Bovinos / Grãos / Máquinas Avanços em produtividade
Melhoramento genético eleva produtividade e qualidade das raças zebuínas no Brasil
A pecuária de corte representa hoje cerca de 30% do PIB do agronegócio nacional e gera uma receita superior a R$ 400 bilhões por ano. Para se chegar a esse patamar foi necessário aprimorar e modernizar os sistemas de produção, organizar processos e melhorar as condições de manejo nutricional dos animais, além de investir em melhoramento genético para alcançar melhores níveis de produtividade a fim de atender as exigências do mercado.

Constantes investimentos em tecnologia para melhorar a produtividade e a qualidade da carne bovina consolidou o Brasil como um dos principais produtores de gado de corte do mundo, fazendo com que o produto brasileiro alcançasse maior competitividade e chegasse ao mercado de mais de 150 países. A pecuária de corte representa hoje cerca de 30% do PIB do agronegócio nacional e gera uma receita superior a R$ 400 bilhões por ano.
Para se chegar a esse patamar foi necessário aprimorar e modernizar os sistemas de produção, organizar processos e melhorar as condições de manejo nutricional dos animais, além de investir em melhoramento genético para alcançar melhores níveis de produtividade a fim de atender as exigências do mercado.
Detentor do maior rebanho bovino do mundo, as raças zebuínas são predominantes na pecuária de corte brasileira, abrangendo mais de 80% da produção nacional. São raças puras de Zebu Nelore, Nelore Mocho, Kangayam, Sindi, Guzerá, Gir, as três últimas também têm aptidão leiteira; enquanto as raças neozebuínas são Brahman, Indubrasil e Tabapuã.
De origem indiana, a maior virtude econômica desses animais é que melhor se adaptam ao clima tropical por serem mais resistentes a temperaturas altas, clima seco, insolação e a doenças, características pelas quais fazem o Brasil ter o melhor rebanho de zebus do mundo, resultado de investimentos constantes em melhoramento genético e manejo nutricional para alcançar níveis melhores de eficiência e produtividade.
Há mais de cinco décadas, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) desenvolve o Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), considerado o maior projeto do mundo destinado ao aprimoramento de todas as raças zebuínas e ao fortalecimento das cadeias produtivas da carne e do leite.
A iniciativa auxilia os produtores no processo de seleção dos animais, identificando os bovinos mais precoces, férteis, de melhores índices de ganho de peso ou de produção leiteira, disponibilizando ao mercado informações genéticas consistentes que atestam as performances dos rebanhos inscritos nas provas zootécnicas da ABCZ.
PMGZ
O programa PMGZ é desenvolvido em várias etapas, que compreendem coleta de dados, processamento das avaliações genéticas, divulgação e orientação sobre o uso dos resultados. A cada semestre as avaliações genéticas das raças zebuínas de corte são atualizadas pela ABCZ, tendo como base as informações das provas zootécnicas, que englobam três etapas: Controle do Desenvolvimento Ponderal (CDP), Provas de Ganho em Peso (PGP) e o Controle Leiteiro (CL), o que permite oferecer ao mercado informações genéticas atuais sobre o desempenho dos rebanhos inscritos no Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas (SRGRZ).
As pesagens são trimestrais e intercaladas, uma é feita por um técnico da ABCZ e a outra pelo criador. Para a avaliação genômica, o criador coleta o pelo do animal e envia à ABCZ, que encaminha codificado ao laboratório especializado credenciado à entidade para fazer o exame.
O programa tem uma entrada anual de aproximadamente 250 mil novos animais e atualmente já supera a marca de 15,5 milhões de pesagens de zebuínos desde que o projeto foi implantado em 1968.
Avaliações Genéticas
Todos os animais jovens, machos e fêmeas, matrizes e touros, participantes do Controle Leiteiro recebem as avaliações genéticas através do Sumário do Leite e os participantes do CDP através do Sumário de Corte. Os dados das Provas de Ganho em Peso também são considerados para a formação das avaliações genéticas, no entanto se restringem apenas aos machos jovens de cada propriedade.

