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Moscas e ratos determinam sucesso ou fracasso na suinocultura

Além de serem carreadores de doenças, urinam, defecam, perdem pelos dentro do sistema, depredam as instalações e consomem toneladas de ração

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Arquivo/OP Rural

As patas de uma única mosca podem transportar mais de 250 bactérias, como Salmolla e E. Coli. Nos sistemas intensivos de produção de suínos, a mosca representa sérios riscos na transmissão de doenças para os animais. Já um único casal de ratos, em um ano, pode gerar quase 13 mil descendentes. Além de serem carreadores de doenças, urinam, defecam, perdem pelos dentro do sistema, depredam as instalações e consomem toneladas de ração. Juntos, moscas e ratos podem ser decisivos para o sucesso ou o fracasso da atividade suinícola. Por isso é tão importante manter um rigoroso controle desses vetores na produção de suínos.

Alisson Mezalira, mestre em Medicina Veterinária, tratou do tema com centenas de profissionais envolvidos com o setor durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), que aconteceu no início de agosto, em Chapecó, SC. Ele foi convidado pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas de Santa Catarina (Nucleovet) para aprofundar as discussões sobre a importância da identificação e controle de vetores para a suinocultura. “Esses vetores conseguem viver em condições extremamente adversas, e os sistemas de produção (de suínos) oferecem condições favoráveis ao aumento das populações”, menciona.

As moscas, destaca Mezalira, são talvez as principais vilãs, já que o contato direto delas com os suínos é praticamente inevitável. “As extremidades das patas das moscas podem carregar até 250 bactérias. Devido ao amplo contato direto com os suínos, por exemplo, a mosca doméstica é a espécie que tem a maior chance de ser positiva e carrear Lawsonia”, microrganismo causador da Enteropatia Proliferativa dos Suínos (EPS). Os sintomas incluem fezes diarréicas escuras e sanguinolentas, fraqueza, letargia, anemia e anorexia. De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Suíno (ABCS), “a mortalidade pode ser superior a 6%. A morte geralmente ocorre em 48 horas, no entanto alguns animais se recuperam quando tratados a tempo. Fêmeas gestantes podem abortar”. “A forma crônica geralmente se manifesta como uma enterite necrótica associada com a diminuição do consumo de alimentos e ganho de peso. Animais de 6 a 20 semanas são os principais afetados”, esclarece a ABCS.

Além de doenças, as moscas causam estresse ao animal e aos seres humanos que trabalham na granja. “As moscas são vetores mecânicos, que voam por até 1,6 quilômetro, mas podem ser transportadas, por exemplo, por veículos, para distâncias maiores. Elas são sugadoras e regurgitam sobre os alimentos. Além dos problemas com doenças, elas aumentam o nível de estresse do animal, o que acaba diminuindo seu ganho de peso diário. É comum ver suínos com inquietação, fazendo movimentos contínuos de cauda e cabeça (para afastar mocas)”, alerta o profissional.

Controle das moscas

O controle das moscas, alerta Mezalira, deve ser iniciado muito antes de o inseto ser visto voando, espalhando desafios dentro da granja e incomodando os animais. O controle começa com a eliminação das larvas.“Poucos produtores fazem o controle larval de moscas. Se você começar tarde o controle de moscas, vamos ter uma infestação de larvas e uma rápida multiplicação”, aponta.

O profissional cita que uma mosca adulta vive cerca de duas semanas. Nesse período, pode colocar entre 400 e 900 ovos. Entre as primeiras oito e 24 horas a mosca já deposita os ovos. Em cerca de 12 dias os ovos “amadurecem” e já são novos adultos. Pela velocidade do ciclo, o descuido pode castigar. “É importante saber o ciclo biológico da mosca. Devemos ter atenção com os indivíduos adultos no início da infestação, mas foco na eliminação das larvas das moscas. Para se ter um controle das larvas das moscas é indicado pulverizar a cada sete dias sobre os focos de larvas ou pontos onde as larvas saem das estruturas”, indica.

Para o controle de moscas adultos, o profissional sugere “aplicar inseticida de forma localizada ou espacial conforme efeito residual do produto, preferencialmente nas superfícies metálicas e plásticas da granja, como fios, canos, bordas de comedouros, divisórias de baias, cortinas, forros e telas, sempre avaliando o efeito residual do produto usado”. O especialista ainda aconselha: “O importante é iniciar as aplicações quando a infestação ainda é baixa”. Ele exemplifica: “na creche no quinto dia após o alojamento e nas maternidades no terceiro dia após o início dos partos”.

Mezalira elencou vários inseticidas disponíveis no mercado, tanto para larvas quanto para adultos, em várias formas (iscas granuladas, pó molhável, emulsão aquosa, grânulos solúveis em água, etc.), mas recomenda como ideal um produto “com baixa toxicidade e efeito residual prolongado”.

Ratos

Existem três principais ratos que acometem a suinocultura brasileira. Na verdade, dois ratos e um camundongo, este erroneamente classificado como rato. E o produtor precisa saber que animais são esses para saber seus hábitos e promover o controle da maneira mais eficiente.

