Notícias Mercado
Milho teve maio de atenções para câmbio e clima para safrinha
Mercado brasileiro de milho teve um mês de maio de altos e baixos nos preços

O mercado brasileiro de milho teve um mês de maio de altos e baixos nos preços. As atenções estiveram voltadas para o clima para a safrinha e para a volatilidade no câmbio, com o dólar afetando as referências para as exportações, valores do cereal nos portos, mexendo também com a dinâmica do mercado físico.
De acordo com as informações que foram chegando quanto às condições climáticas e com as oscilações do dólar o mercado teve momentos de maior ou menos intenção de venda do produtor. Em parte do mês, o produtor retraiu-se e garantiu sustentação às cotações, com maior dificuldade para os compradores obterem a oferta. Mas, agora mais para o final de maio as cotações passaram a ceder com a disponibilidade crescente de milho.
No clima, maio ainda foi de preocupação com a falta de chuvas em importantes regiões produtoras e com a chegada das primeiras massas de ar polar, trazendo o risco e temor das geadas. Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Paulo Molinari, o mercado brasileiro de milho dispõe de mais algumas semanas para avaliar estas condições da safrinha 2020. “Algumas fontes procuram impor uma condição menos preocupante para uma produção que já dispõe de perdas claras e evidentes devido à seca de sessenta dias no Paraná, Mato Grosso do Sul, Paraguai e São Paulo”, comenta. Ele indica que as chuvas de maio apenas amenizaram um aumento dos prejuízos mais acentuados de produção. “Contudo, eles já existem e são irreversíveis. Há o risco de geadas, com três possibilidades até 15 de junho nestas localidades”, avalia.
Molinari indica que a safrinha brasileira tem ainda algumas semanas para a sua plena definição. Contudo, já é uma produção para 68/70 milhões de toneladas que terá a sua avaliação final apenas com a colheita. As exportações, assim, terão fundamental importância no segundo semestre para a definição de preços no Brasil, o que pode garantir um melhor escoamento da oferta e cotações mais altas ao produtor.
Para o consultor, independente de um número um pouco maior ou um pouco menor, o mercado brasileiro caminha para uma direção, ou seja, a exportação. “Neste ambiente, há muitas variáveis presentes, ou seja, a questão da liquidez, das perdas de produção, da demanda regional, da postura dos compradores em relação à colheita, da postura dos produtores em aceitar preços mais baixos nestes próximos noventa dias, etc. O ponto central é uma exportação de 30 milhões de toneladas, número que determina um ponto de estoques de passagem para 2021 e poderá definir, também as condições de mercado para o próximo ano”, analisa.
Quando o dólar esteve mais alto em maio e as preocupações foram mais fortes com o clima, a oferta de milho foi reduzida e os preços subiram nos portos e no interior. Porém, o dólar perdeu força depois de atingir o pico de R$ 5,82 em meados do mês e passou a descer, o que pressionou depois as cotações do milho nos portos. Essas primeiras massas de ar polar também não trouxeram maiores problemas, o que foi outro elemento a aumentar a oferta e pressionar as cotações nestas últimas semanas do mês.
No balanço de maio, o preço do milho em Campinas/CIF subiu de R$ 51,00 do dia 30 de abril para R$ 52,00 a saca de 60 quilos na base de venda nesta quinta-feira (28 de maio). Na região Mogiana paulista, as cotações se mantiveram no mesmo comparativo em R$ 50,00 a saca.
Em Cascavel, no Paraná, no comparativo mensal, o preço passou de R$ 46,50 para R$ 47,00 a saca na base de venda. Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação despencou, passando de R$ 43,00 para R$ 36,00 a saca. Já em Erechim, Rio Grande do Sul, houve alta de R$ 48,00 para R$ 49,50.

Notícias Editorial
O que 2025 revelou sobre o agro brasileiro
Setor rompeu a marca de R$ 1,41 trilhão no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) não por acaso e tampouco de forma homogênea.

