Avicultura Aves, suínos e bovinos
Moduladores biológicos para inibição competitiva de patógenos no ambiente de criação
Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados.

O gênero Bacillus são bactérias Gram-positivas, produtoras de catalase e em forma de bastonete, onipresentes no solo, ar e água. Sua principal vantagem sobre outras espécies é sua capacidade inerente de formar esporos que retomam a viabilidade em condições favoráveis.
Os produtos à base de Bacillus possuem diversas aplicações de trabalho na indústria, com aplicações em quase todos os setores de produção de aves, suínos, bovinos, peixes, caprinos, etc. Como resultado, esses microrganismos estão ganhando mais interesse para uso como moduladores biológicos em processos de criação de animais, auxiliando na melhora do bem-estar animal e consequentemente melhora no desempenho zootécnico.
As bactérias do grupo Bacillus são historicamente conhecidas por sua capacidade de esporular, e os endósporos são notavelmente estáveis e resistentes a agressões externas, produzindo esporos que permanecem viáveis por um longo período. As espécies de Bacillus demonstraram possuir melhores propriedades atribuíveis à sua capacidade de produzir substâncias antimicrobianas que são efetivas contra muitos microrganismos e são não patogênicas e não tóxicas, juntamente com sua capacidade de esporulação (ou seja, que estender seu período de eficácia), dá-lhes uma vantagem dupla em termos de sobrevivência (tolerância ao calor e maior vida útil) em diversos ambientes.
Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados. A forma do esporo é extremamente importante para a sobrevivência das cepas e por causa de sua capacidade de produzir metabólitos os Bacillus possuem ação contra microrganismos patogênicos (Escherichia coli, Salmonella spp., Clostridium spp.). Os Bacillus apresentam atividade antimicrobiana de amplo espectro de ação e têm sido amplamente utilizados como agentes para controlar a multiplicação dessas bactérias patogênicas que estão naturalmente presentes no ambiente de criação dos animais.
Exclusão competitiva
Uma maneira de controlar a multiplicação de patógenos no ambiente de criação é a exclusão competitiva, que está relacionada à exclusão de patógenos indesejáveis por microrganismos que competem com os Bacillus no ambiente. Os mecanismos usados pelos Bacillus para reduzir o crescimento de espécies patogênicas variam, incluindo competição por locais físicos de fixação e espaço, competição direta e indireta por nutrientes essenciais, produção de compostos antimicrobianos, regulação do microbioma e interações sinérgicas dos mencionados mecanismos.
A produção de compostos antimicrobianos é outro mecanismo de exclusão competitiva. Os Bacillus spp. são capazes de produzir muitos peptídeos antimicrobianos como lipopeptídeos, surfactinas, bacteriocinas e substâncias inibidoras. Os mecanismos comuns de morte mediada por bacteriocina incluem a destruição de células patogênicas pela formação de poros e/ou inibição da síntese da parede celular e interrupção do DNA, RNA e metabolismo de proteínas.
Quando aplicados no ambiente, os Bacillus spp. têm a capacidade de afetar positivamente o crescimento dos microrganismos nativos, por meio do consumo de oxigênio, desenvolvendo um ambiente micro-anaeróbio mais favorável, apoiando assim o crescimento de espécies necessárias proporcionando melhoras de ambiência e consequentemente o bem-estar animal.
Outro mecanismo de exclusão competitiva é a absorção competitiva de nutrientes essenciais necessários para o crescimento do patógeno. A absorção mais rápida de nutrientes como carbono, glicose e ferro permite que ocorra inibição do crescimento do patógeno. Sendo Bacillus spp. um heterotrófico e fastidioso que têm uma maior taxa de utilização de carbono orgânico e proteína que lhes permite vencer os microrganismos patogênicos. Além disso, algumas dessas bactérias produzem ácido láctico, facilitando a exclusão de patógenos sensíveis ao pH.
Contudo, quanto menor o número de bactérias patogênicas presentes no ambiente, menor é a ativação do sistema imunológico, enquanto mantém a tolerância aos antígenos de alimentos e bactérias comensais, promovendo ganhos nos indicadores zootécnicos como conversão alimentar e diminuição da mortalidade detalhados na Figura 1.
Os principais efeitos benéficos dos Bacillus spp. na ambiência e bem-estar animal, os mesmos apresentam vantagens auxiliares em relação ao tratamento de resíduos desses estabelecimentos, pois a natureza intensiva da produção tem gerado preocupações ambientais, enquanto os produtores estão sob intensa pressão para cumprir os regulamentos já que os principais resíduos provenientes da indústria avícola são compostos por esterco, efluentes e emissões de amônia.
A exposição prolongada às concentrações de amônia pode levar a uma diminuição na eficiência alimentar, aumento da suscetibilidade a doenças, perda e danos desses animais. Além disso, também representa um risco para a saúde dos trabalhadores agrícolas, sendo os Bacillus uma solução eficaz e segura a esses locais.
Na mesma via, o aumento nos estudos sobre Bacillus spp. parece indicar maior prova da adequação desse gênero como modulador biológico na fase de criação de animais para produção de alimentos para obter o melhor desempenho e rentabilidade na produção animal de aves, bovinos e suínos conforme pode ser observado na Figura 1.
Figura 1 – Índice de conversão e mortalidade de aves e suínos com a utilização de moduladores biológico.


