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Mercado, milho e biocombustíveis serão temas do Fórum Nacional da Soja
Evento promovido pela FecoAgro/RS e Cotrijal durante a Expodireto, em Não-Me-Toque (RS), vai apresentar cenários e tendências aos produtores.

Tradicional evento dentro da Expodireto Cotrijal, o Fórum Nacional da Soja chega a sua 34ª edição trazendo importantes debates sobre o agronegócio brasileiro. Organizado pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS) e Cotrijal, com apoio da CCGL Termasa – Tergrasa e do Sescoop RS, o evento vai trazer na próxima terça-feira (05), a partir das 09 horas no Auditório Central do Parque da Expodireto, em Não-Me-Toque (RS), dois painelistas.

Fundador e CEO da Agroconsult, André Pessoa, vai tratar em um dos paineis do Fórum Nacional da Soja sobre os cenários para os mercados de soja e milho na safra 2023/2024
O primeiro deles será o fundador e CEO da Agroconsult, André Pessoa, com a palestra “Cenários Agroconsult para os Mercados de Soja e Milho – Safra 2023/2024”. Pessoa é, engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa e mestre em Economia Aplicada pela Esalq/USP. Conselheiro Certificado por experiência pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), é membro do Conselho de Administração da SLC Agrícola S.A., do Grupo Cavalca S.A. e do Grupo Otávio Lage, além de Membro do Conselho Consultivo da Agroterenas S.A. Citrus, da Ihara S.A. e do Grupo Akwwa. O fundador da Agroconsult também é membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), além de Membro Titular da Câmara de Commodities Agrícolas da B3. Membro do Conselho Curador da Fundação Certi (Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras) e do Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Um dos mais influentes empresários do agronegócio brasileiro, referência na área de bioenergia e líder na produção de biodiesel no país, Erasmo Carlos Battistella, vai abordar a temática sobre os biocombustíveis e energia renovável no cenário atual e perspectivas
O segundo palestrante será Erasmo Carlos Battistella, que abordará o tema “Biocombustíveis e energia renovável no cenário atual e perspectivas”. Battistella é considerado um dos mais influentes empresários do agronegócio brasileiro, referência na área de bioenergia e líder na produção de biodiesel no país. É técnico agrícola e administrador de empresas e, conta com mais de 20 anos de experiência em operações de Combustíveis, Petróleo, Gás e Agroenergia. É fundador e Presidente da Be8 e do Grupo ECB; Cofundador e Diretor do Conselho de Administração da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio).
Sobre os palestrantes, o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, lembra que André Pessoa é um conhecedor do mercado, que traz com o Rally da Safra “informações importantes que podem nos indicar dados mais atualizados sobre perdas e produtividades no Brasil inteiro. O André Pessoa é uma pessoa altamente conhecida entre as cooperativas e no setor de grãos e certamente tem muita informação”. Já sobre o tema discutido por Batistella, o dirigente salienta que é uma questão importante, pois há um novo aumento da participação do biodiesel na composição do diesel no Brasil. “É um biocombustível renovável, um exemplo para o mundo, e quando entra um grão de forma expressiva na produção de biocombustíveis, aumenta a demanda deste produto e isso é bom para o mercado de soja”, destaca.
O Fórum Nacional da Soja se transformou em um importante encontro de lideranças das cooperativas agropecuárias, técnicos, produtores, especialistas em mercados, pesquisadores e agentes governamentais para debater diferentes aspectos da produção, comercialização, exportação, beneficiamento, abastecimento interno e externo da soja e seus derivados, com foco nas tendências do mercado. Também como propósito, o Fórum contribuiu na discussão de perspectivas estratégicas do agronegócio do Rio Grande do Sul.
O evento proporcionou em sua trajetória grandes debates sobre temas relevantes relacionados ao complexo produtivo da soja, tais como: globalização de mercado; biotecnologia, soja orgânica, mercado internacional, custos de produção, financiamento do agronegócio, endividamento rural, securitização, política cambial, seguro agrícola, biocombustível, reforma e desoneração tributária, logística, custo Brasil, infraestrutura, competitividade da soja, agricultura de precisão, sustentabilidade e cenários do agronegócio.

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Mato Grosso atinge 50,89 milhões de toneladas e reforça protagonismo mundial na soja
Se fosse um país, estado ficaria atrás apenas de Brasil e Estados Unidos no ranking global de produção.

