Notícias
Mortalidade de pintinhos é amplamente debatida no segundo dia do Simpósio da ACAV
Impacto do manejo de ovos, da incubação e a nutrição na primeira semana demonstram que a qualidade do frango depende de todas as fases da cadeia
Quatro renomados palestrantes participaram do painel matutino do 11º Simpósio Técnico de Avicultura da ACAV, sobre mortalidade de pintinhos na primeira semana. Sérgio Rodrigues, Eduardo Costa, Fernando Vargas e Antônio Carlos Pedroso dividiram o tema em quatro diferentes enfoques: manejo de ovos na granja e manejo na incubação sobre a mortalidade na primeira semana de vida dos frangos, impacto do alojamento na mortalidade inicial e estratégias de manejo e controle na primeira semana e seus efeitos na produção.
Manejo de Ovos
O médico veterinário, especializado em matrizes, Sergio Rodrigues, destacou a importância da preservação da limpeza e espessura da casca dos ovos, no controle de contaminações bacterianas e lembrou que ovos de galinhas exigem mais cuidados que qualquer outra ave. “Ovos de granjas postos na cama podem se contaminar com milhares de bactérias. Para diminuir a contaminação o ideal é que se tenha um ninho limpo e com o número adequado de ovos”, explica.
O especialista ainda completa que as práticas de manejo também são determinantes para a qualidade final. “Manter um ambiente com controle de ventilação, acesso a água limpa e fresca, ração de alta qualidade e vacinação são alguns dos fatores importantes que devem ser levados em consideração na hora de pensar em um ‘bom ovo’. Vale lembrar que para que se tenha um pintinho de qualidade é necessário levar em consideração a qualidade da matéria prima: o ovo fértil”.
Manejo de Incubação
O conteúdo apresentado por Rodrigues foi gancho para que Eduardo Costa, especialista em incubatório do Suporte Técnico Mundial da Cobb-Vantress, destacasse as principais características de perdas por bactérias tais como a Onfalite, em que o perfil de mortalidade é de menos de dois dias após a chegada na granja, e a E.Coli, em que o pintinho morre até cinco ou seis dias. Enquanto para prevenir a primeira, Costa reforça a importância da ventilação, higiene de ovos e condensação das incubadoras, na segunda destaca que as condições de estresse no incubatório, transporte ou campo são bastante relevantes para esse tipo de infecção.
Para a produção de pintos de corte com a melhor qualidade possível, o conforto térmico é apontado pelo especialista como ponto crítico a ser observado durante todo o processo. “Os pintos devem ser enviados à granja o mais rápido possível, mantendo a temperatura dentro das caixas a 32ºC, sem vento direto nas aves e com densidade mínima de 21cm² por caixa”, orienta.
De acordo com Costa, o primeiro dia de vida é a fase mais importante na vida do frango, sendo a boa alimentação fator determinante para o crescimento saudável. Para que o consumo de alimento seja adequado nesta fase, as aves precisam estar na zona de conforto térmico, ou seja, a temperatura interna deve variar entre 40 e 46ºC desde o momento do nascimento até os primeiros dias na granja. O aquecimento também não pode ser em excesso para evitar a desidratação.
Alojamento
As primeiras 24 horas dos pintos e o risco de desidratação nesta fase também foram pontos de atenção na apresentação de Fernando Vargas, médico veterinário e mestre em patologia animal. “Comida e água de qualidade são importantes para o crescimento dos pintinhos nas primeiras horas de vida. Os processos de eclosão podem ser comparados ao exercício de alta intensidade e longa duração para um atleta”, compara.
Por isso, a falta de conforto térmico é considerada a principal causa de mortalidade em pintinhos. “Esse conforto está ligado à ventilação e umidade. Temperatura do ar é importante, mas a temperatura da cama é muito mais. É necessário levar em conta o material utilizado para a cama (10 cm de espessura), espaço, equipamentos e a densidade utilizada. É importante lembrar que a temperatura deve ser estável e não ter zonas mais quentes e outras mais frias”, reforça.
Vargas relembra ainda, que pintos não são frangos pequenos. Diferente de aves maduras, nos pintinhos o órgão ‘responsável’ por todos os demais órgãos no corpo é o intestino. “Sem que ele esteja funcionando de forma correta e saudável, todo o resto ficará comprometido. Por isso, não é possível ter um bom desenvolvimento se a qualidade do alimento for ruim”.
Estratégias de manejo
Antônio Carlos Pedroso, especialista em Produção, Ambiência e Manejo de frangos de corte, traduziu em números a importância do controle de temperatura. De acordo com ele, a desidratação é a maior causa de mortalidade inicial estando diretamente relacionada a duas falhas de manejo; alta densidade e bebedouro alto ou com baixa vazão.
De acordo com Pedroso, basicamente 50% da mortalidade está relacionando a eliminação por problemas genéticos, em sua maioria locomotores. “Quando pensamos em pintos miúdos devemos levar em consideração a formação dos lotes de ovos, misturas de linhagens e manejo inadequado no campo. Neste último, um dos fatores mais importantes é a oferta adequada de água. Se os pintos não se hidratarem de maneira correta, eles se estressam, gerando desuniformodade.
Assim como Fernando Vargas, o especialista também destaca a importância do trato digestivo do frango. “A ração quando triturada interfere no ganho de peso da ave. Peso bom em sete dias, dará um peso bom no momento do abate. Cerca de 70% da resposta imune do frango é estimulada no trato digestivo”.
Simpósio
O Simpósio da ACAV acontece até sexta-feira, dia 19 no Oceania Park Hotel & Convention Center, em Florianópolis. O evento é reconhecido pelo alto nível técnico e científico, e tem por objetivo focalizar os temas de maior relevância na atualidade para a vasta cadeia da avicultura industrial e ao mesmo tempo, as inovações que surgiram no Brasil e no mundo.
Fonte: Assessoria

