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Bovinos / Grãos / Máquinas Em Belo Horizonte (MG)

Megaleite 2025 reforça protagonismo da genética leiteira brasileira e bate recorde de negócios

Com R$ 300 milhões movimentados, acordos internacionais inéditos e animais campeões de produção, feira consolidou o Brasil como referência mundial em melhoramento genético e bem-estar animal.

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Foto: Divulgação/Megaleite

Com R$ 300 milhões movimentados, acordos internacionais inéditos e animais campeões de produção, feira consolidou o Brasil como referência mundial em melhoramento genético e bem-estar animal, atraindo 90 mil visitantes ao Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG).

Com vários acordos internacionais firmados, a 20ª Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite (Megaleite) confirmou a valorização da genética leiteira selecionada no Brasil tanto no mercado nacional quanto internacional. Ocorrida de 10 a 14 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte/MG, a feira teve competições e mostra das raças Girolando, Gir Leiteiro, Holandês, Guzerá, Guzolando, além dos Búfalos. O recinto abrigou 1500 animais.

A Associação Brasileira dos Criadores de Girolando estima que a exposição movimentou em torno de R$300 milhões com a venda de bovinos, equipamentos, máquinas, utilitários, produtos lácteos, além de diversos outros serviços e produtos. Esse montante é 20% superior ao registrado em 2024. Foram realizados 11 leilões e shoppings, três a mais que no ano anterior. Cerca de 125 empresas expuseram seus produtos em estandes na Megaleite, incluindo na Feira do Queijo Artesanal de Minas. Durante os dias do evento, 90 mil pessoas passaram pelo Parque da Gameleira.

Foto: Divulgação/Epamig

O interesse de vários países pela genética do rebanho leiteiro do Brasil ficou evidente nos acordos firmados pela Girolando na área de melhoramento genético bovino. A partir de agora, os rebanhos da raça Girolando registrados pela Associação de Criadores de Zebu do Peru (Asocebu Peru) e da Associação de Criadores de Gir e Girolando do Equador (Asogyre) contarão com avaliação genômica gerada pela entidade brasileira. O termo de cooperação técnica foi firmado durante a Megaleite e prevê que as avaliações genômicas serão geradas pela Embrapa Gado de Leite e pelo Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG).

Além da entrega das avaliações dos animais, a Girolando também fará orientação técnica aos criadores para melhor utilização das informações em planejamentos estratégicos das fazendas.

Para o presidente da Asocebu Peru Dicson Quijano, a iniciativa contribuirá para o avanço do rebanho leiteiro em seu país. “Por ter grande adaptabilidade aos mais diversos sistemas de produção e clima, a raça Girolando já provou ser ideal para a pecuária leiteira peruana, pois consegue produzir bem a pasto, que é o sistema predominante no Peru. Agora, com a avaliação genômica dos rebanhos, os produtores poderão selecionar com maior precisão os animais de genética superior”, assegura Quijano.

Segundo o presidente da Asogyre Fabian Patrício, com as avaliações genômicas, os criadores equatorianos agora terão condições de selecionar as melhores vacas e touros para multiplicar em seus rebanhos. “O número de animais registrados cresce a cada ano no Equador, sendo a segunda raça mais utilizada no país”, diz o presidente da Asogyre.
Comitivas de vários países visitaram a Megaleite, dentre eles Colômbia, Equador, Peru, Nicarágua, Costa Rica, México, Venezuela e Panamá.

Acordo com o Mapa

A Girolando e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) assinaram, durante a Megaleite 2025, um protocolo de intenções com foco em cooperação técnica. O objetivo é propor diretrizes e alinhar ações que fortaleçam a competitividade do setor agropecuário e contribuam para a valorização da imagem do agronegócio brasileiro no Brasil e no exterior.

Foto: Freepik

O acordo foi assinado pelo presidente da Girolando Domício Arruda e pela diretora de Promoção Comercial e Investimento do Mapa, Ângela Pimenta Peres. “A demanda por Girolando no exterior é grande. Muitos países que visitamos para divulgar o agro brasileiro demonstram interesse em importar a raça. Com o reconhecimento do Brasil como área livre de aftosa sem vacinação, a expectativa é de que essa demanda aumente. E existem várias possibilidades de atendermos os países interessados, desde o envio de animais vivos de corte com embrião de Girolando, atendendo demanda por corte e leite, ou o que já mais comum, que é a exportação de sêmen, embriões e animais vivos Girolando”, explica o presidente da Girolando Domício Arruda, que durante a Megaleite participou da Caravana do Agro Exportador, onde adidos agrícolas apresentaram as possibilidades de negócios para a pecuária brasileira.

