Notícias Viagem à Ásia
Ministra apresenta a japoneses áreas do agronegócio com potencial de investimento
Tereza Cristina reuniu-se com representantes de Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) e federação das indústrias do país (Keidanren)

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) iniciou ontem, a agenda de compromissos no Japão. O primeiro foi uma reunião com o vice-presidente da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), Kazuhiko Koshikawa, e demais membros da organização.
Na reunião, a ministra, acompanhada do embaixador do Brasil no Japão, Eduardo Saboia, apresentou dados da produção agrícola e áreas com potencial de investimento externo.
Tereza Cristina ressaltou que a Jica é uma “parceira de longa data” do Brasil, citando o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), que tem mais de 40 anos de criação. Na avaliação da ministra, uma das áreas com possibilidade de atuação conjunta é a região de Matopiba (que compreende o bioma Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e responde por grande parte da produção brasileira de grãos e fibras).
“Viemos reavivar essas relações de cooperação, amizade e parceria tecnológica com essa instituição que tanto já ajudou o Brasil e queremos que continue sendo nosso parceiro principal aqui no Japão”, disse a ministra.
O vice-presidente da Jica saudou a melhora no ambiente de negócios no Brasil e relembrou parcerias com o país das décadas de 1970 e 1980, como exploração de minérios em Carajás (PA) e o complexo Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), instalado em Minas Gerais. Koshikawa demonstrou interesse em repetir grandes empreendimentos como esses no Brasil.
A Jica comprometeu-se em ajudar o Brasil a atrair investimentos japoneses para infraestrutura de transporte (ferrovias, rodovias e aeroportos) dos produtos agropecuários.
Indústrias do Japão
Depois, a delegação brasileira reuniu-se com a Federação das Indústrias do Japão (Keidanren).
Aos empresários japoneses, a ministra Tereza Cristina apresentou os setores do agronegócio brasileiro com interesse em investimentos externos.
“Há oportunidades ao longo de todas as cadeias produtivas do agronegócio: insumos, maquinários, produção, processamento, estocagem, distribuição e transporte. O aumento contínuo da produtividade no campo será realizado via implementação de processos inovadores de produção. As principais áreas de inovação que o Brasil busca investimentos externos são: conectividade nas áreas rurais, isso é importantíssimo, agricultura de precisão, rastreabilidade, mecanização agrícola de última geração e automatização”, disse.
A ministra destacou ainda que além de “uma potência agrícola, o Brasil é também uma potência ambiental”. Tereza Cristina citou que 66% do território nacional são cobertos de vegetação nativa e que o Código Florestal determina ao agricultor conservar de 20% a 80% da vegetação nativa, dependendo do bioma. Outra medida destacada pela ministra é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iPLF), que faz parte do Programa Agricultura de Baixo Carbono. Em 2016, conforme a ministra, cerca de 12,6 milhões de hectares já adotavam a prática de iPLF.
“O Brasil se soma à comunidade internacional na sua preocupação com os efeitos da mudança do clima na agricultura e na segurança alimentar”, disse.
Tereza Cristina ressaltou ainda, aos representantes da Jica e da Keidanren, as medidas adotadas pelo governo federal para melhoria do ambiente de negócios no país, entre elas a reforma da Previdência e a Medida Provisória da Liberdade Econômica, a reforma tributária, desburocratização e simplificação de processos. “Essas medidas devem tornar o Brasil um destino ainda mais atraente para investidores externos”, afirmou.
O embaixador Eduardo Saboia destacou que mais da metade das importações de carne de frango do Japão são provenientes do Brasil, o que atesta a qualidade dos produtos, já que o mercado japonês é considerado um dos mais exigentes do mundo. “Dobrar a qualidade e segurança da produção, melhorar o ambiente de negócios para investidores nacionais e estrangeiros. Em menos de seis meses de atuação, o ministério teve resultados importantes em áreas como agricultura familiar, pesca e ampliação de zonas livres de febre aftosa sem vacinação”.
Os empresários fizeram várias perguntas sobre conjuntura brasileira e oportunidades de negócios no país. O diretor da Keidanren, Takao Omae, ressaltou que o Brasil tem demonstrado interesse em se tornar mais competitivo na exportação de grãos e que, para isso, pretende melhorar o escoamento da produção via portos. Para Omae, um ponto de interesse entre os países é aumentar a participação dos portos da Região Norte no escoamento da produção nacional, citando que 80% da produção saem do Brasil pelos portos da Região Sul.
A ministra convidou os empresários a visitarem o interior do Brasil e também conhecerem áreas em que possam investir. De acordo com ela, 46 projetos estão em andamento no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), sendo 35 no setor de transporte, somando quase US$ 27 bilhões.
Na comitiva, estão presentes o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Orlando Leite Ribeiro, demais integrantes do ministério e diplomatas, além de representantes de empresas brasileiras e deputados federais, entre eles o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Alceu Moreira (MDB-RS).