Gerente de Melhoramento Pró-Genética da ABCZ, Lauro Fraga Almeida: “A carne de zebu brasileira é consumida em mais de 140 países, o que atesta a qualidade do produto oferecido ao mercado consumidor” – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural
De acordo com o gerente de Melhoramento Pró-Genética da ABCZ, Lauro Fraga Almeida, todos os dados levantados pelo PMGZ são fontes para geração das avaliações genéticas de animais jovens e adultos. A avaliação abrange a Diferença Esperada na Progênie (DEP), que reúne informações do animal e de seus parentes, indicando a diferença esperada na produção média da progênie de um determinado animal em relação à produção média das progênies de todos os animais que participam da mesma avaliação, ou seja, é o resultado da DEP que definirá o uso ou não de determinado animal como reprodutor.
Por exemplo, se há dois touros no rebanho, o touro A com DEP+40 kg para peso ao sobreano e o touro B com DEP+25 kg para peso ao sobreano, espera-se que, em média, a progênie do touro A pese 15 kg a mais que a progênie do touro B, no caso de todos os outros fatores não apresentarem alteração.
Como a DEP é uma estimativa deve ser acompanhada sempre da Acurácia (AC), que mede o grau de confiança da expectativa da DEP, ou seja, quanto maior o número de informações utilizadas na avaliação genética de determinado animal, maior será a AC de suas DEPs. O valor da Acurácia varia de 1 a 99% e deve ser usada como uma referência para a intensidade de uso deste animal. A Acurácia calculada nas avaliações genéticas do PMGZ segue as recomendações metodológicas da Federação de Melhoramento de Carne.
Características avaliadas
Nas avaliações da DEP são levantadas informações sobre o crescimento de cada animal por meio do peso a desmama, peso ao ano, peso ao sobreano (aos 450 dias de idade dos filhos) e ganho em peso pós desmama; em relação à habilidade materna são avaliados o peso à fase materna – efeito materno (medida na fase de 120 dias de idade do animal) e o total materno do peso a desmama; na parte reprodutiva são colhidos dados como idade ao primeiro parto, stayability, perímetro escrotal ao ano e o perímetro escrotal ao sobreano; na análise morfológica são feitas as avaliações que englobam a estrutura corporal, a precocidade e a musculosidade; e ainda é realizada a ultrassonografia da carcaça, que permite fazer a avaliação da composição corporal dos animais (área de olho de lombo, acabamento de gordura e marmoreio), o que possibilita a seleção de animais com carcaças uniformes e específicas para determinados mercados.
Por fim, é feita uma avaliação técnica visual chamada de EPMURAS, que analisa a estrutura corporal, a precocidade, a musculosidade, o umbigo, a caracterização racial, aprumos (proporções, direções, angulações e articulações dos membros anteriores e posteriores) e a sexualidade, características que ajudam os técnicos a ter uma visão tridimensional dos animais. “Então todas essas informações nos dão uma garantia muito grande do rebanho de cada criador, direcionando pontos de melhorias que precisam ser feitos no rebanho de cada propriedade”, expõe Almeida.
De acordo com o profissional, cerca de duas mil propriedades espalhadas por todas as regiões do território nacional participam do PMGZ. “Esse programa desempenha um papel importante no crescimento do número de novos criadores das raças zebuínas, porque quando um garrote novo chega à propriedade com dois anos de idade, por exemplo, ou uma novilha entra em reprodução, temos uma perspectiva do que vão produzir através da DEP desses animais”, destaca Almeida.
