Avicultura
Granulometria da ração e excesso de cálcio interferem na saúde intestinal e na conversão do frango
Ajustes na moagem, na peletização e na dosagem mineral na fábrica de ração são apontados como decisivos para desempenho, qualidade da cama e eficiência produtiva.

A nutrição de precisão e seus reflexos no desempenho produtivo e na saúde das aves estiveram em pauta na manhã desta quarta-feira (08), durante o Bloco Nutrição do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes em Chapecó.

Pesquisador Wilmer Pacheco: “As aves precisam de partículas maiores na microestrutura, pois isso estimula o funcionamento da moela, reduz o pH e contribui para o controle de bactérias patogênicas, além de melhorar a absorção de minerais” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
O pesquisador Wilmer Pacheco iniciou o bloco com o tema “Granulometria e seu impacto no trato digestivo”, destacando como a estrutura física da ração influencia diretamente o desempenho produtivo e a saúde intestinal das aves. O especialista explicou que o tema vai além do tamanho das partículas, envolvendo dois níveis fundamentais: a microestrutura e a macroestrutura da ração. “Precisamos olhar para a microestrutura, que é controlada principalmente pelo processo de moagem, e para a macroestrutura, que está relacionada ao pellet e ao seu impacto na produtividade no campo”, destacou.
Segundo Pacheco, a granulometria refere-se ao tamanho das partículas obtidas após a moagem, sendo um fator determinante para a digestibilidade dos nutrientes e o funcionamento do trato digestivo. “A redução do tamanho das partículas aumenta a área de contato com o sistema digestivo, melhora a absorção de nutrientes e reduz a segregação dos ingredientes na ração.”
O pesquisador ressaltou que as aves possuem um sistema digestivo adaptado, com destaque para a moela, responsável pela trituração mecânica dos alimentos. Nesse contexto, a presença de partículas mais grossas também desempenha papel importante. “As aves precisam de partículas maiores na microestrutura, pois isso estimula o funcionamento da moela, reduz o pH e contribui para o controle de bactérias patogênicas, além de melhorar a absorção de minerais”, pontuou.
Outro aspecto abordado foi o impacto da estrutura da ração na qualidade do pellet e no desempenho das aves. De acordo com estudos apresentados pelo palestrante, dietas com partículas mais grossas podem melhorar a conversão alimentar, aumentar a digestibilidade de nutrientes e reduzir a umidade da cama o que reflete diretamente na eficiência produtiva.
Pacheco também destacou que o processo de peletização promove alterações adicionais na granulometria, exigindo controle rigoroso em todas as etapas da produção. “Esse método gera moagem adicional, por isso é fundamental entender como as partículas estão organizadas dentro do pellet para garantir uma dieta equilibrada.”
Como solução, o especialista reforçou a importância de ajustes nos equipamentos industriais, especialmente no moinho de martelo e nos parâmetros de peletização. Fatores como velocidade do rotor, número de martelos, tamanho da peneira e distância entre os componentes influenciam diretamente o tamanho e a uniformidade das partículas.
Além disso, aspectos como temperatura, tempo de condicionamento, teor de gordura e especificações da matriz também impactam a qualidade final do pellet e devem ser monitorados de forma integrada. O pesquisador destacou uma mensagem central para o setor. “A macroestrutura é importante, mas não podemos sacrificar a microestrutura. É o equilíbrio entre esses fatores que garante melhor desempenho, eficiência e saúde intestinal das aves”, concluiu.
Dietas modernas do frango de corte

Professora da Universidade de Maryland (EUA), Roselina Angel: “O excesso de cálcio aumenta a umidade da cama, favorece problemas como lesões e piora a qualidade dos pés das aves, além de reduzir a digestibilidade de proteínas, energia e gordura, prejudicando a conversão alimentar” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Na sequência, a professora da Universidade de Maryland (EUA), Roselina Angel, abordou o tema “Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte”. A palestra foi uma análise prática sobre o uso de minerais na nutrição avícola e seus impactos na produtividade e na sustentabilidade.
Com ampla atuação científica e de consultoria internacional, Roselina frisou que um dos principais desafios atuais está no uso inadequado do cálcio nas dietas. Segundo ela, o problema não está na falta, mas no excesso. “Muitas pessoas enxergam esse mineral apenas como um nutriente essencial, o que é verdade, mas o excesso causa problemas significativos que ainda são pouco compreendidos”, explicou.
Entre os impactos apontados, a pesquisadora destacou efeitos no ambiente de produção e no desempenho das aves. “O excesso de cálcio aumenta a umidade da cama, favorece problemas como lesões e piora a qualidade dos pés das aves, além de reduzir a digestibilidade de proteínas, energia e gordura, prejudicando a conversão alimentar”, afirmou.
Roselina também ressaltou que o desequilíbrio mineral afeta a absorção de micronutrientes, ampliando os prejuízos produtivos. “São efeitos negativos que passam despercebidos, mas impactam diretamente no resultado final da produção”, pontuou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de ajustes nos processos industriais. Segundo a pesquisadora, parte do problema está na forma como o calcário é manejado nas fábricas de ração. “O calcário é um ingrediente mais leve e, quando pesado com sistemas ajustados para milho e soja, pode gerar erros significativos. Mesmo pequenas variações resultam em níveis muito altos de cálcio na ração final”, salientou.
Para Roselina, a solução passa por maior precisão no processo de formulação e fabricação. “Precisamos trabalhar junto às fábricas de ração para ajustar esses processos e garantir que os níveis de cálcio e fósforo estejam adequados às reais necessidades das aves, que muitas vezes são menores do que se imagina, especialmente no caso do fósforo”, destacou.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O terceiro lote está disponível, com investimento de R$ 890,00 para profissionais e R$ 500,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 200,00. As inscrições podem ser realizadas no site: https://nucleovet.com.br/simposios/avicultura/inscricao.
PROGRAMAÇÃO GERAL
• 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
• 17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.