O agronegócio brasileiro encerra 2025 com números históricos e, sobretudo, com mensagens claras. O setor rompeu a marca de R$ 1,41 trilhão no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) não por acaso e tampouco de forma homogênea. O ano foi marcado por contrastes: avanço consistente das proteínas animais, recuperação da pecuária, crescimento dos grãos e um reposicionamento estrutural de algumas cadeias que passam a dividir protagonismo dentro do agro nacional.
Grãos e pecuária permaneceram como eixos centrais da produção, mas 2025 evidenciou uma redistribuição de forças. A soja manteve a liderança em faturamento e voltou a crescer após um ciclo de retração, enquanto o milho avançou de forma expressiva, impulsionado por ganhos de produtividade e demanda. Ainda assim, foi nas proteínas animais que o agro brasileiro demonstrou parte relevante de sua força estratégica.
A pecuária de corte superou os R$ 200 bilhões em faturamento, a suinocultura registrou consumo interno recorde e salto nas exportações, e os ovos inseriram o Brasil, pela primeira vez, entre os 10 maiores consumidores per capita do mundo. O frango cresceu em valor absoluto, mas perdeu participação relativa no VBP, sinalizando maior competição e pressão por eficiência. O leite enfrentou um dos anos mais desafiadores da última década, pressionado por preços baixos e importações, ainda que com sinais de reorganização e expectativa de recuperação gradual.
O ano de 2025 reforçou ainda a diversidade do agro nacional. Mato Grosso ampliou sua liderança, Minas Gerais se consolidou como segundo maior VBP do país, e estados do Sul reafirmaram sua vocação para proteínas. No Norte e Nordeste, avanços coexistiram com retrações pontuais, refletindo desigualdades climáticas, logísticas e estruturais.
O desempenho de 2025 evidencia a escala, a resiliência e a relevância do agro brasileiro, mas também deixa alertas claros. Sustentabilidade, regulação, sanidade, competitividade internacional e agregação de valor seguem como desafios centrais. As oportunidades estão postas, mas exigem coordenação entre cadeias, investimento em tecnologia e visão estratégica.
Confira a versão digital do Anuário do Agronegócio e tenha acesso a uma leitura aprofundada sobre os principais números, tendências e engrenagens que moldam o campo brasileiro. O material reúne análises exclusivas, dados atualizados e a visão de quem acompanha de perto a economia agropecuária e o mercado de proteínas animais.
Notícias
Grãos e pecuária levam Brasil a romper R$ 1,41 trilhão no Valor Bruto da Agropecuária em 2025
Salto é resultado direto da recuperação da pecuária, da firmeza das principais commodities agrícolas e do crescimento contínuo das cadeias de proteína animal, compondo o maior VBP da série iniciada em 2018.

As projeções do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) deve alcançar R$ 1,412 trilhão em 2025, acima dos R$ 1,267 trilhão estimados em 2024. O salto é resultado direto da recuperação da pecuária, da firmeza das principais commodities agrícolas e do crescimento contínuo das cadeias de proteína animal, compondo o maior VBP da série iniciada em 2018. As informações foram divulgadas em 21 de novembro.
Entre as lavouras, a soja permanece como âncora do setor, ao subir de R$ 296,9 bilhões em 2024 para R$ 325,9 bilhões em 2025. O avanço de 8,9% reflete tanto a recomposição da produtividade quanto um ambiente de preços mais favorável. O faturamento do milho deve atingir R$ 167,5 bilhões, bem acima dos R$ 124,8 bilhões registrados no ano anterior, um incremento puxado pela combinação entre maior rendimento por hectare e demanda aquecida.
No campo das proteínas, a pecuária bovina apresenta uma das recuperações mais expressivas do ano. O VBP de bovinos sobe de R$ 169,9 bilhões em 2024 para R$ 205,3 bilhões em 2025, movimento sustentado pela retomada das exportações e por um ciclo mais favorável de preços ao produtor. O frango mantém sua trajetória ascendente, passando de R$ 106,4 bilhões para R$ 111,2 bilhões, enquanto o setor de suínos avança de R$ 55,7 bilhões para R$ 61,7 bilhões, reforçando a consolidação de um ciclo de expansão baseado no aumento da oferta e nas vendas externas.
A recomposição também chega às cadeias tradicionais da produção de base alimentar. O VBP do leite cresce de R$ 68,1 bilhões para R$ 71,5 bilhões, indicando alívio após anos de pressão de custos e margens apertadas. O setor de ovos avança de R$ 22,8 bilhões em 2024 para R$ 29,7 bilhões em 2025, impulsionado pela manutenção da demanda interna e pelo aumento no consumo per capita.
Crescimento distribuído
O conjunto das principais cadeias reforça um crescimento distribuído entre lavouras e pecuária. Para 2025, a projeção indica que 34% do VBP virá das lavouras e 66% da pecuária, proporção semelhante ao registrado em 2024, o que demonstra estabilidade na composição da renda agropecuária. Esse equilíbrio é um dos pilares do desempenho recente do setor, capaz de manter dinamismo mesmo diante de oscilações climáticas e pressões internacionais.
Outras culturas também contribuem para o avanço do VBP. Em 2025, o café deve alcançar R$ 114,8 bilhões, enquanto a cana-de-açúcar chega a R$ 117,5 bilhões, ambas impulsionadas por boas condições de produtividade. Produtos como tomate, arroz e banana apresentam recuperação e reforçam a retomada da renda em diferentes regiões produtoras.
No recorte estadual, Mato Grosso se mantém como o maior produtor do país, com VBP estimado em R$ 220,4 bilhões, seguido por Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
Consolidação de um novo ciclo
A passagem de um VBP de R$ 1,267 trilhão em 2024 para R$ 1,412 trilhão em 2025 revela mais do que crescimento estatístico: sinaliza a consolidação de um novo ciclo de confiança no agro brasileiro, sustentado por ganhos de produtividade, fortalecimento das exportações e expansão das principais cadeias. Se confirmadas, as projeções colocam o setor em um patamar ainda mais relevante para o equilíbrio econômico e para a geração de riqueza no país.