Avicultura
Queda no preço dos ovos reduz poder de compra de avicultores em abril
Mesmo com insumos mais baratos, recuo mais intenso nas cotações dos ovos pressionou a relação de troca, segundo o Cepea.

O poder de compra dos avicultores paulistas frente aos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja, recuou na parcial de abril (até o dia 22), após registrar avanço por dois meses consecutivos.
Segundo pesquisadores do Cepea, embora os preços dos insumos também tenham diminuído entre março e a parcial deste mês, a queda mais intensa dos ovos pressionou a relação de troca frente ao cereal e ao derivado da oleaginosa.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a combinação de oferta mais elevada e demanda retraída tem pressionado as cotações dos ovos nesta parcial de abril.
Neste contexto, consumidores seguem atentos ao avanço da colheita da safra verão, à melhora do clima para o desenvolvimento da segunda safra e à forte queda do dólar, negociando apenas de forma pontual, quando há necessidade de recomposição de estoques ou quando vendedores aceitam patamares menores.
Avicultura
Salmonella expõe limites de coordenação da cadeia avícola
Persistência da bactéria revela falhas de integração entre áreas e reacende debate sobre gestão centralizada do problema dentro das agroindústrias.

A avicultura brasileira construiu, ao longo das últimas décadas, um dos sistemas sanitários mais organizados entre os grandes produtores globais. Protocolos, monitoramentos e rotinas estão bem estabelecidos em praticamente todas as etapas. Ainda assim, um dado insiste em permanecer: a Salmonella segue presente. Não por ausência de controle, mas, cada vez mais, por limites na forma como esse controle se articula ao longo da cadeia.
Foi nesse ponto que o médico-veterinário Marcos Dai Pra concentrou sua análise durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR). Ao reunir dados de campo acumulados ao longo de anos dentro da agroindústria, ele trouxe uma leitura direta: o problema não está concentrado em um elo específico, mas está distribuído.

Médico-veterinário Marcos Dai Pra durante o Seminário Facta sobre Salmonelas – Foto: Giuliano De Luca/OP Rural
“Qual é a origem da Salmonella que aparece no frango de corte? A gente tem transmissão vertical, transmissão horizontal, mas a grande dificuldade está justamente em entender essa relação”, afirmou. Embora a transmissão vertical ainda exista, Dai Pra destacou que a maior pressão sanitária hoje vem da transmissão horizontal, que ocorre dentro da própria granja e no ambiente ao redor. “É contaminação lá na granja, que é o grande problema”, disse.
Segundo ele, o desafio não está apenas dentro dos galpões. Tudo o que circunda a produção interfere diretamente nos índices sanitários. “Tudo que está no entorno da granja acaba influenciando nos índices de Salmonella”, pontuou, citando presença de outros animais, lavouras e estruturas próximas como fatores de risco. De acordo com o palestrante, essa característica difusa da contaminação dificulta a rastreabilidade precisa das origens e reforça a necessidade de abordagem sistêmica.
Controle existe, mas dados ainda são fragmentados
Um dos pontos mais críticos levantados na palestra foi a fragmentação das informações ao longo da cadeia produtiva. Cada área, como fábrica de ração, granja, transporte e abatedouro, realiza seus próprios monitoramentos. No entanto, essas informações nem sempre convergem de forma estruturada. “Com esse conjunto de informação, a gente consegue trabalhar muito bem o programa de controle”, afirmou, ao apresentar resultados internos. Ainda assim, a fala revela um ponto implícito: os dados existem, mas nem sempre estão conectados.
Para ele, essa desconexão limita a eficiência das ações e ajuda a explicar por que a Salmonella persiste mesmo em sistemas altamente tecnificados.
Biosseguridade vai além do galpão
Dai Pra detalhou a estrutura operacional das granjas em três níveis: interior do aviário, zona de segurança (dentro do cercado) e área externa. Todos, sem exceção, influenciam os resultados sanitários. “Tudo isso tem uma grande interferência”, ressaltou.
Ele reforçou que medidas básicas continuam sendo decisivas: controle de acesso, troca de calçados, barreiras sanitárias e manutenção de áreas limpas, sem abrigo para pragas. “Tem que ter uma barreira sanitária, tem que ter uma cerca, não pode passar nada direto de fora para dentro”, destacou.
Intervalo sanitário curto aumenta risco
Entre os pontos mais sensíveis da palestra está o intervalo sanitário — período entre a saída de um lote e a entrada do próximo. “Na minha opinião, o desejável seria 18 dias”, afirmou. Na prática, no entanto, esse tempo raramente é alcançado. O próprio palestrante reconheceu a limitação estrutural do setor. “Nas condições de hoje é praticamente impossível conseguir 18 dias.”
Ele alertou que trabalhar com menos de 12 dias já compromete o controle adequado e que ciclos ainda mais curtos elevam significativamente o risco sanitário. “Com oito dias é crítico. Não tem como fazer um controle adequado.”
Cama, ambiência e manejo
Outro eixo importante da apresentação foi o papel da cama e da ambiência dentro do aviário. O frango passa praticamente toda sua vida em contato direto com esse ambiente, o que transforma a qualidade da cama em um fator central. “Se a cama tem boa qualidade, o frango vai ter boa qualidade. E o contrário também é verdadeiro”, explicou. Ventilação, umidade e execução dos procedimentos completam esse conjunto de fatores que impactam diretamente o status sanitário.
Cascudinho e roedores
Entre os vetores, o cascudinho aparece como um dos principais desafios. Dados apresentados por Dai Pra indicam alta taxa de positividade para Salmonella nesse inseto. “O cascudinho, disparadamente, é o elemento que tem mais problema”, afirmou.
O controle de pragas, segundo ele, precisa seguir etapas bem definidas – da inspeção à avaliação – e não pode ser tratado como ação isolada.
Mudança de prática reduziu índices
Um dos pontos mais relevantes da palestra foi a revisão de um procedimento tradicional: o uso de água no intervalo sanitário. “A gente só conseguiu reduzir os índices de Salmonella quando abandonou o uso de água no intervalo sanitário”, afirmou. A mudança, segundo ele, não foi simples dentro da agroindústria, mas trouxe resultados consistentes.
Dia zero
Dai Pra também apresentou o conceito de “dia zero” – etapa inicial do processo, quando o aviário é fechado, baseada em diagnóstico, definição de ações e avaliação de resultados. “É diagnóstico, ação e resultado”, resumiu. O uso de mapeamentos epidemiológicos permite identificar pontos críticos dentro da granja e direcionar intervenções com maior precisão.
Problema exige coordenação
Ao longo da palestra, ficou evidente que o controle da Salmonella já é tecnicamente conhecido. O que está em jogo agora é a capacidade de coordenar essas ações dentro de um sistema complexo. A dispersão do problema entre ambiente, manejo, nutrição, pragas e logística indica que soluções isoladas tendem a perder eficiência.
Por isso, ganha força dentro do setor a discussão sobre a necessidade de uma gestão mais integrada, capaz de conectar dados e decisões ao longo de toda a cadeia produtiva. Mais do que novos protocolos, na opinião de Dai Pra, o desafio passa a ser articulação.
Avicultura
Vigilância e biosseguridade definem a linha de defesa contra a Influenza aviária, aponta FAO
Documento técnico detalha como monitoramento contínuo, resposta rápida e integração entre saúde animal e humana reduzem o risco de disseminação do vírus nas granjas.

