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Mercado de US$5 bi, Europa alerta para riscos de fim da Moratória da Soja na Amazônia

Farelo de soja é o principal produto nacional exportado aos europeus, sendo quase 17 milhões de toneladas na temporada anterior

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Um movimento da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) para acabar com a chamada Moratória da Soja na Amazônia coloca em risco um mercado de mais de 5 bilhões de dólares por ano do Brasil na Europa, afirmou à Reuters uma dirigente da Fediol, a associação das indústrias de óleos vegetais e farelos da União Europeia.

Se europeus considerarem que o Brasil encerrou um programa tido como importante meio para evitar desmatamentos por pressão da soja, os brasileiros poderiam perder mercados na Europa para os Estados Unidos e Argentina, segundo avaliação da indústria.

Para a Fediol, a Moratória da Soja, que proíbe a compra de grãos cultivados em áreas desmatadas no bioma amazônico após 2008, é a “única ferramenta que oferece garantias de que o desflorestamento legal, mas também o ilegal, não está acontecendo” por pressão da safra, disse Nathalie Lecocq, diretora-geral da associação, que representa processadores de grãos, refinadores e engarrafadores de óleos vegetais.

Do Brasil, os países da União Europeia importaram cerca de 5 milhões de toneladas de soja em 2018, ou 6% de toda a exportação brasileira, que atingiu um recorde no ano passado.

Mas é o farelo de soja o principal produto nacional exportado aos europeus, que ficaram com cerca de metade dos embarques totais do país, de quase 17 milhões de toneladas na temporada anterior.

“O (eventual) fim da Moratória da Soja pode sim impactar severamente os usuários de soja e farelo do Brasil na Europa, considerando que existem operadores que incluem nos contratos a referência à moratória…”, disse Lecocq.

As empresas ligadas à Fediol incluem multinacionais do agronegócio, como ADM, Bunge e Cargill.

Segundo a dirigente, implicações específicas no mercado pelo possível fim da moratória teriam que ser analisadas caso a caso, mas “é inegável que exigências ambientais se tornam crescentemente importantes para companhias e vão continuar como um importante fator no futuro”.

Para Lecocq, há um senso de “urgência” na Europa, mas também em outras regiões do planeta, de que se deve evitar mais degradação de áreas com grande biodiversidade, particularmente de florestas.

“Se as coisas saírem do controle, como os recentes dados de desmatamento demonstraram, é provável que aumente a pressão para a UE tomar medidas restritivas à soja brasileira”, disse ela.

O desmatamento na floresta amazônica brasileira atingiu neste ano o maior nível em mais de uma década, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontando que a área desmatada cresceu 29,5% nos 12 meses encerrados em julho, totalizando 9.762 quilômetros quadrados.

“Não responder a essa preocupação poderá exacerbar a rejeição da soja do Brasil e outros produtos dessa origem, como temos visto fortemente em relação a outros produtos tropicais, como o óleo de palma em certos mercados da Europa”, acrescentou.

A Moratória, encabeçada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), tem sido citada por ambientalistas e integrantes do setor como um movimento que evita desmatamento por pressão da soja.

A crítica à moratória, um pacto de mais de uma década das principais tradings que negociam commodities agrícolas, ganhou força com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, conforme reportou a Reuters no início do mês.

A associação de sojicultores Aprosoja, por sua vez, defende ideias do presidente da República, de que atividades como a agricultura, dentro da lei, são importantes para o desenvolvimento econômico da região.

Para a associação de produtores, cujas ideias vêm ganhando apoio de integrantes do governo Bolsonaro, o Brasil tem uma das legislações ambientais mais severas, e o produtor pela lei só pode utilizar para agricultura 20% de sua propriedade na Amazônia. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, chegou a afirmar recentemente que a moratória é um “absurdo”.

Vai comprar onde?

Para a Fediol, entretanto, os consumidores europeus estão mais conscientes de questões que impactam as mudanças climáticas, como o desmatamento, e “hoje estão esperando que a UE garanta ofertas de produtos sem desflorestamento”.

