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Mercado de ração começa 2026 com milho em alta e farelo de soja em queda
Boletim do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa aponta movimentos distintos nos principais insumos da alimentação animal.

O mercado de grãos utilizados na alimentação animal apresenta comportamentos distintos neste início de 2026. Enquanto o milho mostra sinais de recuperação recente nos preços, o farelo de soja ainda opera em patamar inferior ao observado no mesmo período do ano passado.

Foto: Shutterstock
As informações constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados referente fevereiro, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, que acompanha fatores que influenciam os custos de produção da atividade leiteira.
No caso do milho, os valores registram leve valorização na comparação com janeiro, indicando um movimento de reação após um período de recuo ao longo de 2025. Apesar dessa recuperação pontual, os preços permanecem significativamente abaixo do nível observado no início do ano passado, refletindo um cenário de maior oferta e ajustes no equilíbrio entre produção e demanda.
A trajetória recente do cereal sugere que o mercado passou por um ciclo de queda ao longo do último ano, seguido por um processo gradual de estabilização e recomposição parcial de preços no começo de 2026. Esse movimento costuma ocorrer após períodos de forte pressão de oferta, quando o mercado começa a absorver os volumes disponíveis.
Já no caso do farelo de soja, o cenário segue mais pressionado. O produto registra queda tanto no comparativo

Foto: Juliana Sussai
mensal quanto na comparação com o mesmo período do ano anterior, indicando que o mercado ainda enfrenta um ambiente de preços mais baixos.
A retração anual mais acentuada do farelo reflete principalmente o contexto global de ampla disponibilidade de soja e derivados, além de ajustes no comércio internacional e no processamento da oleaginosa. Esse ambiente tende a limitar movimentos mais consistentes de valorização no curto prazo.
Para os segmentos de produção animal, a combinação desses movimentos gera efeitos distintos no custo das dietas. A leve recuperação do milho pode elevar parcialmente os custos energéticos das rações, enquanto o farelo de soja, principal fonte proteica, ainda contribui para moderar a pressão sobre os custos de formulação.
De forma geral, o mercado indica um período de acomodação após oscilações registradas ao longo do último ano, com ajustes gradativos nos preços dos principais insumos utilizados na nutrição animal, fatores que influenciam diretamente a estrutura de custos da cadeia do leite.

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Governo gaúcho firma parceria para ampliar uso de dados e tecnologia no agro
Protocolo assinado com a Cooperativa Central Gaúcha Ltda. prevê integração da plataforma SmartCoop com sistemas agroclimáticos e desenvolvimento de ferramentas de apoio à gestão rural.

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e a Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL), por meio da filial SmartCoop, assinaram um protocolo de intenções para ampliar o uso de tecnologias digitais no agronegócio do Rio Grande do Sul. A formalização ocorreu na terça-feira (10), durante o Fórum da Soja da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, com a presença do vice-governador Gabriel Souza, do secretário da Agricultura e de outras autoridades e lideranças do setor.
O documento estabelece o alinhamento institucional entre o governo estadual, a CCGL e a FecoAgro/RS para a futura assinatura de um termo de cooperação técnica. A iniciativa pretende ampliar o uso integrado da plataforma digital SmartCoop e desenvolver novas funcionalidades tecnológicas voltadas à gestão e ao monitoramento da produção agropecuária.
Entre as diretrizes previstas estão a ampliação da adesão de produtores à plataforma, a integração de dados agroclimáticos e o desenvolvimento de ferramentas digitais que apoiem a gestão das propriedades rurais. O projeto também prevê a conexão entre a SmartCoop e o Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro/RS), além da criação de sistemas de alerta epidemiológico e de predisposição climática para doenças em culturas agrícolas.
Ampliação tecnológica
Para o secretário da Seapi, Edivilson Brum, a parceria representa um avanço na integração entre governo e cooperativismo para impulsionar a inovação no campo. “A partir desse alinhamento, avançamos na construção de soluções tecnológicas que ampliem o uso da plataforma SmartCoop, integrem dados agroclimáticos e ofereçam ferramentas que auxiliem o produtor na gestão das propriedades. A ideia é conectar informações estratégicas e desenvolver sistemas de alerta que permitam antecipar riscos climáticos e sanitários, contribuindo para decisões mais seguras e para o fortalecimento da agropecuária gaúcha”, afirmou.
O vice-governador Gabriel Souza destacou que o uso de tecnologia e inteligência de dados tornou-se fundamental diante dos desafios enfrentados pelo setor.”O agro gaúcho precisa cada vez mais de tecnologia, informação e inteligência de dados para enfrentar os desafios do clima e do financiamento da produção. Iniciativas como essa fortalecem a gestão das propriedades, qualificam a tomada de decisão e ajudam a dar mais segurança para quem produz no campo”, disse.
O presidente da FecoAgro/RS, Paulo Madalena, ressaltou que a parceria também contribui para o avanço da digitalização no setor e pode facilitar o acesso dos produtores ao crédito.
Segundo ele, além de ampliar o monitoramento da atividade agrícola, o projeto cria um ambiente mais seguro para a organização das informações produtivas e financeiras. “A proposta está alinhada à estratégia de modernização da agricultura gaúcha, com foco na inserção dos produtores no ecossistema de inovação digital, na sistematização de informações produtivas e no aprimoramento da inteligência agropecuária aplicada à gestão pública”, afirmou.
Geração de dados para tomada de decisão
O vice-presidente da CCGL, Guillermo Dawson Jr., destacou que a cooperação deve fortalecer a geração e a organização de dados técnicos do setor produtivo, ampliando a capacidade de análise e planejamento tanto nas propriedades quanto na gestão pública.
“Este ato representa um passo importante na construção de uma inteligência coletiva voltada ao agro do Rio Grande do Sul. Atualmente, já contamos com 23 mil propriedades integradas a esse ecossistema de gestão”, informou.
O protocolo assinado tem caráter institucional e não prevê, neste momento, transferência de recursos financeiros. Os detalhes da cooperação deverão ser definidos posteriormente em um termo de cooperação técnica específico entre as instituições.
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Programa vai modernizar estradas rurais e impulsionar a produção agrícola no Brasil
Projeto prevê construção e manutenção de vicinais sustentáveis, facilitando escoamento, gerando empregos e conectando produtores a mercados.

