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Meta nacional: erradicar febre aftosa em cinco anos
O evento contou com a presença do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de SP (SAA), Arnaldo Jardim; do presidente do Sistema Faesp/Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Fábio de Salles Meirelles; além de membros de várias entidades representativas do agronegócio.
O principal objetivo do fórum foi apresentar algumas propostas sobre a intenção de retirar a vacinação ou diminuir sua aplicação. Sebastião Guedes, presidente do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (Giefa), afirmou que 93% do rebanho da América do Sul estão livres de aftosa, graças ao trabalho do Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa). No entanto, ele ressaltou que será necessária a união de toda a cadeia produtiva do Brasil e de outros países da América do Sul para erradicar definitivamente a doença dessa região.
Em conversa com a imprensa, Ottorino Covisi, diretor do Panaftosa, afirmou que o Paraguai tem avançado no combate à doença, após o último caso, ocorrido há cerca de quatro anos. "O principal fator de risco, no momento, é a Venezuela; recentemente, estivemos no país, para assegurar sua situação viral, porém, o acesso ainda é limitado a algumas áreas", contou.
"Temos dialogado com pecuaristas e lideranças para estabelecer um cronograma que permita um resultado efetivo, a cada ano, e que, em 2020, possamos considerar a retirada da vacinação", disse o presidente do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC), Tirso Meireles.
Em sua opinião, a manutenção da vacinação contra a febre aftosa pode desestimular os investimentos realizados pelos pecuaristas nos últimos anos. "Somos eficientes da porteira para dentro, aumentamos a produtividade e cedemos muitos hectares à agricultura, mas temos que garantir rentabilidade para continuar na atividade; precisamos erradicar a aftosa", argumentou Meireles.
Fim gradativo
Entre os Estados brasileiros, somente Santa Catarina possui o status de livre de aftosa sem vacinação. Líderes das entidades do setor garantem que o País tem condições de se tornar livre, com vacinação, já no próximo ano, e começam a detalhar projetos para o fim gradativo da campanha nacional de vacinação.
A proposta apresentada no fórum é que, das duas vacinações anuais aplicadas atualmente nos rebanhos, a primeira seja destinada aos bezerros, até completar dois anos e a segunda, anual, aos bezerros, garrotes e vacas leiteiras, por cerca de três anos.
Sebastião Guedes (Giefa) e Tirso Meireles (CNPC) apoiam a decisão do Paraná e Mato Grosso, de alcançar o status de Estados livres sem vacinar o gado. "A suspensão da vacina contra aftosa é uma tendência mundial, permite o acesso a novos mercados e com maior valor agregado, como Estados Unidos, Japão, entre outros", comentou Guedes.
Na opinião de Antônio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a discussão sobre a vacina pode até criar uma imagem não adequada para o Brasil.
"O negócio da vacina é o seguinte, bem simples, quem quiser tirar que tire, mas precisa ter segurança", argumentou. Segundo ele, o apelo que se faz é sobre a necessidade de unir esforços para resolver os problemas.
"Preciso dividir esse problema com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos Saúde Animal (Sindan), com o CNPC e com a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), que me fornece boi", apontou.
Risco x valor
De acordo com Meirelles, o valor agregado da carne bovina aumenta no mercado internacional quando os compradores consideram que não há risco de transmissão de aftosa.
"O Japão, por exemplo, chega a pagar US$ 20 mil por tonelada de língua bovina importada de países nos quais os animais não sejam vacinados, ante a média atual de US$ 4 mil a US$ 5 mil a toneladas, no caso do Brasil, que não tem acesso ao mercado in natura japonês", ilustra Guedes.
Segundo, ele, há um mercado estimado em US$ 12 bilhões anuais, formado por Japão, Estados Unidos, México, Canadá e Coreia do Sul, mas o Brasil não tem acesso, por causa de barreiras comerciais com base na aftosa. "Dos vendedores de carne bovina do mundo, o Brasil é o único que pode garantir volume, qualidade e quantidade", destacou.
Os EUA abriram espaço para a carne bovina in natura do Brasil este ano, mas os embarques ainda não ocorreram, em consequência de questões burocráticas do país e da pressão contrária por parte de pecuaristas norte-americanos.
"Estamos otimistas com a retomada das vendas para o mercado chinês, a perspectiva é excelente; em novembro, até dia 25, fechamos 22 dias com a China, com o total de 20 mil toneladas de carne", afirmou Camardelli, que acabou de voltar daquele país.
De acordo com o executivo, a entidade pretende abrir um escritório próprio na China, um mercado estimado em US$ 1 bilhão, em 2016.
Um bilhão de doses
"Vamos fechar este ano colocando no mercado 1 bilhão do doses de vacinas que estão sobre o manto do controle oficial, que são febre aftosa, raiva, brucelose e clostridiose, 80% das quais são rastreadas", disse Emilio Salani, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos Saúde Animal (Sindan). "Estamos embarcando este ano R$ 60 milhões na rastreabilidade desses produtos."
Neste sentido, Salani destacou a renovação da parceria com o Panaftosa, R$ 1,5 milhão, que vai beneficiar não apenas o controle da vacina de aftosa, mas estará à disposição das autoridades na avaliação de cobertura imunitária e circulação viral. "Desafio alguém a me dizer qual o produto que você ingere que tenha o controle e a rastreabilidade da vacina contra febre aftosa."
O executivo do Sindan afirmou que o custo sanitário de um animal de 18/20 arrobas equivale a 2,5%, quando muito, 2,8%. "Está muito equilibrado e há muito tempo trabalhamos nessa faixa." Atualmente, uma vacina contra febre aftosa é comercializada entre R$ 1,40 /R$ 1,50.
De acordo com o Salani, a produção da indústria veterinária no Brasil está muito bem adequada. "Estamos focados em profilaxia; nosso futuro aponta para vacinas, produtos biológicos na linha de organismos geneticamente modificados", previu.
Ele contou que, na Reunião Extraordinária da Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa 2015 (Cosalfa), ao ser questionado sobre quando um país deve retirar uma vacinação, seja qual for, um palestrante respondeu que "a região ou país não deve falar, deve trabalhar arduamente, ver qual a sua condição de segurança e vigilância, e, sim retirar".
Salani resumiu: "Se vocês estão seguros de que podem dar esse passo, a indústria de produtos veterinários dará o apoio e o suporte necessários."
Avanço
Presente na abertura do fórum, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, lembrou que há cem anos o Brasil importava carne bovina e hoje é o maior exportador do mundo. Também mencionou que há 19 anos São Paulo não tem registro de febre aftosa. "Houve um avanço significativo, e embora só tenhamos 5% do rebanho total de bovinos no Brasil, ainda transita pelo Estado o gado para abate e terminação da engorda, portanto, ainda há possibilidade em relação à doença", analisou o governador.
Para Alckmin, a proposta de vacinação mais espaçada para o gado adulto é interessante. "Até agradeço, porque lá em casa, em Pindamonhangaba (interior de São Paulo), quem vacina o gado sou eu mesmo", comentou.
"Estamos aqui para debater o futuro e a erradicação total da aftosa. Por isto, trouxemos pesquisadores para acompanhar e contribuir no que for preciso; vamos fazer um trabalho coordenado, afinal, sanidade é questão central na pecuária, visto que o setor de proteína animal tem alcançado recordes no Brasil, especialmente no atual momento econômico", disse Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura do Estado de São Paulo.
Segundo Jardim, o governador Geraldo Alckmin tem mencionado a importância da agricultura e da pecuária brasileira. "O grande desafio é o aumento da produtividade, com foco na pecuária sustentável, o que será muito importante para nós e para todo mundo", ressaltou.
"Valorizamos muito o fato de o Brasil incluir em sua estratégia nacional a Bolívia e o Paraguai, por uma lógica muito simples. Com a Bolívia, por exemplo, o Brasil tem 3,2 mil quilômetros de fronteira nos Estados com maior vocação pecuária, e, por esse motivo, temos que trabalhar de forma coordenada", disse Carlos Peñaranda, membro do Giefa. "Porém, passamos por muitas dificuldades em nosso país, nesse setor, e sabemos que recuperar mercado é muito mais difícil do que conseguir mercados novos."
Fonte: VS Comunicação- SNA

