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Ministro uruguaio visita Embrapa Pecuária Sul após acordo histórico de cooperação
Encontro em Bagé reforça a criação da primeira Unidade Mista de Pesquisa e Inovação entre Brasil e Uruguai e abre agenda conjunta em temas como bioma Pampa, sanidade e capim-annoni.

O Ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Alfredo Fratti, visitou, na sexta-feira (05), a sede da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé. O ministro foi recebido pelo chefe-geral da Unidade, Fernando Cardoso, pelo chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento, Marcos Borba, pela chefe-adjunta de Administração, Estefanía Damboriarena, e pelos pesquisadores Daniel Montardo e Elen Nalério. Acompanhou o ministro, o presidente da Comissão Binacional Uruguai-Brasil para o Desenvolvimento da Bacia da Lagoa Mirim, Paulo Beck. O ministro estava cumprindo agenda em Bagé para participação no primeiro Seminário Binacional de Olivicultura do bioma Pampa.
A equipe da Embrapa Pecuária Sul apresentou a Unidade, os principais focos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, a estrutura administrativa e física. Os representantes uruguaios também conheceram a Central Analítica de Laboratórios da Unidade e as Provas de Desempenho desenvolvidas, como a Prova de Eficiência Alimentar e a Prova de Emissão de Gases, que selecionam reprodutores bovinos mais eficientes na conversão do alimento em peso e que, ao mesmo tempo, emitam menos metano.
A visita acontece um dia após os governos brasileiro e uruguaio, através da Embrapa no Brasil e Inia (Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria) no Uruguai, assim como os Ministérios de Agricultura e Pecuária dos dois países, terem firmado acordo para estabelecimento da primeira Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (UMIPI) internacional da Embrapa. A ação inaugura uma nova etapa de integração institucional, voltada à produção de pesquisas de interesse conjunto e à articulação de fontes de financiamento para programas bilaterais.
A formalização da parceria aconteceu durante a 79ª Reunião da Comissão Diretiva do Programa Cooperativo para o Desenvolvimento Tecnológico dos Setores Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul (Procisur), realizada em Punta del Este, Uruguai.
Embrapa Pecuária Sul (Bagé) e Embrapa Clima Temperado (Pelotas) são as representantes da Embrapa na parceria.
Um dos assuntos que tomou tempo das discussões durante a visita do ministro foi o capim-annoni, problema comum entre os dois países e que pode ser um dos temas de pesquisa conjunta através da Umipi. Outro assunto foi a potencialização dos mercados de carne ovina e bovina, entre outros diversos temas que tem proximidade entre os países, como o bioma Pampa, sanidade animal, cultivares forrageiras e contribuições das instituições para políticas públicas.
Conforme Fratti, a parceria estabelecida é fundamental para que a pesquisa agropecuária dos dois países se aproxime para a geração de resultados concretos, visando à melhoria da produção agropecuária. “Há tempo que sonhava que podíamos estabelecer este tipo de parceria. Esse é o caminho. Temos problemas muito similares e podemos encontrar soluções conjuntas”, destacou.
Ao comentar sobre os principais avanços esperados com a parceria, Fernando Cardoso, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, destacou o papel estratégico que a cooperação vai cumprir para o avanço da pesquisa em diversas áreas. “Da nossa parte, acho que ser protagonista no estabelecimento de um laço estratégico e posicionar o intercâmbio de pesquisa e inovação — principalmente relacionado à produção de alimentos no bioma Pampa, à vocação para a pecuária de corte, à carne de qualidade e também a outros temas de futuro, como a avaliação da sustentabilidade dos sistemas de produção, os indicadores de sustentabilidade e o uso de bioinsumos e da genética para a sanidade dos animais — são os grandes ganhos que vejo para a Embrapa Pecuária Sul nessa parceria”, destacou.
Segundo Marcos Borba, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pecuária Sul, a visita do ministro Alfredo Fratti reforçou o compromisso da parceria estabelecida entre as instituições brasileiras e uruguaias, assim como serviu para dar início à discussão de temas que podem ser trabalhados conjuntamente. “Tivemos a oportunidade de mostrar a unidade e identificar um conjunto extremamente relevante de assuntos, de temas, que são desafios e oportunidades comuns a ambos os países, a ambas as instituições”, pontuou. “Nos vincularmos institucionalmente ao Inia e ao Ministério da Agricultura uruguaio fortalece a importância da pesquisa neste ambiente subtropical em que estamos trabalhando”, finalizou a chefe-adjunta de Administração, Estefanía Damboriarena.

