Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Métrica GWP* reflete melhor o impacto do metano nas mudanças climáticas

Quando a métrica GWP* é considerada, os cenários de emissões da pecuária mudam drasticamente. No cenário conservador, o setor poderia ser neutro em relação às emissões de metano até 2040, ou seja, a pecuária não teria implicações na variação de temperatura adicional do clima.

Publicado em

em

Foto: Arquivo/OP Rural

As emissões de gases do efeito estufa (GEE) do Brasil representam 3% do total global, contabilizando cerca de 2,16 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. Disso, 26% correspondem ao metano (CH4), gerado principalmente pela fermentação entérica do rebanho bovino. Os suínos também contribuem com as emissões, porém em menor escala, sendo a maior parcela de óxido nitroso (N2O) proveniente dos dejetos.

Professor da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador da Cepagri/Unicamp, Eduardo Assad: “A métrica mais apropriada e o horizonte de tempo dependerá de quais aspectos da mudança climática são considerados mais importantes para uma aplicação particular” – Foto: Divulgação/Fórum Metano na Pecuária

“Duas características chave determinam o impacto de diferentes GEEs sobre o clima: tempo de permanência na atmosfera e a capacidade de absorver energia. O metano tem uma vida útil atmosférica curta, em torno de 12 anos, mas é um gás de efeito estufa muito potente e seu aumento está fortemente ligado à expansão populacional humana, sendo a produção de energia, através do uso de combustíveis fósseis, a principal fonte de emissão”, declarou o professor da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador da Cepagri/Unicamp, Eduardo Assad, ao iniciar sua palestra sobre “Padronização das métricas na emissão de GEE”, realizada durante o Fórum Metano na Pecuária – o caminho para a neutralidade climática, promovido pela JBS, em parceria com a Silva Team, em São Paulo (SP).

A ciência das mudanças climáticas já possui bem estabelecido, segundo Assad, o modo como os diferentes GEEs contribuem para as mudanças climáticas e que esse efeito é independente da métrica utilizada. “O uso das métricas de conversão é amplamente utilizada em diferentes setores, como por exemplo, indústria e a agricultura, bem como para definição de políticas agroambientais. Muitas vezes, a métrica é confundida como uma medida de impacto do GEE no clima, ao invés de ser diretamente interpretada como um número capaz de balizar decisões”, expõe.

Atualmente o método para medição de emissões de CH4 em bovinos é feito por meio de uma canga tubular com uma válvula reguladora para entrada do gás acoplada a um cabresto, colocado logo atrás da cabeça do bovino. No entanto, Assad adianta que a Embrapa de Juiz de Fora (MG) possui uma câmera respirométrica de grandes animais, onde o gado é colocado e através da respiração e do arroto é medido o CH4. “Neste equipamento conseguimos medir o metano gerado de uma galinha até o emitido pelo boi. Estamos tentando viabilizar seu uso, porque com este equipamento vamos ter um avanço muito grande em termos de medição do metano no Brasil. Vamos conseguir saber quanto que emite o boi e quanto que emite por raça, esse é um dado que está faltando, visto que algumas raças são mais eficientes que outras”, relata Assad.

A principal métrica usada para medição de metano atualmente é o GWP100. Em um estudo com machos maiores de dois anos, não confinados, por unidade Federativa, variando de 1990 a 2016, mostra o quanto a eficiência dos animais melhoraram neste período. Em Minas Gerais, por exemplo, de 72 kg/CH4/animal/ano em 1990 chegou a 67 kg/CH4/animal/ano em 2016.

E quando é realizada a comparação das emissões anuais de CO2 eq. por ganho de peso vivo até o abate em cinco cenários diferentes de manejo, naquele em que é feito a melhoria de pasto, as emissões da pastagem em termos de CO2 de uma pegada de carbono reduzem de 32 quilos de CO2 por ganho de peso vivo (pasto degradado) para três quilos de CO2 por ganho de peso vivo.

