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Mercado suíno reage, mas custo de produção volta a preocupar

Após o intenso movimento de queda registrado recentemente, o mercado suíno teve uma semana mais positiva

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Arquivo/OP Rural

Após o intenso movimento de queda registrado recentemente, o mercado suíno teve uma semana mais positiva, com uma maior fluidez de negócios, principalmente nos dias que antecederam o Dia das Mães. Contudo, o analista de SAFRAS & Mercado, Allan Maia, ressalta que o escoamento da carne continua sentindo os efeitos das medidas restritivas usadas no combate ao Covid-19. “Na segunda quinzena, haverá menor espaço para recuperação, considerando a menor capitalização das famílias e as incertezas em torno do aprofundamento da crise”, alerta.

Para Maia, o ótimo desempenho das exportações é o ponto positivo neste momento, puxado pelas compras da China, ajudando a escoar parte do excedente da produção doméstica, o que pode garantir alguma sustentação dos preços nas próximas semanas.

Por outro lado, o analista reforça a preocupação, inerente a todo o setor, de que os granjeiros devem se atentar ao custo de produção, que devem seguir elevados. “O preço do milho e do farelo de soja podem seguir em alta no país, em meio ao processo de desvalorização cambial. Além disso, os produtores do milho estão mais retraídos por conta do clima para a safrinha”, sinaliza.

Levantamento semanal de SAFRAS & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo na região Centro-Sul do Brasil passou de R$ 3,88 para R$ 4,10, alta de 5,56%. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado subiu 0,70%, de R$ 8,21 para R$ 8,26. A carcaça registrou um valor médio de R$ 6,49, aumento de 2,47% ante os R$ 6,34 praticados no fechamento da semana passada.

As exportações de carne suína fresca, refrigerada ou congelada do Brasil renderam US$ 69,915 milhões em maio (5 dias úteis), com média diária de US$ 13,983 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 29,775 mil toneladas, com média diária de 5,955 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.348,10.

Na comparação com maio de 2019, houve aumento de 129,75% no valor médio diário exportado, ganho de 121,30% na quantidade média diária e elevação de 3,82% no preço. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

A análise semanal de preços de SAFRAS & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo subiu de R$ 80 para R$ 86. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo seguiu em R$ 4,10. No interior do estado a cotação passou de R$ 3,65 para R$ 4,05.

Em Santa Catarina o preço do quilo na integração aumentou de R$ 4,15 para R$ 4,20. No interior catarinense, a cotação avançou de R$ 3,80 para R$ 4,10. No Paraná o quilo vivo avançou de R$ 3,50 para R$ 3,80 no mercado livre, enquanto na integração o quilo vivo subiu de R$ 3,80 para R$ 4,00.

No Mato Grosso do Sul a cotação na integração permaneceu em R$ 4,10, enquanto em Campo Grande o preço seguiu em R$ 3,70. Em Goiânia, o preço avançou de R$ 4,00 para R$ 4,60. No interior de Minas Gerais o quilo do suíno aumentou de R$ 4,60 para R$ 5. No mercado independente mineiro, o preço subiu de R$ 4,35 para R$ 4,80. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo na integração do estado seguiu em R$ 3,70. Já em Rondonópolis a cotação passou de R$ 3,50 para R$ 3,65.

Fonte: Agência SAFRAS

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Clima e falhas de manejo explicam aumento da incidência de ferrugem-asiática da soja no Paraná

Condições mais úmidas, presença de plantas voluntárias e janela de semeadura antecipada favorecem a doença, exigindo atenção redobrada dos produtores no manejo fitossanitário.

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Foto: ANeto/Arquivo Embrapa

De acordo com o Consórcio Antiferrugem,  a safra de soja 2025/2026 conta com 144 registros de ferrugem-asiática da soja, uma das doenças mais severas para a cultura da soja: sendo 88 casos no Paraná, 44 no Mato Grosso do Sul, 5 no Rio Grande do Sul, 4 em São Paulo, 2 em Santa Catarina e 1 registro em Minas Gerais. Ao se comparar o mesmo período do ano passado, observa-se que o Paraná havia registrado 41 no início de janeiro. Portanto, o Paraná tem o dobro das ocorrências da safra passada. “O aumento no número de relatos não indica perda de controle da doença, mas sim que a ferrugem foi identificada na região e precisa ser manejada adequadamente. É um sinal de que há esporos circulando e de que o produtor precisa utilizar fungicidas com eficiência para o manejo da ferrugem.”, destaca a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja.