Os números de Mato Grosso ganham ainda mais relevância quando analisados ao longo das últimas safras e comparados ao cenário internacional. Após colher 38,70 milhões de toneladas na safra 2023/24, o estado alcança um volume estimado de 50,89 milhões de toneladas na safra 2024/25, com projeção de 47,17 milhões de toneladas para a safra 2025/26. Esse patamar coloca Mato Grosso em nível de produção semelhante ao de países inteiros, como a Argentina, que produz em torno de 50 milhões de toneladas de soja.

Foto: Gilson Abreu
Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), esse resultado é reflexo direto de anos de investimento em tecnologia, manejo eficiente e compromisso com a produção sustentável. O desempenho alcançado pelo estado não apenas reforça sua liderança no agronegócio, como também destaca o papel de Mato Grosso na segurança alimentar mundial, demonstrando que é possível produzir em larga escala com responsabilidade, inovação e foco no futuro.
Para vice-presidente oeste da Aprosoja Mato Grosso, Gilson Antunes de Melo, o volume na produção alcançada por Mato Grosso evidencia a importância estratégica do agronegócio estadual para o Brasil, tanto no abastecimento quanto no fortalecimento do balanço comercial.
“Além da soja, a produção de milho ganha cada vez mais relevância, impulsionada pelas indústrias de etanol. Esse movimento fortalece a industrialização do estado, gera mais arrecadação, viabiliza investimentos em infraestrutura e cria uma cadeia positiva em que produtor, indústria e sociedade avançam juntos. Esse cenário deve se consolidar ainda mais nos próximos anos, ampliando a competitividade e o rendimento do produtor rural”, destaca o vice-presidente.
Com um dos maiores territórios do país, Mato Grosso apresenta uma ocupação do solo marcada pelo equilíbrio entre produção e preservação. A atividade agropecuária se desenvolve de forma concentrada em áreas já consolidadas, enquanto uma parcela significativa do estado permanece preservada, abrigando importantes biomas e áreas de vegetação nativa. Esse cenário reforça que o avanço da produção ocorre de forma planejada, com respeito ao uso racional do território, à legislação ambiental e à conservação dos recursos naturais, pilares que sustentam a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio mato-grossense.
O vice-presidente leste da Aprosoja MT, Lauri Pedro Jantsch, explica que o investimento em tecnologia, manejo e sustentabilidade contribuíram para que Mato Grosso atingisse esse nível de produção, elucidando esse protagonismo do produtor mato-grossense na produção de soja mundial.
“Mato Grosso é um estado repleto de oportunidades no agronegócio. O produtor mato-grossense tem uma grande capacidade de adaptação diante dos desafios que surgem ao longo do caminho. Com investimentos em tecnologia, manejo adequado e correção de solos, é possível transformar áreas degradadas em áreas altamente produtivas. Essa capacidade de evolução e resiliência faz com que o produtor de Mato Grosso consiga converter dificuldades em resultados, promovendo produtividade e sustentabilidade no campo”, ressalta Lauri.

