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Monitoramento e manejo preventivo mantêm controle das lagartas

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A maior parte das lavouras de soja da região está em fase vegetativa ou entrando na fase produtiva com formação de vagens. Período em que é preciso estar atento ao controle de lagartas – todas elas, mas uma em especial, a Helicoverpa armigera. A praga, que tem causado prejuízos a lavouras no Norte, Nordeste e até Centro-Oeste do país, começou a ter os primeiros registros no Paraná no ano passado, mas, nesta safra, o Estado já percebe uma área maior de incidência da lagarta. A boa notícia é que a situação está sob controle e longe de assemelhar-se ao quadro registrado, por exemplo, no Oeste da Bahia, onde a H.armigera foi identificada e já foi decretado estado de emergência fitossanitária. “Ela (h.armigera) está na região, mas em níveis controláveis. O monitoramento e o manejo correto podem garantir que a situação mantenha-se estável”, expõe o agrônomo da Copagril de Marechal Cândido Rondon, Edimar Oswald.
Os técnicos da Copagril estão aconselhando os produtores para fazerem o monitoramento constante das lavouras, não apenas uma ou duas vezes por semana como de costume, mas, se possível, até diário. A Helicoverpa não é a única preocupação, já que outras lagartas podem agir, porém ela merece atenção especial. Oswald explica que a H.armigera pode ser confundida com outras espécies, por isso, quando houver dúvida a respeito das coletas de amostras feitas a campo, são levadas a professores e pesquisadores do curso de Agronomia do campus rondonense da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) para análise.
Controle
Além da vistoria diária das plantações, os produtores estão sendo orientados a fazer as aplicações de inseticidas conforme a o nível de infestação. O engenheiro agrônomo Emerson Stern, também da Copagril, explica que a orientação é para utilização de produtos fisiológicos seletivos, cujos alvos são especificamente as espécies de lagartas. O objetivo com isso é manter os inimigos naturais das lagartas, que colaboram para o controle biológico. “Temos percebido um controle natural satisfatório, por isso é importante a monitoria, para acompanharmos como está o movimento da praga na região”, expõe o técnico.
Outro detalhe importante lembrado pelos agrônomos da Copagril é que o monitoramento serve para que as aplicações de produtos sejam feitas no momento exato. Segundo eles, o momento certo do controle é quando a lagarta está pequena, com cerca de dois centímetros. Lagartas maiores desenvolvem uma espécie de “carapaça”, que lhes garante uma proteção maior contra inseticidas. Além disso, a ideia é evitar que a praga atinja a idade adulta. Em forma de mariposa, a Helicoverpa pode voar até mil quilômetros. “Por isso também que todos precisam estar engajados no monitoramento e controle. Não adianta ‘eu’ ficar em alerta e meu ‘vizinho’ não tomar os devidos cuidados”, alertam.
Infestação na região é cerca de 90% menor que na Bahia
Prevendo uma maior incidência da Helicoverpa armigera neste ano, o setor agronômico da C.Vale, de Palotina, já começou um processo de conscientização dos seus técnicos e agricultores já em junho com vistas à safra de verão. No mês de outubro, com as lavouras implantadas, a cooperativa iniciou, além das vistorias, o monitoramento com armadilhas para captar mariposas. De acordo com o supervisor agronômico da C.Vale, Enoir Pelizzaro, têm sido encontradas, por noite, apenas de duas a cinco mariposas. No Oeste da Bahia ou no Cerrado, as armadilhas chegam a registrar de 30 a 50  e até 60 mariposas por noite, ou seja, número mais de 90% maior. “Este monitoramento tem garantido um trabalho com maior tranquilidade, mas nem por isso com menos responsabilidade”, diz Pelizzaro, citando que os profissionais da cooperativa têm orientado individualmente os agricultores e, quando preciso, fazendo encontros com grupos. Um desses encontros, inclusive, acontece hoje (19), às 10h30, na Asfuca de Vila Candeia, em Maripá. “É preciso conscientizar e esclarecer, porque estamos otimistas com relação à questão e não é necessário pânico”, afirma.