“A Moratória da Soja da Amazônia permite que nós, e aos consumidores do farelo de soja do Brasil, continuemos a originar dessa região, e garante com precisão que a soja não é mais um ‘driver’ de desflorestamento do bioma amazônico”, disse ela, em linha com discurso da Abiove.

Procurado na sexta-feira, o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira, disse que a visão do setor produtivo é de que apenas as associadas da Abiove e da Fediol ganham com tal moratória, e que está sendo elaborado um estudo para questionar a moratória no órgão antitruste nacional, o Cade.

“Estamos buscando documentos junto aos produtores, onde teve produção embargada pela moratória, e a gente viu que fere legislação nacional, para entramos no Cade, e tem uma chance grande de acabar com essa moratória”, afirmou Pereira.

Ele ressaltou que os compradoras de soja deveriam “pagar pelas reservas legais que estão sob zelo dos produtores a custo alto”.

Questionado, ele minimizou riscos apontados pela Fediol de um eventual embargo à soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa.

“Vai comprar onde a soja, se não comprar do Brasil? Em Marte, na lua? Não existe soja mais sustentável que a brasileira, essa moratória fez com que eles ganhassem dinheiro. Vai comprar óleo de palma? Óleo de palma também é sustentável?”, comentou, citando a palma, que muitos dizem ser vetor do desmatamento em florestas tropicais mundo afora.

Entretanto, o presidente da Abiove, André Nassar, afirma que há sim o risco de o Brasil perder mercado para seus concorrentes. Segundo ele, a guerra comercial mostrou isso, quando os europeus elevaram em 68,5% as compras de soja norte-americana em 2018, para 8,5 milhões de toneladas, uma vez que chineses estavam comprando tudo o que podiam no Brasil.

No mesmo ano, as aquisições de farelo dos EUA pela Europa cresceram 280%, para 816 mil toneladas.

Ele disse ainda que a Argentina, maior exportador global de farelo de soja, poderia ocupar o grande mercado que o Brasil tem na Europa.

Para Nassar, a soja só é considerada um produto agrícola de baixo risco para desmatamento pela Europa por conta da moratória, e por isso a associação buscará manter tal programa.

Fonte: Reuters
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Notícias Visita

Lideranças do Oeste catarinense visitam projeto de pesquisa com cereais de inverno em Chapecó

O experimento faz parte do  Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno

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Arquivo OP Rural

Na próxima segunda-feira, 27, às 9h, o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva, e os deputados estaduais da Bancada do Oeste visitarão o Projeto de Pesquisa com Cereais de Inverno no Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Cepaf) para acompanhar o andamento do projeto e os primeiros resultados.

O experimento com cereais de inverno faz parte do  Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grãos e as áreas de pesquisa foram implantadas nos municípios de Chapecó, Canoinhas, Rio do Sul, Turvo, Jacinto Machado e Campos Novos, onde são avaliados cerca de 30 cultivares em diferentes solos e climas. A ação conta com o apoio da Cooperativa Regional Agropecuária Vale do Itajaí (Cravil), Cooperativa Regional Agropecuária Sul Catarinense (Coopersulca), Cooperalfa e Cooperativa Agroindustrial Cooperja.

Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grãos

A Secretaria de Estado da Agricultura está investindo R$ 5 milhões para apoiar os produtores que apostarem no cultivo de trigo, triticale, centeio, aveia e cevada ainda nesta safra.

Importância de investir na produção de cereais de inverno

Santa Catarina é um dos maiores importadores de milho do Brasil. Todos os anos mais de quatro milhões de toneladas do grão são importados de outros estados e países para abastecer a cadeia produtiva catarinense. A intenção da Secretaria da Agricultura é ocupar as lavouras também no inverno, trazendo uma alternativa de renda para os produtores e mais competitividade para a cadeia produtiva de carnes.