Com o objetivo de garantir a integração das comunidades rurais, o desenvolvimento econômico local e a melhoria das condições de escoamento da produção agrícola, a Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (11), o Projeto de Lei 4673/2024, que cria o Programa de Infraestrutura Rural Sustentável.

Deputado Adriano do Baldy: “A criação deste programa representa um passo importante para a redução das desigualdades regionais, promovendo a inclusão social e o fortalecimento da agricultura familiar, além de gerar emprego e renda nas comunidades rurais”
O texto, de autoria do deputado Adriano do Baldy (PP-GO), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), busca aperfeiçoar a acessibilidade e a conectividade nas áreas rurais, favorecendo o escoamento da produção agrícola e a integração com os centros urbanos. De acordo com o parlamentar, os recursos do programa serão destinados à construção de novas estradas vicinais, com foco em acessibilidade e segurança, à melhoria das condições de tráfego nas vias já existentes e à manutenção contínua dessas estradas, com a realização de reparos periódicos e adequações necessárias, mediante o uso de tecnologias limpas e sustentáveis.
“A criação deste programa representa um passo importante para a redução das desigualdades regionais, promovendo a inclusão social e o fortalecimento da agricultura familiar, além de gerar emprego e renda nas comunidades rurais. Ao adotar práticas e tecnologias ecológicas, o programa não só melhora a acessibilidade das áreas rurais, mas também contribui para a conservação ambiental, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento local”, afirmou Baldy.

Deputado Neto Carletto: “É uma medida acertada para enfrentar essa deficiência histórica” – Fotos: Divulgação/FPA
O relator da matéria, deputado Neto Carletto (Avante-BA), também integrante da bancada, destacou que a proposição é de “extrema relevância” para o sistema de transportes brasileiro, uma vez que as estradas vicinais constituem componente essencial da malha rodoviária nacional e representam o elo entre as áreas de produção rural e os centros de distribuição e consumo. Segundo ele, a deficiência nessa infraestrutura compromete não apenas o escoamento da produção agrícola, mas também o acesso das populações rurais a serviços essenciais e aos centros urbanos.
“É uma medida acertada para enfrentar essa deficiência histórica. A incorporação de práticas sustentáveis na construção e manutenção das vias demonstra alinhamento com as tendências contemporâneas de desenvolvimento responsável da infraestrutura de transportes”, concluiu Carletto.
A matéria segue para a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara.
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Ritmo de colheita diminui e clima pode afetar produção do milho safrinha no Oeste do Paraná
Chuvas irregulares e plantio tardio aumentam a apreensão em meio à colheita da soja e à projeção de 17,5 milhões de toneladas para o milho.

O ritmo de colheita já diminuiu na região Oeste do Paraná. Isso porque agora boa parte dos produtores segue na expectativa da produção do milho safrinha. E o clima, que é sempre o aliado do produtor nessa época, tem preocupado.

Foto: Gilson Abreu/AEN
De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a previsão para os próximos dias na região indica temperaturas elevadas e possibilidade de pancadas de chuva irregulares, cenário que mantém a apreensão dos produtores. “Estamos com muitas chuvas irregulares, ou seja, chove muito em algumas áreas e em outras não chove nada. E é essa falta de chuva, aliada à previsão de pouquíssimas chuvas, que tem causado uma apreensão com relação à produção”, explica o professor de Agronomia da PUCPR Câmpus Toledo, Alexandre Luis Muller.
Outro fator que pode contribuir para as perdas na produção é o plantio tardio do milho safrinha. “Na nossa região, quase toda a soja já foi colhida e os produtores já conseguiram fazer o plantio do milho, por isso os resultados da soja foram bons. Mas temos algumas áreas de soja semeadas mais tarde, que ainda estão colhendo, e nessas, em que a produção também enfrentou um período de pouca precipitação, o resultado da produção está afetado”, avalia Muller.
Produção de grãos
No Paraná, as projeções consolidam a soja como a principal cultura, segundo a Previsão Subjetiva de Safra do Departamento de Economia Rural (Deral) e da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A expectativa é que a produção ultrapasse 22 milhões de toneladas do grão no Estado. A produção total da safra de verão, entre todas as culturas, é estimada em 25,9 milhões. “A soja é consolidada como a principal cultura da nossa região, e os resultados, de quem colheu dentro do esperado, são muito bons. De maneira geral as expectativas foram superadas na região”, afirma o professor da PUCPR Toledo.
Já a projeção do milho safrinha, o Deral prevê 17,5 milhões de toneladas no Estado. O volume representa uma queda leve de 1% comparado à produção da temporada passada. “E o momento segue de muita incerteza para os produtores. Há uma necessidade de mais chuvas durante o desenvolvimento da cultura para que possamos ter bons resultados, mas ainda não há uma boa previsão do clima para os próximos dias”, enfatiza o agrônomo.