Assim como os profissionais da Copagril, Pelizzaro tranquiliza e apenas chama atenção para a necessidade de monitoramento diário das áreas, bem como para as aplicações orientadas por um técnico, nos momentos certos. Ele reforça o conselho para o produtor fazer uso dos produtos de ação seletiva, para que seja garantido o controle biológico, favorecendo a ação dos inimigos naturais das lagartas, e não apenas à H.armigera. 
Produtos com maior espectro de ação devem ser reservados para o momento certo
Segundo o supervisor agronômico da C.Vale, até agora, os agricultores da região já fizeram pelo menos uma aplicação de inseticida. Conforme os resultados do monitoramento desta semana, amparados por conselho técnico, os produtores poderão até fazer mais uma. Os agrônomos da Copagril e da C.Vale concordam em mais um detalhe no trabalho de combate à Helicoverpa armigera. Eles estão orientando os produtores a reservarem inseticidas, como do grupo das Diamidas, com maior espectro de ação, para fases futuras das lavouras, principalmente quando os frutos estiverem formados , quando pode haver a necessidade de uma aplicação mais incisiva.
Horário
A aplicação também precisa ser da maneira correta. Os boletins da Embrapa Soja, que está trabalhando diuturnamente no monitoramento da H.armigera, sugerem para aplicação no fim da tarde e início da noite, pois é o horário que as lagartas se movimentam mais em busca de alimento. Durante o dia, ela pode se abrigar nos primeiros centímetros do solo para fugir do sol quente, com isso, o inseticida que age por contato com inseto, terá mais dificuldade para atingi-lo. Além do horário da aplicação, a Embrapa aconselha que o produtor direcione o jato para o colo da planta. Prática comum no milho, também pode ser adotada na soja com eficiência.
Mais orientações e outras dicas sobre o manejo da lagarta Helicoverpa, podem ser acessadas no site da Embrapa Soja – http://www.cnpso.embrapa.br.
Intacta
Uma observação dos agrônomos da Copagril é que em áreas cultivadas com a biotecnologia Intacta RR Pro, observa-se uma maior supressão a lagartas em geral, inclusive à H.armigera. “É mais um aliado que o produtor deve ganhar “, expõe Oswald.
Embrapa prepara caravana para tranquilizar produtores
A Assessoria de Imprensa da Embrapa informou ontem (18), a O Presente, que será lançado no próximo mês o Programa Caravana Embrapa com o objetivo de realizar o monitoramento de lavouras do país e diminuir o “pânico” dos agricultores. Segundo o assessor da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Paulo Galerani, o programa Caravana Embrapa irá criar parcerias com cooperativas para realizar a imunização contra a lagarta em várias regiões do país. “Vamos ter 27 pesquisadores que passarão informações para essas cooperativas. Juntos, seremos multiplicadores de informações, de manejo integrado e tático para ter o controle dessa praga”, expõe. A inciativa vai iniciar em Roraima e passar por outras nove regiões, chegando até o Rio Grande do Sul.
Galerani ressalta que os produtores e as empresas de químicos já entenderam que o uso de insumos não é a única saída para a praga. Ele destaca que, em algumas áreas, a aplicação de produtos não funciona sem o devido monitoramento. “Em muitos locais, os produtores estão aplicando sem orientação. Às vezes, nem têm certeza se há lagarta no local. Eles estão fazendo isso devido ao terrorismo. Esse é o principal objetivo da nossa caravana, diminuir esse pânico e fazer monitoramento. Existem armadilhas capazes de descobrir a presença da lagarta em 24 horas”, informa. 
No Brasil, já existem 16 produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, entre químicos e biológicos, que podem utilizados para o controle da praga. 
Estagnação
Galerani diz que é possível estagnar a praga ainda nesta safra. “Se a gente começar o acompanhamento dessas lavouras, já podemos ter bons resultados. Estamos desenvolvendo na Embrapa o Arranjo de Pesquisa, que é um grupo de projetos já listados e que são necessários a curto, médio e longo prazo para que solucione definitivamente a questão da helicoverpa”, conclui.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Zearalenona e seus metabólitos: interferência negativa sobre o sistema reprodutivo de fêmeas bovinas

