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Mercosul-Egito zera últimas tarifas de acordo

Nove anos depois de entrar em vigor, livre comércio entre o país árabe e o bloco sul-americano chega à última etapa de redução de taxas de importação.

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Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Nove anos após entrar em vigor, o acordo de livre comércio entre o Egito e o Mercosul eliminará, até setembro, as últimas tarifas de importação previstas na negociação. Deixarão de ser cobradas taxas da cesta “D”, que inclui produtos como plásticos, coco e derivados, e castanhas. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – Bolívia se tornou membro pleno em 2024.

O acordo de livre comércio com o Egito foi assinado em 2010 e passou a vigorar 1 de setembro de 2017. Ele previa um cronograma de desgravação (redução) tarifária dividido em cinco cestas: A, B, C, D e E. Os produtos da cesta A tiveram desgravação imediata. Os produtos da cesta B tiveram desgravação de 25% a cada doze meses até a totalidade de isenção de impostos em setembro de 2020. Os impostos dos produtos da cesta C foram reduzidos em 12,5% ao ano até 2024, enquanto as taxas previstas na cesta D são reduzidas em 10% ao ano até chegarem a 100% em setembro deste ano. A cesta E terá cronograma de desgravação a ser definido.

Estão na cesta A perus e cloreto de mercúrio, entre outros. Integram a cesta B, bagres e pirarucus, por exemplo. Já a cesta C é composta por itens como pasta de madeira e madeira laminada. São parte da cesta D polímeros, coco e derivados. A desgravação tarifária é detalhada. Por isso, produtos de madeira, por exemplo, podem estar distribuídos, em seus diferentes tipos, por todas as cestas. O mesmo ocorre com café e derivados e carnes de animais, entre tantos outros produtos.

Cada produto exportado por um país tem um número dentro da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Esse número pode ter de dois a oito dígitos, sendo que dois dígitos indicam o capítulo de um produto, e oito dígitos representam o detalhe específico do processamento daquele produto. Café, por exemplo, é capítulo 09. Café torrado e moído não descafeinado é o 0901.21.00. Já Café verde tem número 0901.11.10. A lista de cestas dos acordos comerciais, como é o caso do Mercosul-Egito, prevê cestas e desgravações e até exceções para cada produto e processamento.

Barral: Egito é porta de entrada para os produtos brasileiros na África

Foto: Divulgação

Para o sócio da BMJ Consultores Associados, Welber Barral, a desgravação dos produtos da cesta D poderá resultar em ampliação das trocas comerciais entre Mercosul e Egito e entre o Brasil e o Egito. Ele avalia que, até o momento, o acordo foi benéfico para todos os países envolvidos.

“O Egito é um país que tem um mercado grande, é um mercado de porta [de entrada] para África, então é um mercado que interessa aos países do Mercosul e onde o Brasil tem um superávit muito grande, justamente pela exportação de alimentos. E o Brasil tem aumentado a importação, principalmente de adubos. Então, o acordo bilateral é relevante para o Mercosul, para o Brasil e para o Egito”, avalia Barral.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) organizados pela Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira mostram que as exportações do Brasil para o Egito subiram de US$ 1,7 bilhão em 2016, quando o acordo ainda não vigorava, para US$ 3,9 bilhões no ano passado. Já as importações do Brasil de produtos do Egito saltaram de US$ 94,4 milhões em 2016 para US$ 1,38 bilhão no passado.

Os principais produtos exportados ao Egito em 2025 foram milho, açúcar e carne desossada de bovino. Os principais produtos importados pelo bloco foram fertilizantes fosfatados e nitrogenados.

Oportunidades para Mercosul, Brasil e Egito

Barral cita, como exemplo, que o Brasil é um grande fornecedor de algumas categorias de plásticos. Embora também seja fornecedor de outras categorias do produto, o Egito é um grande consumidor de plástico. Por isso, a desgravação dos produtos plásticos da cesta D poderá criar oportunidades para os exportadores brasileiros. O mesmo ocorre para coco e castanhas procedentes do Brasil. “Os produtos beneficiados podem incrementar as trocas, porque tira tarifa e o produto brasileiro fica mais competitivo”, diz.