Doação de leite

Várias entidades uniram forças e vão contribuir para a qualidade de vida de pessoas assistidas por entidades sociais. A Girolando, Itambé, CCPR Participações S.A. e Faemg formalizaram durante a abertura oficial da Megaleite 2025 a doação de leite para a entidade Servas. Ao longo dos próximos 12 meses, a instituição será contemplada com 24 mil litros de leite, que serão destinados à distribuição entre entidades sociais de Minas Gerais já cadastradas pelo Servas.

Recorde do Torneio Leiteiro

No 34º Torneio Leiteiro da raça Girolando, a diferença de produção entre as duas primeiras colocadas foi pequena. A Grande Campeã de Produção Absoluta foi Brenda FIV da Centrogen, do expositor Rafael Lacerda de Rezende, que produziu a média de 106,060 kg/leite, com produção total de 318,180 kg/leite. Já a Reservada Grande Campeã foi Luxúria FIV Teatro SJ Lalu, do expositor Luiz Cláudio de Moura. Ela produziu um total de 315,110 kg/leite e média de 105,037 kg/leite. Ambos os animais são da composição CCG 1/2.

Foto: ABCZ

Luxúria FIV Teatro SJ Lalu ainda levou para casa o título de Grande Campeã de Composição do Leite. Ela obteve produção total de 209,058 kg, média de 69,686 kg.

Já entre as vacas CCG 1/4 teve recorde de produção. Letícia Teatro 3842 FIV Bandoli produziu 167,530 kg/leite, com média de 55,843 kg/leite. Ela é de propriedade do expositor Felipe Gimenes G. Raunheitti Gomes. O recorde anterior vinha desde 2017, na Exposição de Lins/SP.

Grandes campeãs de pista

As competições da raça Girolando tiveram como novidade este ano o julgamento conduzido por um trio de jurados. Entre os animais da raça, da composição racial CCG 1/4, a Grande Campeã foi Joia FIV Gabinete Serra do Luar, do expositor Jean Vic Mesabarba e Aguiar Arrabal de Macedo Vicente. A Grande Campeã CCG 1/2 foi Fazenda Solomon Cafarnaum do expositor Bruno Gomes Meirelles. A Grande Campeã CCG 3/4 foi Terapia FIV King Doc SJ Lalu, do expositor Luiz Cláudio Bastos de Moura/Karla Salgado R. de Moura. Já a Grande Campeã Girolando foi ICH V6009 Lapa Czar, do expositor José Renato Chiari.

Nova mascote

Durante a Megaleite 2025, os visitantes puderam escolher o nome da nova mascotinha da raça. A opção escolhida por 75,7% dos votantes foi “Girolinda”. A proposta é criar uma conexão entre a raça Girolando e a nova geração já visando a formação de futuros criadores.

Fotos: Divulgação/Seapa MG

Outras ações realizadas para a criança na Megaleite foram o Clubinho Girolando, curso que ensinou os pequenos como cuidar e apresentar os animais em exposições, e a mini fazenda que recebeu centenas de alunos de escolas públicas e particulares para um tour educativo, promovendo conhecimento sobre o universo agropecuário de forma lúdica e interativa. A Mini Fazenda contou com diversas espécies de mini animais, como ovelhas, cabras, coelhos e pônei.

Cursos, palestras e Festival do Queijo

A Megaleite não foi palco somente de disputas de animais. Muitos visitantes participaram de cursos, como de morfologia da raça Girolando, de melhoramento genético animal, de produção de queijos, e de palestras sobre temas diversos dentro da pecuária leiteira. Também foram lançados o Sumário de Touros e Fêmeas Girolando 2025 e o Anuário do Leite da Embrapa.

Outro evento que atraiu o público foi o Festival do Queijo Artesanal de Minas onde foi possível degustar queijos artesanais de sabores, texturas e maturações diferentes. O festival também trouxe uma variedade de outros produtos.

Fonte: Assessoria Megaleite

Bovinos / Grãos / Máquinas

Quando a pulverização ultrapassa o alvo

Falhas na regulagem, condições climáticas inadequadas e falta de precisão técnica aumentam o risco de deriva, com impactos em culturas vizinhas, meio ambiente e produção pecuária.

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Foto: Correio do Lago

A pulverização de defensivos agrícolas é uma das operações mais consolidadas da produção moderna. Essencial para o controle de pragas, doenças e plantas daninhas, ela também figura entre as práticas de maior complexidade técnica dentro do manejo agrícola. Na teoria, trata-se de um processo amplamente estudado, regulado e tecnicamente previsível. Na prática, porém, o resultado final depende de um conjunto de variáveis que nem sempre permanecem sob controle absoluto.