Notícias São Paulo
Campanha de vacinação contra Brucelose no primeiro semestre acaba na próxima terça-feira, 30 de junho
Por se tratar de uma vacina viva, passível de infecção para quem a manipula, a vacinação deve ser feita por um médico-veterinário cadastrado que, além de garantir a correta aplicação do imunizante, fornece o atestado de vacinação ao produtor.

A Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) informa que a Campanha de vacinação contra a Brucelose no primeiro semestre acaba na próxima terça, dia 30 de junho. A campanha subsequente referente ao segundo semestre de 2026 tem início na quarta-feira, dia 1º de julho com prazo para imunização das bezerras bovinas e bubalinas de três a oito meses de idade até 31 de dezembro.
Por se tratar de uma vacina viva, passível de infecção para quem a manipula, a vacinação deve ser feita por um médico-veterinário cadastrado que, além de garantir a correta aplicação do imunizante, fornece o atestado de vacinação ao produtor.
A relação dos médicos-veterinários cadastrados na Defesa Agropecuária para realizar a vacinação em diversos municípios do Estado de São Paulo está disponível em Link.
A declaração de vacinação deve ser feita pelo médico-veterinário responsável pela imunização, que, ao cadastrar o atestado de vacinação no sistema informatizado de gestão de defesa animal e vegetal (GEDAVE) em um prazo máximo de quatro dias a contar da data da vacinação e dentro do período correspondente à campanha, validará a imunização dos animais.
A exceção acontecerá quando houver casos de divergências entre o número de animais vacinados e o saldo do rebanho declarado pelo produtor no sistema GEDAVE.
Em caso de incongruências, o médico-veterinário e o produtor serão notificados das pendências por meio de mensagem eletrônica, enviada ao e-mail cadastrado junto ao GEDAVE. Neste caso, o proprietário deverá regularizar a pendência para a efetivação da declaração.
O modelo alternativo de identificação – o primeiro do país aprovado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) – de vacinação contra a Brucelose trata-se de uma alternativa não obrigatória à marcação a fogo que além do bem-estar animal, estimula a produtividade e a qualidade do manejo, além de aumentar a segurança do produtor e do veterinário responsável pela aplicação do imunizante.
É estabelecido o botton amarelo para a identificação dos animais vacinados com a vacina B19 e o botton azul passa a identificar as fêmeas vacinadas com a vacina RB 51. Anteriormente, a identificação era feita com marcação à fogo indicando o algarismo do ano corrente ou a marca em “V”, a depender da vacina utilizada.
Para o caso de perda, dano ou qualquer alteração que prejudique a identificação, deverá ser solicitada nova aplicação que deverá ser feita ao médico-veterinário responsável pela aplicação ou ainda, para a Defesa Agropecuária.
Havendo a impossibilidade da aquisição do botton, o animal deverá ser identificado conforme as normativas vigentes do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).
A Defesa Agropecuária informa ainda que o uso do botton só é válido dentro do Estado de São Paulo, não sendo permitido o trânsito de animais identificados de forma alternativa para demais estados da federação.
Notícias Rio Grande do Sul
Febrac reforça prazo para declaração anual de rebanho no Rio Grande do Sul
Atualização deve ser feita por produtores rurais até 30 de junho e abastece a base de dados da defesa sanitária animal