Adoção de boas práticas pode minimizar a contaminação, porém a utilização de métodos incorretos de preparo e fornecimento podem proporcionar a sua ocorrência

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Mateus Morgan, gerente de Produtos da Nuscience/Agrifirm

Nos últimos anos a atividade leiteira vem passando por mudanças e introduzindo novas tecnologias de forma acentuada e positiva dentro da cadeia do leite. Com a intensificação da pecuária leiteira nos diferentes sistemas de criação, o aporte nutricional foi incorporado com dietas mais elaboradas, visando explorar ao máximo o potencial zootécnico e elevar os índices reprodutivos principalmente em novilhas.

Na nutrição, a utilização de volumosos conservados ganhou muito espaço, principalmente na forma de silagem. A silagem de milho, principal volumoso usado juntamente com a inclusão de concentrado na dieta, é o principal risco de exposição dos animais a um grupo de micotoxinas. No entanto, a qualidade das dietas fornecidas e a suscetibilidade à contaminação por Zaeralenona (ZEA) favorece a intoxicação pela exposição diária. Na tabela 01 podemos verificar os níveis de contaminação para bovinos de leite.

A ZEA é produzida por diversas espécies de fungo do gênero Fusarium ssp. e está amplamente presente nas dietas de animais de produção como os bovinos. A formação da ZEA ocorre ainda na lavoura, mas também durante o processamento e armazenamento. A adoção de boas práticas pode minimizar a contaminação, porém a utilização de métodos incorretos de preparo e fornecimento podem proporcionar a sua ocorrência. A zearalenona contamina rações, feno, pré secado, silagem, gramíneas e forrageiras de pastoreio.

Esta micotoxina está relacionada principalmente às condições ambientais que são determinadas pela variação entre umidade, temperatura, oxigênio e pH. A ocorrência da ZEA é favorecida em temperaturas ambientais na faixa de 15°C e umidade relativa superior a 25%. Oscilações térmicas favorecem o crescimento fúngico em temperaturas mais altas, enquanto metabolismo para produção da toxina é desencadeado em temperaturas mais baixas.

A partir da ingestão da ZEA, os ruminantes iniciam a biotransformação a nível de rúmen, intestino delgado (duodeno) e fígado, onde, a partir destes órgãos são formados os metabólitos; α-Zearalenol (α-ZEL), β-Zearalenol (β-ZEL), α-Zearalanol (α-ZAL), β-Zearalanol (β-ZAL) e Zearalanona (ZAE).

Ruminantes têm maior resistência aos efeitos deletérios da ZEA do que outros animais de criação. Os bovinos convertem ZEA predominantemente em β-ZEL e α-ZEL, porém este último é considerado o metabólito mais estrogênico e com maior toxicidade. A estrutura da ZEA e seus metabólitos é semelhante aos estrógenos naturais, por isso causa alterações funcionais e morfológicas nos órgãos reprodutivos.

Consequências 

Como consequência da exposição a ZEA e seus metabólitos, a sintomatologia clínica varia de acordo com a categoria e o estado produtivo, afetando principalmente as fêmeas bovinas jovens. Grande parte da ocorrência desta micotoxicose são pela forma subaguda e comprometimento do sistema imune com suscetibilidade a doenças secundárias causadas pelo desequilíbrio hormonal.

A interferência negativa da zearalenona e seus metabólitos sobre o sistema reprodutivo induzindo a sinais de hiperestrogenismo em fêmeas bovinas tem sido objetivo e muitas pesquisas. A eficiência reprodutiva pode ser comprometida pela redução de fertilidade e consequentemente pode haver retorno ao cio com intervalos irregulares, bem com a formação e cistos ovarianos e redução nas taxas de prenhez.

Fêmeas bovinas podem apresentar secreção vaginal, edema de glândula mamária, vulva e útero, além de prolapso uterino, vaginal e de reto. A ovulação, a implantação e a gestação poderão ser comprometidas com a morte embrionária e aborto, bem como redução na produção de leite.

Tratamento

Para diagnóstico diferencial desta micotoxicose, devemos acompanhar os sinais clínicos, desempenho reprodutivo do rebanho, achados epidemiológicos de contaminação e análises de micotoxina nos alimentos.

O tratamento é paliativo, a recuperação das funções reprodutivas e a regressão dos sinais clínicos geralmente ocorre entre 1-4 semanas após a suspensão completa da ZEA na alimentação. É essencial qualificar e quantificar o tipo de micotoxina, monitorar a exposição e indicar estratégias para redução da contaminação, como o uso de um eficiente aditivo adsorvente de micotoxina (AAM) nas dietas.

Os AAM devem ser capazes de adsorver as micotoxinas no trato gastrointestinal, evitando a absorção e distribuição no organismo, imediatamente eliminando-as do organismo.  A ocorrência de micotoxicose em animais de produção pode ser evitada com o uso de AAM nas dietas, mas nem todos são eficazes em reduzir os efeitos deletérios provocado pelas micotoxinas.

