Bovinos / Grãos / Máquinas Avanços em produtividade
Melhoramento genético eleva produtividade e qualidade das raças zebuínas no Brasil
A pecuária de corte representa hoje cerca de 30% do PIB do agronegócio nacional e gera uma receita superior a R$ 400 bilhões por ano. Para se chegar a esse patamar foi necessário aprimorar e modernizar os sistemas de produção, organizar processos e melhorar as condições de manejo nutricional dos animais, além de investir em melhoramento genético para alcançar melhores níveis de produtividade a fim de atender as exigências do mercado.

Constantes investimentos em tecnologia para melhorar a produtividade e a qualidade da carne bovina consolidou o Brasil como um dos principais produtores de gado de corte do mundo, fazendo com que o produto brasileiro alcançasse maior competitividade e chegasse ao mercado de mais de 150 países. A pecuária de corte representa hoje cerca de 30% do PIB do agronegócio nacional e gera uma receita superior a R$ 400 bilhões por ano.
Para se chegar a esse patamar foi necessário aprimorar e modernizar os sistemas de produção, organizar processos e melhorar as condições de manejo nutricional dos animais, além de investir em melhoramento genético para alcançar melhores níveis de produtividade a fim de atender as exigências do mercado.
Detentor do maior rebanho bovino do mundo, as raças zebuínas são predominantes na pecuária de corte brasileira, abrangendo mais de 80% da produção nacional. São raças puras de Zebu Nelore, Nelore Mocho, Kangayam, Sindi, Guzerá, Gir, as três últimas também têm aptidão leiteira; enquanto as raças neozebuínas são Brahman, Indubrasil e Tabapuã.
De origem indiana, a maior virtude econômica desses animais é que melhor se adaptam ao clima tropical por serem mais resistentes a temperaturas altas, clima seco, insolação e a doenças, características pelas quais fazem o Brasil ter o melhor rebanho de zebus do mundo, resultado de investimentos constantes em melhoramento genético e manejo nutricional para alcançar níveis melhores de eficiência e produtividade.
Há mais de cinco décadas, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) desenvolve o Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), considerado o maior projeto do mundo destinado ao aprimoramento de todas as raças zebuínas e ao fortalecimento das cadeias produtivas da carne e do leite.
A iniciativa auxilia os produtores no processo de seleção dos animais, identificando os bovinos mais precoces, férteis, de melhores índices de ganho de peso ou de produção leiteira, disponibilizando ao mercado informações genéticas consistentes que atestam as performances dos rebanhos inscritos nas provas zootécnicas da ABCZ.
PMGZ
O programa PMGZ é desenvolvido em várias etapas, que compreendem coleta de dados, processamento das avaliações genéticas, divulgação e orientação sobre o uso dos resultados. A cada semestre as avaliações genéticas das raças zebuínas de corte são atualizadas pela ABCZ, tendo como base as informações das provas zootécnicas, que englobam três etapas: Controle do Desenvolvimento Ponderal (CDP), Provas de Ganho em Peso (PGP) e o Controle Leiteiro (CL), o que permite oferecer ao mercado informações genéticas atuais sobre o desempenho dos rebanhos inscritos no Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas (SRGRZ).
As pesagens são trimestrais e intercaladas, uma é feita por um técnico da ABCZ e a outra pelo criador. Para a avaliação genômica, o criador coleta o pelo do animal e envia à ABCZ, que encaminha codificado ao laboratório especializado credenciado à entidade para fazer o exame.
O programa tem uma entrada anual de aproximadamente 250 mil novos animais e atualmente já supera a marca de 15,5 milhões de pesagens de zebuínos desde que o projeto foi implantado em 1968.
Avaliações Genéticas
Todos os animais jovens, machos e fêmeas, matrizes e touros, participantes do Controle Leiteiro recebem as avaliações genéticas através do Sumário do Leite e os participantes do CDP através do Sumário de Corte. Os dados das Provas de Ganho em Peso também são considerados para a formação das avaliações genéticas, no entanto se restringem apenas aos machos jovens de cada propriedade.