Limitações e Incertezas

Valores de potencial de aquecimento global (GWP) e de temperatura global para um horizonte temporal (GTP) de 100 anos, para CO2 é usado o valor 1 para ambas as métricas; para medir CH4 é utilizado o valor 4 para GTP100 e 28 para GWP100, e para dióxido nitroso é 234 para GTP100 e 265 para GWP100. “A métrica mais apropriada e o horizonte de tempo dependerá de quais aspectos da mudança climática são considerados mais importantes para uma aplicação particular. Nenhuma métrica pode comparar com precisão todas as consequências de diferentes emissões e todas têm limitações e incertezas”, expõe Assad.

As faixas de incerteza no GWP para CO2 foram estimadas em ± 18% e ± 26% para 20 e 100 anos, respectivamente. Segundo dados do IPCC, para GWP20 considera-se uma incerteza de ± 30% a para o GWP 100 ± 40%. A incerteza é dominada pelo CO2 e pelos efeitos indiretos. Para gases com vida útil de até algumas décadas a incerteza é na ordem de ±25% e ± 35% por 20 e 100 anos. “Em geral, essas incertezas aumentam com o horizonte de tempo. Além disso, para gases de vida mais curta como o metano, a incerteza da métrica GWP é maior. A confiança na capacidade de fornecer métricas em horizontes temporais longos são complicados devido a efeitos não lineares de comportamento dos gases. Assim, o AR5 (Quinto Relatório de Avaliação) do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) considera um prazo de até 100”, explica Assad.

GWP* surge para corrigir distorções

De acordo com Assad, a métrica GWP* objetiva corrigir distorções da utilização ampla da métrica GWP100 e, portanto, melhor refletir o impacto do metano nas mudanças do clima. As métricas GWP20 e GTP20 produzem trajetórias onde as emissões de metano podem variar entre 992-1.728 Mt CO2 eq. e 791-1.358 Mt CO2 eq, respectivamente, em 2050. “Fica claro que o esforço de mitigação de políticas setoriais é amplificado sob as métricas GWP20 e GTP20 quando comparado com a tradicional GWP 100”, ressalta Assad.

Quando a métrica GWP* é considerada, os cenários de emissões da pecuária mudam drasticamente. No cenário conservador, em que considera-se uma redução do tempo de abate do rebanho durante o período de 2021 até 2050, o setor poderia ser neutro em relação às emissões de metano até 2040, ou seja, a pecuária não teria implicações na variação de temperatura adicional do clima.

Por sua vez, no cenário desafiador, onde considera-se um crescimento do rebanho, as emissões em 2050 sob a métrica GWP* atingiram 777 Mt CO2 eq sugerindo uma contribuição da pecuária para o aquecimento global de 1,34 vezes maior em relação ao cenário desafiador na métrica GWP100 (576 Mt CO2 eq).

No cenário desafiador haveria uma escalada das emissões de aproximadamente 3,18% a.a. (GWP*) aumentando significamente o potencial de contribuição da pecuária para a temperatura global.

O aumento das emissões seria de 334 Mt CO2 eq a mais em relação aos níveis de 2020. No mesmo cenário, a métrica GWP100 sugere que o nível de emissões aumentaria em 198 Mt CO eq em relação aos níveis de 2020, o que equivale a um crescimento de 1,45% a.a das emissões de CH4.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × três =

Bovinos / Grãos / Máquinas

Aproveitamento de quase 100% do boi revela outro lado sustentável da pecuária

Esterco e até conteúdo digestivo são usados pela indústria frigorífica, mas ainda há espaço para melhorar.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A produção de carne bovina vai muito além da carne propriamente dita. Co-produtos como, miúdos não comestíveis, sangue, tendões, orelhas, entre outras partes do animal que outrora eram descartadas, hoje servem de insumos para diversos segmentos da indústria, agregam valor ao produto, representam uma renda extra na produção e tornam a atividade mais sustentável.