Vantagens do PMGZ
Entre as vantagens do PMGZ estão a melhora da fertilidade do rebanho, melhora os índices de ganho de peso, diminui o intervalo entre gerações, coloca à venda animais testados, agregando valor; proporciona aos criadores a produção de animais prontos mais jovens para o abate; oferece ao consumidor carne de melhor qualidade; diminui o custo de produção por unidade de produto e melhora a relação custo/benefício; aperfeiçoa os recursos da propriedade, aumenta a lucratividade do produtor, além de evidenciar os animais mais precoces.
Pró-Genética
Com o objetivo de contribuir para o aumento da produção sustentável da bovinocultura de corte e de leite no país, a ABCZ desenvolveu em 2006 o programa Pró-Genética, que passou a fazer parte do PMGZ. No ano seguinte, o Estado de Minais Gerais tornou o Pró-Genética uma política pública, aderida também pelos Estados do Espírito Santo, Rondônia e Tocantins. A iniciativa tem apoio dos governos federal, estaduais e municipais, órgãos de pesquisa, de extensão rural, de defesa sanitária animal e de capacitação e formação de mão de obra rural.
Segundo Almeida, o Pró-Genética visa aumentar a produção de carne e leite nas pequenas e médias propriedades rurais, através do uso de touros melhoradores, além de proporcionar ao pequeno e médio produtor rural possibilidades de aumento de renda, através da melhoria da produtividade e, consequentemente, da qualidade do seu padrão social; estimular os governos municipais, estaduais e federal a criar políticas públicas de fomento e apoio financeiro aos pequenos e médios produtores rurais; e estabelecer uma conexão real e contínua entre o segmento da produção de genética especializada – os chamados rebanhos “elite” – e a base da produção – rebanhos comerciais, de forma a garantir o fluxo de genética superior para a base produtiva.
No ano passado, a ABCZ fez o mapeamento genético de 180 mil animais. Almeida diz que o intuito da associação é fazer anualmente cerca de 100 mil genotipagens para que os animais tenham uma maior acurácia e uma maior garantia na DEP. “A parte de desempenho de cada animal é até fácil de se conseguir, porque seus filhos nos fornecem essas informações, mas a parte reprodutiva até uma filha ou um filho entrar em reprodução é mais difícil de mensurar, da mesma forma que a parte da habilidade materna das filhas de um determinado touro. Então quando se faz a DEP nós aumentamos a confiança nessa informação, o que nos possibilita usar mais esses animais jovens com uma maior garantia e automaticamente diminuir o intervalo de geração”, pontua o gerente de Melhoramento Pró-Genética.
Democratização no acesso às raças zebuínas
O Pró-Genética democratiza o acesso aos bezerros e touros através de leilões chancelados em 24 unidades federativas do país e em feiras como do Show Rural Coopavel, realizado no mês de fevereiro em Cascavel, no Oeste do Paraná, e que contou com a exposição de animais de origem zebuína. Os espaços da feira precisam ser amplos e dispor de uma estrutura de curral, onde os animais ficam à mostra para os compradores.
A negociação acontece de forma livre entre vendedor e comprador. Todos os animais possuem registro definitivo, exame andrológico – que garante sua fertilidade e idade máxima de 3,5 anos. “Existe um preço sugerido entre 40 e 60@, então o produtor entende perfeitamente que esse valor é um excelente investimento, que teria uma taxa de retorno em quatro anos e uma taxa interna de retorno de 26%”, expõe Almeida, destacando que a partir do momento que o produtor compra um touro e começa a produzir um bezerro zebuíno entra na rica cadeia produtiva da pecuária brasileira. “Esse bezerro que o produtor coloca no mercado pode ir para um confinador e essa carne pode estar sendo exportada para mais de 140 países. Isso mostra o quanto a pecuária é inclusiva, não é um núcleo fechado, porque permite a distribuição de renda a toda cadeia produtiva e toda a receita dessa pecuária fica no Brasil”, salienta o técnico responsável da ABCZ.

