tipo C e C. difficile. O tipo C é raro no Brasil e se diferencia das demais por causar diarreia sanguinolenta. Os outros dois causam diarreias amareladas, que variam de aquosa à pastosa, e acometem leitões na primeira semana de vida, mas em geral C. difficile leva à uma maior mortalidade.

Por se tratarem de bactérias anaeróbias, nem todos os laboratórios de bacteriologia conseguem realizar seu isolamento. É recomendado verificar e garantir que o laboratório para o qual a amostra será enviada faz esse tipo de cultivo. O ideal é realizar necropsia de alguns animais acometidos e coletar alças intestinais com conteúdo fecal, amarrando as extremidades com barbante, antes de realizar o corte, para garantir que não haja entrada de oxigênio. Outra opção é realizar um suabe retal e acondicionar em meio de cultura específico, como o tilglicolato. Diferente da amostra com suspeita de colibacilose, o tempo entre envio e processamento deve ser o menor possível, não ultrapassando quatro horas.

O curto tempo pode ser impeditivo para a realidade do campo, de forma que a solicitação de um exame de Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) pode ser mais adequado. Nesse caso a amostra pode chegar ao laboratório em até 48 horas, devendo ser encaminhada refrigerada.

Suspeita de rotavirose

Rotavírus é o principal agente viral que causa transtorno gastrointestinal em leitões de maternidade. Acomete os animais nos primeiros dias de idade, causando vômitos e diarreia branco-amarelada que não responde à antibioticoterapia. A severidade varia de acordo com manejos e grau de imunidade das matrizes, e a letalidade fica entre 3 e 30%, podendo chegar a 50%.

Para diagnóstico laboratorial, deve-se colher amostras de fezes em coletor universal esterilizado nas primeiras 24h após o início da diarreia e enviar a um laboratório que realize PCR. A amostra deve ser enviada refrigerada e é recomendada a busca de outros agentes pois infecções bacterianas concomitantes são comuns.

Suspeita de Cistoisosporose

Essa doença é causada pelo protozoário Cystoisospora suis, anteriormente denominado Isospora suis. Por esse motivo, muitos ainda fazem referência à doença como isosporose. Os sinais clínicos de diarreia ocorrem entre cinco e 25 dias de vida, não ocorrendo antes do quinto devido ao ciclo de vida do agente. A diarreia é amarelada, cremosa ou pastosa, possui odor rançoso ou azedo e não responde a antibióticos. Em geral, a maior incidência se dá em períodos quentes e úmidos que favorecem a esporulação do oocisto no ambiente.

O ideal é coletar pool de fezes de vários animais diretamente da ampola retal. A coleta de fezes diretamente do piso também é possível, pois não compromete o resultado do exame parasitológico (técnica de contagem de ovos por grama de fezes – OPG). Porém, deve-se ter o cuidado de não coletar detritos do piso, pois esses sim podem afetar o correto diagnóstico. Vale lembrar também que a amostra coletada do piso não pode ser destinada a outros exames. A amostra deve ser enviada em refrigeração e chegar ao laboratório em no máximo 48 horas após a coleta.

Pontos importantes

Vale ressaltar que esses agentes patogênicos podem acometer os animais concomitantemente e, por isso, pode ser necessário mais de um teste diagnóstico.

Encaminhar junto às amostras uma ficha de identificação dos animais e da propriedade também é importante. Em geral, os laboratórios possuem uma ficha própria e, por isso, é recomendável acessar o site do seu laboratório de preferência ou entrar em contato via telefone e e-mail, solicitando esse documento. As informações pedidas incluem nome do solicitante, contato (endereço, telefone, e-mail), espécie animal, faixa etária, curso da doença e achados de necropsia.

É recomendado também contatar o laboratório antes do envio das amostras para esclarecer qualquer possível dúvida, garantindo a qualidade da amostra e seu processamento.

Existem ainda outros exames laboratoriais que podem ser solicitados para auxiliar no diagnóstico das doenças. Entre eles está o exame histopatológico, que é complementar aos exames de identificação do agente; todavia, esse não foi o foco do presente artigo.

Considerações finais

O diagnóstico laboratorial é uma importante ferramenta para o profissional de campo. Esse deve ser sempre associado à experiência do clínico para a tomada de decisão sobre a saúde da granja.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Circovirose em suínos e os genótipos do PCV2: preciso de uma vacina nova?

