Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária
Metodologia seleciona árvores nativas para sistemas silvipastoris
Método classifica e ranqueia espécies arbóreas com base em sua aptidão para produção de madeira e o fornecimento de serviços múltiplos em sistemas silvipastoris

Pesquisadores da Embrapa desenvolveram uma metodologia inovadora para a avaliação de espécies arbóreas de crescimento espontâneo em áreas de pastagem, com a adoção de critérios objetivos e atributos fáceis e rápidos de serem avaliados. O resultado foi publicado no livro Guia Arbopasto e embasou o aplicativo Arbopasto.
O método classifica e ranqueia espécies arbóreas com base em sua aptidão para produção de madeira e o fornecimento de serviços múltiplos em sistemas silvipastoris. Para a Amazônia, o sistema descreveu 51 espécies nativas com crescimento espontâneo nas pastagens.
A metodologia utilizada pelos pesquisadores pode ser facilmente replicada em diferentes regiões do País. “Há uma infinidade de espécies arbóreas nativas nos diferentes biomas brasileiros, muitas vezes são pouco conhecidas e estudadas, mas que podem apresentar um potencial para uso na arborização de pastagens. Onde houver árvore de regeneração natural em pastagem, a metodologia pode ser utilizada”, explica a pesquisadora da Embrapa Rondônia Ana Karina Salman.
Segundo ela, alguns grupos de pesquisa nas regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil já manifestaram interesse em replicar a metodologia em outros biomas, como Caatinga e Cerrado. “Precisamos reconhecer que é preciso disponibilizar ferramentas que auxiliem outros pesquisadores nessa tarefa. Daí a importância dessa metodologia”, complementa Salman.
A arborização de pastagens, sistemas silvipastoris e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) são opções sustentáveis e cada vez mais presentes no dia a dia dos pecuaristas brasileiros. Mesmo com o importante papel das árvores como fornecedoras de produtos e serviços para a atividade pecuária, ainda há pouca informação sobre o uso de espécies arbóreas nativas da flora brasileira nesses sistemas.
Foco nas árvores nativas
Apesar da riqueza da flora arbórea brasileira, a maioria dos sistemas silvipastoris implantados no Brasil ainda utiliza espécies arbóreas exóticas. O desafio é identificar, caracterizar e domesticar as espécies nativas, tornando-as tão ou mais atrativas que as exóticas. O objetivo principal é que se tenha nas pastagens um número de árvores que garanta a sustentabilidade do sistema, com benefícios a todos os componentes ao longo dos anos e com práticas adequadas de manejo.
Para o pesquisador da Embrapa Acre Carlos Maurício de Andrade, a simples arborização de uma área de pastagem não deve ser confundida com um sistema silvipastoril. “No Brasil, a média de árvores em meio às forrageiras varia de 4% a 5%, quando se recomenda que a área de sombra gerada pelas copas das árvores seja de no mínimo 10% e não ultrapasse 40% ou 50% da área da pastagem, desde que as espécies usadas tenham arquitetura de copa adequada. Assim, é possível manter níveis satisfatórios de luz para o crescimento da pastagem, mantendo convivência positiva de árvores, animais e pastagem no sistema”, argumenta.
A metodologia
Dada a complexidade desses sistemas de integração, em que o componente arbóreo interage com o pasto, com os animais e, eventualmente, com culturas agrícolas, a metodologia utilizada pelos pesquisadores na Amazônia Ocidental brasileira classificou as espécies de acordo com um conjunto de 15 atributos específicos, levando em conta a importância para diferentes modalidades de sistemas.
Diferentemente dos demais, esse método tem critérios objetivos e padronizados para a seleção. É apropriado para ser utilizado como estratégia de pesquisa exploratória para definição das espécies arbóreas a serem testadas em ensaios de introdução e avaliação e em modelos de sistemas silvipastoris para ensaios de longa duração. Também pode ser aplicado na identificação de árvores ideais para compor diversas modalidades de sistemas silvipastoris, em diferentes regiões, desde que sejam seguidos os critérios definidos e as etapas necessárias.
Um dos primeiros passos da metodologia consiste na escolha do conjunto de espécies que serão avaliadas. Para isso, pode-se recorrer a bases de dados sobre as árvores nativas da região ou, preferencialmente, a estudos exploratórios que levantaram as espécies que ocorrem em pastagens cultivadas. Essa lista inicial deve ser considerada ponto de partida para os levantamentos de campo.
É importante a definição pelo grupo de trabalho das características que serão avaliadas. Elas devem estar relacionadas à facilidade de produção de mudas, velocidade de crescimento, resistência ao fogo e capacidade de regeneração natural em pastagens. E também à influência das árvores no crescimento do pasto sob as suas copas, com o aproveitamento de produtos das árvores, sejam frutos ou a madeira, e com o bem-estar animal.
A coleta de dados em campo deve ser realizada em propriedades rurais com pastagens com idade superior a dez anos e com bom grau de arborização. A presença de um mateiro (parataxonomista) experiente na equipe de campo é fundamental para assegurar a correta identificação das árvores a serem avaliadas, em tempo hábil.
Uma vez identificada pelo mateiro, a árvore deve ser georreferenciada com uso de aparelho GPS portátil e avaliada com relação a diversas variáveis. Além disso, é importante que cada árvore avaliada seja fotografada em detalhes. Essas imagens podem ser utilizadas em publicações sobre as espécies arbóreas estudadas e também são necessárias para conferir algum detalhe sobre a caracterização da espécie, confirmar a sua inclusão em determinada classe, ou assegurar que todas as árvores avaliadas pertencem à mesma espécie botânica.
Também devem ser feitas anotações sobre o estádio fenológico da árvore, incluindo floração, frutificação, presença de frutos maduros e perda de folhas parcial ou total. Informações úteis para o melhor conhecimento da espécie e sua futura multiplicação.
Os pesquisadores explicam que não basta identificar as características importantes e classificar as espécies com base nessas características. É necessário também encontrar uma maneira objetiva de ordená-las com base no seu grau de aptidão de uso em uma determinada modalidade de sistema silvipastoril. Uma forma de fazer isso é definindo a importância relativa de cada característica para a seleção. A equipe deve dar um peso para cada característica conforme sua importância.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.