Estudo

Levando em consideração a problemática da ZEA na dieta de bovinos de leite que tem em sua grande parte a silagem de milho, realizamos juntamente com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Embryolab, Lamic e Samitec uma avaliação in vivo desafiando novilhas de corte com idade média de 2 anos de idade. O objetivo desta pesquisa foi avaliar se o Aditivo Adsorvente de Micotoxinas (AAM) à base de bentonita modificada reduziria o efeito negativo de dietas contaminadas com 5.000ppb (5mg/kg) de ZEA sob aspectos clínicos, a ciclicidade, e a taxa de concepção das novilhas submetidas a protocolo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).

Podemos verificar o número de folículos e biomarcadores sorológicos (β-ZAL), demonstrando a eficácia do produto avaliado nos desafios da ZEA. Após 42 dias do período experimental, as novilhas foram submetidas ao Protocolo de IATF. Foi realizado diagnóstico de gestação por ultrassonografia 30 dias após a Inseminação Artificial (IF).

Embasado nos resultados citados nesta avaliação In Vivo, o uso de AAM com eficácia comprovada nos permite garantir aos produtores e técnicos que o produto previne perdas reprodutivas dentro de rebanhos leiteiros. Deve ser uma prática regular dos produtores de leite a prevenção das micotoxinas, pois desta forma mantemos a rentabilidade dentro da atividade alcançando os resultados.

Outras informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Paraná

Estudo aponta cenários para área livre de aftosa sem vacinação

Segundo estudo, se Paraná conquistar status sanitário só as exportações de carne suína poderão dobrar das atuais 107 mil toneladas para 200 mil toneladas por ano

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Divulgação/AENPr

Uma análise sobre o status de Área Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação foi apresentada na terça-feira (19) ao secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, e lideranças do agronegócio paranaense.

Segundo o estudo, se o Paraná conquistar esse status sanitário só as exportações de carne suína poderão dobrar das atuais 107 mil toneladas para 200 mil toneladas por ano. A análise foi apresentada pelos técnicos Marta Cristina Dinis de Oliveira Freitas (Adapar) e Fábio Peixoto Mezzadri (Deral).

Este cenário é previsto se o Paraná conquistar apenas 2% do mercado potencial, liderado por China, Japão, México e Coreia do Sul, que pagam mais pelo produto com reconhecida qualidade sanitária, e representam 64% do comércio mundial de carne suína. Com o reconhecimento de Área Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, o Paraná poderia exportar, sem restrições, para esses países que compram cerca de 5 milhões de toneladas de carne suína por ano, o equivalente a seis vezes as exportações atuais.

De acordo com a análise dos técnicos, as cadeias produtivas de carne bovina, de aves e leite também serão beneficiadas com o acesso a mercados que pagam mais por um produto de reconhecida qualidade sanitária. O Paraná poderá ser um importante produtor de carne bovina e autossuficiente na produção de bezerros, com o impulso do programa Pecuária Moderna, desenvolvido em parceria pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Faep, Emater, Adapar e Iapar.

O programa tem trabalhado mecanismos para aumentar a criação de bezerros em áreas com declives do Estado. Essa iniciativa representa uma grande oportunidade de desenvolvimento para regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Econômico do Estado (IDH), além de suprir um possível “déficit de animais”.

O estudo apresentou as potencialidades previstas para as várias cadeias produtivas de carnes, se for concretizado esse projeto. Na bovinocultura de corte, destaca o potencial para incorporação de até 4 milhões de cabeças de bovinos de corte em áreas que, atualmente, estão subutilizadas, o que compensaria o déficit potencial de 400 mil a 500 mil bezerros por ano, em caso de fechamento de fronteira com outros Estados.

Também foi apresentado pelos técnicos uma prospecção mais modesta da evolução do rebanho bovino entre os anos de 2019 a 2025. Mesmo com índices produtivos bastante conservadores, o estudo demonstrou que poderá ser produzido um volume adicional de bezerros machos e fêmeas na ordem de 1,12 milhão de cabeças no período avaliado.

Considerando um valor médio de R$ 1,2 mil por cabeça, esse volume de animais geraria um incremento de movimentação financeira da ordem de R$ 1,35 bilhão na economia do Estado. Esse montante de animais supriria o possível “déficit” com folga, e ainda sobrariam animais para aumentar a exportação de carnes, concluiu o estudo.