Criador há mais de 30 anos da raça Nelore Hatch, Leandro Nogueira: “Ter um touro melhorador no plantel vai fazer com que a vaca tenha um bezerro mais pesado, vai melhorar o ganho de peso do animal com menos idade, diminui o custo de produção e proporciona uma carne de melhor qualidade”
Criador há mais de 30 anos da raça Nelore Hatch, Leandro Nogueira, de São Jorge D’Oeste, PR, possui um rebanho de três mil cabeças, sendo 1,2 mil matrizes. Ele participou da Feira da Pecuária no Show Rural Coopavel na área de comercialização de animais. O produtor destaca o melhoramento genético e a precocidade da raça como um fator determinante para criação. “Ter um touro melhorador no plantel vai fazer com que a vaca tenha um bezerro mais pesado, vai melhorar o ganho de peso do animal com menos idade, diminui o custo de produção e proporciona uma carne de melhor qualidade”, evidencia.
Reconhecida como uma vitrine para o produtor, Nogueira diz que a parceria com a ABCZ já perdura a mais de 25 anos e tem trazido inúmeros benefícios. “Quando vou vender um animal, a primeira coisa que me perguntam é se o touro é registrado, isso oferece maior credibilidade ao comprador, porque conhece a procedência do animal, terá todas as informações da DEP, saberá que há um acompanhamento técnico e uma avaliação sobre a eficiência e qualidade do touro que está comprando”, explica Nogueira.
Entre as vantagens deste programa, Almeida afirma que o produtor terá um animal com uma maior fertilidade no rebanho, o que automaticamente consegue diminuir o intervalo entre o parto das fêmeas, aumentar o número de bezerros por ano e, consequentemente, a receita do produtor. Por parte do animal, ele diz que os bezerros que estão nascendo vão ganhar mais peso, o que vai diminuir a idade ao abate, o custo de produção e ainda o animal vai produzir uma carne de melhor qualidade.
Resultados dos programas de genética
Com os programas de genética foram inúmeros os benefícios alcançados na produção brasileira de zebuínos, entre eles Almeida destaca uma maior valorização e utilização dos animais jovens e um maior reconhecimento pelo mercado na utilização de sêmen dos touros zebuínos. “A raça Nelore, por exemplo, ultrapassou a raça Angus – que era líder na venda de sêmen no Brasil, sendo hoje a raça Nelore a que mais comercializa sêmen de gado de corte no país e no mundo. Então para nós isso é um feito imenso, que mostra todo o potencial das raças zebuínas”, exalta.
O gerente de Melhoramento Pró-Genética menciona que o avanço na qualidade desses animais em todas as suas características dão um maior retorno econômico e sustentável aos criadores. “A preocupação da ABCZ passa pelo associado que precisa ter uma segurança maior, uma menor margem de erro no uso de novos reprodutores, da mesma forma que essa genética ofertada ao mercado através de sêmen, embriões e touros tenha uma maior assertividade por parte dos pecuaristas que vão fazer os bezerros de corte”, ressalta Almeida.
Segunda pátria das raças zebuínas

Animais zebuínos em exposição na Feira da Pecuária do 34º Show Rural Coopavel, realizado em fevereiro no Paraná
O Brasil é considerado a segunda pátria das raças zebuínas por deter o maior rebanho do mundo e por ser o país que mais consome e exporta carne de zebu no planeta. “A carne de zebu brasileira é consumida em mais de 140 países, o que atesta a qualidade do produto oferecido ao mercado consumidor. Chegamos a este patamar devido ao trabalho feito pela ABCZ através do PMGZ na identificação e valorização das linhagens mais eficientes e produtivas, que garantem a sustentabilidade do processo, a economicidade, a lucratividade aos produtores e a segurança alimentar na mesa do brasileiro e de todo o mundo que compra a carne do Brasil”, frisa Almeida.