Gerente de Melhoramento Pró-Genética da ABCZ, Lauro Fraga Almeida: “A carne de zebu brasileira é consumida em mais de 140 países, o que atesta a qualidade do produto oferecido ao mercado consumidor” – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural
De acordo com o gerente de Melhoramento Pró-Genética da ABCZ, Lauro Fraga Almeida, todos os dados levantados pelo PMGZ são fontes para geração das avaliações genéticas de animais jovens e adultos. A avaliação abrange a Diferença Esperada na Progênie (DEP), que reúne informações do animal e de seus parentes, indicando a diferença esperada na produção média da progênie de um determinado animal em relação à produção média das progênies de todos os animais que participam da mesma avaliação, ou seja, é o resultado da DEP que definirá o uso ou não de determinado animal como reprodutor.
Por exemplo, se há dois touros no rebanho, o touro A com DEP+40 kg para peso ao sobreano e o touro B com DEP+25 kg para peso ao sobreano, espera-se que, em média, a progênie do touro A pese 15 kg a mais que a progênie do touro B, no caso de todos os outros fatores não apresentarem alteração.
Como a DEP é uma estimativa deve ser acompanhada sempre da Acurácia (AC), que mede o grau de confiança da expectativa da DEP, ou seja, quanto maior o número de informações utilizadas na avaliação genética de determinado animal, maior será a AC de suas DEPs. O valor da Acurácia varia de 1 a 99% e deve ser usada como uma referência para a intensidade de uso deste animal. A Acurácia calculada nas avaliações genéticas do PMGZ segue as recomendações metodológicas da Federação de Melhoramento de Carne.
Características avaliadas
Nas avaliações da DEP são levantadas informações sobre o crescimento de cada animal por meio do peso a desmama, peso ao ano, peso ao sobreano (aos 450 dias de idade dos filhos) e ganho em peso pós desmama; em relação à habilidade materna são avaliados o peso à fase materna – efeito materno (medida na fase de 120 dias de idade do animal) e o total materno do peso a desmama; na parte reprodutiva são colhidos dados como idade ao primeiro parto, stayability, perímetro escrotal ao ano e o perímetro escrotal ao sobreano; na análise morfológica são feitas as avaliações que englobam a estrutura corporal, a precocidade e a musculosidade; e ainda é realizada a ultrassonografia da carcaça, que permite fazer a avaliação da composição corporal dos animais (área de olho de lombo, acabamento de gordura e marmoreio), o que possibilita a seleção de animais com carcaças uniformes e específicas para determinados mercados.
Por fim, é feita uma avaliação técnica visual chamada de EPMURAS, que analisa a estrutura corporal, a precocidade, a musculosidade, o umbigo, a caracterização racial, aprumos (proporções, direções, angulações e articulações dos membros anteriores e posteriores) e a sexualidade, características que ajudam os técnicos a ter uma visão tridimensional dos animais. “Então todas essas informações nos dão uma garantia muito grande do rebanho de cada criador, direcionando pontos de melhorias que precisam ser feitos no rebanho de cada propriedade”, expõe Almeida.
De acordo com o profissional, cerca de duas mil propriedades espalhadas por todas as regiões do território nacional participam do PMGZ. “Esse programa desempenha um papel importante no crescimento do número de novos criadores das raças zebuínas, porque quando um garrote novo chega à propriedade com dois anos de idade, por exemplo, ou uma novilha entra em reprodução, temos uma perspectiva do que vão produzir através da DEP desses animais”, destaca Almeida.
Vantagens do PMGZ
Entre as vantagens do PMGZ estão a melhora da fertilidade do rebanho, melhora os índices de ganho de peso, diminui o intervalo entre gerações, coloca à venda animais testados, agregando valor; proporciona aos criadores a produção de animais prontos mais jovens para o abate; oferece ao consumidor carne de melhor qualidade; diminui o custo de produção por unidade de produto e melhora a relação custo/benefício; aperfeiçoa os recursos da propriedade, aumenta a lucratividade do produtor, além de evidenciar os animais mais precoces.