Na avaliação da pesquisadora, a maior ocorrência de relatos de ferrugem-asiática da soja na região Sul do Brasil está relacionada a maior sobrevivência de plantas voluntárias de soja na entressafra, à janela de semeadura, na região, e ao monitoramento da doença. A pesquisadora afirma que o clima mais úmido durante o inverno, no Sul, favorece a sobrevivência da soja voluntária — plantas que nascem espontaneamente após a colheita — e, consequentemente, do fungo causador da ferrugem. “Com a ocorrência de chuvas no inverno, há maior sobrevivência da soja voluntária, na qual o fungo acaba se mantendo”, explica. “No Cerrado, onde o inverno é mais seco, essa sobrevivência é menor”, diz a pesquisadora.

Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi

O vazio sanitário, período de 90 dias em que é proibido semear soja –  determina a eliminação das plantas de soja. “Mesmo assim, há presença significativa dessas plantas em meio a outras lavouras na região Sul, o que contribui para a manutenção da doença”, diz. Outro fator apontado pela pesquisadora é a janela de semeadura. “Estados como o Paraná iniciam o plantio já no dia 1º de setembro, assim como regiões do Paraguai. Quanto mais cedo se semeia, mais cedo a ferrugem começa a aparecer, principalmente quando há proximidade com fontes de inóculo”, afirma Cláudia.

Além disso, o número elevado de relatos no Sul também está ligado à metodologia de registro. Os dados do Consórcio Antiferrugem são contabilizados por município, e o Paraná, por exemplo, possui um número maior de municípios em comparação a outros estados. “Os registros são voluntários e dependem da atuação de técnicos e agrônomos em campo. E as regiões com forte presença de cooperativas, como ocorre no Paraná, acabam apresentando maior número de notificações”, explica Cláudia.

No Centro-Oeste brasileiro, por outro lado, a colheita se aproxima e a ferrugem tende a causar menos impacto. “Os produtores estão conseguindo maior “escape” da doença. Porém, nessa região, outras enfermidades, como a mancha-alvo, têm maior relevância econômica”, ressalta Cláudia.

Orientações ao produtor

Com o avanço da resistência do fungo causador de ferrugem-asiática aos fungicidas há a necessidade do uso de produtos multissítios em associação. Esses fungicidas atacam o fungo em múltiplos pontos do seu metabolismo simultaneamente, por isso, o risco de o fungo desenvolver resistência a eles é mais baixo. “Essa estratégia é fundamental para aumentar a eficiência do controle e prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis”, afirma.

Os produtores podem baaixar o aplicativo do Consórcio Antiferrugem na Google Play e Apple Store e acompanhar os dados do Consórcio Antiferrugem.  A eficiência dos fungicidas disponíveis no mercado pode ser consultada no aplicativo “Classificação de eficácia de fungicidas químicos e biológicos: módulo soja” no site da rede de fitossanidade tropical (RFT), com informações baseadas em ensaios cooperativos de quatro safras. As circulares técnicas com ensaios detalhados para ferrugem-asiática são disponibilizadas no site da RFT.

A publicação Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2024/2025: resultados sumarizados dos ensaios cooperativos traz informações atualizadas para colaborar com a estratégia de manejo dos produtores.

Fonte: Assessoria Embrapa Soja
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Acordo UE-Mercosul deve baratear importados e pressionar preços no varejo brasileiro

Redução de tarifas amplia entrada de produtos europeus, enquanto avanço das exportações pode afetar preços e abastecimento no mercado interno.

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

A aprovação do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul tende a gerar impactos diretos no varejo brasileiro, sobretudo pela redução das tarifas de importação. A expectativa é de que produtos europeus se tornem mais acessíveis ao consumidor final, ao mesmo tempo em que a ampliação das exportações para a Europa pode reduzir a oferta de determinados itens no mercado interno, com possíveis reflexos sobre preços.

Segundo o especialista em Comércio Internacional e Direito Econômico, Ricardo Inglez de Souza, o efeito será duplo. “Por um lado, a redução tarifária tende a tornar os produtos europeus mais competitivos no varejo brasileiro. Por outro, a maior facilidade de exportação pode levar fornecedores a direcionarem parte da produção ao mercado externo, o que pode afetar a disponibilidade de produtos no mercado local”, afirma.

Ricardo Inglez de Souza, especialista em Comércio Internacional e Direito Econômico: “A coesão entre os países do Mercosul será determinante para que os benefícios do tratado se concretizem”

Resultado de décadas de negociação, o tratado prevê a eliminação progressiva de tarifas sobre a maior parte das exportações brasileiras para a União Europeia, com cronogramas específicos por setor. O acordo também amplia o acesso de empresas brasileiras às compras governamentais europeias e moderniza regras de origem, com impacto direto na facilitação do comércio e na previsibilidade das operações internacionais.

Do ponto de vista estratégico, Inglez destaca que o acordo contribui para a diversificação das parcerias comerciais do Brasil e tende a estimular investimentos europeus, especialmente em infraestrutura, energia renovável e tecnologia, áreas ligadas à transição energética.