Notícias
Agro brasileiro registra mais de 39 mil ataques cibernéticos em 2025
Levantamento aponta média superior a 3,2 mil tentativas por mês e identifica avanço de sondagens estratégicas antes de ataques como ransomware, ampliando o risco de paralisação de sistemas no campo.

Nesta quarta-feira (25) é celebrado o Dia do Agronegócio, setor que corresponde a cerca de 25% do PIB nacional. No entanto, a pujança do campo atrai um efeito colateral perigoso: o interesse crescente de grupos cibercriminosos. De acordo com o levantamento feito pela ISH Tecnologia, o setor encerrou 2025 com um total de 39.034 mil ataques cibernéticos registrados, mantendo uma média alarmante de mais de 3,2 mil tentativas de invasão por mês.
O relatório revela que os criminosos não estão apenas tentando entrar nos sistemas, mas realizando um trabalho meticuloso de inteligência. Observou-se uma concentração relevante de alertas nas fases iniciais do que a cibersegurança chama de Cyber Kill Chain, o roteiro percorrido pelo hacker desde o primeiro contato até a execução do roubo. Esse cenário evidencia uma intensa atividade de reconhecimento e tentativas de exploração, onde o atacante estuda as defesas do produtor antes de desferir o golpe final.
Cerco nas fronteiras digitais do campo

Diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia, Hugo Santos: “Investimento em monitoramento de rede 24×7 e a conscientização dos colaboradores sobre esses estágios iniciais de sondagem são hoje elementos tão fundamentais”- Foto: Divulgação
Eventos relacionados a ataques de negação de serviço (DDoS) na borda dos sistemas e a execução de scripts suspeitos indicam esforços consistentes de sondagem. De acordo com o diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia, Hugo Santos, os criminosos estão testando as fechaduras digitais do agronegócio de forma persistente. “Após essas tentativas iniciais, surgem indícios de evolução para etapas de execução e descoberta, com comportamentos associados ao mapeamento das redes internas e geração de alertas de alta severidade diretamente nos computadores e dispositivos de campo”, pontua.
Santos explica que o agronegócio brasileiro se tornou uma indústria de dados a céu aberto, onde um ataque de ransomware não apenas bloqueia computadores, mas pode paralisar sistemas de irrigação inteligentes ou descalibrar sensores de plantio. “A estratégia dos invasores hoje foca na progressão silenciosa. Ao detectar o ataque ainda nos estágios iniciais de sondagem, o produtor evita que o criminoso chegue à fase de criptografia de dados ou sequestro de maquinário, o que geraria prejuízos medidos em toneladas de grãos perdidos por hora de inatividade”, alerta Santos.
Urgência da detecção precoce
Essa vulnerabilidade é acentuada pelo desafio da última milha. Embora muitos produtores invistam pesado em biotecnologia, a maturidade digital em segurança ainda é desigual. O panorama de 2026 indica a necessidade urgente de fortalecer controles preventivos e mecanismos de detecção precoce.
Santos reforça que garantir a segurança digital no campo deixou de ser um custo de TI e passou a ser uma estratégia de sobrevivência logística. “Investimento em monitoramento de rede 24×7 e a conscientização dos colaboradores sobre esses estágios iniciais de sondagem são hoje elementos tão fundamentais para a estabilidade do trabalho quanto o próprio seguro da safra”, enaltece.
Notícias
O custo bilionário da política tarifária de Trump
Decisão da Suprema Corte dos EUA desmonta a estratégia de tributação por decreto, abre passivo estimado em US$ 175 bilhões ao Tesouro e reprecifica risco fiscal, juros e fluxos globais de capital.
Notícias
Estudo revela setor de R$ 2,72 trilhões que dita tendências de consumo, cultura e estilo de vida no Brasil
Pesquisa inédita mapeia a transformação do agronegócio em fenômeno cultural que influencia moda, entretenimento, mercado imobiliário e comportamento dos brasileiros.

