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Minerva Foods lança aplicativo de monitoramento de fornecedores para produtores rurais
Com o app, produtores podem consultar históricos e análises socioambientais de fazendas em todo o país

A Minerva Foods, líder em exportação de carne bovina na América do Sul e uma das maiores empresas na produção e comercialização de carne in natura e seus derivados na região, anuncia o lançamento do SMGeo Prospec, o aplicativo de análise de fornecedores para toda cadeia produtiva do agronegócio. Incialmente previsto para dezembro, o anúncio do novo aplicativo marca mais um compromisso com a sustentabilidade da Minerva Foods cumprido com antecedência, que possibilita a análise socioambiental para toda cadeia produtiva do agronegócio.
Desenvolvido pela Niceplanet Geotecnologia, o novo app permite aos produtores rurais, em todo o Brasil, realizar pesquisas geoespaciais detalhadas, com acesso aos históricos e análises socioambientais das fazendas, utilizando apenas o SICAR (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural) da própria fazenda ou dados cadastrais dos proprietários e responsáveis declarados no SICAR, como arrendatários, sócios e outros.
Desta forma, a Companhia passa a transferir a mais alta tecnologia, utilizada em seus sistemas de análise e monitoramento, para a palma da mão do produtor – a mesma tecnologia que garante à Minerva Foods a expertise em rastreabilidade e, sucessivamente, os melhores resultados entre os grandes players na avaliação do Ministério Público Federal, o principal e mais confiável procedimento de verificação de terceira parte da cadeia agropecuária.
As consultas poderão ser realizadas a partir da aquisição de vouchers, que permitirão o acesso aos dados detalhados de cada fazenda. Cada consulta terá a validade de 10 dias corridos e os vouchers estarão disponíveis para compra no próprio aplicativo, onde poderão ser adquiridos de maneira instantânea e totalmente online.
O aplicativo compartilha das mesmas tecnologias do sistema de monitoramento utilizado pela Minerva Foods, dessa forma, a Companhia disponibiliza aos produtores a mesma base de dados que utiliza internamente para acompanhamento de seus fornecedores e mapeamento de risco para todas as compras de gado. A base de dados mostrará a conformidade dos proprietários checando a Lista Suja do Trabalho Escravo e listas de embargos ambientais, assim como exibirá os mapas e imagens de satélite com a conformidade da propriedade, verificando as sobreposições de áreas embargadas, desmatamento, terras indígenas, unidades de conservação, territórios Quilombolas.
“Agora, com o Prospec, os produtores de todo Brasil podem acessar de maneira simples e intuitiva dados que mostram se as fazendas e fornecedores prospectados têm ligação com o desmatamento ilegal ou estão atuando sem conformidade com boas práticas e leis ambientais e sociais. Tudo feito sem imposição ou exclusão de produtores rurais. É realmente a transferência de tecnologia usada por nós, da Minerva Foods, aos nossos parceiros comerciais. Dentre tantas iniciativas que envolvem a cadeia produtiva, acreditamos que essa é uma das mais importantes e que irá colaborar de forma direta com maior controle sobre a origem dos animais. Uma vez que há a tecnologia e os meios adequados, entendemos que o monitoramento e análise de riscos devem ser um esforço coletivo, de todas as pontas do setor, garantindo maior transparência e permitindo acessar mercados mais valorizados”, destaca Taciano Custódio, diretor de Sustentabilidade da Minerva Foods.
Projetos pilotos foram realizados com pecuaristas parceiros a fim de captar feedbacks e melhorias para aprimoramento do aplicativo. Com a finalização desses testes, o app passa a ser disponibilizado na App Store e Google Play Store para download gratuito. “Este lançamento faz parte do trabalho intenso com foco no Monitoramento de Fornecedores que temos realizado ano após ano. Nosso objetivo é entregar ao produtor uma maneira simples e confiável de avaliar riscos e sustentar maior acesso de seus produtos em mercados com maior valor agregado”, complementa Taciano.
Integração de Sistemas e Monitoramento de Cadeia
Com objetivo de tornar a análise sobre fazendas fornecedoras diretas e indiretas mais eficiente e ágil, a Minerva Foods integrou a tecnologia Visipec – para análise de riscos de fornecedores indiretos -, aos seus sistemas internos.
Em 2020, a Companhia se tornou a primeira empresa brasileira do setor a iniciar testes com o Visipec. Desenvolvida pela ONG National Wildlife Federation (NWF) e pela Universidade de Wisconsin nos Estados Unidos, a tecnologia se baseia em dados públicos para o monitoramento socioambiental da cadeia produtiva da carne.
Atualmente, a Companhia monitora mais de 14 milhões de hectares com tecnologia de mapeamento geográfico de fornecedores em todos os biomas brasileiros e no Paraguai. A empresa é também pioneira no país a ter 100% dos fornecedores diretos monitorados por meio de mapas georreferenciados na Amazônia, no Cerrado, no Pantanal e na Mata Atlântica, incluindo os produtores de ciclo completo – que produzem desde o nascimento do bezerro à produção industrial. Com isso, a Companhia pode garantir que todas as compras de gado sejam realizadas em fazendas monitoradas, assegurando que todos os fornecedores estejam de acordo com rigorosos critérios socioambientais.

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
Colunistas
Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