Produtores rurais do Rio Grande do Sul têm até 30 de junho para realizar a Declaração Anual de Rebanho 2026. A Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) reforça a orientação a criadores, pecuaristas e associados para que façam a atualização dentro do prazo estabelecido.
De acordo com o vice-presidente técnico da Febrac, José Arthur Martins, a campanha busca chamar a atenção para a qualidade dos registros sobre rebanhos e propriedades rurais. “Essas informações são extremamente necessárias. A Febrac conclama todos os produtores rurais para que não deixem de realizar essa declaração, pois ela permite conhecer melhor a infraestrutura, os controles sanitários e os saldos dos rebanhos existentes nas propriedades do Rio Grande do Sul”, destaca.
Segundo Martins, a atualização da base de dados ajuda o sistema de defesa agropecuária a organizar respostas em caso de ocorrências sanitárias. Para o dirigente, a precisão dos registros interfere diretamente na capacidade de atuação diante de situações que possam afetar a pecuária gaúcha. “A informação é essencial para que o sistema de defesa sanitária tenha condições de responder de forma mais rápida e objetiva em caso de algum incidente sanitário que possa atingir os rebanhos do Estado”, afirma.
O dirigente compara a Declaração Anual de Rebanho à declaração do Imposto de Renda, pelo caráter periódico e pela necessidade de atualização dos dados. “A declaração de rebanho pode ser considerada como um imposto de renda que o produtor rural deve fazer todos os anos. Esses dados são extremamente importantes para que o sistema de defesa agropecuária tenha informações precisas sobre as características dos rebanhos em cada localidade e possa agir de maneira imediata diante de qualquer ocorrência sanitária”, explica.
A declaração pode ser realizada pela internet, no Produtor Online, do Sistema de Defesa Agropecuária, disponível no portal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul. O atendimento presencial também ocorre nas Inspetorias e Escritórios de Defesa Agropecuária dos municípios.
Martins afirma que a orientação da Febrac é para que os produtores não deixem a entrega para o fim do prazo. “O prazo final para entrega da Declaração Anual de Rebanho é 30 de junho de 2026. É importante que todos os produtores cumpram essa obrigação dentro do período estabelecido”, conclui.
Notícias
Conheça as tecnologias brasileiras que podem transformar a agricultura tropical
De importador de conhecimento agrícola, Brasil passou a desenvolver soluções adaptadas aos trópicos que hoje podem ser replicadas na África, Ásia e América Latina.

A agricultura brasileira viveu uma transformação histórica nas últimas décadas. Se antes dependia de tecnologias desenvolvidas para ambientes temperados, hoje se tornou uma das principais referências mundiais em ciência aplicada aos trópicos.

Engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto: “O Brasil lidera hoje a adoção em larga escala de biodefensivos e biofertilizantes. Utilizamos a própria biodiversidade tropical para o controle natural de pragas e para a fixação biológica de nitrogênio” – Foto: Divulgação
Para o engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto, o país deixou de importar pacotes tecnológicos incompatíveis com sua realidade para construir soluções próprias, capazes de serem replicadas em outras regiões do planeta. “Como engenheiro agrônomo, compreendi que o avanço da nossa agricultura dependeria de uma forte base em ciência”, afirma.
Segundo ele, a principal contribuição brasileira para outros países tropicais está nas chamadas tecnologias “poupa-terra”, que permitem aumentar a produção preservando recursos naturais.
Uma das maiores conquistas do Brasil foi adaptar culturas originalmente desenvolvidas para regiões temperadas. O desenvolvimento de variedades de soja adaptadas às baixas latitudes é considerado um marco da ciência brasileira e pode beneficiar países africanos com condições edafoclimáticas semelhantes às do Cerrado.

Foto: Roberto Dziura Jr
Outro avanço importante está no Manejo Integrado de Pragas (MIP), desenvolvido para enfrentar a intensa pressão biológica existente nos trópicos. “Criamos protocolos específicos para otimizar a eficiência dos defensivos de forma mais racional, reduzindo custos e impactos”, explica.
Vitrine atual da agricultura brasileira
Na avaliação de Durval, a maior vitrine atual da agricultura brasileira é a expansão dos bioinsumos. “O Brasil lidera hoje a adoção em larga escala de biodefensivos e biofertilizantes. Utilizamos a própria biodiversidade tropical para o controle natural de pragas e para a fixação biológica de nitrogênio”, ressalta.
O pesquisador também destaca o melhoramento genético do Nelore, do café, do feijão e da cana-de-açúcar, além da introdução de gramíneas africanas que revolucionaram a pecuária nacional.
Segundo ele, esses avanços permitiram ao Brasil construir o maior e mais eficiente sistema de produção de proteína animal a pasto do mundo.
Para Durval, a ciência tropical desenvolvida no país será cada vez mais importante diante do crescimento da demanda mundial por alimentos e da necessidade de produzir mais com menor impacto ambiental.



