Suínos
Melhoramento genético na piscicultura engatinha no Brasil
Assim como em outras culturas, o melhoramento genético feito na piscicultura garante que a produtividade seja mais rentável ao produtor
A piscicultura tem se desenvolvido no Brasil com velocidade no Brasil. Nos últimos anos, a atividade tem ganhado notoriedade e crescido exponencialmente. Antes vista como uma cultura secundária, atualmente ela tem recebido investimentos pesados, como em genética. Assim como as outras cadeias produtivas brasileiras, a piscicultura tem passado por processos para que a torne maior, mais moderna e competitiva no mercado nacional e internacional. A partir de estudos relevantes sobre o assunto e investimentos de empresas nacionais, a genética chega para colocar a atividade em outro patamar, assim como fez com outras a suinocultura e a avicultura, por exemplo. Mesmo assim, a tecnologia ainda está distante dos açudes das propriedades rurais.
O melhoramento genético em peixes ainda é recente e pouco encorajador, mas muito importante para a evolução da produtividade e dos lucros do produtor, explica o engenheiro agrônomo e empresário do ramo de melhoramento genético em peixes no Brasil, Ricardo Neukirchner. “Podemos comparar o que está acontecendo hoje na piscicultura com o que aconteceu com o frango há anos. Apenas com uma grande diferença: os ganhos genéticos vão ser obtidos muito mais rapidamente, uma vez que as tecnologias estão dominadas e o grau de informação é muito maior”, conta o profissional, que trabalha com piscicultura na área de produção de alevinos há 22 anos.
Neukirchner comenta que são diversos os benefícios que o melhoramento genético traz para a cultura. Ele informa que, com esse poderoso aliado, é possível produzir peixes com melhor desempenho zootécnico, menor consumo de ração, maior rendimento de filé e até mesmo resistente a doenças.
Conforme o profissional, a genética pode contribuir até mesmo para o aumento do consumo de peixes no país, já que a tendência, com a evolução genética nos açudes, o preço se torne mais atrativo para o consumidor. “Com genética, o produtor vai ter melhor ganho e o consumidor vai ter preço mais baixo. Reduzindo custos de produção, conseguimos reduzir o valor do pescado para o consumidor final”, frisa.
Outras vantagens que o melhoramento genético traz para a piscicultura estão “o ganho de peso por tempo de cultivo, melhor conversão alimentar, homogeneidade dos lotes e, muitas vezes, melhor rendimento da carcaça e melhor acúmulo de gordura”, acrescenta o doutor em Ciências Ambientais e pesquisador de piscicultura, Aldi Feiden. “A maior vantagem é que, com os cruzamentos das diversas linhagens do programa de melhoramento, obtém-se o maior vigor da heterose, ou seja, busca-se selecionar os indivíduos que expressem o melhor desempenho das características que se busca para ter os peixes mais produtivos”, explica.
Começa no Alevino
Neukirchner comenta que, como em outras atividades de produção, como gado, suínos, frango ou grãos, o alevino, nesse caso, é o início de todo o processo. “Se o produtor comprar uma semente de má qualidade, ele pode ter o melhor manejo, melhor alimento e uma somatória de fatores ambientais favoráveis, mas mesmo assim ele não vai ter sucesso, pois a semente é de má qualidade. É fundamental que o produtor busque genética de qualidade para sua produção (de peixes)”, alega. Ele diz que sem genética não se pode buscar o potencial máximo de produção, saudando em prejuízos enormes e, em muitos casos, inviabilizando a atividade. “Genética é o início de todo o processo”, reforça.
Melhoramento no Brasil
Feiden conta que desde a década de 1970 ocorreram importações de linhagens de peixes melhoradas no Brasil, financiadas por órgãos governamentais, como a importação de várias linhagens de tilápia e carpas no Nordeste do país para aumentar a pesca nos açudes daquela região. O doutor acrescenta que no Paraná, nos anos 1980, foram introduzidas várias linhagens de tilápias e de carpas pelo Centro de Piscicultura de Toledo, no Oeste do Estado, que na época era vinculado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Hoje é vinculado ao Instituto de Pesquisa em Aquicultura Ambiental (InPAA), da Universidade Estadual Oeste do Paraná (Unioeste). “Isso fomentou a criação de peixes em viveiros escavados e a implantação de várias estações de produção de alevinos na região”, conta.
Já em 1996 foi realizada a importação de uma nova linhagem melhorada da tilápia nilótica da Tailândia, feita pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná, e a extinta Alevinopar, associação que reunia os produtores de alevinos do Oeste do Estado, lembra Feiden. Em 2005, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) iniciou e conduziu o programa de melhoramento da tilápia nilótica em parceria com a Embrapa, com a linhagem Gift importada da Malásia. “Esta teve resultados muito interessantes, já que realizou o melhoramento por mais de 15 gerações de um grupo com 60 famílias, focando o ganho de peso dos animais”, conta o doutor.