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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026
Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.
No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.
O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.
Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.
Padronização da produção
O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.
Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.
Mercados internacionais em expansão
O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.
Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.
Oscilações do mercado
Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.
Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.
Processo de adaptação
Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.
A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.
Gargalos persistem
Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.
A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.
Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.
Dependência do mercado interno
Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.
No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.
Pilares da pecuária
A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.
Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.
Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.
Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.
Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.
Visão de futuro
Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.
Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium
Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.
Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.
O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.
“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.
Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.
Participação técnica da Embrapa
A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.
A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.
Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.
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Faturamento da pecuária de leite aumenta 4,9% em 2025
Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição.

O Valor Bruto da Produção (VBP) da pecuária de leite deve alcançar R$ 71,5 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 4,9% em relação aos R$ 68,1 bilhões registrados em 2024, o que demonstra recuperação gradual do setor.
Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição. A evolução nominal também ajuda a recompor margens que ficaram reduzidas em 2022 e 2023.
No ranking estadual, Minas Gerais segue como o maior produtor de leite do país, com VBP projetado de R$ 18,26 bilhões em 2025, acima dos R$ 17,83 bilhões registrados no ano anterior. O Paraná vem na segunda posição, com forte incremento para R$ 11,51 bilhões, impulsionado por sistemas intensivos, cooperativismo estruturado e maior eficiência produtiva. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás completam o grupo dos principais estados da atividade.

O histórico mostra uma curva de crescimento moderado, porém consistente: de R$ 53,7 bilhões em 2018 para mais de R$ 71 bilhões em 2025, uma alta sustentada por modernização, genética, mecanização e aumento da tecnificação das propriedades, especialmente entre cooperativas e bacias leiteiras consolidadas, mas é importante destacar que essa evolução ocorre em valores correntes, sem considerar a inflação acumulada no período, o que significa que parte do avanço reflete variações de preço, e não exclusivamente aumento de produção.
Com uma expansão de 4,9% e resultados mais equilibrados entre regiões, a cadeia do leite segue avançando em direção a maior estabilidade e competitividade, reforçando seu papel social e econômico no agronegócio brasileiro.
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