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Milho teve setembro de preços mais altos com apreensão climática

Cotações avançaram de forma generalizada entre principais praças, refletindo oferta restrita por parte dos produtores

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Siglia Souza

O mercado brasileiro de milho apresentou preços mais altos no mês de setembro. As cotações avançaram de forma generalizada entre as principais praças, refletindo uma oferta restrita por parte dos produtores. O mercado doméstico descolou-se significativamente da influência das cotações da Bolsa de Chicago (CBOT) e do câmbio, devido à preocupação com o clima seco para o plantio da safra de verão.

O clima foi o aspecto marcante em setembro no mercado brasileiro de milho. As altas temperaturas e falta de chuvas sobre regiões produtoras geraram o atraso inicial do plantio da soja e do milho. Isso pode trazer prejuízo à safra de verão e repercutir na safrinha de milho também. Além da primeira safra (verão) poder ter quebra para o cereal, o atraso no plantio da soja pode afetar a semeadura futura da segunda safra de milho e isso redundar numa menor produção.

Diante desse cenário de apreensão, o produtor se retraiu e reteve a oferta do milho em setembro. Com a necessidade de abastecimento do comprador, pouco a pouco os preços do milho foram avançando no mês, se descolando da marcante influência da Bolsa de Chicago e do câmbio. Assim, mesmo em momentos em que o milho caia na Bolsa e/ou que o dólar baixava, o mercado doméstico mantinha-se sustentado pela oferta curta.

É determinante destacar a importância das amplas exportações brasileiras como fator de suporte aos preços. Em setembro, os embarques seguiram muito fortes e esse bom escoamento da oferta para o exterior, enxugando a disponibilidade interna do cereal, garantiu sustentação às cotações.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de milho em setembro chegaram a 6,501 milhões de toneladas. Houve queda de 15% nos embarques no comparativo com agosto, mês imediatamente anterior, quando as vendas externas de milho atingiram 7,644 milhões de toneladas. Mas, setembro teve incremento de 93,4% nas exportações totais no comparativo com o mesmo mês de 2018, quando foram embarcadas 3.360.900 toneladas. Ou seja, as vendas seguem sólidas, com os compradores externos disputando o milho com os consumidores do mercado doméstico, o que promove a sustentação para os aumentos de preços verificados no país ao produtor.

No Porto de Santos, na base de compra, o preço subiu do final de agosto para o fim de setembro de R$ 38 para R$ 41 a saca de 60 quilos, alta de 7,9%. Em Campinas/CIF, a cotação do milho, na base de venda, passou de R$ 38,50 para R$ 41 (+6,5%) no comparativo mensal. Já na Mogiana paulista, mercado subiu de R$ 36 a saca para R$ 38 na venda (+5,5%).

Em Rio Verde, Goiás, no balanço mensal, o preço na venda passou de R$ 30,50 para R$ 32,00 a saca (+4,9%). Já em Uberlândia, Minas Gerais, a cotação avançou de R$ 36 para R$ 38 a saca na venda (+5,5%). Em Cascavel, no Paraná, o valor do milho subiu de R$ 33,80 para R$ 36 a saca na venda (+6,5%), e em Rondonópolis, Mato Grosso, preço subiu de R$ 29 para R$ 30 a saca na venda (+3,4%). Já em Erechim, Rio Grande do Sul, o milho em setembro avançou de R$ 40,50 para R$ 42,00, representando uma alta de 3,7% no balanço mensal.

Fonte: Agência SAFRAS

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Cooperativas encontram na imigração alternativa para suprir falta de trabalhadores

Haitianos, venezuelanos e profissionais de outras nacionalidades passam a ocupar funções em agroindústrias, logística e serviços.

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O cooperativismo agropecuário deixou há muito tempo de ser apenas uma forma de organização de produtores. Hoje, ele é também um dos grandes empregadores do interior brasileiro, com presença em agroindústrias, supermercados, unidades de recebimento, fábricas de ração, cooperativas de crédito, estruturas logísticas, assistência técnica, tecnologia, gestão e atendimento ao cooperado.

Essa expansão ampliou a capacidade de produção, industrialização e geração de renda, mas também expôs um dos principais gargalos do setor: a falta de mão de obra. Em regiões de forte atividade agroindustrial, baixo desemprego e mudanças demográficas, muitas cooperativas passaram a enfrentar dificuldade crescente para preencher vagas, reter trabalhadores e manter escalas em áreas operacionais.