De acordo com levantamento da Inteligência de Mercado da Câmara Árabe, em 2025 o Brasil exportou US$ 37,06 milhões de produtos da cesta D ao Egito, em um aumento de 18,4% sobre 2021 e correspondente a 1% do total das exportações. Os principais produtos desta cesta exportados ao Egito foram castanha de caju, medicamentos que contém insulina, pastas químicas de madeira e tubos de outras ligas de aço. A Inteligência de Mercado identificou oportunidades de exportação para calçados com sola de borracha ou plástico, motores elétricos com potência igual ou inferior a 7,5 mil kw e melões frescos.

O mesmo levantamento mostra que no ano passado o Brasil importou US$ 195,04 milhões do Egito em produtos da cesta D, com aumento de 69,2% sobre 2021 e correspondentes a 14% do total importado do Egito. Os principais produtos comprados foram morangos congelados, fios-máquinas de ferro ou aço não ligado, outros objetos para serviços de mesa e cozinha e cordas e cabos de ferro ou aço não isolados.

As oportunidades a ser exploradas nas vendas do Egito ao Brasil, identificou a Inteligência de Mercado, estão em copolímeros de etileno, jogos de fios para velas de ignição, outras partes de aparelhos de interrupção de circuito elétricos, outras partes para tratores e veículos automóveis e outras partes para motores de explosão.

Entre os países árabes, o Mercosul mantém acordo de livre comércio também com a Palestina. A parceria dos Emirados Árabes Unidos com o bloco estava prevista para 2025, mas contina em negociação.

Fonte: ANBA

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Sementes sem comprovação de origem são apreendidas durante fiscalização no Rio Grande do Sul

Produtos permanecem retidos até julgamento dos autos de infração e podem ser condenados.

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Foto: Divulgação

OMinistério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, na última semana, operação conjunta em Dom Pedrito (RS), que resultou na apreensão de 368 toneladas de sementes de azevém com irregularidades documentais e operacionais.

Durante a fiscalização, duas empresas produtoras de sementes de espécies forrageiras de clima temperado e duas empresas cerealistas foram inspecionadas. As irregularidades constatadas motivaram a autuação dos responsáveis e a apreensão de produtos avaliados em mais de R$ 1,5 milhão.

Além da apreensão, motivada pela ausência de comprovação de origem e procedência da produção e pela prestação irregular de serviço de beneficiamento, os estabelecimentos foram devidamente autuados pelos órgãos de defesa agropecuária. Como, a princípio, as irregularidades constatadas não podem ser sanadas, os produtos permanecem apreendidos até o julgamento dos autos de infração, podendo ser condenados.

A operação ocorreu em conjunto com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI) e com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), por meio das Delegacias de Polícia Especializadas de Combate aos Crimes Rurais e de Abigeato (DECRABs) de Bagé e Alegrete.

Fonte: Assessoria Mapa
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Gargalos logísticos pressionam custos e desafiam a qualidade da produção no Mato Grosso

Pressão no corredor logístico da BR-163 tem aumentado preços dos fretes e prejudicado o escoamento de grãos.

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Foto: Mateus Dias/Aprosoja MT
Os produtores de Mato Grosso enfrentam uma safra marcada por custos logísticos elevados e menor previsibilidade no escoamento. No eixo de exportação que conecta o estado ao distrito de Miritituba, no estado do Pará, as limitações de acesso e a saturação operacional têm ampliado o tempo de viagem e encarecido o transporte, com efeitos diretos sobre a competitividade.O corredor logístico que integra a BR-163 ao sistema portuário registrou forte expansão de demanda. Em 2025, a movimentação na região de Miritituba alcançou cerca de 15.3 milhões de toneladas, avanço de 24,6% frente a 2024. O crescimento, no entanto, ocorre em um ambiente ainda sensível a restrições de fluxo e intervenções no trecho final de acesso aos terminais, o que reduz a eficiência do transporte justamente no período de maior concentração de embarques.

