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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Minerais orgânicos “turbinam” absorção de nutrientes pelo gado

Fontes orgânicas de minerais têm sido bastante estudadas, e os resultados comprovam que são mais biodisponíveis

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Ricardo Fasanaro, zootecnista 

A evolução constante da agropecuária brasileira é consequência de investimentos em nutrição, genética, manejo, sanidade e ambiência, que resultam na melhora do desempenho animal. Um dos principais focos das pesquisas é a nutrição mineral, geralmente incluída nas rações por meio de fontes salinas inorgânicas simples, como os sulfatos, óxidos, carbonatos e cloretos.

Atualmente, as fontes orgânicas de minerais têm sido bastante estudadas, e os resultados comprovam que são mais biodisponíveis. Quando utilizamos esse termo, biodisponibilidade, nos referimos à quantidade de um nutriente ingerido pelo animal que realmente é absorvida, ficando disponível ao animal.

Nem todo nutriente que forneço ao meu animal é utilizado por ele. Para serem absorvidos, os minerais (e demais nutrientes) precisam alcançar os enterócitos. Os enterócitos são células presentes no intestino, responsáveis por absorver os nutrientes e enviá-los para a corrente sanguínea, que fará a distribuição pelo organismo.

Antes de alcançarem essas células no intestino, os minerais inorgânicos atravessam uma camada de água e uma camada de muco, que representam obstáculos. Na camada de água podem se ligar à fatores dietéticos (ex.: fitato), formando complexos não absorvíveis, são as interações negativas. A camada de muco possui elétrons negativos, tornando difícil para os minerais inorgânicos com cargas positivas (ex.: Zn2+, Fe2+) atravessá-la.

Quando finalmente alcançam os enterócitos, há o antagonismo, ou seja, os minerais competem entre si para acessarem os locais de absorção, limitando ainda mais a absorção. Dessa forma, grande parte dos minerais fornecidos aos animais não são absorvidos, sendo excretados nas fezes.

Por que é diferente com os minerais orgânicos?

Os minerais orgânicos apresentam o elemento mineral ligado a moléculas orgânicas (aminoácidos, proteínas, carboidratos). Essa ligação faz com que os elétrons não fiquem mais disponíveis, impedindo que ocorram as interações negativas, facilitando a passagem pela camada de muco e evitando o antagonismo, uma vez que, agora, os minerais não precisam mais competir pelos locais de absorção, são absorvidos junto com as moléculas orgânicas às quais estão ligados, como se estivessem “mascarados”. Assim, os minerais orgânicos são mais absorvidos, ou seja, mais biodisponíveis.

Existem 5 tipos de minerais orgânicos, que diferem entre si em tamanho, moléculas orgânicas utilizadas como ligantes (carboidratos, aminoácidos, proteínas), tipos de ligações químicas e estabilidade das ligações.

  1. Complexo Metal Aminoácido;
  2. Complexo Metal Aminoácido Específico;
  3. Quelato Metal Aminoácido;
  4. Metal Proteinato;
  5. Metal Polissacarídeo.

Qual a relação entre a biodisponibilidade dos minerais e a minha produtividade?

A utilização dos minerais orgânicos na nutrição animal permite que os nutricionistas trabalhem com menores níveis suplementados, reduzindo os custos. Por serem melhor aproveitados, os minerais orgânicos resultam em melhor desempenho zootécnico dos animais, aumentando a produção de carne e leite e, ainda, melhorando a qualidade desses produtos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo AgRural

Colheita de soja 2019/20 do Brasil vai a 1,8% da área puxada por MT

Trabalhos desta temporada ficam aquém dos verificados em igual período do ano anterior

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Divulgação

A colheita de soja do Brasil na safra 2019/20 atingia 1,8% da área plantada até a última quinta-feira, impulsionada principalmente pelos trabalhos em Mato Grosso, informou a consultoria AgRural nesta segunda-feira (20). O principal Estado produtor da oleaginosa segue isolado à frente de outras regiões em que foram verificadas áreas pontuais de início de colheita, como Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, segundo nota da AgRural.