O assunto foi debatido durante a segunda edição do Acricorte, um dos maiores encontros de pecuária de Mato Grosso, realizado no Cenarium Rural, em Cuiabá (MT), pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Sérgio Pflanzer, médico-veterinário, mestre e doutor em Tecnologia de Alimentos: “Praticamente todas as partes do boi são aproveitadas pela indústria, nada é desperdiçado” – Foto: Arquivo pessoal

Na palestra “Do boi não se perde nem o berro. Para onde vão os co-produtos?”, o médico-veterinário, mestre e doutor em Tecnologia de Alimentos, Sérgio Pflanzer, salienta que a necessidade de se aproveitar todas as partes do boi é algo comum na história, porém, ao longo dos anos a indústria ampliou a gama de co-produtos feitos a partir de restos de animais de produção abatidos. “Em qualquer tipo de produção industrial de alimentos é preciso otimizar o uso da melhor maneira possível, e com isso agregar valor”, salienta.

No Brasil, o aproveitamento do que sobra do boi varia conforme o tamanho da indústria. De acordo com Pflanzer, algumas grandes empresas aproveitam próximo a 100% dos animais, desde o esterco e o conteúdo digestivo, usados para produção de compostagem, fertilizantes, e biometano, até tendões, couro, miúdos, vísceras e ossos. “Nada ou quase nada é desperdiçado, em muitos casos o aproveitamento é praticamente total”, destaca.

Outros frigoríficos de menor porte não destinam as sobras das carcaças com a mesma eficiência. Conforme Sérgio Pflanzer, muitas vezes, nesses casos, os frigoríficos são clandestinos e não conseguem direcionar esses materiais e fazem o descarte de maneira inadequada. “Nos abates fiscalizados se consegue comercializar todos os produtos da carcaça”, comenta.

Destino

O mercado Pet food absorve boa parte dos sub-produtos, especialmente os miúdos de baixo valor agregado, chifres e cascos são usados na produção farinha utilizada na fabricação de ração e outros produtos do segmento pet. A indústria farmacêutica e a de cosméticos utilizam miúdos, sangue, tendões, orelha, entre outras partes do animal como insumos para sua produção.

Segundo Pflanzer, é preciso ficar atento para as oportunidades que existem em relação aos co-produtos que podem ser comercializados, além da carne. “Algumas glândulas dos animais são usadas pela indústria farmacêutica para produção de hormônios utilizados na medicina humana”, menciona.

O couro e o conteúdo digestivo são os principais co-produtos em volume. Ossos e a gordura são usados na produção de ração, glicerina e sabão. Entretanto, de acordo com Pflanzer, recentemente a produção de biodiesel passou a utilizar uma fatia considerável desses co-produtos. “A produção de biodiesel está tomando conta. Percebeu-se que transformar a gordura animal em combustível tem uma agregação”, salienta.

Conforme Pflanzer, é difícil atrelar a utilização de co-produtos com o produtor, isso sempre fica a cargo da indústria. “O produtor não recebe diretamente por eles, recebe em partes, pelo peso e cotação do valor da carcaça”, menciona.

Embora o produtor não seja diretamente beneficiado pela venda dos co-produtos, Pflanzer salienta que é importante a colaboração com o aproveitamento ideal dos sub-produtos. Em relação ao couro, Pfzanzer destaca a necessidade do produtor evitar marcar a fogo e o excesso de parasitas para o produto não perder valor. “Nada impede que no futuro haja alguma negociação para que o frigorífico consiga talvez repassar ao produtor que preserva a qualidade do couro”, vislumbra.

Sustentabilidade

Assim como em outras atividades de produção, na bovinocultura a sustentabilidade não se resume somente ao meio ambiente. A tarefa não é simples, afinal, é preciso desenvolver a atividade de maneira realmente sustentável, associada a aspectos tecnológicos, ao crescimento econômico e com o mínimo impacto ambiental e social. “Às vezes aquilo que é não é sustentável do ponto de vista ambiental é sustentado do ponto de vista social e econômico ou vice-versa”, pontua Pflanzer.

De acordo com ele, a produção bovina sofre questionamentos em relação à sustentabilidade, especialmente ambiental, principalmente em razão, do sistema de produção extensivo utilizar vastas áreas de terra, o que de acordo com ele acaba de certa maneira prejudicando a imagem da bovinocultura, que é vista por algumas pessoas como algo prejudicial ao meio ambiente. “Em boa parte dessas áreas não se consegue produzir outro tipo de alimento. Além disso, atualmente temos uma redução e resgate de áreas de pastagens, e isso vai tornando a pecuária cada vez mais sustentável”, afirma.