A pressão operacional já aparece no frete e, para o produtor, isso significa menor margem em um cenário de preços internacionais mais comprimidos. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), o quadro reforça a necessidade de melhorias estruturais de capacidade e previsibilidade logística.

Foto: RRRufino

O acesso atual aos terminais segue em processo de melhorias emergenciais, enquanto um novo acesso pavimentado, em traçado paralelo, está em construção com previsão de conclusão em novembro de 2026. Até lá, o sistema permanece sensível ao alto volume de caminhões e às limitações físicas do trecho.

De acordo com vice-presidente norte da Aprosoja MT, Ilson José Redivo, o crescimento do volume exportado não foi acompanhado por melhorias proporcionais na infraestrutura. “A produção aumenta ano após ano, mas as condições das rodovias continuam precárias. Há trechos finais de acesso que não são asfaltados e, em períodos de chuva, caminhões precisam ser rebocados um a um em subidas íngremes, formando filas que podem ultrapassar 30 quilômetros”, afirmou.

Segundo ele, o impacto econômico é direto na renda do produtor. “Hoje o frete entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) gira em torno de R$ 20 por saca. Com a soja sendo comercializada próxima de R$ 106 bruto, e menos de R$ 100 líquidos após encargos, o custo logístico compromete significativamente a margem e reduz a competitividade do produtor”, destacou. Ilson Redivo também chama atenção para um problema estrutural adicional: a capacidade de armazenamento do estado, estimada em cerca de 52% do volume produzido, o que obriga a comercialização e o escoamento em ritmo acelerado.

A produtora do município de Santa Rita do Trivelato, Katia Hoepers, acrescenta que os custos operacionais e a estrutura insuficiente nos pontos de recebimento agravam o cenário. “Para nós, o que mais impacta a rentabilidade é o frete e o custo do diesel, que pressiona toda a conta do transporte. O problema também está no porto em Miritituba, onde falta estrutura para receber os caminhões e tudo acaba travando. Além disso, houve expansão das áreas plantadas sem crescimento proporcional da armazenagem, o que gera longas filas nas tradings durante a colheita”, relatou.

Foto: Fernando Dias/Seapi

No campo, os efeitos são percebidos no dia a dia da operação. A incerteza quanto a prazos de entrega e a elevação do custo logístico impactam decisões de manejo, armazenamento e comercialização, além de ampliar riscos ao produto até a chegada ao porto.

Produtor no extremo norte do estado, Mateus Berlanda relata que as dificuldades começam ainda nas estradas regionais. “Nossa região tem alto índice de chuvas e solos com muita argila, o que dificulta o tráfego. Há muitos trechos de estrada de chão, pontes e bueiros danificados e, em períodos críticos, os caminhões simplesmente não conseguem avançar”, explicou. Ele acrescenta que o problema se estende à etapa seguinte da cadeia: “Mesmo quando conseguimos transportar a produção, enfrentamos filas de três a quatro dias nos armazéns, reflexo do déficit estrutural de capacidade e da pressão logística sobre toda a região”.

Berlanda, que produz na região de Alta Floresta, ressalta que a combinação entre infraestrutura precária, chuvas intensas e limitações de armazenagem aumenta custos operacionais e amplia o risco de perdas indiretas. “O produtor da ponta do estado enfrenta uma sucessão de obstáculos desde a colheita até a entrega final, o que encarece o processo e aumenta a insegurança da operação”, afirmou.

A expectativa do setor produtivo é que a conclusão do novo acesso pavimentado traga maior fluidez ao corredor, reduzindo o tempo de viagem e contribuindo para estabilizar os custos logísticos. Até que as melhorias estruturais se consolidem, produtores de Mato Grosso seguem absorvendo os efeitos dos gargalos sobre a competitividade da produção destinada ao mercado internacional.