Feiden acrescenta que paralelamente houve a importação de uma linhagem, também da Malásia, por uma empresa privada, que recebeu o nome de Genomar Supreme Tilápia. “As atividades da UEM incluíram a participação de diversos piscicultores e universidades para testar a campo o desempenho dos animais em diversas regiões do Brasil”, informa.
O pesquisador complementa que atualmente, com a descontinuidade do programa conduzido pela Embrapa e suas parcerias, principalmente com relação à tilapicultura, há um grande vácuo e incertezas quanto a novos investimento na área. “Em relação a programas de melhoramento de espécies nativas, há alguns projetos no Norte e Centro-Oeste do país com o tambaqui, mas nenhum programa amplo e de longo prazo, e sim estudos e pesquisas pontuais”, comenta Feiden. Ele diz que seria importante que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que recentemente incorporou o Ministério da Pesca e Aquicultura, por meio do Departamento de Pesca e Aquicultura, voltasse a investir, por meio de políticas públicas, em programas de melhoramento para as principais espécies de aquicultura, principalmente em programas descentralizados e envolvendo o setor produtivo, de forma planejada e continuada.
Ricardo Neukirchner complementa que no momento, no Brasil, ainda há entrada de grupos muito fortes de fora do país que já trabalham com o melhoramento há muito tempo e dominam muito bem esse trabalho. “Com recursos de investimento pesados e conhecimento técnico na área, os resultados vão acontecer de maneira muito rápida. O avanço será visto e sentido em pouquíssimo tempo”, afirma.
Espécies Melhoradas
É possível observar muito claramente os resultados do melhoramento genético da tilápia no Brasil, segundo Neukirchner. “(A tilápia) é o peixe mais cultivado e importante na piscicultura do país. Com o melhoramento genético, hoje conseguimos produtividades muito acima das conseguidas anos atrás”, conta.
Feiden também lembra que na década passada a Embrapa conduziu, em parceria com várias instituições públicas e privadas, um programa de melhoramento genético para quatro espécies aquícolas de importância econômica no Brasil, três de peixes, sendo a tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus), o surubim cachara (Pseudoplatystoma reticulatum), o tambaqui (Colossoma macropomum) e uma de crustáceos, o camarão branco (Litopenaeus vannamei). “Além deste programa, há diversas ações isoladas de pesquisas em melhoramento genético em nossas universidades e centros de pesquisas do país, além da importação de linhagens melhoradas por empresas produtoras de alevinos”, conta o pesquisador.
Porém, Feiden conta que a grande dificuldade em iniciar programas de melhoramento genético para espécies de peixes das bacias hidrográficas brasileiras é o alto custo de implantação e manutenção de um programa por várias gerações. “Pois, para várias espécies de peixes, a maturação sexual de cada geração pode chegar até a três anos, como no caso de algumas espécies de alto valor comercial, como o pintado (Pseudoplatystoma corruscans) e o pacu (Piaractus mesopotamicus), por exemplo”, explica. Assim, para um programa para estas espécies precisaria pelo menos de um programa com 15 anos para haver um peixe melhorado geneticamente, complementa.
Para o Produtor
Neukirchner explica que o produtor, em geral, não deve pensar em ele mesmo fazer o melhoramento genético, uma vez que ele não tem os recursos e informações necessárias para conseguir resultados satisfatórios. “É impossível e financeiramente injustificável o produtor rural fazer o melhoramento na sua propriedade. Os investimentos são muito altos e pela baixa demanda o projeto não se paga”, afirma. Ele ainda acrescenta que o melhoramento genético só pode ser feito por grandes grupos, já que são necessários investimentos na casa dos milhões de reais, e somente com a venda de grandes volumes de alevinos melhorados geneticamente a atividade justifica o investimento.
Feiden acrescenta que da forma como hoje está estruturada a cadeia produtiva da piscicultura, principalmente paranaense, focada na produção familiar, é muito difícil algum produtor ou grupo de produtores investir em um programa de melhoramento. “Isso devido ao alto custo de implantação e manutenção do programa”, explica. Ele diz que seria importante um programa de longo prazo, por meio de parceiras entre o setor privado e as universidades ou centros de pesquisa públicos, para as espécies nativas com potencial econômico.