Foto: Kelem Silene Guimarães/Embrapa

Outra questão por vezes atribuída à produção pecuária é a emissão de metano, entretanto, segundo Pflanzer, existem estudos científicos que indicam que esse não é o principal causador do efeito estufa. “Há trabalhos que apontam que o aquecimento climático não é causado pelo metano animal e sim pelos combustíveis fósseis”, relata.

Exportações e mercado interno

De acordo com dados da Comex Stat, em 2021 foram exportadas 1.560.220 toneladas de carne, o que rendeu uma receita de US$ 7.966,48 bilhões ao país. Os principais compradores da carne bovina brasileira são os Estados Unidos, a China e o Egito.

As exportações de carne ocupam a 6ª colocação no ranking dos principais produtos exportados, o que faz do Brasil o maior exportador de carne bovina do mundo, apesar da fatia enviada para outros países representar pouco mais de 25% da produção brasileira. “O restante da carne produzida no Brasil fica no país, algo que é muito importante em ralação ao abastecimento”, pontua Pflanzer.

A diminuição do poder de compra do brasileiro nos últimos anos, aliada ao aumento do preço da carne bovina, torna cada vez mais difícil o consumo da proteína por grande parte da população. “A carne no Brasil sempre foi barata em comparação ao mercado internacional, o que acontece agora é que ela está se equiparando ao preço praticado no mercado internacional”, afirma.

O desempenho da atividade também reflete em geração de divisas ao país e em oportunidades para milhares de pessoas Brasil afora que direta ou indiretamente, dependem da pecuária para se manter.

De acordo com Pflanzer, a pecuária brasileira gera emprego e renda para pessoas e empresas do segmento. “Considero que temos ainda que melhorar, mas a pecuária brasileira é sustentável em alguns quesitos”, afirma.

Qualidade

Segundo ele, existem muita desinformação em relação à sustentabilidade na produção de proteína animal e a respeito da importância nutricional da carne, especialmente a bovina.

Conforme o médico-veterinário, a carne foi colocada como vilã devido a gordura saturada, mas isso aos poucos vem sendo desmistificado. “Acredito que logo chegaremos a um momento de equalização das informações, e a carne vai voltar a ser vista com algo essencial para a vida humana”, completa. Ele cita como exemplo o ovo e a gordura suína, antes ditas ruins, “hoje são indicadas por médicos em substituição ao óleo de soja”, exemplifica.

Para Pflanzer, a sustentabilidade plena na pecuária brasileira é algo atingível e o setor está no caminho certo para estar em perfeita harmonia com o meio ambiente. “Nosso papel como formador dentro da universidade é justamente explicar, com base na ciência, porque a produção de carne é importante, seja por questões nutricionais, econômicas, sociais ou ambientais”, diz.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Endometrite em bovinos: causas, diagnóstico e tratamento

Inflamação uterina que pode se manifestar de forma aguda ou crônica, causando diversos prejuízos nos rebanhos bovinos. Conheça detalhes sobre fatores predisponentes, formas de diagnóstico e tratamento.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

As enfermidades que acometem o sistema reprodutor dos bovinos de leite geralmente são responsáveis por grandes perdas econômicas. Fatores como queda na produção leiteira e nas taxas de prenhez, aumento considerável nos intervalos entre partos e no descarte dos animais representam alguns impactos negativos na atividade. Nessa perspectiva, uma das doenças mais prevalentes no rebanho, atingindo 10 a 20% dos animais, é a endometrite.

Endometrite aguda, também chamada de metrite, consiste em uma inflamação, de curso agudo, que envolve toda a parede do útero, comprometendo principalmente o endométrio. Sua ocorrência é muito comum na primeira semana pós-parto e geralmente está associada a distocia, retenção de placenta e abortamento. Os principais sinais clínicos são característicos de uma inflamação, além de ocorrer descarga uterina fétida de coloração vermelha-acastanhada e febre (>39,5ºC). Casos mais graves podem causar a queda da produção de leite, inapetência, desidratação e toxemia.