Notícias
Temporais após onda de frio aumentam preocupação de produtores no Sul; veja vídeo
Inmet prevê chuva acima da média em parte da região, solo encharcado e maior risco de doenças fúngicas nas culturas de inverno.

As imagens registradas pelo agricultor Geraldo Hardi Weisheimer mostram a intensidade da chuva de granizo que atingiu a Linha Sanga Guarani, próximo ao distrito de Bom Princípio, no interior de Toledo (PR), no fim da tarde de domingo (28). Em poucos minutos, o gelo cobriu o solo da propriedade rural, acompanhado de chuva intensa e ventos associados à frente fria que voltou a provocar instabilidades no Sul do Brasil.

Foto: Geraldo Hardi Weisheimer
Até o momento, não há levantamento oficial dos prejuízos. Produtores da região avaliam possíveis danos em lavouras e estruturas rurais.
Em publicação nas redes sociais, Weisheimer descreveu o impacto do temporal. “Ver o chão da nossa Linha Sanga Guarani coberto de gelo hoje dói no coração de quem entende o suor de cada dia. A natureza tem sua força, e a gente, como agricultor, aprende a respeitá-la e a se reerguer, mesmo com o prejuízo batendo à porta”, ressaltou
O episódio ocorre após uma sequência de dias de frio intenso e tempo seco. A formação de um ciclone extratropical na costa do Uruguai, associada ao avanço de uma frente fria, voltou a provocar chuva forte, rajadas de vento e queda localizada de granizo no Paraná. Nesta segunda-feira (30), os maiores acumulados são esperados entre o Oeste, Sudoeste e Centro-Sul do Estado, onde os volumes podem se aproximar de 100 milímetros.
O cenário reforça a previsão agroclimática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para o

Foto: Geraldo Hardi Weisheimer
trimestre de junho a agosto. Embora o Paraná deva registrar volumes de chuva próximos da média, o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina tendem a receber precipitações acima do normal, mantendo os solos com elevada umidade em praticamente toda a Região Sul.
Para a agricultura, a disponibilidade de água favorece o desenvolvimento das culturas de inverno e contribui para a conclusão do ciclo das áreas mais tardias de milho segunda safra no Paraná. Por outro lado, o excesso de chuva aumenta o risco de doenças fúngicas em cereais como trigo, cevada e aveia, além de dificultar pulverizações, adubações e outras operações mecanizadas devido ao encharcamento do solo.
Segundo o Inmet, os excedentes hídricos devem persistir principalmente em junho e julho, com maior intensidade no Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e sudoeste do Paraná. Apesar do baixo risco de deficiência hídrica durante o inverno, o excesso de umidade exigirá atenção redobrada dos produtores no monitoramento fitossanitário e no planejamento das atividades de campo ao longo dos próximos meses.
Notícias
Após investir R$ 650 milhões, Porto de Paranaguá cobra avanço das ferrovias para evitar perda de competitividade
Presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, afirma que terminal está preparado para crescer, mas alerta que infraestrutura terrestre ainda limita a eficiência logística.

O modelo de gestão adotado pelo Porto de Paranaguá e os desafios da logística do agronegócio estiveram no centro dos debates do lançamento do Movimento Agroportos, realizado na quinta-feira (25), em Curitiba. Durante o evento, o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, apresentou medidas implementadas nos últimos anos para ampliar a eficiência operacional do terminal e defendeu investimentos em infraestrutura como caminho para reduzir o chamado “Custo Brasil”.

