Conectado com

Notícias

Mercado pecuário registra desvalorização de preços em maio

Segundo pesquisadores do Cepea, este cenário está atrelado sobretudo à maior oferta de animais neste final de safra.

Publicado em

em

Foto: Ana Maio

Os valores de toda a cadeia pecuária nacional – bezerro (de 8 a 12 meses), boi gordo para abate e carne (carcaça casada) – recuaram com certa força ao longo de maio.

Segundo pesquisadores do Cepea, este cenário está atrelado sobretudo à maior oferta de animais neste final de safra.

A maior disponibilidade de gado em 2023 – especialmente de fêmeas –, por sua vez, é resultado de investimentos realizados pelo setor pecuário nos últimos anos.

Fonte: Assessoria Cepea

Notícias

Preços agropecuários acumulam queda de 10% em 2026

Índice do Cepea mostra desvalorização em todos os grupos de produtos no acumulado do ano. Em maio, apenas os grãos registraram alta, puxados por algodão, soja e trigo.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Os preços recebidos pelos produtores rurais brasileiros seguem em trajetória de queda em 2026. Em maio, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA), calculado pelo Cepea, recuou 1,38% em relação a abril, pressionado principalmente pela desvalorização dos produtos dos segmentos de cana-de-açúcar e café.

Foto: Shutterstock

No acumulado do ano, a retração é ainda mais expressiva. O indicador registra queda de 10,01%, com perdas em todos os grupos acompanhados pelo centro de pesquisas. O maior recuo foi observado no conjunto Cana-Café, que acumula baixa de 21,49% nos primeiros cinco meses de 2026.

O desempenho mensal refletiu um movimento de enfraquecimento dos preços agropecuários no mercado interno. Em maio, o IPPA-Cana-Café caiu 8,71%, seguido pelo IPPA-Hortifrutícolas, com retração de 2,75%, e pelo IPPA-Pecuária, que recuou 0,81%. Apenas o IPPA-Grãos apresentou resultado positivo, com alta de 1,02%.

Foto: R.R.Rufino

Entre os grãos, algodão, soja e trigo foram os principais responsáveis pelo avanço do indicador. Em sentido contrário, arroz e milho registraram desvalorização e limitaram um crescimento mais expressivo do grupo.

Na pecuária, os preços do leite e do frango vivo apresentaram elevação em maio. Já boi gordo, ovos e suíno vivo registraram queda, contribuindo para o resultado negativo do segmento.

No setor hortifrutícola, a valorização da batata e do tomate não foi suficiente para compensar as baixas observadas em outras culturas. Banana, laranja e uva registraram retrações e puxaram o índice do grupo para baixo.

Já no conjunto Cana-Café, os dois principais produtos acompanharam a tendência de queda. Tanto a cana-de-açúcar quanto o café apresentaram redução nos preços em maio, reforçando o movimento de correção observado desde o início do ano.

Preços industriais superam agropecuários

Enquanto os preços pagos aos produtores rurais perderam força, os produtos industriais seguiram em trajetória oposta. O Índice de Preços ao Produtor Amplo – Oferta Global (IPA-OG-DI) avançou 1,27% em maio, mostrando um desempenho superior ao registrado pela agropecuária no período.

No mercado internacional, os alimentos tiveram valorização de 1,21% quando medidos em dólares. Entretanto, a

Foto: Divulgação

apreciação da moeda brasileira, de 0,98% no mês, reduziu parte desse efeito, fazendo com que a alta fosse de apenas 0,22% em reais.

No acumulado de 2026, os preços internacionais dos alimentos apresentam queda de 12,40% em moeda brasileira e de 1,40% em dólares. Segundo o Cepea, além da redução das cotações externas, o resultado também reflete a valorização de 11,07% do real frente à moeda norte-americana no período.

Entre os grupos acompanhados pelo IPPA, todos acumulam resultados negativos no ano. Além da queda de 21,49% em Cana-Café, os hortifrutícolas recuam 7,67%, os grãos apresentam baixa de 9,24% e a pecuária registra retração de 5,14%.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Notícias

Faesc critica veto ao Projeto dos Safristas e alerta para impactos sobre produtores e trabalhadores

Entidade afirma que medida dificulta a contratação formal, aumenta a insegurança no campo e pode afetar cadeias como maçã e cebola em Santa Catarina.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Freepik

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) manifesta profunda preocupação com o veto integral ao Projeto de Lei nº 715/2023, conhecido como Projeto dos Safristas. A medida, na avaliação da entidade, representa um grave retrocesso para o setor produtivo rural, especialmente para cadeias que dependem fortemente da contratação de mão de obra temporária, como a cebola e a maçã, culturas de grande importância econômica e social para Santa Catarina.

Vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo: “A medida criava condições para estimular a formalização, ampliar a geração de renda e oferecer mais segurança jurídica aos produtores e aos trabalhadores” – Foto: Divulgação/Faesc

O projeto aprovado pelo Congresso Nacional buscava corrigir uma distorção enfrentada no campo: o receio de trabalhadores temporários aceitarem contratos formais durante o período de safra por medo de perder o acesso a programas sociais. O vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo, ressaltou que a proposta não retirava direitos nem fragilizava a proteção social. “A medida criava condições para estimular a formalização, ampliar a geração de renda e oferecer mais segurança jurídica aos produtores e aos trabalhadores”, enfatizou.