Os trabalhos desta temporada ficam aquém dos verificados em igual período do ano anterior, quando 6,1% da área semeada já havia sido colhida, disse a empresa. A consultoria espera agora que o ritmo dos trabalhos em Mato Grosso acelere na segunda quinzena de janeiro, embora chuvas previstas para o Estado possam dificultar as atividades das máquinas. “Até o momento, porém, não há queixas sobre qualidade e os relatos de produtividade reforçam a expectativa de grande safra”, disse a consultoria em comunicado.

Nos demais Estados, a colheita deve ganhar ritmo a partir de fevereiro, devido ao atraso no plantio. O Rio Grande do Sul, que recentemente gerou preocupações devido ao tempo quente e seco, teve as perdas da soja interrompidas por boas chuvas na semana passada, mas ainda assim o potencial produtivo do Estado permanece prejudicado pela estiagem registrada em dezembro, disse a AgRural.

Já na área que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, conhecida como Matopiba, “as chuvas foram irregulares na semana passada, mas o solo ainda tem umidade e as previsões mostram bons volumes de chuva nos últimos dez dias de janeiro”, acrescentou a consultoria.

A atual previsão da AgRural para a safra 2019/20 de soja do Brasil é de 123,9 milhões de toneladas.

Produtor observa janela para o milho

Considerando o ritmo mais lento na produção de soja em relação a 2018/19, os produtores passam a ficar alertas à janela para o plantio da segunda safra de milho, que é semeada logo após a colheita da soja.

Segundo Antonio Galvan, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), é importante que haja boa umidade até o fim de abril ou começo de maio para que uma “excelente safra” seja garantida.

“A janela do milho sempre preocupa em qualquer situação, quanto mais tardiamente você plantar a soja, mais tardiamente plantará o milho… Vamos torcer para ter uma chuva boa durante o mês de abril todo”, disse Galvan à Reuters, acrescentando que “a chave do sucesso está na mão de São Pedro”.

A mesma preocupação é vista por Bartolomeu Braz Pereira, presidente da Aprosoja Brasil, que citou atrasos de plantio no centro do país, inclusive em Mato Grosso, como um dos motivos para os trabalhos mais lentos, além das questões climáticas.

“Estamos tendo alguns problemas pontuais, como as altas temperaturas no Rio Grande do Sul, chuvas muito irregulares. No Matopiba também tivemos alguns problemas isolados”, disse ele. “Isso afeta também a expectativa da segunda safra (de milho). Ela depende muito da janela na hora correta.”

Fonte: Reuters
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Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado Interno

Oferta limitada de leite deve sustentar preços ao produtor no curto prazo

Oferta de leite no mercado brasileiro deve seguir limitada em 2020, especialmente no primeiro trimestre

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Arquivo/OP Rural

A oferta de leite no mercado brasileiro deve seguir limitada em 2020, especialmente no primeiro trimestre, o que pode sustentar os preços pagos ao produtor em patamares mais elevados. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, essa perspectiva está fundamentada na possível alta dos custos de produção e no recente maior abate de matrizes.

No caso dos custos de produção, os preços do milho e do farelo de soja, componentes da ração, têm subido no mercado brasileiro. O aumento dos valores do milho está atrelado ao forte ritmo das exportações do cereal. Há também que se considerar que, num cenário de incentivo à produção de combustíveis renováveis, o milho tem sido cada vez mais utilizado para a produção de etanol, o que pode reforçar o movimento de valorização desse cereal.  Quanto ao farelo, a demanda do setor pecuário pelo derivado de soja pode se aquecer neste ano, resultando em altas nos preços. Além disso, o dólar em patamar elevado aumenta o interesse pela comercialização desses insumos no mercado externo. Esse cenário pode prejudicar a relação de troca do pecuarista, principalmente no primeiro semestre.

No caso do abate de matrizes, a atratividade da pecuária de corte no encerramento de 2019 – em novembro, os preços da arroba do boi atingiram recordes reais da série histórica do Cepea – levou muitos produtores a mandarem precocemente fêmeas para o abate. Também deve-se levar em conta que, dada a alta nos preços dos bezerros, é possível que produtores de leite invistam na criação destes animais e passem a destinar maior parte da produção de leite para a sua alimentação.