Já a endometrite crônica é uma consequência da endometrite aguda e surge de maneira silenciosa, o que exige atenção ainda maior. Os sinais clínicos frequentemente ocorrem depois da regressão uterina, um mês após o parto, sendo os mais comuns: presença de muco turvo, bem diferente do muco límpido característico do cio e posteriormente repetição de cio. Alguns fatores predisponentes podem ser associados à endometrite crônica como por exemplo: problemas no parto, como retenção de placenta, distocia, natimortalidade, angulação vulvar inadequada e primiparidade.

Após o parto ocorre uma contaminação uterina por bactérias ambientais, o que propicia a ocorrência da endometrite aguda. Geralmente essa contaminação é eliminada no processo de involução uterina, porém falhas podem ocorrer nesse processo de eliminação, o que faz com que essa infecção persista por semanas ou meses, o que caracteriza a endometrite crônica. As principais falhas reprodutivas relacionadas à endometrite crônica são: repetição de cio, queda na taxa de prenhez do rebanho, aumento do intervalo entre partos e descarte prematuro de fêmeas.

Como é feito o diagnóstico da endometrite crônica?

O diagnóstico pode ser feito através do exame vaginal, que deve ser focado na detecção da secreção anormal purulenta ou mucopurulenta na vagina e na cérvix. Dentre os principais métodos podemos citar o de referência (vaginoscopia, usando o espéculo vaginal) ou a coleta e análise de muco pelo uso de um equipamento chamado Metricheck, uma sonda de aço inoxidável com uma taça de borracha semiesférica na extremidade.

O escore utilizado para avaliação através desse dispositivo consiste em: grau 0 (muco claro ou translúcido, característico de cio); grau 1 (muco contendo flocos esbranquiçados); grau 2 (exsudato contendo menos que 50% de material mucopurulento) e grau 3 (exsudato contendo 50% ou mais de material purulento).

Outra possibilidade está no uso da ultrassonografia, no intuito de checar a presença de conteúdo no lúmen uterino. É importante mencionar que quanto maior a quantidade de muco presente maior é o grau da contaminação bacteriana. Algumas análises laboratoriais podem ser feitas através da coleta de conteúdo uterino ou por biópsias endometriais, especialmente em momentos pelos quais a avaliação clínica não é suficiente para detecção de alterações.

Protocolos de Tratamentos

Como a endometrite aguda é uma doença com características sistêmicas (febre, dor, inapetência) o tratamento recomendado consiste na aplicação de medicamentos para combater a infecção e controlar o desconforto do animal, incluindo antimicrobianos em associação com anti-inflamatório não esteroidal com efeito analgésico e antitérmico. A fluidoterapia de suporte também é recomendada.

Já o tratamento da endometrite crônica visa a redução da carga bacteriana, o aumento das defesas uterinas e dos mecanismos de reparo, para desta maneira controlar as alterações inflamatórias que prejudicam a fertilidade. Em suma, o protocolo consiste na remoção de conteúdo purulento, através de uma curetagem química, administração de antimicrobianos e a indução do estro.

A irrigação do útero é muito baixa nesta fase, por isso o tratamento sistêmico não é indicado, mas sim o tratamento local. A literatura menciona a Oxitetraciclina como o antimicrobiano de eleição para uso intrauterino em casos de endometrite crônica. Possui excelente eficácia contra os microrganismos patogênicos deste tipo de endometrite e por ser pouco absorvida na corrente sanguínea, sua ação limitada ao lúmen uterino, torna-se potencializada e prolongada. Assim, o medicamento promove a descamação do endométrio contaminado.

As referências deste texto podem ser solicitadas à autora. Contato: juliana.melo@jasaudeanimal.com.br.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: Por Juliana Ferreira Melo, jornalista e médica-veterinária na JA Saúde Animal.
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Importância da saúde hepática em vacas leiteiras

Quando o fígado é cuidado, os animais tendem a responder com um feedback positivo em produção de leite, em desempenho produtivo e reprodutivo, melhora de sistema imune e, em consequência, diminuição nos índices de CCS do rebanho.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/NutriQuest Brasil

O fígado é um órgão muito importante no organismo animal, responsável por várias funções essenciais, como o metabolismo de moléculas de glicose, lipídeos, proteínas, cetogênese (produção de corpos cetônicos pelo fígado), além de ser responsável pela produção da bile, um produto emulsificante importante para a digestão das gorduras. Ele está localizado no centro do corpo, onde recebe e repassa nutrientes para todo o organismo, é um órgão de ligação entre o sistema digestivo e o sangue.

