Avicultura
Métodos de insensibilização garantem abate humanitário e padrão de carcaça
Aplicação correta dos métodos de atordoamento é essencial para o bem-estar animal, reduz perdas no frigorífico e assegura carne de melhor qualidade.

A insensibilização antes do abate é uma etapa fundamental no processamento de frangos de corte, com impactos diretos tanto no bem-estar animal quanto na qualidade da carcaça. O procedimento tem como objetivo evitar o sofrimento das aves, reduzir o estresse e garantir um processo mais humanitário, ao mesmo tempo em que influencia aspectos como o rendimento da carne, ocorrência de fraturas e presença de hemorragias.
Segundo o médico-veterinário Eder Barbon, entre as principais técnicas utilizadas estão o atordoamento a gás, predominantemente usado na Europa, e o atordoamento elétrico, método mais comum nas Américas, incluindo Brasil e Estados Unidos. “A escolha do método e sua aplicação correta são determinantes para a eficiência do abate e a padronização do produto final. Quando bem empregados, ambos garantem insensibilização rápida e sem sofrimento para as aves”, afirma, acrescentando que as duas metodologias são aceitas globalmente e cumprem as normativas de bem-estar animal dos principais países produtores e importadores de carne de frango.
Regulamentação e certificações
Para garantir a conformidade com os padrões internacionais, os frigoríficos seguem regulamentações específicas. No Brasil, a Portaria nº 365, de 16 de julho de 2021, estabelece diretrizes para o manejo pré-abate e os métodos de insensibilização autorizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Já na Europa, a normativa 1099/2009 define parâmetros para um abate humanitário, incluindo critérios para mercados específicos, como o abate halal para países árabes
Eficiência dos métodos de insensibilização
De acordo com o médico-veterinário, o método de gás, que utiliza dióxido de carbono (CO₂), apresenta custo mais elevado devido à necessidade de equipamentos específicos e ajustes estruturais. Já o atordoamento elétrico, mais acessível, continua sendo a principal escolha no Brasil e em outros países das Américas.
Impacto na qualidade da carcaça

Médico-veterinário Eder Barbon: “Com a adoção de tecnologias adequadas, como o atordoamento elétrico, excelentes resultados têm sido alcançados, reduzindo praticamente a zero as lesões e retenção de sangue nas carcaças” – Foto: Divulgação
Erros de insensibilização podem comprometer a qualidade da carne. Segundo Barbon, falhas no processo podem resultar em fraturas, contusões e hemorragias, aumentando as perdas nos frigoríficos. “Esses danos prejudicam a carne, comprometendo qualidade e rendimento”, destaca, acrescentando: “Além disso, problemas de sangramento podem levar à retenção de sangue nas carcaças, afetando a aparência do produto e favorecendo o crescimento bacteriano, o que reduz sua durabilidade”.
Desafios e avanços na insensibilização
A adoção de novas tecnologias na insensibilização enfrenta desafios técnicos e operacionais, afirma Barbon. Ele explica que no caso de atordoamento elétrico, ajustes precisos nas configurações de tensão e corrente elétrica são essenciais para garantir a eficácia e o bem-estar do animal. “Com a adoção de tecnologias adequadas, como o atordoamento elétrico, excelentes resultados têm sido alcançados, reduzindo praticamente a zero as lesões e retenção de sangue nas carcaças”, enfatiza.
Por outro lado, o profissional ressalta que a crescente conscientização dos consumidores sobre o bem-estar animal também influencia a indústria. “Os consumidores estão mais atentos à forma como as aves são abatidas, exigindo transparência e conformidade com normas de bem-estar”, salienta Barbon, reforçando que no Brasil auditorias rigorosas garantem que os processos de insensibilização atendam às exigências sem comprometer a qualidade da carne.
Segundo o médico-veterinário, um marco importante para a indústria brasileira foi a publicação da Portaria nº 365, que, embora não descreva essas especificações técnicas, garante a conformidade com os princípios de bem-estar animal.
As novidades no processo de insensibilização e abate de frangos de corte serão apresentadas por Eder Barbon durante o 25º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que acontece nesta semana no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
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Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango
Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias
O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.
No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.
Avicultura
Por que a vacina não resolve sozinha o controle da Salmonella na avicultura
Imunização reduz multiplicação do agente, mas não impede infecção nas granjas brasileiras.

