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Ministra Tereza Cristina e Roberto Rodrigues abrem nova turma da Academia de Liderança para Mulheres do Agronegócio
Aula inaugural mostrou que o agro brasileiro tem o potencial de crescer ainda mais em produção e exportação de forma sustentável devido à tecnologia, disponibilidade de terra, profissionais qualificados e mercado internacional favorável

Uma iniciativa da Corteva Agriscience em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC) e Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a Academia de Liderança para Mulheres do Agronegócio (ALMA 21) realizou sua aula magna nesta semana (12 de abril, segunda-feira), com a participação especial da Ministra da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina, e com a aula inaugural ministrada pelo ex-Ministro Roberto Rodrigues, coordenador do Coordenador do FGVAgro.
“Temos muitas mulheres fazendo a diferença em vários setores e, claro, no agronegócio. A mulher quando tem um desafio, não desiste, vai em frente até o final”, disse a Ministra Tereza Cristina, que contou rapidamente sua trajetória de liderança no agro nacional, congratulou as 172 participantes da ALMA 21 e afirmou que a missão do Brasil é alimentar boa parte do mundo e por isso a necessidade de continuar produzindo e, ao mesmo tempo, conservando o meio ambiente. “Conservar e produzir têm que caminhar juntos e o conhecimento é fundamental para caminhar nesse sentido”, complementou.
Em sua aula, Rodrigues trouxe dados sobre o agronegócio nacional e os desafios que o setor terá no Século XXI, incluindo o uso cada vez maior de tecnologia para compatibilizar a oferta de alimentos de qualidade à crescente população global e com a preservação de recursos naturais e as questões de segurança alimentar e sustentabilidade.
Ele comentou ainda sobre um estudo trazido pela USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que projetou em 2017, que o mundo deverá aumentar a produção de alimentos em 20% para atender o crescimento da demanda em 10 anos (2026/2027). Com isso, o Brasil será o país que deverá ter o maior crescimento, com 41%, enquanto o resto do mundo crescerá a metade. “Nós temos condições para isso porque a tecnologia avança, temos terra disponível, profissionais cada vez mais competentes e um mercado internacional favorável”, explicou.
Mas, ele questionou se o Brasil poderá atingir essa meta. E sua resposta: vai depender da estratégia. Para ele, a ideal seria ter uma estratégia integral, que reunisse os seguintes fatores: melhoria logística, aprovação de reformas, tecnologia, sustentabilidade, organização rural, legislações, uma política de renda baseada em um quadrilátero (seguro rural, tecnologia, crédito e preço mínimo de garantia), uma política internacional, que contribua com novos acordos bilaterais e o novo agronegócio, baseado na integração da área rural com a urbana, novos sistemas integrados de produção e comercialização, trazendo mais eficiência e qualidade, novas oportunidades de emprego e o consumidor no centro das decisões.
“Ficou claro o que o mundo espera do Brasil, que cresçamos mais do que o mundo. Podemos fazer isso com uma estratégia. Podemos ser o campeão mundial da segurança alimentar e, também, da paz, como a ONU mesmo descobriu que não há paz onde houver fome”, ressaltou o coordenador da FGVAgro.
Na abertura da aula magna da Academia de Liderança para Mulheres do Agronegocio, Marcello Brito, presidente do Conselho Diretor da ABAG, comentou sobre o baixo percentual ainda de mulheres que trabalham dentro da porteira (15%) e de jovens com menos de 34 anos (9,4%) e a necessidade de aprimorar a governança para que mulheres e jovens venham participar mais ativamente do setor.
Já Roberto Hun, presidente da Corteva Agriscience no Brasil, destacou a importância do engajamento de mais de sete mil mulheres na iniciativa e o objetivo do programa, que é incentivar o protagonismo das mulheres no agro brasileiro, reconhecendo seus esforços e contribuição no setor.
Por fim, Viviane Barreto, diretora internacional da Fundação Dom Cabral, afirmou que a iniciativa é uma jornada que fará diferença; um lugar para aprofundar conteúdo e conexões, de reflexão e muita ação e prática, a fim de as participantes fazerem a diferença em sua vida pessoal, para a propriedade rural, para a comunidade e para as pessoas que estão ao seu entorno.
As aulas da Academia de Liderança para Mulheres do Agronegócio seguirão até o mês de novembro, com assuntos que englobarão sucessão familiar, comunicação, agricultura digital, economia, recursos humanos, entre outros.