“O produtor contribui com o FETHAB esperando que os recursos sejam destinados à melhoria da logística e da infraestrutura das estradas. No entanto, esse retorno não tem chegado de forma efetiva à ponta. Reconhecemos os avanços promovidos pela atual gestão do governo do estado, mas, em um cenário de margens cada vez mais apertadas, é necessário reavaliar o FETHAB. O produtor não pode seguir arcando com esse custo sem perceber resultados concretos na infraestrutura fundamental para o escoamento da produção”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

Foto: Divulgação

Nesse cenário, o fortalecimento de políticas públicas voltadas à armazenagem rural se apresenta como estratégia complementar para reduzir a pressão sobre o sistema logístico. Com maior capacidade de estocagem nas propriedades, o produtor pode planejar melhor o escoamento e evitar a concentração do transporte no pico da colheita, quando a demanda por frete aumenta e o fluxo intenso de caminhões sobrecarrega os principais corredores de exportação.

Em uma perspectiva estrutural, a Ferrogrão, ainda não leiloada e distante da entrada em operação, é apontada pelo setor produtivo como um projeto estratégico e potencialmente disruptivo para o enfrentamento dos gargalos da BR-163. A migração de parte significativa das cargas para o modal ferroviário tende a reduzir o volume de caminhões nos acessos ao distrito de Miritituba, promovendo maior eficiência logística, melhor distribuição do fluxo de transporte e alívio da pressão sobre os principais corredores de exportação com destino aos portos do Arco Norte.

Fonte: Assessoria Aprosoja MT
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LCAs alcançam R$ 589 bilhões e lideram financiamento privado do agro

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram alta de 11% no estoque e avanço de 34% nos recursos reaplicados diretamente no crédito rural.

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Foto: Shutterstock

As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) seguem como a principal fonte de recursos privados destinados ao financiamento das atividades agropecuárias no país. Em janeiro, o estoque desses títulos alcançou R$ 589 bilhões, crescimento de 11% na comparação anual. Desse total, ao menos R$ 353 bilhões foram reaplicados diretamente no financiamento rural – um avanço expressivo de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados são da nova edição do Boletim de Finanças Privadas do Agro que já está disponível no site do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A publicação é elaborada pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário e reúne dados do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários e das registradoras B3, CERC e CRDC.

Outro instrumento relevante para o crédito do setor, as Cédulas de Produto Rural (CPRs), também apresentaram desempenho positivo. O estoque total chegou a R$ 560 bilhões em janeiro, alta de 17% nos últimos 12 meses. Na safra atual, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram registrados R$ 231 bilhões em CPRs. Apesar do volume significativo, o montante representa queda de 5% frente à safra anterior.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) mantiveram a trajetória de crescimento e atingiram R$ 177 bilhões em estoque, com aumento anual de 16%. Embora movimentem valores inferiores aos das LCAs e CPRs, os CRAs exercem papel estratégico ao ampliar a presença dos títulos do agronegócio no mercado de capitais, aproximando cadeias produtivas de investidores institucionais e pessoas físicas.

Na direção oposta, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) registraram retração. O estoque recuou 15% na comparação anual, totalizando R$ 31 bilhões ao fim de janeiro. Esses títulos são emitidos exclusivamente por cooperativas de produtores rurais ou por entidades que atuam nas cadeias do agronegócio, com foco no financiamento de suas próprias operações.

O boletim mais recente também marca a retomada da divulgação dos dados sobre o desempenho dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) no financiamento privado do setor. A divulgação havia sido interrompida em março do ano passado, em razão do período de adaptação desses fundos às novas regras do Anexo VI da Resolução CVM 175. Criados em 2021, os Fiagro alcançaram, após quatro anos de operação, um patrimônio líquido de R$ 47 bilhões em dezembro de 2025, distribuídos em 256 fundos em funcionamento.

Os dados podem ser consultados no Boletim de Finanças Privadas do Agro.

Fonte: Assessoria Mapa
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