Embora seja delicado projetar o potencial de oferta de uma atividade que se ajusta diariamente, como no caso do leite, 2020 pode continuar a ser um ano difícil para a recuperação da produção. É importante lembrar também que, com a valorização do dólar, as importações de leite em pó são desestimuladas, o que pode diminuir a disponibilidade de leite às indústrias. O levantamento do Cepea mostra que, neste início de ano, a concorrência entre empresas para garantir a compra de matéria-prima e abastecer seus estoques têm se elevado, resultando em altas de preços.

A dificuldade em se elevar a produção tem se mostrado como um gargalo estrutural para o setor. A principal limitação ao pecuarista é realizar investimentos de longo prazo frente às incertezas no curto prazo, o que inclui a volatilidade das cotações. Estas, por sua vez, dependem de um delicado equilíbrio entre a oferta no campo e o consumo de derivados lácteos. Em 2019, por exemplo, a previsibilidade do mercado foi afetada por duas forças antagônicas: oferta enxuta e retração da demanda – as quais levaram a uma curva de preços atípica no ano passado.

Ainda que as expectativas para a produção em 2020 sejam cautelosas, é importante ressaltar que a perspectiva de crescimento do PIB acima de 2% é um fator positivo para diminuir as incertezas. Como o consumo de lácteos está diretamente ligado ao aumento da renda, o crescimento econômico pode melhorar as margens da indústria (espremidas em 2019) e permitir que os preços ao produtor se mantenham em patamares elevados, mas mais alinhados ao padrão sazonal.

Fonte: Cepea
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Bovinos / Grãos / Máquinas Soja

Nova safra recorde deve exigir demandas internas e externas aquecidas em 2020

Ritmo de negociações da safra atual está relativamente maior que o registrado na temporada passada

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Divulgação/MAPA

A produção brasileira de soja deve atingir novo recorde na safra 2019/20. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, depois de iniciar o semeio com atraso, o ritmo de cultivo da oleaginosa se acelerou em outubro, fazendo com que as atividades ficassem até mesmo acima da média dos últimos anos na maioria das regiões. Em seguida, as chuvas voltaram com maior intensidade, favorecendo o desenvolvimento das lavouras e gerando expectativas de elevada produtividade – exceto no caso das áreas cultivadas primeiramente.

A safra recorde, por sua vez, vai exigir do Brasil maiores demandas interna e, especialmente, externa. Neste contexto, vão entrar em discussão os impactos e/ou resoluções da guerra comercial entre Estados Unidos e China e seus reflexos sobre a procura brasileira. Por enquanto, agentes não esperam grandes mudanças.

Levantamento do Cepea mostra que o ritmo de negociações da safra atual está relativamente maior que o registrado na temporada passada, influenciado pelos preços mais elevados no último trimestre de 2019 e pela maior atratividade dos contratos a termo para 2020. Agentes acreditam que os contratos com vencimentos em janeiro e fevereiro poderão ter dificuldades de serem cumpridos, devido ao atraso no semeio. Vale considerar que boa parte das empresas finalizou 2019 com pouco ou nenhum estoque, o que exigiu, inclusive, a parada antecipada do processamento. Este fato pode dar sustentação aos preços, ao menos no curto prazo.

Do total da safra 2019/20 de soja em Mato Grosso, principal produtor nacional, mais de 40% foram negociados antecipadamente em 2019, segundo indicações de agentes consultados pelo Cepea. Levantamentos do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), por sua vez, mostram que 51,12% da produção havia sido vendida no correr de 2019, acima dos 41,33% negociados no mesmo período de 2018.

Para 2020, a paridade de exportação no porto brasileiro de Paranaguá (PR) indica preços de R$ 89,60/saca de 60 kg para fevereiro, de R$ 88,42 para março/20, de R$ 88,92/sc para abril/20 e de R$ 89,12/sc para maio/20 – foi considerado o dólar futuro médio de dezembro na B3. Na temporada passada, a paridade indicava preço até 10 Reais/sc inferior ao verificado em dezembro/19.