DEP Genômica
Anos após ano, a pecuária brasileira busca novos processos para acelerar a produtividade do rebanho nacional. Em 2016, a ABCZ passou a aplicar no rebanho das raças Nelore e Tabapuã uma nova tecnologia, conhecida como DEP Genômica, cujo intuito é minimizar erros no processo de seleção de animais jovens, mais uma iniciativa que passou a integrar uma das etapas do PMGZ. Para calcular a DEP Genômica são usadas informações de animais de raça pura, progênies, desempenho do animal e Valor Molecular Predito (MVP).
“Existe a intenção da ABCZ de aproximação com as outras associações, para que possamos também fornecer a DEP Genômica das raças Brahman, Guzerá, Gir e Indubrasil. É importante que haja uma aproximação das associações e dos criadores com a ABCZ para que seja feito um plano de trabalho e buscado essa introdução da DEP Genômica”, sugere Almeida, acrescentando que a raça Brahman é mundialmente conhecida, originária dos Estados Unidos, e está em toda faixa intertropical do planeta. “No Brasil, se fizermos esse processo vamos ter o primeiro programa da raça Brahman no mundo com avaliação genômica. Será um grande feito para a ABCZ e para os criadores, que vão ter reconhecidos o seu trabalho de seleção internacionalmente”, evidencia.
PNAT
Através do PMGZ é também realizado o Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens, que seleciona reprodutores zebuínos registrados com idades entre 18 e 25 meses, com exame andrológico positivo para avaliação de suas progênies. “É um programa de democratização ao acesso de touros para todos os produtores do Brasil, conta com a participação de criadores, técnicos e centrais de inseminação e a distribuição gratuita de sêmen a propriedades cadastradas na ABCZ”, menciona Almeida.
Entre as contribuições do PNAT para o desenvolvimento das raças zebuínas está a manutenção da variabilidade genética dos animais para seleção.
O que esperar para o futuro

Comercialização de bovinos zebuínos na Feira da Pecuária do 34º Show Rural Coopavel, realizado em fevereiro no Paraná
Segundo a ABCZ, a inseminação artificial no Brasil vem crescendo, contudo no gado de corte e no gado de leite de forma mais lenta. Em 2020, foram inseminados apenas 20% do rebanho bovino nacional e comercializado através de leilões e nas fazendas em torno de 100 mil touros. “Esse número somado ao potencial de cobertura que esses touros têm, a vida útil deles (em média seis anos) e a cobertura de 30 fêmeas por touro, obtemos 58% das matrizes bovinas brasileiras aptas à reprodução cobertas com boi comum”, menciona o responsável pelo Melhoramento Pró-Genética da ABCZ, questionando: “Como podemos concorrer com uma agricultura de precisão quando ainda usamos um boi com origem desconhecida? É como se você preparasse a terra para plantar uma semente de soja e usasse uma semente que você não sabe a origem. Então nós temos ainda esse imenso potencial de produzir pelo menos 150 mil touros registrados para colocar no mercado”, afirma, ampliando: “Muitos pequenos produtores podem se tornar sócios da ABCZ, no sentido de saber quanto custa o sistema de criação, quanto ele tem de rentabilidade com uma atividade com vacas comuns e quanto custaria como investimento as vacas registradas e a rentabilidade que ele pode ter com esses animais”.
Bem-estar animal
A pecuária seletiva trabalha com o melhor manejo dos animais para que tenham uma boa oferta de volumoso, de água e sombreamento, para que possam desempenhar o máximo do seu potencial genético. “A pecuária brasileira tem feito isso muito bem. Cerca de 90% do nosso gado é de capim e vai para o confinamento nos últimos 90 a 120 dias. Então é importante mostrarmos que a nossa pecuária é arborizada, fixadora de carbono, geradora de emprego e que ela cria uma ambiência salutar para os proprietários, para aqueles que trabalham na propriedade e para os animais”, sustenta.
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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho
Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.
O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).
Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.
Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses
Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).
“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná
Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.
“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.
O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.
“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.
Temas prioritários
Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor
“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.
Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.
Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.