O agronegócio brasileiro atravessa uma revolução que transcende a produção rural e se consolida como uma das principais forças culturais, econômicas e de consumo do país. É o que revela o estudo Novo Agro, desenvolvido pela Estúdio Eixo, que traça uma fotografia inédita do setor que mais cresce no Brasil.
Com uma metodologia que combina desk research, análise semiótica, netnografia de mais de 100 mil comentários em redes sociais e

Foto: Shutterstock
entrevistas com especialistas dos setores de agro, tech, moda e música, a pesquisa revela como o agronegócio vem moldando novos estilos de vida, valores e práticas culturais pelo Brasil.
Responsável por R$ 2,72 trilhões, em torno de ⅓ do PIB brasileiro, e mais de 28 milhões de empregos, ou seja, 26% dos postos de trabalho do país, o agronegócio transformou cidades do interior em polos de desenvolvimento. Municípios como Sorriso (MT), São Desidério (BA) e Rio Verde (GO) lideram o ranking nacional de produção agrícola, enquanto Goiânia emerge como a Dubai brasileira o epicentro de luxo, com crescimento de 80% em lançamentos imobiliários de alto padrão e porta de entrada prioritária para grifes como Chanel, Tiffany e Christian Louboutin.
Por outro lado, Balneário Camboriú (SC) se consolida como a Riviera do Agro, destino preferencial da nova elite rural, com o metro quadrado mais valorizado do Brasil, em torno de R$ 14,3 mil e crescimento de 11,16% em 12 meses.
Do AgroRaiz ao AgroFuture
A pesquisa mapeia a evolução dos códigos culturais do agro a partir de três camadas complementares. Na base estão os códigos residuais, reunidos sob o conceito de AgroRaiz, que refletem valores fundadores como fé, família, centralidade do trabalho e uma masculinidade associada à rusticidade e à resistência no campo.

PhD em Comunicação, Política, Ciência de Dados, Lucas Reis: “O Novo Agro não pode ser tratado apenas como um segmento econômico, mas como um ecossistema cultural complexo, guiado por dados, símbolos e comportamentos” – Foto: Arquivo pessoal
Na sequência aparecem os códigos dominantes, classificados como AgroStyles, que incorporam vertentes como AgroTech, AgroPop e AgroLuxo, marcadas pela combinação entre tradição produtiva, adoção intensiva de tecnologia e uma estética cada vez mais cosmopolita.
Por fim, a camada emergente, denominada AgroFuture, aponta para novos direcionamentos simbólicos e estratégicos do setor, com destaque para a sustentabilidade orientada por soluções GreenTech e para o avanço do protagonismo feminino no campo, identificado como FeminAgro. “O agro brasileiro não é mais homogêneo. Existem múltiplas identidades do produtor tech que pilota drones ao vaqueiro pop que mescla botas texanas com grifes internacionais. É um remix cultural que combina raízes locais com referências globais”, destaca o estudo.
Para o PhD em Comunicação, Política, Ciência de Dados, Lucas Reis, entender essa transformação é decisivo para marcas que desejam atuar de forma relevante nesse universo. “O Novo Agro não pode ser tratado apenas como um segmento econômico, mas como um ecossistema cultural complexo, guiado por dados, símbolos e comportamentos. Quando analisamos consumo, mídia e performance, fica claro que as marcas que prosperam são aquelas que traduzem esses códigos em estratégias consistentes de comunicação, experiência, relacionamento e não em ações pontuais”, afirma.
Cadeia multibilionária conecta lifestyle e entretenimento
O chamado Novo Agro impulsiona uma cadeia multibilionária que ultrapassa a produção rural e se consolida como força estruturante de