Fonte: Assessoria
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Notícias Medida provisória

Produtor e agroindústria aprovam suspensão de PIS/Cofins na importação de milho

A suspensão permitirá a compra de milho de outros mercados fora do Mercosul de maneira competitiva

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Arquivo OP Rural

O Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de Santa Catarina (SINDICARNE) considerou um avanço para o setor a decisão do Governo Federal de suspender a cobrança de PIS e Cofins na importação de milho até 31 de dezembro deste ano. O objetivo é desonerar o custo de aquisição externa com foco no aumento da oferta interna buscando reduzir a pressão de preços e os custos dos criadores de animais, já que o grão é importante insumo na alimentação de bovinos, suínos e aves.

O SINDICARNE participou ativamente das tratativas para a efetivação da Medida Provisória, junto com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a bancada catarinense no Congresso Nacional. O diretor executivo, Jorge Luiz de Lima, lembra que foram feitas diversas reuniões e encaminhados ofícios explicando a importância da desoneração para a cadeia produtiva. O trabalho envolveu o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Ministério da Economia e o Ministério da Ciência e Tecnologia.

A medida consta na Medida Provisória Nº 1.071, publicada na quinta-feira (23). Após o amplo trabalho das entidades, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, entendeu a importância da desoneração em razão da quebra na produção de milho por causa da seca e do cenário de aperto no abastecimento, o que provocou alta no preço do milho. Segundo a MP, ficam reduzidas a zero, até 31 de dezembro de 2021, as alíquotas de contribuição incidentes na importação do milho. A Medida Provisória entra em vigor no quinto dia útil após a data de sua publicação.

“Essa é uma das etapas cumpridas para ajudar a viabilizar o processo de importação de milho de outros destinos. A suspensão da cobrança de PIS e Cofins é uma grande conquista que foi trabalhada via ABPA e SINDICARNE juntos aos Ministérios, mas ainda temos que superar outros fatores”, avalia Jorge de Lima.

A suspensão permitirá a compra de milho de outros mercados fora do Mercosul de maneira competitiva, melhorando o abastecimento interno e evitando reajuste nos preços das carnes para o consumidor. A expectativa é que a retirada da cobrança da tarifa represente redução de 9,25% no custo de importação ou R$ 9 por saca.

De acordo com o dirigente do SINDICARNE, agora as entidades buscam maior segurança jurídica para as compras de milho geneticamente modificado cultivado nos Estados Unidos. “Buscamos a equivalência de eventos geneticamente modificados, ou seja, reconhecimento no Brasil de eventos existentes em outros países para, junto com a isenção de PIS e Cofins, podermos importar milho dos Estados Unidos para suprir a cadeia de produção de ração que demanda o grão em larga escala e que tem escassez dentro do território nacional”, conclui.

O levantamento mais recente da Conab mostra que a produção nacional de milho safra 2020/2021 deve chegar a 85,7 milhões de toneladas, uma redução de 16,4% em comparação ao ciclo anterior (102,5 milhões de toneladas), impactada por problemas climáticos.

A falta de milho para abastecer as cadeias produtivas da suinocultura, avicultura e bovinocultura é comum em Santa Catarina, que tem um déficit anual de quase 5 milhões de toneladas de milho que o estado precisa buscar em outros mercados.

Fonte: Assessoria
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Notícias Qualidade do solo

Teste pioneiro no Brasil para determinar produtividade do solo em lavouras de soja vai ser feito no Rio Grande do Sul

As inscrições para coleta de amostras estão abertas. Projeto é uma parceria do DDPA com a startup Agrega

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Fernando Dias - SEAPDR

Pela primeira vez no Rio Grande do Sul e no Brasil, produtores de soja vão poder fazer testes de produtividade de solo, através de mapeamento em diversas áreas da propriedade, com base em análises biológicas e químicas do solo. O teste utiliza sequenciamento de DNA de bactérias e fungos do solo e análises de inteligência artificial como aliados do seu manejo.