Pró-Genética
Com o objetivo de contribuir para o aumento da produção sustentável da bovinocultura de corte e de leite no país, a ABCZ desenvolveu em 2006 o programa Pró-Genética, que passou a fazer parte do PMGZ. No ano seguinte, o Estado de Minais Gerais tornou o Pró-Genética uma política pública, aderida também pelos Estados do Espírito Santo, Rondônia e Tocantins. A iniciativa tem apoio dos governos federal, estaduais e municipais, órgãos de pesquisa, de extensão rural, de defesa sanitária animal e de capacitação e formação de mão de obra rural.
Segundo Almeida, o Pró-Genética visa aumentar a produção de carne e leite nas pequenas e médias propriedades rurais, através do uso de touros melhoradores, além de proporcionar ao pequeno e médio produtor rural possibilidades de aumento de renda, através da melhoria da produtividade e, consequentemente, da qualidade do seu padrão social; estimular os governos municipais, estaduais e federal a criar políticas públicas de fomento e apoio financeiro aos pequenos e médios produtores rurais; e estabelecer uma conexão real e contínua entre o segmento da produção de genética especializada – os chamados rebanhos “elite” – e a base da produção – rebanhos comerciais, de forma a garantir o fluxo de genética superior para a base produtiva.
No ano passado, a ABCZ fez o mapeamento genético de 180 mil animais. Almeida diz que o intuito da associação é fazer anualmente cerca de 100 mil genotipagens para que os animais tenham uma maior acurácia e uma maior garantia na DEP. “A parte de desempenho de cada animal é até fácil de se conseguir, porque seus filhos nos fornecem essas informações, mas a parte reprodutiva até uma filha ou um filho entrar em reprodução é mais difícil de mensurar, da mesma forma que a parte da habilidade materna das filhas de um determinado touro. Então quando se faz a DEP nós aumentamos a confiança nessa informação, o que nos possibilita usar mais esses animais jovens com uma maior garantia e automaticamente diminuir o intervalo de geração”, pontua o gerente de Melhoramento Pró-Genética.
Democratização no acesso às raças zebuínas
O Pró-Genética democratiza o acesso aos bezerros e touros através de leilões chancelados em 24 unidades federativas do país e em feiras como do Show Rural Coopavel, realizado no mês de fevereiro em Cascavel, no Oeste do Paraná, e que contou com a exposição de animais de origem zebuína. Os espaços da feira precisam ser amplos e dispor de uma estrutura de curral, onde os animais ficam à mostra para os compradores.
A negociação acontece de forma livre entre vendedor e comprador. Todos os animais possuem registro definitivo, exame andrológico – que garante sua fertilidade e idade máxima de 3,5 anos. “Existe um preço sugerido entre 40 e 60@, então o produtor entende perfeitamente que esse valor é um excelente investimento, que teria uma taxa de retorno em quatro anos e uma taxa interna de retorno de 26%”, expõe Almeida, destacando que a partir do momento que o produtor compra um touro e começa a produzir um bezerro zebuíno entra na rica cadeia produtiva da pecuária brasileira. “Esse bezerro que o produtor coloca no mercado pode ir para um confinador e essa carne pode estar sendo exportada para mais de 140 países. Isso mostra o quanto a pecuária é inclusiva, não é um núcleo fechado, porque permite a distribuição de renda a toda cadeia produtiva e toda a receita dessa pecuária fica no Brasil”, salienta o técnico responsável da ABCZ.

Criador há mais de 30 anos da raça Nelore Hatch, Leandro Nogueira: “Ter um touro melhorador no plantel vai fazer com que a vaca tenha um bezerro mais pesado, vai melhorar o ganho de peso do animal com menos idade, diminui o custo de produção e proporciona uma carne de melhor qualidade”
Criador há mais de 30 anos da raça Nelore Hatch, Leandro Nogueira, de São Jorge D’Oeste, PR, possui um rebanho de três mil cabeças, sendo 1,2 mil matrizes. Ele participou da Feira da Pecuária no Show Rural Coopavel na área de comercialização de animais. O produtor destaca o melhoramento genético e a precocidade da raça como um fator determinante para criação. “Ter um touro melhorador no plantel vai fazer com que a vaca tenha um bezerro mais pesado, vai melhorar o ganho de peso do animal com menos idade, diminui o custo de produção e proporciona uma carne de melhor qualidade”, evidencia.