Nesta simples introdução sobre o fígado, já é possível entender o quanto ele é importante em todos os processos. Os produtos da digestão são repassados para o fígado e distribuídos. Um exemplo é a glicose, que é armazenada no fígado na forma de glicogênio sendo liberado de acordo com a necessidade de energia pelo organismo.

Uma das funções também importante do fígado é o metabolismo intermediário, sendo ele responsável por receber e direcionar as gorduras conforme a necessidade do organismo. Os lipídeos que chegam ao fígado podem seguir algumas rotas, serem metabolizados, oxidados, distribuídos e armazenados.

Nas vacas em período de transição, o fígado se torna ainda mais importante, pois neste momento necessitam de muita energia. Vale lembrar que no ciclo de produção, quando ela está nos últimos 21 dias de gestação, já não tem a capacidade fisiológica para consumir o mesmo volume de matéria seca (MS) consumido anteriormente, e as exigências nutricionais aumentam muito. É nesta fase que ocorre o crescimento fetal final, e em que a vaca precisa de mais energia para o parto, para colostragem e para o início da lactação, sendo a glândula mamaria responsável por receber uma grande quantidade de nutrientes, acelerando os processos metabólicos do fígado.

Um dos problemas que podem ser encontrados devido à alta demanda de nutrientes é a esteatose hepática (gordura no fígado), uma das alterações mais frequentes em vacas leiteiras que tenham um desempenho acelerado, característico também em animais no pós-parto.

No início da lactação ocorre a lipólise dos lipídeos, fornecendo para a vaca um suprimento adequado de energia para o parto. Quando a lipólise é intensa e se prolonga, a vaca pode apresentar doenças metabólicas muito comuns como a cetose, por exemplo, que ocorre devido ao aumento de ácidos graxos não esterificados, podendo eles serem oxidados a corpos cetônicos, dióxido de carbono ou esterificados em triacilgliceróis. No caso da cetose é quando ocorre a oxidação incompleta dos AGNE e o fígado gorduroso é proveniente do excesso de esterificação de triglicerídeos.

Para o bom funcionamento do fígado existe uma molécula chamada fosfatidilcolina, um fosfolipídio predominante (>50%) na maioria das membranas dos mamíferos que é responsável por proteger e recuperar as células do fígado. Entre as suas diversas funções, o transporte de gordura de uma célula para a outra é a principal delas. Esta molécula é responsável por reduzir a entrada de gordura no fígado e atua no transporte da lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) do fígado.

A fosfatidilcolina é uma molécula que pode ser fornecida de forma exógena na dieta de vacas em transição e lactação. A falta de fosfatidilcolina na dieta pode resultar na infiltração de gordura no fígado. A presença desta molécula aumenta a utilização e transporte dos ácidos graxos e colesterol, também é importante no processo de secreção de VLDL pelo fígado. Outra função essencial é o auxilio na absorção de gordura pelo intestino, pois ela se caracteriza como uma molécula emulsificante devido as suas extremidades (polar e apolar), com isso ela aumenta a solubilidade das micelas a nível intestinal.

Quando cuidamos do fígado das nossas vacas, seja esse cuidado via manejo alimentar adequando em todas as fases de transição e lactação, seja ele através do fornecimento de aditivos alimentares que ajudam a auxiliar o fígado nesses processos, os animais tendem a responder com um feedback positivo em produção de leite, em desempenho produtivo e reprodutivo, melhora de sistema imune e, em consequência, diminuição nos índices de CCS do rebanho.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: Por Juliana Reolon Pereira, doutora em Nutrição Animal e coordenadora técnica de Ruminantes na NutriQuest Brasil.
Continue Lendo
EVONIK 2022

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.