Por outro lado, o maior custo operacional das aquisições de insumos – especialmente de fertilizantes – podem limitar as margens do produtor. A Equipe de Custo de Produção do Cepea estima que, entre as safras 2018/19 e 2019/20, os preços dos insumos adquiridos pelos produtores das regiões de Londrina (PR) subiram 6%; em Cascavel (PR), onde os produtos agrícolas já vinham se valorizando, a alta foi de 1% – aqui são consideradas aquisições de insumos entre março e setembro de 2019 e no mesmo período de 2018. Na região de Sorriso (MT), o aumento no valor dos insumos foi de 6% e, em Primavera do Leste (MT), de 2%. No Rio Grande do Sul, a alta nos valores foi de 3%.

Oferta

Diante da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China nos últimos dois anos, a área cultivada com soja nos Estados Unidos teve forte redução na temporada 2019/20, sendo de 30,36 milhões de hectares – a menor desde 2011/12 – e 14,35% inferior à safra passada. Assim, a produção (colhida em 2019) somou 96,84 milhões de toneladas, a mais baixa em seis temporadas.

Com isso, a estimativa é que a oferta agregada possa ficar 5,74% menor que na temporada passada, em 337,7 milhões de toneladas. A demanda por soja para esmagamento segue crescente e, no agregado, deve aumentar 1,76%, para 303,58 milhões de toneladas, um recorde. Na Argentina, o esmagamento deve crescer 9,94%, a 44,6 milhões de toneladas; nos Estados Unidos, 0,62%, a 57,29 milhões de toneladas, e, no Brasil, 2,9%, a 43,75 milhões de toneladas.

O aumento no processamento é puxado pelas demandas por farelo e óleo de soja. As ofertas globais desses subprodutos devem somar 238,59 milhões de toneladas e 56,86 milhões de toneladas, respectivamente. A demanda por farelo de soja é estimada pelo USDA em 235,81 milhões de toneladas, 2,11% a mais que na temporada passada. Para o óleo, a demanda é prevista em 56,86 milhões de toneladas, 2,8% a mais que em 2018/19.

Vale ressaltar que a demanda doméstica por farelo e por óleo de soja no Brasil e nos Estados Unidos devem ser recordes na temporada 2019/20. De óleo de soja, o consumo norte-americano deve ser de 10,66 milhões de toneladas e o brasileiro, de 7,35 milhões de toneladas. Em ambos os países, há expectativa de aumento na demanda de óleo de soja para a produção de biodiesel.

O lado bom é que a demanda interna por farelo de soja também é estimada em patamares recordes, de 33,38 milhões de toneladas nos Estados Unidos e de 18,27 milhões de toneladas no Brasil. Neste caso, há expectativa de maior demanda para a produção de ração animal. Isso porque a China não tem conseguido recuperar sua produção de suínos, devendo seguir adquirindo proteína animal do Brasil e dos Estados Unidos.

As transações mundiais de soja também seguem em alta. Segundo o USDA, 147,9 milhões de toneladas de soja em grão devem ser transacionadas mundialmente, 1,37% a mais que na temporada 2018/19. Dentre os países que devem aumentar as importações, a China é o principal, com 85 milhões de toneladas (+3%), seguida pela União Europeia, com 15,2 milhões de toneladas (+1,3%), México (+1,56%), Japão (+1,5%), Taiwan (+4,4%), Indonésia (+8,26%), Tailândia (+7,77%), Egito (+10.45%), Vietnã (2,78%), Coreia do Sul (6,23%), Rússia (+15%) e Turquia (+7,69%).

O Brasil deve seguir liderando o abastecimento global, com 76 milhões de toneladas de soja, 1,4% a mais que em 2018/19. Para os Estados Unidos, são previstos embarques de 48,3 milhões de toneladas (+1,56%) e, para a Argentina, de 8,2 milhões de toneladas, conforme dados do USDA.

Na Argentina, o novo presidente Alberto Fernández elevou a alíquota sobre as exportações do complexo soja, para 30%. Esse cenário torna as vendas externas menos atrativas aos argentinos. Vale lembrar que o país é o terceiro maior exportador de soja e líder de vendas de farelo e de óleo do mundo.

Fonte: Cepea
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