Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Metionina é muito mais do que proteína no leite

A metionina tem sido um importante foco da pesquisa em vacas leiteiras devido à relevância de seus papéis metabólicos

Publicado em

em

Divulgação

Artigo escrito por Luis Cardo, médico veterinário e consultor de Bovinos Leiteiros; e doutora Claudia Parys, gerente de Serviços Técnicos de Ruminantes da Evonik

As vacas não têm exigência de Proteína Bruta (PB) ou de Proteína Não Degradável no Rúmen (PNDR, proteína bypass). O rúmen utiliza o Nitrogênio Não Proteico (NNP) para sintetizar proteína microbiana de alta qualidade, que fornecerá a maior parte da Proteína Metabolizável (PM). Vacas de alta produção têm maior exigência de aminoácidos do que microbiota do rúmen consegue fornecer. Atender essa exigência adicional fornecendo somente mais proteína bruta, aumenta apenas a quantidade de Proteína Degradável e Não Degradável no Rúmen e isso tem alto custo ambiental, econômico e sanitário.

Estudos mostram que é possível obter produção de leite igual ou maior com dietas com menos proteína bruta aplicando uma estratégia nutricional baseada em maximizar a produção de proteína microbiana em combinação com o uso de aminoácidos protegidos da degradação ruminal para atender às exigências dos animais. Essa abordagem propicia menores custos de alimentação e maior receita bruta. Os dois primeiros aminoácidos limitantes para a produção de leite são a metionina e a lisina devido às suas baixas concentrações nas matérias primas e suas altas concentrações no leite. A metionina tem sido um importante foco de pesquisas em vacas leiteiras devido à relevância de seus papéis metabólicos. Em termos de saúde, os benefícios podem ser ainda mais importantes do que o efeito direto na produção de leite ou de proteína do leite.

Metionina: Um aminoácido funcional

Pesquisas demonstraram que a metionina fornecida no pré- e pós-parto influenciou o metabolismo após o parto através da melhora das funções hepáticas, da função dos neutrófilos e da insulina e, ao mesmo tempo, da redução do estresse oxidativo, da inflamação e dos níveis sanguíneos de ácidos graxos não esterificados. Isso provavelmente se deve ao aumento da taurina e da glutationa no fígado, reduzindo o estresse oxidativo e, portanto, as citocinas. Baixos níveis de citocinas diminuem os sinais de saciedade, levando a um maior consumo de ração. A reprodução também é afetada pela suplementação com metionina. Um pesquisador relatou redução das perdas gestacionais após a inseminação artificial de 19,6 para 6,1% em vacas multíparas com a suplementação “on top” de metionina protegida a uma dieta basal com 6,9% de Lisina metabolizável e 1,87% de Metionina metabolizável. As recomendações de metionina na proteína metabolizável publicadas no passado foram atualizadas para concentrações maiores (Tabela 1).

Quando há maior demanda de energia do que de aminoácidos, o fígado desvia os aminoácidos para o fornecimento de energia. Por exemplo, o feto depende de aminoácidos para suprir até 50% de sua glicose e o mesmo acontece com a vaca no periparto. Faz sentido correlacionar as exigências de aminoácidos com a de energia e, de fato, as recomendações mais recentes seguem esse padrão.

  1. Meta de 1,12-1,15 g Met metabolizável/Mcal EM
  2. Manter a relação Lis/Met em 2,7
  3. Calcular as exigências de Lisina (calcular primeiro de Met e depois de Lisina). O primeiro passo na formulação é maximizar a produção de energia e proteína microbianas no rúmen.
  4. Balanço com base no Leite Corrigido pela Energia
  5. Manter o N ruminal a 115% da exigência para suprir as necessidades ruminais
  6. Maximizar a proteína metabolizável microbiana com carboidratos fermentáveis

Diferentes fontes de metionina

As fontes de metionina podem ser divididas em produtos protegidos em matriz lipídica e os protegidos por outros revestimentos. As fontes de matriz lipídica dependem da gordura como veículo da metionina e são mais baratas que os produtos protegidos por outros revestimentos, fornecem uma carga útil de metionina menor e têm liberação e absorção pós-ruminal limitadas. Portanto, a maioria dos nutricionistas e produtores prefere fontes de metionina protegida por outros revestimentos, em vez de produtos de matriz lipídica. Os produtos de metionina verdadeiramente protegidos contam com a proteção de um revestimento que reduz a degradação ruminal (bypass). Os produtos mais conhecidos mundialmente são revestidos ou com etil-celulose ou com uma proteção sensível ao pH. Diferentes produtos contam com diferentes revestimentos e métodos de liberação de metionina. O produto revestido com etil-celulose libera metionina lentamente, enquanto o produto com revestimento sensível ao pH, libera metionina rapidamente no abomaso. A liberação rápida do produto sensível ao pH causa um pico sanguíneo de metionina muito acentuado, mas de curta duração. Devido a suas propriedades de liberação lenta, a metionina revestida com etil-celulose não causa pico e mantém os níveis de metionina no sangue por um período mais longo. Não há correlação entre o pico de metionina sanguínea com a maior produção de proteína do leite.

Em 2010, uma metanálise com 36 estudos avaliou fontes de metionina protegida disponíveis no mercado. (Tabela 2). Vacas alimentadas com a metionina protegida por etil-celulose produziram mais proteína (37 vs. 16g) e mais gordura (24 vs. -2g) no leite do que as suplementadas com a metionina protegida com revestimento sensível ao pH. As vacas alimentadas com a metionina protegida por etil-celulose também apresentaram maior produção de leite (350 g/d), ao contrário das que receberam a outra fonte de metionina (pH sensível) que tiveram redução (-220 g/d). As vacas suplementadas com a metionina protegida por etil-celulose tiveram maior produção de proteína e de gordura do leite, bem como maior produção total de leite. Além disso, com maior produção de leite, ocorre um efeito de diluição. Isso significa que o percentual de proteína do leite não é suficiente para diferenciar os produtos e, provavelmente, a produção total de proteína do leite ou de leite corrigido pela energia são melhores indicadores do desempenho dos produtos.

Conhecendo o seu produto

O uso de metionina protegida da degradação ruminal, juntamente com a maximização da proteína microbiana, é uma estratégia válida para aumentar a produção de leite e a lucratividade da granja. Lembre que a metionina tem outros possíveis papéis metabólicos que podem mascarar o efeito benéfico deste aminoácido e que o fornecimento adequado de energia é a primeira condição para implementar com sucesso o uso de aminoácidos protegidos. Escolher uma fonte confiável de metionina protegida não é fácil. A escolha deve ser fundamentada por dados suficientes e confiáveis da literatura científica que demonstrem seus efeitos, além de uma presença de longa data no mercado, porque a experiência prática é importante. Os níveis sanguíneos de metionina podem ser enganosos e não é aconselhável escolher produtos com base nisso. Um “pico” no nível sanguíneo só fornece informações sobre como a metionina é liberada por um produto e é preferível que o nível sanguíneo de metionina seja mantido em níveis ótimos por mais tempo. As metanálises disponíveis mostram resultados práticos constantes e melhores com produtos revestidos com etil-celulose.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho

Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Connan

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.

O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).

Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.

Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Fonte: O Presente Rural com Cepea
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

Publicado em

em

Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.