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Quando a enchente vira fertilizante: a lição do Rio Maipo para a agricultura
Produtores chilenos aguardam o fenômeno natural que deposita sedimentos vulcânicos nas lavouras e melhora características do solo.

Em minha viagem ao Chile, descobri um fenômeno que me fez refletir.
Durante a visita à propriedade familiar Ballek, localizada em Isla de Maipo, fiquei sabendo que a cada sete anos, mais ou menos, o Rio Maipo enche, transborda e chega até as lavouras.

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O fluxo leva sedimentos de rochas vulcânicas que tiveram origem nos Andes, como andesito, basalto e dacito, até a plantação.
Lá, eles atuam como remineralizadores, ajudando a melhorar a fertilidade do solo, a reter água e a impulsionar a atividade biológica.
Trata-se, portanto, de um acontecimento esperado e celebrado, talvez em proporção similar à chegada do Cometa Halley.
Percebi isso quando um profissional da propriedade Ballek disse, com um sorriso no rosto: “Deve acontecer novamente em breve. A última inundação foi há seis anos”.
Esse contexto, é claro, me trouxe algumas perspectivas novas.

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A primeira é a de que precisamos estar totalmente conectados ao ambiente, atuando em sinergia. Muitas vezes, buscamos soluções novas, mas a melhor alternativa está logo ali, no transbordo do rio.
O Rio Maipo também ensina paciência e estratégia. O fenômeno não ocorre todos os anos e também não tem data certa. É um movimento da natureza, que precisa ser aguardado e observado.
O fenômeno também reforça que é possível transformar um caos aparente em valor. Mas, para isso, é preciso conhecimento. Não é à toa que o profissional da propriedade Ballek estava em contagem regressiva.
O conhecimento nos ajuda a ir além e a nos destacarmos em um mundo competitivo e repleto de adversidades.
Transforme, então, as adversidades em oportunidades, assim como os agricultores do Chile.
Notícias
Brasil proíbe produção e venda de foie gras
Medida proíbe produção, importação, exportação e comercialização de alimentos obtidos por gavage, prática usada na fabricação da iguaria.

O Brasil passou a proibir a produção, importação, exportação e comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, prática conhecida como gavage e utilizada principalmente na produção de foie gras. A medida foi estabelecida pelo Projeto de Lei 90/2020, sancionado pelo governo federal, e coloca o país como o segundo do mundo a adotar uma proibição completa da cadeia do produto, depois da Índia.

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A nova legislação também representa o primeiro marco federal sobre o tema na América Latina e no hemisfério ocidental. Até então, as restrições existentes no Brasil dependiam de iniciativas locais ou de decisões administrativas e judiciais.
A trajetória da regulamentação começou antes da aprovação da lei federal. Em 2015, o município de São Paulo aprovou uma norma que proibia a comercialização do foie gras na cidade. A medida, porém, foi derrubada pela Justiça no ano seguinte, sob o entendimento de que a regulamentação sobre produção e comércio de alimentos deveria ser tratada pela União.
Produção do foie gras envolve aumento induzido do fígado
O foie gras é produzido a partir do fígado de patos e gansos submetidos a um processo de alimentação forçada com o objetivo de provocar esteatose hepática, condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no órgão.
Durante o processo, os animais recebem alimento por meio de um tubo inserido diretamente no esôfago, em um procedimento realizado geralmente duas vezes ao dia durante o período de engorda. A prática busca ampliar o tamanho do fígado, que pode chegar a até dez vezes o volume natural.
Organizações de proteção animal classificam o método como incompatível com padrões de bem-estar animal devido

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às alterações fisiológicas provocadas e ao manejo utilizado para induzir a condição.
Produto era restrito ao mercado de luxo no Brasil
Apesar da notoriedade internacional, o foie gras nunca teve participação expressiva na cadeia de alimentos brasileira. O produto era direcionado principalmente ao mercado de luxo, com preços que podiam alcançar cerca de R$ 5 mil por quilo.
A produção nacional também era limitada. Por anos, apenas duas fazendas mantiveram criação de animais destinada à fabricação da iguaria no país. Atualmente, essas propriedades estão embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A restrição brasileira acompanha medidas adotadas por outros países que proibiram ou limitaram a prática. Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Argentina e Austrália estão entre as nações que já estabeleceram regras contra a produção de foie gras. No entanto, antes da decisão brasileira, apenas a Índia havia proibido simultaneamente a fabricação e a venda do produto.
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O que a Copa do Mundo ensina sobre trabalho coletivo e cooperativismo
Além dos títulos e das grandes jogadas, o futebol revela princípios como confiança, disciplina e união de esforços que também sustentam o modelo cooperativista.