Fechamento de fronteiras

Caso o Governo do Paraná decida por iniciar o processo, a última campanha de vacinação será em maio, para animais jovens de zero a 24 meses. Depois disso, não haverá mais vacinação, disse o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins.

Finalizada a campanha de vacinação, o Ministério da Agricultura irá fechar fronteiras interestaduais com os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, impedindo o transporte de bezerros para engorda e animais para abate em território paranaense. O Ministério deverá editar uma Instrução Normativa impedindo o trânsito de cargas vivas para o Paraná, preservando o território estadual.

O estudo aponta que essa medida trará impacto imediato em apenas cerca de 30 produtores rurais, que representam 50% das movimentações relacionadas a ingressos de bovinos no Paraná. Na média dos últimos três anos entraram no Estado 100.936 animais bovinos para abate, cria ou engorda, representando 1,08% em relação ao rebanho do Estado, avaliado em 9,36 milhões de cabeças.

De acordo com o secretário Norberto Ortigara, o Ministério da Agricultura já fez duas auditorias de avaliação do serviço sanitário paranaense, exercido pela Adapar, para conferir se está apta a empreender o processo de área livre de febre aftosa sem vacinação.

Na vistoria entre 15 e 19 de janeiro de 2018, o Ministério concluiu que a Adapar tem um dos melhores serviços sanitários do país e o Estado está apto a avançar de bloco a qual pertence no Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA).

O Paraná saltaria do quarto bloco a qual pertence, ao lado dos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, para avançar sozinho no processo de conquista do status.

Fonte: AEN/Pr
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia a favor do pecuarista

Pesquisadores vão usar drones para detecção e contagem de gado

Atividade de monitorar a população de gado é essencial na gestão das fazendas pecuárias

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Fabiano Bastos/Embrapa

Pesquisa coordenada pela Embrapa para detecção e contagem de gado usando veículos aéreos não tripulados, conhecidos como vants ou drones, acaba de ser aprovada para financiamento pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto colaborativo é liderado pelo pesquisador Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Embrapa Informática Agropecuária (SP), e foi aprovado na terceira chamada de propostas do Programa Fapesp de Pesquisa em eScience e Data Science.

A atividade de monitorar a população de gado é essencial na gestão das fazendas pecuárias. Entretanto, nas grandes propriedades que adotam a pecuária extensiva, muito comuns no Brasil, essa contagem requer tecnologia e métodos avançados. No caso das imagens de satélites, além de não apresentar resolução espacial suficiente para identificar os animais individualmente, a presença de nuvens também compromete o monitoramento.

“Os levantamentos aéreos aparecem como uma solução potencial”, explica Barbedo. Já existem algumas iniciativas sendo aplicadas em fazendas, mas ainda com várias desvantagens, como alto custo de operação, níveis de ruído elevados e risco de acidentes. Por isso, os pesquisadores querem empregar técnicas de processamento de imagens e aprendizado de máquina, aliadas ao desenvolvimento de softwares e uso de drones, buscando gerar soluções mais adequadas para o monitoramento dos animais no pasto.

Coordenada pela Embrapa Informática Agropecuária, a pesquisa tem participação da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC/Unicamp) e das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). O projeto tem vigência de dois anos, com início em fevereiro de 2019, e recebeu recursos de cerca de R$ 175 mil que serão investidos, principalmente, na aquisição de drones e equipamentos para processamento de imagens.

Testes com câmeras 360 graus

Entre os objetivos estão o desenvolvimento de uma metodologia para agrimensura pecuária usando drones equipados com câmeras de espectro visível e a criação de um algoritmo para reconhecer e contar automaticamente o gado nas imagens capturadas. Serão investigadas duas abordagens distintas: a primeira é com o uso de uma câmera convencional e a outra com uma câmera 360 graus.

A principal diferença entre as duas metodologias é que a primeira geralmente requer múltiplos voos para cobrir grandes áreas, enquanto a segunda pode ser capaz de visualizar regiões muito maiores com um único voo, embora perdendo resolução, já que os animais estão mais distantes da câmera, de acordo com o pesquisador.