Em janeiro deste ano, produtores registraram a morte de quatro vacas prenhas de alta genética em uma propriedade leiteira em Santa Helena, no Oeste do Paraná. A suspeita dos pecuaristas é de possível deriva de um defensivo aplicado em área vizinha. O episódio ainda depende de conclusões técnicas definitivas. Independentemente do desfecho, situações dessa natureza expõem uma realidade conhecida no campo: a eficiência da pulverização está diretamente condicionada à precisão técnica da aplicação.

O tema ganha relevância em um momento oportuno. Poucos dias depois do ocorrido, durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), a Embrapa Soja, em parceria com a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), lançou a publicação “Tecnologia de Aplicação de Pesticidas”, voltada justamente à análise dos fatores que determinam o sucesso ou o fracasso da deposição dos defensivos.

Processo técnico, não simples operação

Fotos: RRRufino

Segundo o pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, o desempenho de um pesticida não está restrito às características químicas do produto. “O uso de pesticidas exige equipamento em perfeitas condições de uso, boa regulagem, informações sobre condições climáticas e conhecimentos técnicos e científicos para que o alvo seja atingido, sem colocar em risco a segurança humana e ambiental.”

A afirmação reforça um princípio central da tecnologia de aplicação: o produto não corrige falhas operacionais. Mesmo moléculas tecnicamente adequadas podem apresentar eficiência comprometida quando variáveis físicas e ambientais não são devidamente consideradas.

Entre o pulverizador e o alvo existe física, não intenção. Após deixar o sistema aplicador, a calda passa a obedecer exclusivamente às leis físicas que regem o comportamento das gotas. “Desde o momento em que a calda sai do pulverizador até atingir o alvo, é necessário seguir orientações técnicas para evitar perdas, contaminações e impactos indesejados”, reforça.

Tamanho de gotas, pressão, velocidade, altura de aplicação e condições atmosféricas passam a determinar trajetória, evaporação e deposição. Nesse estágio, a eficiência deixa de ser química e passa a ser físico-operacional.

Deriva: risco inerente

O professor Cleber Maciel, da Unicentro, ressalta que a deriva (deslocamento das gotas para fora da área-alvo) permanece como uma das variáveis mais críticas da aplicação. “Quando o processo não é bem conduzido, o ingrediente ativo pode não atingir o alvo. Isso favorece a deriva, a evaporação e a contaminação de culturas vizinhas, dos recursos hídricos e até do próprio aplicador.” A deriva não é evento excepcional. Trata-se de um risco inerente à pulverização, cuja magnitude depende diretamente do controle das variáveis operacionais e ambientais.

Ambiente atmosférico

Mesmo em aplicações tecnicamente reguladas, as condições meteorológicas exercem influência direta sobre o comportamento das partículas. “Estudos indicam que as melhores condições para aplicação ocorrem com ventos entre 3,2 e 6,5 km/h, umidade relativa mínima de 55% e temperatura inferior a 30 °C.”, destaca Maciel. Fora dessas faixas, aumentam os riscos de evaporação, deslocamento lateral e deposição inadequada. A atmosfera deixa de ser pano de fundo e passa a ser variável técnica determinante.

Ajuste e calibração da máquina

Segundo os autores da publicação, outro ponto crítico é o ajuste e a calibração dos pulverizadores. Gazziero afirma que as inspeções de campo mostram que a maioria dos equipamentos opera com algum tipo de problema, o que compromete tanto a eficácia do controle quanto a segurança ambiental. “A calibração correta garante que o volume de pulverização aplicado corresponda ao planejado, considerando velocidade, pressão, espaçamento dos bicos e altura da barra”, avalia.

Problemas como vazamentos, filtros entupidos, bicos desgastados e variações excessivas de vazão são mais comuns do que se imagina e podem reduzir drasticamente a qualidade da aplicação. “A manutenção dos equipamentos, o cumprimento das condições ambientais no momento da aplicação e o treinamento de operadores e técnicos são identificados como os principais gargalos do setor”, destaca Maciel.

Tecnologia reduz risco, mas não elimina incerteza

A evolução dos equipamentos, incluindo pulverizadores de alta precisão e drones agrícolas, ampliou o controle sobre padrões de aplicação. Isso não elimina os riscos inerentes ao processo. “A modernização dos equipamentos não substitui o conhecimento técnico e a capacitação dos operadores.”, reforça o professor da Unicentro. Regulagem inadequada, definição incorreta do espectro de gotas ou interpretação equivocada das condições ambientais continuam sendo fatores decisivos.

Risco fora do alvo: onde surgem os maiores prejuízos

Quando a deposição falha, o problema não se limita à perda de eficiência do defensivo. Elas podem resultar em impacto em culturas sensíveis, contaminação de áreas vizinhas e prejuízos em sistemas pecuários, como é a suspeita no caso da morte das bezerras, além de riscos ambientais e perdas econômicas indiretas.