O pesquisador ainda acrescenta que, apesar de dificilmente os programas de melhoramento serem conduzidos por produtores, eles têm um papel importante nestes programas para fazer a validação dos resultados a campo e, com isso, avaliar e mostrar os resultados das etapas de melhoramento e discutir com os melhoristas os rumos a seguir. “Também, no caso da tilapicultura, é importante a participação do setor industrial no processo de avaliação dos resultados, pois, neste caso, o maior desempenho produtivo a campo pode não expressar o melhor rendimento industrial do pescado, e a avaliação pelas indústrias pode também auxiliar no direcionamento do programa e também a financiar estes programas de melhoramento genético, a exemplo do que aconteceu com o setor de rações para peixes, no qual as indústrias de processamento de rações foram muito importantes para a melhoria da qualidade das rações disponibilizadas ao setor aquícola nos últimos anos”, comenta.
Os profissionais destacam como empecilhos outras exigências que são necessárias na propriedade para que o melhoramento genético seja feito. “É necessária e fundamental a presença de uma equipe técnica muito especializada, como geneticistas, por exemplo. Esses profissionais é que vão garantir o sucesso desse processo”. A forma de criação é diferente da engorda. “A estrutura específica para o manejo dos peixes é totalmente diferente de uma piscicultura de engorda, por exemplo”, esclarece Neukirchner.
Feiden acrescenta que nas unidades de produção de alevinos geralmente se fazem ações de seleção de reprodutores, mas de forma massal e sem os critérios exigidos em programas de melhoramento genético. Mesmo assim, o pesquisador garante que tem mostrado alguns resultados positivos, principalmente em espécies nativas, mantendo plantéis de reprodutores que produzam alevinos de qualidade. “Este ainda é um setor em grande expansão e que não consegue produzir o suficiente para anteder a toda a demanda regional e nacional”, afirma.
Além disso, ainda é necessário que haja o acompanhamento de profissionais da área para que o procedimento tenha os resultados esperados. “Todo empreendimento comercial de produção de alevinos necessita um responsável técnico, e um programa de melhoramento genético deve ser executado por uma equipe multidisciplinar que envolva todos os segmentos, como geneticistas, estatísticos, zootecnistas e outros profissionais das Ciências Agrárias, além dos piscicultores para fazer a validação dos resultados a campo”, entende. Ele diz que para que um programa de melhoramento genético tenha sucesso é muito importante o planejamento inicial e a condução por um logo período, para que se tenha o maior número de gerações sucessivas, pois em cada geração pode-se ter ganhos superiores a 15% em relação ao ganho de peso, que já foi observado pelo programa de melhoramento da tilápia.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2016 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.
Suínos
Estudantes do Oeste do Paraná desenvolvem soluções para o mercado agro global
Projetos criados na Faculdade Donaduzzi e incubados no Biopark utilizam inteligência artificial e ciência de dados para aumentar eficiência, reduzir custos e acelerar a digitalização do campo.

O Paraná, um dos principais motores do agronegócio mundial, pode ampliar a digitalização do campo com a entrada de novas soluções tecnológicas no mercado. O Biopark, ecossistema de inovação sediado em Toledo, oficializou a incorporação de projetos desenvolvidos por estudantes da Faculdade Donaduzzi à sua trilha de produção comercial.
Compliance no campo
Outra frente tecnológica que conquista o mercado nacional foca na desburocratização do agronegócio. Criada por estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, a solução automatiza a gestão de licenciamentos ambientais e de outorgas.

Foto: Shutterstock
A plataforma emite alertas inteligentes sobre prazos legais, evitando multas e paralisações operacionais. A ferramenta reduz custos logísticos para as grandes integradoras ao eliminar vistorias burocráticas presenciais. Inicialmente voltado à piscicultura, o software poderá ser adaptado a outros setores que exigem controle regulatório.
Trilha empreendedora
O avanço das soluções tecnológicas para a fase comercial é estruturado pela Trilha Empreendedora do Biopark, modelo que organiza a transformação de projetos acadêmicos em negócios sustentáveis. O programa é dividido em etapas que contemplam maturação tecnológica, validação de mercado, com foco em marketing, vendas e precificação, e residência no parque tecnológico, etapa voltada à conexão com investidores e parceiros estratégicos. “Estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.
A consolidação do modelo também reflete a estratégia acadêmica da Faculdade Donaduzzi, que direciona a formação para desafios concretos do agronegócio. A proposta integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em ambiente de inovação, aproximando estudantes das demandas reais do setor produtivo.
Segundo a gerente acadêmica Dayane Sabec, o objetivo é formar profissionais com capacidade de converter conhecimento técnico em valor econômico e social. “Nosso objetivo é formar profissionais capazes de transformar conhecimento em valor econômico e social, conectando ciência, tecnologia e empreendedorismo. Quando um projeto acadêmico alcança o mercado, reafirmamos a potência de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula e contribui diretamente para o desenvolvimento regional e nacional”, destaca.