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia: “Somos o único porto do país com 100% das áreas arrendáveis regularizadas. Fizemos a concessão do canal de acesso e estamos prestes a entregar a maior obra de infraestrutura do setor portuário do Brasil, que é o Moegão” – Foto: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná
Garcia, que também preside a Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), participou do painel “Regulação, Segurança Jurídica e Eficiência Portuária nos Portos do Sul”, mediado pelo diretor-presidente do IBI, Mário Povia. Ele expôs medidas exitosas adotadas nos portos paranaenses ao longo dos últimos anos, que podem servir de exemplo para outros portos em todo o Brasil. O Porto de Paranaguá é o primeiro do país a ter 100% de suas áreas portuárias arrendadas, garantindo segurança jurídica aos operadores. “Com nossas concessões, somos o único porto do país com 100% das áreas arrendáveis regularizadas. Fizemos a concessão do canal de acesso e estamos prestes a entregar a maior obra de infraestrutura do setor portuário do Brasil, que é o Moegão. São mais de R$ 650 milhões em investimentos, em uma obra que está 95% concluída”, disse Garcia.
As regularizações das áreas arrendáveis promovidas pela Portos do Paraná a partir de 2019 trazem justamente a segurança jurídica discutida no painel. A partir de leilões públicos realizados na Bolsa de Valores do Brasil (B3), as empresas têm a garantia de que poderão investir, pois estão resguardadas por contratos robustos que protegem tanto o arrendante quanto a arrendatária.
Preparado
Ao mencionar a sustentabilidade, Luiz Fernando lembrou que o Porto de Paranaguá se tornou o primeiro porto público brasileiro a conquistar o selo internacional EcoPorts, a mais importante certificação mundial que reconhece as boas práticas de gestão ambiental portuária.
Com as obras mencionadas, o diretor-presidente assegura que o Porto de Paranaguá estará preparado para esse aumento de capacidade e produção no futuro. “O

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia: “As empresas precisam ter vantagem comercial e operacional. A partir do momento em que isso deixar de existir, elas vão para outros portos” – Foto: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná
Paraná fez as concessões rodoviárias e R$ 90 bilhões serão aplicados nos contratos vigentes. E o vencimento da concessão da Malha Sul, em 2027, é a oportunidade que temos para discutir com o setor ferroviário, importantíssimo para que o Moegão funcione com sua capacidade plena”, completou.
Indagado sobre os problemas observados para uma discussão mais ampla por parte do Movimento Agroportos, Garcia destacou o custo logístico das cargas até o porto. Para ele, é preciso enfrentar essas deficiências para ganhar mais eficiência. “As empresas precisam ter vantagem comercial e operacional. A partir do momento em que isso deixar de existir, elas vão para outros portos”, disse.
Alex Sandro de Ávila, secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e presidente do Conselho de Administração da Portos do Paraná (Consad), também foi um dos painelistas. Ele ressaltou a gestão da Portos do Paraná, destacando a requalificação de áreas e os leilões, que geraram maior capacidade de investimento no Porto de Paranaguá. “A Região Sul ainda tem protagonismo no escoamento de cereais, até porque conta com portos extremamente preparados e especializados para essa atividade. Então, buscamos uma sinergia e harmonização, que já deram muito certo aqui no Sul e servem de bom exemplo para desenvolvermos projetos de crescimento nas regiões Norte e Nordeste do país”, disse Ávila.
Notícias Cooperativismo
Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível
Publicação reúne reportagens exclusivas sobre o papel das cooperativas no agronegócio e destaca como a escassez de mão de obra e a contratação de imigrantes estão transformando o mercado de trabalho no setor.

A nova Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível gratuitamente em versão digital no site. Publicada todos os anos próxima ao Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 04 de julho, a edição reúne reportagens, análises e conteúdos especiais sobre a força econômica, social e produtiva do cooperativismo no agronegócio brasileiro.
Nesta edição, a reportagem especial aborda um dos temas mais relevantes para o futuro das cooperativas agroindustriais: a geração de empregos, a escassez de mão de obra e a presença crescente de trabalhadores estrangeiros nas operações. O conteúdo mostra como imigrantes de diferentes nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em agroindústrias, supermercados, unidades operacionais e estruturas produtivas de cooperativas do Sul do país.
A reportagem apresenta casos de cooperativas em que estrangeiros já representam parcela expressiva da força de trabalho. Em algumas unidades, eles chegam a formar a maioria dos colaboradores. Mais do que um dado demográfico, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio, com reflexos diretos sobre produção, escalas, expansão industrial, automação, qualificação, moradia, integração cultural e desenvolvimento regional.
Além da reportagem especial, a edição traz conteúdos sobre o impacto do cooperativismo na economia, na geração de renda, na organização das cadeias produtivas, atuando como agentes de desenvolvimento nas comunidades onde estão.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