Reconhecida como uma vitrine para o produtor, Nogueira diz que a parceria com a ABCZ já perdura a mais de 25 anos e tem trazido inúmeros benefícios. “Quando vou vender um animal, a primeira coisa que me perguntam é se o touro é registrado, isso oferece maior credibilidade ao comprador, porque conhece a procedência do animal, terá todas as informações da DEP, saberá que há um acompanhamento técnico e uma avaliação sobre a eficiência e qualidade do touro que está comprando”, explica Nogueira.
Entre as vantagens deste programa, Almeida afirma que o produtor terá um animal com uma maior fertilidade no rebanho, o que automaticamente consegue diminuir o intervalo entre o parto das fêmeas, aumentar o número de bezerros por ano e, consequentemente, a receita do produtor. Por parte do animal, ele diz que os bezerros que estão nascendo vão ganhar mais peso, o que vai diminuir a idade ao abate, o custo de produção e ainda o animal vai produzir uma carne de melhor qualidade.
Resultados dos programas de genética
Com os programas de genética foram inúmeros os benefícios alcançados na produção brasileira de zebuínos, entre eles Almeida destaca uma maior valorização e utilização dos animais jovens e um maior reconhecimento pelo mercado na utilização de sêmen dos touros zebuínos. “A raça Nelore, por exemplo, ultrapassou a raça Angus – que era líder na venda de sêmen no Brasil, sendo hoje a raça Nelore a que mais comercializa sêmen de gado de corte no país e no mundo. Então para nós isso é um feito imenso, que mostra todo o potencial das raças zebuínas”, exalta.
O gerente de Melhoramento Pró-Genética menciona que o avanço na qualidade desses animais em todas as suas características dão um maior retorno econômico e sustentável aos criadores. “A preocupação da ABCZ passa pelo associado que precisa ter uma segurança maior, uma menor margem de erro no uso de novos reprodutores, da mesma forma que essa genética ofertada ao mercado através de sêmen, embriões e touros tenha uma maior assertividade por parte dos pecuaristas que vão fazer os bezerros de corte”, ressalta Almeida.
Segunda pátria das raças zebuínas

Animais zebuínos em exposição na Feira da Pecuária do 34º Show Rural Coopavel, realizado em fevereiro no Paraná
O Brasil é considerado a segunda pátria das raças zebuínas por deter o maior rebanho do mundo e por ser o país que mais consome e exporta carne de zebu no planeta. “A carne de zebu brasileira é consumida em mais de 140 países, o que atesta a qualidade do produto oferecido ao mercado consumidor. Chegamos a este patamar devido ao trabalho feito pela ABCZ através do PMGZ na identificação e valorização das linhagens mais eficientes e produtivas, que garantem a sustentabilidade do processo, a economicidade, a lucratividade aos produtores e a segurança alimentar na mesa do brasileiro e de todo o mundo que compra a carne do Brasil”, frisa Almeida.
DEP Genômica
Anos após ano, a pecuária brasileira busca novos processos para acelerar a produtividade do rebanho nacional. Em 2016, a ABCZ passou a aplicar no rebanho das raças Nelore e Tabapuã uma nova tecnologia, conhecida como DEP Genômica, cujo intuito é minimizar erros no processo de seleção de animais jovens, mais uma iniciativa que passou a integrar uma das etapas do PMGZ. Para calcular a DEP Genômica são usadas informações de animais de raça pura, progênies, desempenho do animal e Valor Molecular Predito (MVP).