O encerramento de mais uma Copa do Mundo de Futebol oferece muito mais do que recordações de grandes partidas, gols memoráveis e emoções compartilhadas por bilhões de pessoas. O maior espetáculo esportivo do planeta também convida à reflexão sobre os valores que sustentam as grandes conquistas coletivas. Entre eles, destacam-se princípios que dialogam diretamente com a essência do cooperativismo.

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O futebol jamais foi apenas um jogo de talentos individuais. Ainda que um atleta possa decidir uma partida com um lance extraordinário, nenhuma seleção alcança um título mundial sem organização, disciplina, estratégia, confiança mútua e absoluta convergência de esforços. A vitória pertence ao conjunto. É justamente nessa lógica que reside uma das maiores aproximações entre o esporte e o modelo cooperativista.
Toda equipe vencedora é construída sobre fundamentos sólidos: respeito às regras, treinamento constante, perseverança diante das adversidades, responsabilidade compartilhada e compromisso com objetivos comuns. Não há espaço para vaidades que se sobreponham ao interesse coletivo. Cada jogador compreende que seu desempenho somente alcança plenitude quando colocado a serviço da equipe. No cooperativismo, essa mesma compreensão orienta diariamente milhões de pessoas que unem capacidades, recursos e experiências para gerar prosperidade comum.

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Outro ensinamento precioso oferecido pelo esporte está na maneira de compreender a competição. O adversário não representa um inimigo a ser eliminado, mas um competidor legítimo, cuja existência qualifica o próprio desafio. O respeito entre adversários fortalece o esporte, assim como a convivência ética fortalece a economia e a sociedade. Competir com integridade, reconhecer méritos, aceitar resultados e buscar constante aperfeiçoamento constituem atitudes que também definem a identidade cooperativista.
O esporte igualmente demonstra que nenhuma conquista duradoura floresce onde prevalecem a violência, a fraude ou a corrupção. A credibilidade das competições depende da observância rigorosa das regras e da conduta ética de seus protagonistas. Da mesma forma, o cooperativismo construiu sua história sobre princípios de transparência, responsabilidade, democracia e confiança, valores indispensáveis para relações econômicas saudáveis e sustentáveis.
Entretanto, talvez a maior oportunidade proporcionada pelo futebol ultrapasse as quatro linhas. Poucos fenômenos

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possuem tamanho alcance cultural e capacidade de mobilização. Milhões de crianças e jovens encontram nos atletas referências para seus próprios sonhos, comportamentos e escolhas. Trata-se de uma influência que transcende o esporte e alcança a formação do caráter.
Por essa razão, jogadores, treinadores e dirigentes carregam consigo uma responsabilidade que acompanha a notoriedade conquistada. A força de seus exemplos pode estimular o gosto pelo estudo, pelo trabalho digno, pelo voluntariado, pela cidadania, pelo respeito às mulheres, pela proteção das crianças e pela valorização dos idosos. Pode inspirar atitudes de solidariedade, respeito às diferenças e convivência pacífica.
Infelizmente, o extraordinário volume de recursos financeiros que envolve o futebol profissional também expõe, em determinadas ocasiões, episódios incompatíveis com a grandeza do esporte. Condutas inadequadas dentro e fora dos

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gramados acabam repercutindo intensamente justamente porque seus protagonistas ocupam posição de destaque perante a sociedade. Quanto maior a admiração despertada, maior também é a responsabilidade pelos exemplos oferecidos.
O cooperativismo acredita que a verdadeira liderança não se mede apenas pelo êxito alcançado, mas principalmente pela capacidade de inspirar pessoas e transformar realidades. O mesmo vale para os grandes ídolos do esporte. Os títulos conquistados permanecem na história; os valores transmitidos moldam gerações.
A Copa termina, os campeões levantam suas taças e as arquibancadas silenciam. Permanecem, porém, as lições que ultrapassam o resultado de uma partida. Entre elas, talvez a mais importante seja a certeza de que as maiores vitórias sempre pertencem àqueles que compreendem que ninguém vence sozinho. Essa convicção constitui a essência do futebol em sua melhor expressão e, há mais de um século, representa também a razão de existir do cooperativismo.