As inscrições estão abertas e são gratuitas e fazem parte de um projeto chamado Agrega Biome Solo. Este projeto é uma parceria do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR) com as empresas Agrega e Cognitiva Brasil.

“A gente faz o sequenciamento dos microorganismos do solo e nesta análise de dados profunda correlaciona com outros dados do plantio: se teve doenças, se foram aplicados agroquímicos, quanto foi a produtividade”, destaca a pesquisadora Adriana Ambrosi, doutora em genética pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e uma das sócias da Agrega, startup instalada na Incubadora do Centro de Biotecnologia da UFRGS (https://www.ufrgs.br/cbiot/ie/)

“A população microbiana é considerada mais sensível ao manejo do que os parâmetros químicos e físicos de solo. A expectativa é de que o conhecimento sobre a microbiologia dos solos, associada aos dados químicos e de produtividade da cultura, permitam prever, com boa exatidão, a produtividade das áreas”, explica o doutor e pesquisador Luciano Kayser Vargas, do DDPA.

Segundo ele, hoje em dia, essa abordagem já está disponível para a saúde humana. Hoje é possível prever doenças a partir da análise de microbiomas (conjunto de microrganismos) da garganta ou do intestino, doenças como o diabetes. “A nossa expectativa é obter um resultado semelhante ao realizado nos Estados Unidos, que teve uma exatidão de 80% na produtividade da soja, de modo que o produtor possa buscar, se necessário, formas de melhorar seu solo do ponto de vista microbiológico”, afirma o pesquisador.

A empresa irá disponibilizar um kit para amostragem do solo, no qual o produtor colocará o solo, que ficará estabilizado até chegar ao laboratório. A partir daí, será feita uma extração do DNA presente no solo, com o uso de um kit comercial padrão. O DNA será amplificado e sequenciado em uma plataforma que permite a identificação de milhões de sequências ao mesmo tempo. Essas sequências serão analisadas para saber quais são os microrganismos presentes no solo e em que quantidades.

De acordo com Adriana, depois de rodar esta primeira fase, é possível ter um preditor de produtividade para que o agricultor de soja do Rio Grande do Sul possa saber de antemão quais áreas da sua propriedade merecem uma atenção especial no manejo na próxima safra, por ter uma predição de produtividade mais baixa.

A parceria

O projeto foi selecionado e está sendo financiado pelo Techfuturo/Fapergs, edital nº 09/2020, da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia, desde o final do ano passado como um dos projetos mais promissores para o desenvolvimento do setor agrícola do estado. E na última semana, conquistou o prêmio de Startup Inovadora pela Fapergs.

O DDPA será o responsável pelas análises químicas do solo, disponibilizará informações climáticas e prestará consultoria científica nas questões envolvendo o manejo do solo, microbiologia do solo e produtividade agrícola. E também participará da redação de artigos científicos e na divulgação dos resultados.

“A parceria com o DDPA é muito importante para nós pela cooperação acadêmica de longa data que já tínhamos no Departamento de Genética da UFRGS e pela experiência do Departamento nas pesquisas com plantio, tratamento vegetal e principalmente análise de solo”, destaca Adriana Ambrosi.

“É um projeto importante porque se trata de uma tecnologia de ponta, que pode estar disponível para o produtor rural em um prazo curto de tempo, tão logo os resultados sejam obtidos e validados. É uma forma prática de utilização do conhecimento em microbiologia e fertilidade do solo que vem sendo gerado por nossa equipe de pesquisadores ao longo dos anos”, afirma Kayser. E, segundo ele, terá uma aplicabilidade em curto prazo, disponibilizando uma nova ferramenta de diagnóstico para o agricultor.

A empresa Cognitiva Brasil, também parceira do projeto, vai fazer a análise dos dados a partir da inteligência artificial.

Inscrições para o teste de produtividade de solo

Acesso: https://forms.gle/JhYmxWWfCsbMVeXj7

Fonte: Assessoria
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ABPA – PSA

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