Segundo o dirigente, a escassez de mão de obra temporária é uma realidade desafiadora no meio rural catarinense e em todo o País. “Em atividades como a colheita da maçã e da cebola, a contratação de trabalhadores safristas é indispensável para garantir o andamento da produção no período adequado. Sem mecanismos que facilitem essa contratação formal, muitos produtores ficam expostos a prejuízos, atrasos na colheita, aumento de custos e perda de competitividade”, ressaltou.

O dirigente reforça, ainda, que o campo precisa de trabalhadores com segurança, renda e oportunidades, assim como os produtores precisam de condições para contratar dentro da legalidade. “Impedir que os trabalhadores rurais possam complementar sua renda durante a safra, sem o risco de perder imediatamente benefícios sociais, estimula a informalidade e agrava um problema que o projeto buscava solucionar”, salientou.

A Faesc também acompanha com atenção o posicionamento da Frente Parlamentar da

Foto: Divulgação

Agropecuária (FPA), que recebeu o veto com consternação e perplexidade. A FPA avalia que a decisão desconsidera a realidade do campo brasileiro, penaliza trabalhadores que buscam ingressar no mercado formal e dificulta a contratação em um setor estratégico para a segurança alimentar e para a economia nacional.

Clemerson Pedrozo reforça que o Projeto dos Safristas representava uma iniciativa equilibrada e necessária para o meio rural. “A proposta contribuía para a inclusão produtiva, a formalização do trabalho, a geração de renda e a redução da insegurança nas relações de trabalho durante as safras”, destacou.

Diante disso, a Faesc defende a revisão da medida e apoia a FPA na atuação em favor da derrubada do veto no Congresso Nacional. Para a entidade, é fundamental que o país avance em políticas públicas que valorizem o trabalho, fortaleçam a produção agropecuária e reconheçam as particularidades das atividades sazonais no campo.

Fonte: Assessoria Sistema Faesc
Continue Lendo

Colunistas

Safra 2026/27 amplia peso da gestão financeira dentro das propriedades

Com custos ainda elevados, crédito mais restrito e passivos acumulados, produtores terão de equilibrar produtividade, liquidez e gestão de risco para preservar a rentabilidade.

Publicado em

em

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural

A safra 2026/27 tende a expor uma lógica econômica diferente no agronegócio. Mais do que medir desempenho pela produtividade isolada, o novo ciclo exigirá avaliar a capacidade de cada operação de sustentar margem, liquidez e disciplina financeira em um ambiente de custos ainda elevados, crédito mais seletivo, juros mais altos e passivos acumulados de safras anteriores. Em outras palavras, nesta safra, produzir bem continuará sendo necessário, mas não será, por si só, suficiente para garantir solidez econômica.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Essa mudança altera de forma relevante a leitura de risco e retorno no setor. Em ciclos mais favoráveis, parte das ineficiências operacionais e mesmo perdas localizadas de produtividade por intempéries climáticas podiam ser absorvidas por preços melhores, maior liquidez e expansão do crédito. Esse ambiente mudou. Na safra 2026/27, mesmo operações com bom desempenho produtivo podem enfrentar pressão de caixa se ingressarem no ciclo com estrutura de capital desequilibrada, alavancagem excessiva ou baixa capacidade de gerir riscos.

A diferença entre operações mais resilientes e mais vulneráveis tende a aparecer com mais nitidez. No Centro-Oeste, especialmente em regiões com maior escala e melhor diluição de custos, permanecem vantagens estruturais relevantes, mas elas já não asseguram conforto financeiro por si só. No Matopiba, o desafio tende a ser mais sensível em razão da pressão logística, da dependência de infraestrutura e da menor margem de tolerância a desvios. No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, o clima e o peso de sucessivas frustrações produtivas e renegociações anteriores torna o novo ciclo ainda mais exigente.

Nesse contexto, o desafio já não está apenas em aumentar a produtividade. Está em preservar a capacidade econômica da

Foto: Shutterstock

operação diante de uma combinação mais dura de margens estreitas, caixa pressionado, maior seletividade do crédito e exposição climática permanente. Quando o espaço entre receita esperada e obrigação financeira se estreita, qualquer frustração relevante de safra pode migrar rapidamente do campo agronômico para o financeiro.

É exatamente por isso que o seguro agrícola ganha centralidade. Em um cenário de margem comprimida, ele deixa de ser apenas um instrumento de compensação patrimonial e passa a atuar como mecanismo de preservação de liquidez, continuidade operacional e capacidade de pagamento. Proteger a safra, nesse ambiente, é também proteger a estrutura financeira da operação rural.

Esse movimento faz parte de uma transformação mais ampla do agro. Decisões de crédito, seguro e gestão de risco precisarão ser cada vez mais apoiadas por dados e inteligência, seja pela leitura do risco em nível de talhão, pelo monitoramento contínuo ou pela maior integração do seguro às operações financeiras.

O que está em jogo, portanto, não é apenas o desempenho de uma safra, mas a capacidade de manter a operação economicamente íntegra em um ambiente mais complexo e adverso. Isso exige uma agenda mais profissional de proteção, governança e gestão de risco.

Fonte: Artigo escrito por Vitor Ozaki,  PhD em Economia e professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.