Granjas com adequado programa de vacinação têm menor circulação do PCV2

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Tatiane Fiúza, médica veterinária, mestre em Ciências Veterinárias e coordenadora Técnica de Território da Boehringer Ingelheim

O PCV2 é o agente causador da circovirose suína e, desde 1998, tem sido associado a sinais clínicos respiratórios e entéricos, perdas reprodutivas e a Síndrome Multissistêmica do Definhamento Suíno (SMD). A circulação do circovírus é endêmica na suinocultura tecnificada e, por ser uma doença imunossupressora, leva a alta mortalidade, baixo desempenho e predispõe os animais a agentes secundários, comprometendo a produtividade e consequentemente, causando perdas econômicas expressivas. Nem sempre a doença é fácil de ser identificada, pois os sinais clínicos são inespecíficos. Além do mais, na sua maioria dos casos a doença cursa na forma subclínica, limitando discretamente o crescimento dos animais, afetando a conversão alimentar e agravando a ocorrência de outras doenças. O controle é baseado na prevenção de riscos, redução de fatores predisponentes e, principalmente, em vacinação.

Já foram identificadas diferentes variantes do PCV2 (PCV2a, PCV2b, PCV2c, PCV2d, PCV2e e PCV2f), entretanto sabe-se que a semelhança entre estas é alta (Tabela 1). A maior prevalência do PCV2a ocorreu até meados de 2003, a partir deste momento o PCV2b passou a ser o genótipo mais prevalente. Em meados de 2009, foi identificada uma nova variante, o PCV2d, que se difundiu nos rebanhos de diversos países (Imagem 1). Segundo um estudo feito por Rodrigues et al. (2018), no Brasil, a maior prevalência atualmente é do PCV2b (68,8%), seguido do PCV2d (24,9%) e PCV2a (6,3%). Ainda pouco significante para suinocultura tecnificada, o PCV2c foi identificado pela primeira vez na Dinamarca e em suídeos selvagens no Brasil, e o PCV2f em suínos no México e EUA, mas em baixa prevalência.

 

Granjas com adequado programa de vacinação têm menor circulação do PCV2, de modo que a utilização de vacinas comerciais eficazes promove a redução de sinais clínicos, evitam mortalidades pela doença e melhoram os indicadores zootécnicos. No Brasil, as taxas de rebanhos vacinados ficam em torno de 98% e, de forma geral, as vacinas têm-se demonstrado eficazes em reduzir a carga viral no sangue e nos tecidos linfóides, bem como evitar manifestações clínicas da doença. A vacinação de leitões deve ser definida de forma estratégica, para que os mesmos estejam protegidos no momento de maior exposição ao agente. Além disso, para promover uma proteção mais efetiva no plantel pode-se ampliar o programa de vacinação incluindo leitoas de reposição e fêmeas gestantes/lactantes, minimizando perdas reprodutivas, reduzindo a circulação viral e a pressão de infecção.

As vacinas com PCV2a ainda são a maioria no mercado e diversos estudos mostram que estas são efetivas frente aos genótipos PCV2b e PCV2d, que têm sido mais prevalentes na atualidade. Dentre essas, há vacinas com alta tecnologia de adjuvante que permitem a imunização em uma dose única, sem causar reações adversas, onde o antígeno é liberado lentamente por 900 horas protegendo os animais até o abate. Esta vacina, composta apenas PCV2a, quando comparada à outra vacina composta por PCV2a e PCV2b, mostrou-se eficiente em reduzir o percentual de animais infectados pelo vírus frente a um desafio com o genótipo “d”.

Em um outro estudo, leitões foram desafiados com PCV2b e imunizados com vacina composta por PCV2a. Não houve depleção linfóide, assim como detecção viral por imuno-histoquímica nos linfonodos ilíacos, mesentéricos e traqueobrônquicos (Tabela 2), mostrando a eficácia da vacina na proteção dos animais. A eficácia da vacina composta pelo PCV2a também foi demonstrada frente a uma infecção simultânea de PCV2d e PCV2b. Os animais vacinados apresentaram uma mortalidade 10% menor (Gráfico 1) e um ganho de peso diário de 36,7g a mais até as 22 semanas de vida (Gráfico 2). O desempenho no crescimento dos animais e a taxa de mortalidade são os indicadores mais importantes para avaliar a eficácia de uma vacina contra a circovirose no campo. O esperado é que a mesma promova proteção dos animais, sem reações adversas, e que isso seja revertido em melhores desempenhos zootécnicos e ganhos econômicos dentro da produção.

 

 

As mutações do PCV2, até o momento, não foram tão expressivas para que as vacinas compostas pelo PCV2a tenham eficácia reduzida frente ao PCV2b e PCV2d. O que vai definir o sucesso no controle da circovirose é a escolha de uma vacina de qualidade, que promova proteção rápida e duradoura, sem causar reações adversas. O programa de vacinação deve ser adequado ao status sanitário de cada granja e deve-se garantir o manejo correto de vacinação, assegurando os protocolos indicados pelos fornecedores.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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