A utilização de vacinas no controle da Salmonella na avicultura ainda enfrenta um problema recorrente: expectativa equivocada sobre o que, de fato, elas entregam no campo. A avaliação foi apresentada durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR), ao discutir o papel real da imunização dentro dos programas sanitários.
Segundo a palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka, o primeiro ponto que precisa ser ajustado é conceitual: a Salmonella não é eliminada – é controlada. “A gente não vai eliminar Salmonella. A gente tem que controlar Salmonella, que é bem diferente”, afirmou.
A explicação está na própria biologia do agente. A bactéria possui múltiplos hospedeiros e capacidade de permanência no ambiente produtivo, o que inviabiliza a erradicação completa dentro dos sistemas intensivos.
Vacina não impede infecção

Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural
Um dos pontos centrais da apresentação foi a limitação funcional das vacinas. Diferentemente do que parte do setor ainda presume, elas não atuam como barreira absoluta contra a entrada do agente. “A vacina não é um campo de força. Ela não protege contra a infecção”, destacou.
Na prática, o efeito esperado é outro: reduzir a multiplicação da bactéria no organismo e, com isso, diminuir a pressão de infecção ao longo do sistema. “A vacina diminui a taxa de multiplicação do agente, melhora a defesa do organismo”, explicou. Esse efeito é suficiente para reduzir a ocorrência de sinais clínicos e contribuir para manter a bactéria em níveis baixos – muitas vezes não detectáveis -, mas não impede que a ave entre em contato com o patógeno.
Ferramenta dentro de um sistema, não solução isolada
A consequência direta dessa limitação é clara: a vacina não pode ser tratada como solução única. “Ela não deve ser usada sozinha. É mais uma ferramenta dentro de um programa de controle”, afirmou. Para a palestrante, o controle efetivo depende da combinação de fatores: biosseguridade, manejo, controle ambiental, qualidade intestinal e capacitação das equipes.
A vacina atua sobre um ponto específico: a dinâmica de multiplicação da bactéria dentro do hospedeiro.
Quebra-cabeça sanitário exige integração

Palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka: “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”
Durante a apresentação, o controle da Salmonella foi descrito como um sistema de múltiplas camadas, em que cada ferramenta cumpre uma função distinta. “A gente tem um quebra-cabeça. Não é uma bala de prata, não é milagre”, afirmou. Nesse modelo, o manejo reduz a pressão ambiental, a biosseguridade controla a entrada, a vacinação reduz a multiplicação e a microbiota intestinal atua na competição.
E há um elemento transversal: as pessoas. “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”, alertou. Mesmo com tecnologia disponível, falhas operacionais comprometem diretamente a eficácia das vacinas. “A vacina só funciona se for utilizada da maneira correta”, afirmou.
Entre os erros ainda comuns, Eva Hunka citou “dose inadequada, falhas de aplicação, manejo incorreto, uso fora do momento ideal”. A consequência é uma percepção equivocada de ineficiência, quando, na prática, o problema está na execução. “Qualquer produto para a saúde animal precisa respeitar momento de uso, dose, via de aplicação”, destacou.
Sanidade de precisão
Ao final, a especialista chamou atenção para uma lacuna recorrente no setor: enquanto áreas como nutrição e ambiência avançaram para modelos de precisão, a sanidade ainda opera, muitas vezes, de forma menos estruturada. No caso da Salmonella, isso significa abandonar soluções isoladas e trabalhar com estratégias coordenadas – em que a vacina é uma peça relevante, mas nunca suficiente sozinha.