Foto: Jaelson Lucas
Mesmo diante de números expressivos, os produtores do estado ainda enfrentam diversos desafios que, na prática, limitam o avanço da produção e a competitividade do setor. Entre os principais entraves, o vice-presidente da região Leste destaca a logística e a armazenagem de grãos, que, quando comparadas às de outros países, ainda apresentam defasagens significativas.
“Aqui em Mato Grosso, ainda temos diversas dificuldades que atrapalham o produtor, e uma delas é a logística. No Brasil, há um déficit muito grande: temos um dos custos mais altos do mundo para transportar os grãos até os portos. Essa capacidade logística ainda é limitada e traz grandes custos para o produtor. Há também a questão da armazenagem, já que nossa capacidade de estocagem ainda é pequena, ao contrário do que ocorre com o produtor americano, por exemplo”, finaliza ele.
Diante desse cenário, Mato Grosso segue como referência mundial na produção de grãos, unindo escala, eficiência e responsabilidade ambiental. Ao mesmo tempo em que celebra resultados expressivos, o estado reforça a necessidade de avanços em infraestrutura, logística e armazenagem para sustentar o crescimento e ampliar a competitividade do setor. Com produtores cada vez mais atualizados e comprometidos, o agronegócio mato-grossense se consolida como peça-chave para o desenvolvimento econômico do Brasil e para o abastecimento alimentar global.
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Safra americana 2026/27 redesenha cenário para exportações brasileiras de grãos
Com milho mais ajustado e soja em recuperação nos EUA, Brasil pode encontrar oportunidades no cereal e maior pressão competitiva na oleaginosa.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou, durante o Outlook Forum realizado na última semana, as primeiras projeções para a safra 2026/27. Os números indicam redução na produção de milho e avanço da soja no sistema produtivo americano.
A área total plantada com milho, soja, trigo e algodão foi estimada em 94,5 milhões de hectares, levemente abaixo da safra anterior. O principal ajuste ocorre no milho, que deve perder espaço para a soja.
A área de milho está projetada em 38 milhões de hectares, com recuo em relação a 2025. Já a soja deve ocupar 34,4 milhões de hectares, com expansão sustentada por melhor rentabilidade relativa e pela dinâmica de rotação de culturas, especialmente no Meio-Oeste dos EUA. O trigo tem área estimada em 18,2 milhões de hectares, com leve queda, enquanto o algodão deve alcançar 3,8 milhões de hectares, embora a área colhida deva ficar em 3,16 milhões de hectares, devido a uma taxa de abandono próxima de 20%.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a atual relação de preços entre soja e milho na CBOT está mais favorável para a soja do que no mesmo período do ano passado, embora, considerando os contratos futuros de novembro de 2026 para soja e dezembro de 2026 para milho, a relação esteja próxima da média histórica.
Em relação à produção, o USDA projeta a colheita de milho em aproximadamente 400 milhões de toneladas em 2026/27, volume cerca de 30 milhões de toneladas inferior ao ciclo anterior. A redução é atribuída principalmente à menor área plantada, já que a produtividade estimada permanece elevada, próxima de 11,5 toneladas por hectare.
Para a soja, a produção está estimada em 121 milhões de toneladas, resultado da combinação entre maior área e produtividade projetada em torno de 3,6 toneladas por hectare. O aumento deve sustentar a expansão do esmagamento doméstico e recompor parcialmente a oferta exportável.
No trigo, a produção deve alcançar 50,6 milhões de toneladas, queda próxima de 6% em relação à safra anterior, reflexo de menor área colhida e produtividade inferior ao recorde do ciclo passado. No algodão, a produção é estimada em 3 milhões de toneladas, recuo de 2%.

Foto: Jaelson Lucas
No segmento de derivados, a produção de farelo de soja está projetada em 56,9 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 18,9 milhões de toneladas. Já o óleo de soja deve atingir 14,2 milhões de toneladas, com destaque para o uso em biodiesel, estimado em 7,8 milhões de toneladas — aumento de 17% sobre 2025/26, impulsionado por metas relacionadas ao Renewable Fuel Standard (RFS) e por políticas estaduais de baixo carbono.
O USDA avalia que a oferta americana de milho tende a ficar mais ajustada em 2026/27, enquanto a soja apresenta cenário de recuperação produtiva. Trigo e algodão têm produção menor, mas ainda contam com estoques considerados confortáveis.
Entre os fatores que devem influenciar o mercado ao longo da safra estão o comportamento das compras chinesas de soja, a definição das metas de biocombustíveis nos Estados Unidos, as condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras e a consolidação da safra sul-americana.
Um novo relatório com estimativas atualizadas de área plantada, o Prospective Plantings, será divulgado no dia 31 de março, com dados baseados em entrevistas com produtores americanos.
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Mercado do trigo reage a cenário externo e oferta limitada no Rio Grande do Sul
Enquanto o grão registra valorização, farelo acumula desvalorização e farinhas mantêm estabilidade diante de demanda moderada.

As cotações internacionais do trigo vêm registrando fortes altas, impulsionadas pela seca em áreas de cultivo de inverno nos Estados Unidos.
De acordo com o Cepea, esse movimento externo foi repassado ao mercado do Rio Grande do Sul. No estado, a alta internacional se somou à oferta mais restrita, sobretudo de trigo de melhor qualidade, elevando as cotações.
No mercado de farelo de trigo, dados do Cepea mostram que tanto o produto ensacado quanto o a granel seguem em desvalorização, devido à maior competitividade de outros ingredientes utilizados na ração animal, como o farelo de soja – também em retração –, e ao avanço da colheita do milho de verão.
Para as farinhas, os preços apresentaram estabilidade relativa no mesmo período. Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado não encontra sustentação consistente, diante de uma demanda em recuperação gradual.