Os prejuízos econômicos dos ratos se dividem entre a produção propriamente dita e a depredação das instalações. “Os ratos se apresentam como um risco sanitário aos rebanhos. O produtor tem gastos com tratamentos de doenças (transmitidas pelo rato) e aumenta o número de surtos”, destaca. Para se ter uma ideia, explicou o profissional, 200 ratos eliminam 14 mil fezes por dia, quatro litros de urina e milhares de pelos. O prejuízos se somam à depredação das instalações, pois “ratos escavam, roem, causam curtos circuitos, incêndios, além de depreciar os alimentos (ração)”, sustenta. A título de curiosidade, em uma escala de dureza o ferro é 4 e o dente do rato é 5,5.

Os prejuízos se agravam com o consumo de ração. De acordo com o profissional, ratos consomem 10% do peso todos os dias e geram muito prejuízo. Ele exemplificou. “Em um sistema de produção com 500 ratos, no fim de um ano eles vão ter consumido 4,5 toneladas de ração”. Além disso, estima-se que eles destroem de três a cinco vezes o que consomem.

Biologia das principais espécies de roedores

Mezalira explica que o controle começa com a identificação dos tipos de roedores. Ele cita três como principais: a ratazana, o rato de telhado e o camundongo. Cada um com um jeito de se esconder, se reproduzir e procurar alimentos.

De acordo com ele, a ratazana tem o desmame aos 28 dias e maturidade sexual aos 75 dias. Tem de seis a oito cios por ano, com prenhez de 20 a 24 dias, com ninhadas entre seis e 16 filhotes (média de 12), vida média de dois anos e peso entre 280 e 480 gramas. “A ratazana tem como principal hábito escavar tocas e morar nas partes baixas e arredores das granjas. Ela tem neofobia, ou seja medo de coisas novas.

O rato de telhado, como o nome já diz, vive nos telhados das granjas e descem somente para alimentar-se. Ele tem o desmame aos 26 dias e maturidade sexual aos 62 dias. Também tem de seis a oito cios por ano, com prenhez de 20 a 22 dias, com ninhadas entre três e 10 membros (média de oito), vida média de um ano e meio e peso variando entre 110 e 340 gramas. Ele também tem medo de coisas novas, por isso o controle tem que ser bem planejado. “O principal hábito é morar nas partes altas da granja. Ele é um escalador que só desce para se alimentar”, cita o profisisonal.

O camundongo é o menor deles, com apenas 35 gramas. Tem o desmame aos 25 dias e maturidade sexual com apenas 42 dias. Tem oito cios por ano, com prenhez de 19 a 21 dias, com ninhadas entre três e 12 membros (média de sete) e vida média de um ano. Ao contrário dos demais, ele é curioso. “O principal hábito dos camundongos é morar em entulhos, pequenos orifícios e sacarias. Ele é extremamente curioso”, revela o profissional.

Controle 

Mezalira elenca estratégias de controle: “colocar iscas em tocas e entulhos, como madeiras, equipamentos, lenha e pedras, fixando a isca com bloco parafinado, arame e estaca; oferecer iscas com ração na proporção 1:1 ou iscas com laranja, distribuir as iscas em recipientes extras nas bases do silo, corredores, baias em vazio sanitário, forros e próximo à base das caixas d’água; se possível retirar a alimentação dos suínos no momento que as iscas são ofertadas aos roedores. Ratos voltam ao comedouro que estão acostumados a comer, isso facilita o consumo da isca”, aponta. “Para se ter uma estimativa da infestação, o ideal é visitar a granja ao anoitecer, quando os ratos iniciam suas atividades”, observa.

Entre as medidas no ambiente que podem ser tomadas para conter a infestação de roedores, Mezalira cita: “roçar arredores, limpar, retirar entulhos, fechar tocas, lavar as manchas de gordura e consertar pisos danificados”.

O palestrante destaca ainda que o custo para controle de roedores é relativamente baixo, o que não justifica sua não execução. “Em um sistema com mil matrizes, são 108 pontos de iscas, com custo de R$ 1mil, ou seja, R$1 por matriz”, menciona, ampliando: “Todos os raticidas funcionam inibindo a síntese da vitamina K no organismo do rato, interrompendo o sistema de coagulação do sangue. O rato morre por hemorragia/desidratação. Para raticidas de dose única, os sintomas iniciam entre 3 e 7 dias após o consumo da dose letal”.

Responsabilidade

De acordo com o profissional, a implantação de sistema de controle de moscas e ratos começa essencialmente na escolha de uma pessoa responsável por executar as tarefas de forma ordenada e corriqueira. “É importante eleger um responsável. Vetores são importantes reservatórios e carreadores de agentes (patogênicos). Com relação às moscas, é importante ter atenção com início da infestação de adultos e foco em larvas. Já em relação aos roedores, é importante reconhecer a espécie para atar de acordo com sua biologia, manter uma barreira química ativa com raticida eficiente, ter atenção com tocas (iscagem e fechamento) e utilizar o vazio sanitário para ajuste fino do controle. Mas tudo depende de mantermos pessoas treinadas e motivadas para fazer esse controle, fazendo avaliações periodicamente”, sustenta o profissional.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações

Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

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Foto: Shutterstock

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).

Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.

Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.

Os dados têm como base levantamento do Cepea.

Fonte: Assessoria Cepea
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Suínos

Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido

Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

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carne suína

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!

Hiperconectividade e decisão de compra

Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.

A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.

Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.

Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.

Rapidez e personalização

Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.

O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.

Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.

“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente,  carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos

Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

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Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
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