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Mercado de carnes nobres avança também no Brasil

Não é só a Europa que quer comer melhor; fazendas em São Paulo e Mato Grosso do Sul são usadas para produzir carne com conceito e atingir o consumidor brasileiro mais seletivo

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Uma empresa criada em 2010 no Estado de São Paulo, com fazenda no Mato Grosso do Sul, decidiu apostar na sustentabilidade para atingir um mercado mais seletivo do mercado interno, que procura por cortes nobres e produzidos com boas práticas socioambientais. A Beef Passion abate em torno de 200 animais por mês, comercializando com o selo Rainforest Alliance, que lhe confere o título de carne 100% sustentável. A exemplo do consumidor de países desenvolvidos, o brasileiro também começa a querer comer melhor.

Apesar de trabalhar com gado de corte desde 1988, Antônio Ricardo Sechis, fundador da empresa e idealizador do conceito, começou a comercializar sob esse novo modelo em 2010. Para ele, a produção precisa ser conceituada. “Quando pensamos em qualidade, intrinsecamente pensamos também em conceito. Quando pensamos em conceito temos que pensar em planejamento. Quando delineamos o planejamento, temos que ter projeto que dê consistência ao planejado. A proposição de produzir carne de qualidade envolve a situação geográfica, a qualidade da água, a qualidade genética, um sistema de manejo eficiente, cuidados com toda etapa de produção”, conta.

Sechis tem um sentimento quase paternal com o rebanho. “Cuidar do bovino de boa genética, para que se torne uma carcaça de valor nobre, é como cuidar de uma criança, ter paciência e bons ensinamentos para com ela em todo ciclo que ela terá que passar. Em cada etapa da vida, dedicar os cuidados de nutrição, manejo e bem-estar. É importante ter a ideologia de graduar o boi para que ele se torne melhor ao longo do tempo”, entende.

A empresa faz todo o processo, da inseminação ao abate e comércio. “Nós verticalizamos o processo, da escolha genética ao abate. Qualidade não tem como terceirizar. Todas as fases exigem cuidados especiais. Ninguém se faz melhor, nem ganha bom status no curto prazo. Precisamos da longevidade para nos tornarmos melhores. Tudo tem um ciclo. De modo geral, o ciclo da carne é muito terceirizado, e o que se espera em cada semiciclo é a boa margem de lucro que esse pode oferecer – com isso, bons cuidados com os bovinos ficam em segundo plano”, avalia o produtor.

“Nós fazemos diferente. Olhamos para o boi, oferecemos a melhor condição dele ter bom status ao longo do tempo. Os cuidados vão desde a escolha genética ao tipo e manejo de gramíneas, para oferecer o melhor conteúdo de nutrientes aos animais, tanto nas pastagens no Mato Grosso do Sul como no “spa bovino” em Nhandeara (SP)”, conta.

O produtor diz que o objetivo é oferecer conforto, bem-estar e cuidados desde o momento da inseminação até a insensibilização no brete de abate para extrair o máximo de qualidade do animal. “Após o abate, as carcaças são descansadas em tempo ideal para realização da proteólise muscular. Após esse descanso, são efetuados os cortes, embalados a vácuo e colocado à disposição para comércio”, diz. Os cortes sem osso são resfriados, enquanto os com osso são congelados.

Estudos feitos em parceria com a Unesp – Universidade Estadual Paulista de São José do Rio Preto – permitiram à marca atingir bons níveis de nutrientes que enobrecem o corte. “A carne é proveniente de bovinos com genética de boa fibra, que permite colocar bom conteúdo de gorduras, vitaminas e minerais. Os animais recebem tratamento especial de bem-estar, dieta alimentar para produzir a melhor fonte de proteína animal. Proteína com a melhor composição de ácidos graxos (gorduras insaturadas), que qualifica a carne bovina. Com isso, produzimos carne que faz bem à saúde humana, pois reduz o colesterol, aumenta a massa magra, elimina gordura, melhora os sistemas cardiológico e imunológico. Hoje existem estudos que mostram que as gorduras insaturadas melhoram também nossa atividade cerebral”, pontua.

O público-alvo é restrito, mas seletivo. “Com esses cuidados e alta qualidade da carne queremos atingir público exigente, tais como atletas de alta performance, chefs de cozinha elaboradores de conceitos, que preparam pratos diferenciados, com matéria-prima de alta qualidade, que proporcionam alto sabor e alimentação saudável; e para quem tem o prazer de degustar carne bovina de qualidade, que apetece o paladar e proporciona digestibilidade leve e agradável”.

Sustentável

O abate gira em torno de 200 animais por mês – 40 da raça wagyu e o restante angus australiano. A carne chega ao consumidor com o certificado de 100% sustentável. “O certificado da Rainforest Alliance é um salvo-conduto para o meio ambiente. É a responsabilidade de possuir rebanho bem ajustado em todas as condições de integração lavoura-pecuária-floresta, em harmonia com o homem no uso da terra. É manter os quesitos de sustentabilidade em primeiro plano, com respeito ao trabalhador rural, executando os trabalhos seguindo as normas de medicina e segurança do trabalho, além de manter uma organização de métodos e princípios melhorando a cada dia a relação da atividade ao meio ambiente”, explica Sechis. “Estamos melhorando o status do boi, o meio ambiente e a saúde do ser humano. Estamos qualificando e dignificando toda uma cadeia produtiva da pecuária de corte, que é extremamente significativa para atividade econômica do nosso país”, pontua.

O produtor entende que a busca por qualidade é uma curva ascendente, sem volta, gerando novas oportunidades à pecuária de corte. “O mundo está cada vez mais globalizado; o conceito de excelência de produtos está mais próximo das pessoas. As mudanças de hábitos e inovações conceituais fazem parte da evolução do ser humano. O consumidor tem hoje acesso a informações de produtos e preparos do mundo inteiro em uma tela de computador. Existe boa parte da população que tem proposta de ser mais saudável, de se preocupar com nutrientes obtidos de boas práticas, seja pela qualidade nutricional ou pelo respeito à produção”, argumenta.

Brasil

Para ele, o Brasil ainda tem um mercado a crescer, mas esses produtos precisam ser melhor valorizados. “Evidente que no primeiro mundo as normas são mais rígidas, o consumidor é melhor informado e os produtos de qualidade são melhor valorados. No Brasil estamos ainda em transformação. Estamos falando de um produto de que somos o maior produtor do mundo. Temos, porém, que qualificá-lo melhor, usar métodos de produção que qualificam melhor a carne bovina. Os projetos mais sustentáveis têm uma tendência a serem melhor qualificados e valorados, apesar de apenas uma pequena parte da população estar consciente desse processo. No caso da carne bovina, não basta ser apenas sustentável. De modo geral, o consumidor mais exigente procura carne macia, que é a principal característica organoléptica do produto. Para isso é necessário ter animais de boa fibra e de bom sistema de manejo”, justifica.

Mundo

Para o produtor e empresário, existe uma tendência natural de aumento do consumo de carne bovina no mundo e o Brasil precisa ser protagonista no fornecimento. “Somos o maior produtor dessa proteína. O mundo vai olhar para o Brasil e ver a possibilidade de obter essa demanda. Outros mercados produtores não têm condições de atender essa expansão. O que precisamos é qualificar melhor nossos bovinos, ajustar a pecuária de corte a projetos sustentáveis. Com isso, agregaremos mais valor no produto exportado. Nossa carne precisa ganhar melhor status internacional. Isso será muito bom para a cadeia produtiva da pecuária de corte e para balança comercial brasileira”, sugere.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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