A Influenza aviária segue como uma das principais ameaças sanitárias à avicultura mundial, com potencial de provocar mortalidade elevada nos plantéis, embargos comerciais e impactos diretos na renda dos produtores. Em documento técnico recente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura sistematiza recomendações práticas para vigilância, prevenção e controle da doença, com foco na detecção precoce e na contenção rápida de focos.

A base da estratégia, segundo a entidade, está na vigilância contínua. Isso inclui monitoramento ativo em granjas comerciais, criações de subsistência e mercados de aves vivas, além da observação de aves silvestres, especialmente migratórias, que podem atuar como reservatórios do vírus. A eficácia desse sistema depende de notificação imediata de sinais clínicos suspeitos e de capacidade laboratorial para diagnóstico rápido e confiável.
A biosseguridade aparece como o principal filtro para impedir a entrada do vírus nas propriedades. O controle rigoroso de acesso de pessoas, veículos e equipamentos, a separação física entre aves domésticas e silvestres, a desinfecção sistemática de instalações e o manejo correto de resíduos e carcaças são medidas consideradas críticas. A origem da água e da ração também é citada como ponto sensível.
Quando há suspeita ou confirmação da doença, a orientação é agir sem atraso: isolamento imediato da propriedade, abate sanitário das aves infectadas e expostas, desinfecção completa das instalações e restrição de movimentação na área afetada. A comunicação rápida entre produtores e autoridades sanitárias é tratada como componente operacional do controle.
A vacinação é descrita como ferramenta complementar, aplicável conforme o cenário epidemiológico local. A decisão de utilizá-la deve considerar a circulação do vírus, a capacidade de monitorar a eficácia da imunização e os possíveis efeitos sobre o comércio internacional.
O documento também reforça a dimensão transfronteiriça da Influenza aviária. O compartilhamento de dados epidemiológicos e laboratoriais entre países é apontado como condição para respostas regionais mais eficazes. Algumas cepas do vírus podem infectar humanos, o que exige integração entre saúde animal e saúde pública dentro do conceito de Uma Só Saúde.
Para a FAO, sistemas de vigilância bem estruturados, protocolos rígidos de biosseguridade e coordenação entre os diferentes níveis do serviço veterinário oficial são os elementos que determinam a capacidade de um país em reduzir riscos sanitários, econômicos e de saúde pública associados à Influenza aviária.