Desempenho agropecuário
O VBP é o indicador que mede, mês a mês, o desempenho econômico das lavouras e da pecuária no país. Ele representa o faturamento bruto obtido dentro das propriedades rurais e é calculado a partir da combinação entre volume produzido, tanto da safra agrícola quanto da pecuária, e os preços efetivamente pagos aos produtores nas principais praças brasileiras.
O cálculo considera os 26 principais produtos agropecuários do Brasil. Elaborado pela Coordenação-Geral de Planos e Cenários (CGPLAC), vinculada ao Departamento de Análise Econômica e Políticas Públicas da Secretaria de Política Agrícola, o indicador é uma das principais referências para acompanhar tendências, medir a lucratividade no campo e orientar políticas públicas para o setor.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
Notícias
Produção maior no Brasil e nos EUA amplia oferta global de soja
Revisões positivas na safra sul-americana reforçam o peso do Brasil no mercado internacional, enquanto estoques seguem elevados e limitam reações mais firmes nos preços.

A atualização de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o balanço global de soja em 2025/26 confirma um cenário de oferta confortável no mercado internacional, com revisões positivas de produção nos dois principais players globais: Brasil e Estados Unidos. De acordo com a Consultoria Agro Itaú BBA, a produção mundial foi mantida em 426 milhões de toneladas, mas com ajustes relevantes na distribuição regional

Foto: Shutterstock
No Brasil, a estimativa de produção foi elevada de 175 para 178 milhões de toneladas, consolidando o país como o maior produtor e exportador global da oleaginosa. O avanço reflete tanto a expansão de área, que chega a 49,1 milhões de hectares, quanto a manutenção de uma produtividade média elevada. As exportações brasileiras também foram revisadas para cima, passando de 112,5 para 114 milhões de toneladas, reforçando o protagonismo do país no abastecimento internacional.
Nos Estados Unidos, embora a produção tenha sido ajustada positivamente, de 115,8 para 116 milhões de toneladas, o USDA reduziu a projeção de exportações em quase 1,6 milhão de toneladas, para 42,9 milhões. O movimento sinaliza uma perda relativa de competitividade do produto americano, em um ambiente de forte concorrência sul-americana e estoques globais elevados.
A Argentina, por sua vez, teve a produção levemente reduzida para 48,5 milhões de toneladas, mantendo um quadro de menor

Foto: Shutterstock
disponibilidade para exportação, mas com estoques ainda elevados em relação ao consumo doméstico. A China segue como o principal vetor da demanda global, com importações estimadas em 112 milhões de toneladas, sem alterações em relação ao relatório anterior.
No agregado, os estoques finais globais de soja foram ajustados para 124 milhões de toneladas, mantendo a relação estoque/consumo próxima de 29%, patamar historicamente confortável. Esse quadro limita pressões altistas mais consistentes e reforça a leitura de um mercado bem abastecido, no qual eventuais movimentos de preço tendem a responder mais a fatores climáticos ou logísticos do que a fundamentos estruturais de escassez.