Foto: Divulgação/Agrishow
lifestyle e entretenimento no país. A música sertaneja é um dos principais vetores desse movimento: sete em cada 10 brasileiros consomem o gênero e nove dos 10 álbuns mais ouvidos no Brasil são sertanejos, evidenciando a centralidade cultural do universo agro na indústria fonográfica.
Os rodeios também refletem essa potência econômica e simbólica. São mais de mil eventos por ano, movimentando cerca de R$ 9 bilhões e reunindo aproximadamente nove milhões de pessoas. A Festa do Peão de Barretos, principal vitrine do setor, sozinha gerou R$ 600 milhões em 2025, se consolidando como plataforma de negócios, entretenimento e construção de marca.
No calendário técnico, a Agrishow 2025 registrou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios e recebeu 197 mil visitantes, reforçando o peso do agro como motor de investimentos e inovação.

Foto: Divulgação/Pexels
O reflexo desse posicionamento também aparece no mercado automotivo, com crescimento de 74% nas vendas de picapes premium. A RAM se consolida como símbolo do agro de luxo, associando potência, status e identidade produtiva.
Na moda, o impacto cultural é igualmente expressivo: as buscas por botas western cresceram 379%, enquanto camisas com franja
avançaram 265%, sinalizando que a estética rural se transformou em tendência urbana e elemento de distinção social.
Tendências estruturais
O estudo aponta duas tendências estruturais que reposicionam o perfil do produtor rural brasileiro. A primeira é o avanço do FeminAgro. Hoje, mais de um milhão de produtoras rurais estão à frente de propriedades no país, com crescimento de 109% no emprego formal feminino no campo e cerca de 30 milhões de hectares sob gestão de mulheres.
Esse movimento não é apenas quantitativo, mas simbólico. Perfis como a AgroPaty, herdeiras conectadas, com formação em agronomia e visão orientada por critérios ESG; e a AgroPeoa, mulheres que ocupam a arena produtiva com domínio técnico e presença operacional, traduzem a consolidação de um novo protagonismo feminino no setor.

CEO da Estúdio Eixo, Kika Brandão: “O Novo Agro representa um Brasil que produz, consome e comunica com orgulho sua identidade” – Foto: Arquivo pessoal
A segunda tendência é a sucessão jovem. A idade média do produtor está em 46 anos, e 21% já possuem ensino superior. Essa geração lidera a incorporação de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA) e práticas associadas à agricultura 5.0, acelerando a digitalização e a gestão orientada por dados no campo.
O resultado é um agro mais tecnificado, conectado e alinhado às dinâmicas globais de inovação. “O Novo Agro representa um Brasil que produz, consome e comunica com orgulho sua identidade. É um universo cultural potente, que influencia tendências, linguagem e comportamento muito além do campo”, aponta Kika Brandão, CEO da Eixo.
Mas não basta patrocinar eventos. “As marcas precisam entender os códigos culturais, construir passion points autênticos e entregar valor que reforce identidade e pertencimento. O Novo Agro exige estratégia, não oportunismo”, exalta Kika.