“Existe a intenção da ABCZ de aproximação com as outras associações, para que possamos também fornecer a DEP Genômica das raças Brahman, Guzerá, Gir e Indubrasil. É importante que haja uma aproximação das associações e dos criadores com a ABCZ para que seja feito um plano de trabalho e buscado essa introdução da DEP Genômica”, sugere Almeida, acrescentando que a raça Brahman é mundialmente conhecida, originária dos Estados Unidos, e está em toda faixa intertropical do planeta. “No Brasil, se fizermos esse processo vamos ter o primeiro programa da raça Brahman no mundo com avaliação genômica. Será um grande feito para a ABCZ e para os criadores, que vão ter reconhecidos o seu trabalho de seleção internacionalmente”, evidencia.
PNAT
Através do PMGZ é também realizado o Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens, que seleciona reprodutores zebuínos registrados com idades entre 18 e 25 meses, com exame andrológico positivo para avaliação de suas progênies. “É um programa de democratização ao acesso de touros para todos os produtores do Brasil, conta com a participação de criadores, técnicos e centrais de inseminação e a distribuição gratuita de sêmen a propriedades cadastradas na ABCZ”, menciona Almeida.
Entre as contribuições do PNAT para o desenvolvimento das raças zebuínas está a manutenção da variabilidade genética dos animais para seleção.
O que esperar para o futuro

Comercialização de bovinos zebuínos na Feira da Pecuária do 34º Show Rural Coopavel, realizado em fevereiro no Paraná
Segundo a ABCZ, a inseminação artificial no Brasil vem crescendo, contudo no gado de corte e no gado de leite de forma mais lenta. Em 2020, foram inseminados apenas 20% do rebanho bovino nacional e comercializado através de leilões e nas fazendas em torno de 100 mil touros. “Esse número somado ao potencial de cobertura que esses touros têm, a vida útil deles (em média seis anos) e a cobertura de 30 fêmeas por touro, obtemos 58% das matrizes bovinas brasileiras aptas à reprodução cobertas com boi comum”, menciona o responsável pelo Melhoramento Pró-Genética da ABCZ, questionando: “Como podemos concorrer com uma agricultura de precisão quando ainda usamos um boi com origem desconhecida? É como se você preparasse a terra para plantar uma semente de soja e usasse uma semente que você não sabe a origem. Então nós temos ainda esse imenso potencial de produzir pelo menos 150 mil touros registrados para colocar no mercado”, afirma, ampliando: “Muitos pequenos produtores podem se tornar sócios da ABCZ, no sentido de saber quanto custa o sistema de criação, quanto ele tem de rentabilidade com uma atividade com vacas comuns e quanto custaria como investimento as vacas registradas e a rentabilidade que ele pode ter com esses animais”.
Bem-estar animal
A pecuária seletiva trabalha com o melhor manejo dos animais para que tenham uma boa oferta de volumoso, de água e sombreamento, para que possam desempenhar o máximo do seu potencial genético. “A pecuária brasileira tem feito isso muito bem. Cerca de 90% do nosso gado é de capim e vai para o confinamento nos últimos 90 a 120 dias. Então é importante mostrarmos que a nossa pecuária é arborizada, fixadora de carbono, geradora de emprego e que ela cria uma ambiência salutar para os proprietários, para aqueles que trabalham na propriedade e para os animais”, sustenta.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium
Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.
Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.
O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.
“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.
Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.
Participação técnica da Embrapa
A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.
A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.
Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.
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Faturamento da pecuária de leite aumenta 4,9% em 2025
Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição.

O Valor Bruto da Produção (VBP) da pecuária de leite deve alcançar R$ 71,5 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 4,9% em relação aos R$ 68,1 bilhões registrados em 2024, o que demonstra recuperação gradual do setor.
Embora o avanço não seja tão expressivo, o aumento contínuo reflete um ambiente de preços mais equilibrado ao produtor, melhora no custo de produção após anos de forte pressão e ajustes nos sistemas de manejo e nutrição. A evolução nominal também ajuda a recompor margens que ficaram reduzidas em 2022 e 2023.