O especialista ressalta ainda os desafios da implementação. “Será necessário avançar na modernização regulatória, na adequação ambiental às exigências europeias e na preparação de setores mais sensíveis à concorrência, como a indústria automotiva e a química, que terão períodos de transição mais longos”, explica.

Para ele, o aproveitamento pleno do acordo também depende da coordenação regional. “A coesão entre os países do Mercosul será determinante para que os benefícios do tratado se concretizem”, menciona.

Fonte: Assessoria IW Melcheds Advogados
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ONU declara 2026 como Ano Internacional da Mulher Agricultora

Reconhecimento coordenado pela FAO busca ampliar políticas públicas, reduzir desigualdades no campo e reforça o papel feminino na segurança alimentar.

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Foto: Shutterstock

Em 2026, o mundo terá uma oportunidade histórica de reconhecer a contribuição das mulheres para a agricultura e para a segurança alimentar. A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora e confiou à FAO a coordenação da agenda global.

Trata-se de um marco que ultrapassa a dimensão simbólica: é uma convocação para que governos, instituições e sociedade transformem reconhecimento em políticas públicas, investimento, inovação e metas verificáveis capazes de reduzir desigualdades persistentes no campo.

Foto: Freepik

A FAO é clara ao apontar o propósito dessa celebração: remover barreiras que ainda limitam o potencial produtivo e social das mulheres rurais. Terra, crédito, tecnologia, assistência técnica, formação e participação na tomada de decisão seguem sendo fatores de acesso desigual.

Mesmo quando a presença feminina é expressiva, o protagonismo frequentemente não encontra os mesmos espaços de liderança, visibilidade e autonomia.

 

Ao longo da história, incontáveis etapas da produção de alimentos passaram pelas mãos das mulheres, mas o reconhecimento, o poder de decisão e a representação institucional concentraram-se, em muitos contextos, em figuras masculinas. O Ano Internacional nasce para corrigir essa distorção e acelerar uma mudança que já está em curso.

Os dados reforçam a relevância desse tema para a economia e para a sustentabilidade do setor. A participação feminina nos sistemas agroalimentares representa uma parcela significativa do trabalho no mundo, e as mulheres compõem uma fatia importante da força de trabalho global na agricultura, silvicultura e pesca. Isso revela, com objetividade, o peso econômico e social dessa atuação. Por outro lado, as desigualdades de acesso e a sobrecarga de trabalho, incluindo o doméstico e o cuidado, impõem custos à produtividade, à renda e ao bem-estar das famílias rurais. Superar essas lacunas não é apenas uma questão de justiça social; é uma estratégia para fortalecer cadeias produtivas, dinamizar territórios e ampliar a eficiência dos sistemas agroalimentares.

Em Santa Catarina, temos clareza de que valorização se traduz em condições concretas de desenvolvimento. A FAESC e o SENAR/SC apoiam e incentivam a valorização da mulher rural há muitos anos, criando oportunidades reais de formação e participação. Um exemplo é o Projeto Mulheres do Agro, iniciativa do Sistema Faesc/Senar/Sindicatos que reúne um catálogo completo de treinamentos exclusivos voltados ao público feminino. O projeto fortalece a atuação das mulheres tanto nas atividades operacionais quanto na gestão das propriedades rurais, com capacitações técnicas, de gestão e de empreendedorismo. Em pouco mais de um ano, os resultados já são expressivos e demonstram que, quando há acesso, confiança e qualificação, há transformação.

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC).

A agenda de 2026 aponta caminhos objetivos. É preciso ampliar o acesso a recursos produtivos, fortalecer a extensão rural com recorte de gênero, acelerar a inclusão digital no campo, promover participação em sindicatos, cooperativas, conselhos e espaços de governança e estimular políticas de compras públicas que gerem demanda estável para produtos liderados por mulheres. No Brasil, programas como o crédito direcionado e mecanismos de apoio à agricultura familiar mostram que há instrumentos disponíveis; o desafio é aprimorar desenho, alcance e integração, garantindo que mulheres não sejam invisibilizadas nas estatísticas e, consequentemente, nas decisões. Também é indispensável avançar no enfrentamento da violência contra a mulher no campo, com políticas públicas, prevenção e redes de proteção, porque desenvolvimento rural sustentável exige dignidade e segurança.

 

O Ano Internacional da Mulher Agricultora só fará sentido se produzir legado permanente: direitos assegurados, acesso igualitário a recursos, renda, governança inclusiva e cadeias mais eficientes. Com coordenação internacional e compromisso nacional, 2026 pode ser o ponto de virada para consolidar a presença feminina como força decisiva da agricultura contemporânea, da agricultura familiar às exportações, da inovação à segurança alimentar. A FAESC seguirá atuando para que essa agenda se converta em oportunidades reais, reconhecendo e fortalecendo quem sempre esteve na base e no comando da produção de alimentos: as mulheres do campo.

Fonte: Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)
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