Foi nesse espaço que a presença de trabalhadores estrangeiros ganhou força. Haitianos, venezuelanos, paraguaios, cubanos, senegaleses, argentinos, colombianos, nigerianos e profissionais de outras nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em cooperativas do Sul do país. Em algumas unidades, eles já representam parcela majoritária da força de trabalho.

Mais do que um movimento migratório, esse fenômeno revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio. A continuidade da expansão cooperativista dependerá cada vez mais da capacidade de combinar emprego formal, qualificação, automação, retenção de talentos e integração de pessoas vindas de diferentes origens para sustentar a produção, a renda e o desenvolvimento regional.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Regulamentação dos defensivos ganha força no agro

Representantes do setor defendem regras claras para acelerar registros e ampliar a segurança jurídica.

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Foto: Shutterstock

A regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas e os desafios para sua implementação foram tema de audiência pública realizada na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal. O debate, promovido por requerimento do senador Jaime Bagattoli (PL-RO), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, discutiu a aplicação da Lei nº 14.785/2023, alterada pela Lei nº 15.070/2024, que estabelece novas regras para pesquisa, registro, produção, comercialização e fiscalização de defensivos agrícolas no Brasil.

Deputado Rafael Simões: “Não é possível sermos competitivos enquanto levamos oito anos para aprovar uma molécula que já foi aprovada e utilizada em outros países. Precisamos que os órgãos caminhem juntos para garantir eficiência e segurança jurídica ao produtor rural.”

Durante a audiência, Bagattoli afirmou que a legislação busca tornar o processo regulatório mais eficiente, reduzindo a burocracia e ampliando a segurança jurídica, sem alterar os critérios de proteção à saúde e ao meio ambiente. O senador também manifestou preocupação com a demora na regulamentação da norma e defendeu que o processo de registro de novos insumos seja mais ágil.

Representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ana Lígia Aranha Lenat destacou que a lei trouxe maior previsibilidade ao setor ao estabelecer critérios técnicos mais modernos para o registro de defensivos agrícolas e bioinsumos. Segundo ela, a regulamentação é importante para evitar interpretações divergentes que possam afetar a competitividade da agropecuária.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, afirmou que o novo marco legal torna o sistema mais eficiente sem reduzir as exigências relacionadas à saúde e ao meio ambiente. Ele informou que o Brasil leva, em média, cerca de sete anos para aprovar novas moléculas, enquanto em outros países esse processo dura aproximadamente quatro anos.

A gerente-geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Cássia de Fátima Rangel Fernandes, também defendeu a regulamentação da lei. Segundo ela, a medida deve reduzir divergências entre os órgãos responsáveis, aumentar a previsibilidade do processo e garantir maior segurança jurídica. A representante informou ainda que a Anvisa vem reduzindo o número de análises pendentes.

Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Grilli Felizardo afirmou que a regulamentação é necessária para garantir estabilidade regulatória, previsibilidade aos investimentos e maior integração entre os órgãos responsáveis pelo processo.

O deputado Rafael Simões (União-MG), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária, também participou da audiência. Produtor rural, ele defendeu a regulamentação da lei e afirmou que a demora na aprovação de novas moléculas pode reduzir a competitividade do Brasil em relação a outros países.

Fonte: Assessoria FPA
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Trigo disponível no mercado segue valorizado

De acordo com o Cepea, vendedores com estoques mantêm preços mais altos, especialmente em São Paulo, enquanto compradores priorizam a nova safra.

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Foto: Luiz Magnante

A oferta restrita de trigo continua sustentando as cotações no mercado spot brasileiro. De acordo com pesquisadores do Cepea, a liquidez permanece baixa nesta época do ano, com poucas negociações no mercado.

Segundo o Cepea, as indústrias moageiras estão abastecidas e, por isso, não demonstram necessidade de comprar grandes volumes no curto prazo. A prioridade tem sido a negociação de lotes da nova safra, com entrega prevista entre setembro e outubro de 2026.

Ainda conforme o Cepea, os produtores e vendedores que mantêm estoques, especialmente no estado de São Paulo, onde a disponibilidade do cereal é mais limitada, seguem ofertando o trigo a preços mais elevados, o que mantém as cotações sustentadas no mercado paulista.

Fonte: Assessoria Cepea
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