No ranking estadual, Minas Gerais segue como o maior produtor de leite do país, com VBP projetado de R$ 18,26 bilhões em 2025, acima dos R$ 17,83 bilhões registrados no ano anterior. O Paraná vem na segunda posição, com forte incremento para R$ 11,51 bilhões, impulsionado por sistemas intensivos, cooperativismo estruturado e maior eficiência produtiva. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás completam o grupo dos principais estados da atividade.

O histórico mostra uma curva de crescimento moderado, porém consistente: de R$ 53,7 bilhões em 2018 para mais de R$ 71 bilhões em 2025, uma alta sustentada por modernização, genética, mecanização e aumento da tecnificação das propriedades, especialmente entre cooperativas e bacias leiteiras consolidadas, mas é importante destacar que essa evolução ocorre em valores correntes, sem considerar a inflação acumulada no período, o que significa que parte do avanço reflete variações de preço, e não exclusivamente aumento de produção.
Com uma expansão de 4,9% e resultados mais equilibrados entre regiões, a cadeia do leite segue avançando em direção a maior estabilidade e competitividade, reforçando seu papel social e econômico no agronegócio brasileiro.
O Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Adapar endurece regras e restringe trânsito de bovinos e búfalos com brucelose e tuberculose no Paraná
Nova portaria proíbe a movimentação de animais vivos de propriedades com focos confirmados, permitindo apenas o envio para abate imediato até a conclusão total do saneamento sanitário.

Para combater a brucelose e a tuberculose bovina, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) publicou uma nova portaria que discorre sobre a movimentação desses animais. O documento determina a restrição ao trânsito de bovinos e búfalos oriundos de propriedades que tenham casos confirmados no Estado. Essas são doenças infecciosas que afetam o gado e são um risco também à saúde pública.
A Portaria n° 013/2026 estabelece que as propriedades classificadas dentro desses critérios não podem movimentar seus animais, exceto para abate imediato, até a conclusão total do saneamento. “Portanto, não é permitido vender, doar ou transferir animais vivos dessas propriedades mesmo com exames negativos”, explica a chefe da Divisão de Brucelose e Tuberculose da Adapar, Marta Freitas.

Foto: Pedro Guerreiro
Ela destaca que a conclusão do saneamento ocorre somente após o cumprimento integral dos trâmites sanitários, incluindo exames negativos de todos os animais elegíveis.
Segundo ela, essa restrição é necessária para evitar que produtores tenham seu rebanho contaminado pela aquisição de animais, quando os testes usuais não foram capazes de detectar a brucelose e a tuberculose.
“Um dos grandes desafios dessas doenças é que elas são muitas vezes silenciosas, ou seja, o animal pode estar infectado sem apresentar sinais visíveis. Nosso objetivo é reforçar a vigilância, prevenção e controle da brucelose e da tuberculose, protegendo a saúde pública e visando à erradicação dessas doenças”, afirma.
Marta observa que é importante considerar que, nos testes, existe a possibilidade de resultados falso-negativos, especialmente em fases iniciais da doença. Também podem ocorrer falhas na execução dos exames, influenciadas por fatores como manejo, contenção, estresse animal ou condições técnicas. “Diante desses riscos, a adoção de maior rigor no controle do trânsito de animais é uma medida preventiva e necessária para evitar a propagação silenciosa das doenças”, ressalta.
Além de manter ações de educação sanitária, com orientação a produtores rurais e profissionais que atuam no programa, a Adapar investirá na rastreabilidade dos animais, por meio da identificação individual. Esses critérios se afinam às normas instituídas em 2020 no Estado, por meio da Portaria n° 157 e, de lá para cá vêm evoluindo no combate a esses males.
Prevenção

Foto: Gisele Rosso
O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), mantém uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas em 2025, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.
Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do País. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário. As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).
O diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera.
Segundo dados da DIBT, houve uma queda de 17% do número de ocorrência de focos de brucelose bovina no Paraná em 2025 na comparação a 2024. Em relação ao número de focos de tuberculose bovina, foi registrado aumento de 4,5%, indicando maior detecção da doença e planejamento de novas ações para controle.
O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas.
“Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças” afirma.