Em breve, drones estimarão saúde e peso do rebanho

O projeto busca avançar na área de ciência da computação, produzindo novos algoritmos baseados em imagens para detecção de animais e para seu manejo, com abordagem inovadora para contagem de gado. “Essa metodologia também pode ser usada no futuro para trabalhar outros aspectos do monitoramento de gado como saúde animal, medidas corporais, entre outros”, conta Barbedo.

Caberá à Embrapa Informática Agropecuária, principalmente, coletar as imagens no campo e processá-las, criando e aplicando, em conjunto com a FEEC/Unicamp, algoritmos baseados em princípios de aprendizado de máquina para detecção e contagem dos animais. Os testes de campo serão feitos com o apoio de especialistas em manejo animal na fazenda Canchim, da Embrapa Pecuária Sudeste. A pesquisadora Andrea Roberto Bueno Ribeiro, da FMU, também vai apoiar os trabalhos de manejo e estudos de comportamento animal relacionados às simulações de movimentação do gado no pasto.

Contagem do gado sem precisar reunir os animais

Conhecer o número de animais é essencial para o pecuarista fazer a gestão adequada da fazenda, contribuindo para o controle interno e a quantificação dos resultados.

Na pecuária as variações no rebanho são constantes: nascimento de animais, mortes, vendas, e até roubos. Tudo isso se reflete na hora do planejamento e na rentabilidade da atividade.

Para a contagem, o pecuarista precisa reunir os animais no pasto ou levá-los até o curral. Esse processo é complexo e exige um grande esforço. As dificuldades aumentam proporcionalmente ao tamanho da fazenda e do rebanho.

O deslocamento do gado sempre é estressante e pode afetar a produtividade. No percurso, há chances de acidentes. Além disso, o bovino passa mais tempo caminhando e deixa de se alimentar, ruminar e descansar, causando prejuízos econômicos ao produtor. O estresse reduz o ganho de peso e afeta a imunidade, deixando-o mais vulnerável a doenças.

“A ideia do projeto é tentar fazer essa contagem sem reunir os animais, reduzindo o estresse. No entanto, há algumas dificuldades. É preciso treinar a máquina para enxergar o boi e contar um por um. A primeira dificuldade é que ele se movimenta. A segunda, é que o drone precisa identificar o boi lá embaixo e saber que é um bovino, não é uma pedra ou, ainda, se tiver dois animais juntos, tem que conseguir contar dois e não apenas um. A máquina precisa aprender a analisar a imagem”, explica a pesquisadora Patrícia Menezes Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste.

Para captar as imagens, é preciso entender o comportamento dos bovinos. Dessa forma, o plano de voo e as estratégias usadas para a captação precisam levar em consideração a rotina animal, o tipo de área da fazenda, o modelo de sistema de produção, entre outras especificidades da criação e da propriedade. A interação entre os especialistas dos dois centros de pesquisa da Embrapa vai contribuir para encontrar a melhor forma para ensinar a máquina nas avaliações.

Na fazenda Canchim, base física para os testes e captação de imagens, há vários modelos diferentes de produção, como animais nos sistemas integrados, em pastos extensivos, áreas intensivas e outras. De acordo com a pesquisadora da Embrapa, essa diversidade de condições vai ajudar a treinar a máquina. “O drone precisa de muita imagem com informações reais do que ocorre na fazenda. Tudo pode se transformar em obstáculo na hora da avaliação das imagens. Então, vamos ajudar como especialistas em produção animal”, explica Santos.

O desenvolvimento de soluções tecnológicas baseadas na aplicação de sistemas inteligentes e automatizadas às pastagens pode contribuir para moldar a pecuária do futuro, já que o processo de decisão nos sistemas de produção depende cada vez mais da análise e interpretação de dados e informações, de acordo com Patrícia. “A integração de informações sobre o clima, o solo, os animais e a pastagem cria oportunidades para o uso mais eficiente dos recursos naturais e dos fatores de produção”, afirma a pesquisadora.

Decisões sobre compra e venda de animais, uso de fertilizantes e de alimentação suplementar, além de outras práticas de manejo, podem ser orientadas a partir dessas informações, reduzindo o risco associado à atividade e aumentando a sustentabilidade dos sistemas de produção animal em pastagens. Com o avanço no campo da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), caracterizada pela conexão entre diversos dispositivos que coletam e transmitem dados de forma automática, abre-se a perspectiva para uma pecuária cada vez mais baseada em tecnologia digital.

Fonte: Embrapa Informática Agropecuária
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