A publicação da Embrapa reforça: “A tecnologia de aplicação envolve conhecimentos científicos e práticos que visam à correta deposição do produto no alvo biológico.” Em termos práticos, o desempenho do pesticida começa na previsibilidade técnica da aplicação.

“Seguir critérios técnicos, respeitar as condições ambientais e investir em treinamento são medidas fundamentais para garantir a produtividade no campo, com segurança para aplicadores, consumidores e o meio ambiente”, conclui Gazziero.

Os autores da publicação são Cleber Maciel, Dionísio Gazziero, Rafael Theisen, Luiz Gustavo Bridi e Fernando Adegas.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Período chuvoso é oportunidade para mais eficiência e lucro na pecuária de corte

Período das águas é quando o sistema oferece, naturalmente, mais forragem em quantidade e qualidade, reduzindo a necessidade de investimentos intensivos em insumos concentrados e abrindo espaço para ganhos de desempenho

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Foto: Shutterstock

Foto: Divulgação/Cargill

Artigo escrito por Eduardo Gonçalves Batista, consultor Técnico Nacional Bovinos de Corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal

O período das águas é, do ponto de vista técnico, a maior alavanca de eficiência disponível para a pecuária de corte em clima tropical. É quando o sistema oferece, naturalmente, mais forragem em quantidade e qualidade, reduzindo a necessidade de investimentos intensivos em insumos concentrados e abrindo espaço para ganhos de desempenho. Isso acontece desde que o manejo seja conduzido com critério zootécnico e disciplina na gestão de dados.

Nesse contexto, o papel do produtor deixa de ser apenas “aproveitar o capim” e passa a ser o de orquestrar oferta de forragem, carga animal e suplementação com foco em resultado econômico por hectare. No entanto, dois equívocos ainda são muito frequentes nessa época do ano. O primeiro é confiar apenas na “experiência de campo” para tomar decisões de manejo alimentar. O segundo é subestimar o impacto da suplementação estratégica, mesmo com boa oferta de pasto.

Manejar pastagens é uma atividade diária que exige ajustes constantes de lotação em função de altura de entrada e saída, oferta de forragem, dias de ocupação e descanso de cada piquete, consumo real de suplementos e peso projetado por categoria. Sem esses dados minimamente organizados, o produtor perde precisão na tomada de decisão e entrega menos ganho por animal e por área do que o potencial das pastagens permitiria.

Do ponto de vista nutricional, a chuva, sozinha, não garante desempenho. Vacas de cria, por exemplo, dependem de um aporte adequado de macro e microminerais que muitas vezes não estão plenamente disponíveis na pastagem. Isso pode comprometer fertilidade, produção de leite e desempenho dos bezerros.

Já nas fases de recria e engorda, as gramíneas tropicais em crescimento costumam atender apenas a ganhos medianos. Para capturar ganhos médios diários mais altos e encurtar ciclos de produção, é necessário elevar a ingestão de proteína e energia com suplementos formulados especificamente para essa fase e nível de ambição produtiva.

Manejo

Algumas práticas de manejo são decisivas para transformar esse potencial em resultado. A correção e adubação de solo, quando bem planejadas, aumentam a capacidade de suporte das pastagens. Isso permite trabalhar com taxas de lotação mais elevadas sem comprometer a rebrota.

A adoção de pastejo rotacionado, com metas claras de altura de entrada e saída, organiza o uso da forragem e facilita a leitura do sistema. Já uma suplementação alinhada à meta de ganho de cada categoria (cria, recria, engorda) ajuda a maximizar tanto o ganho individual quanto o ganho de peso por hectare, que é o indicador-chave de rentabilidade na pecuária de ciclo curto.

Combinada a suplementos minerais, proteicos e proteico-energéticos e ao suporte de uma equipe técnica especializada, essa abordagem baseada em dados ajuda o pecuarista a tomar decisões mais assertivas no dia a dia. Dessa forma, o produtor rural poderá capturar todo o potencial do período das águas em termos de produtividade, eficiência de uso da terra e lucratividade do negócio.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Exportações de carne bovina crescem 39% e ampliam presença fora da China

Receita soma US$ 2,8 bilhões e embarques chegam a 557 mil toneladas no início de 2026. EUA quase dobram compras, Rússia mais que duplica importações e preços em alta reforçam o resultado mesmo com possível redução da oferta interna.

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O desempenho das exportações brasileiras de carne bovina no início de 2026 indica uma recomposição relevante da demanda externa, com avanço simultâneo em volume e receita e maior diversificação de mercados. Embora a China siga como principal destino, o crescimento mais acelerado em países como Estados Unidos, União Europeia, Chile e Rússia tem reduzido, na margem, a dependência do mercado chinês.

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Esse movimento ocorre em um contexto de incerteza em relação às salvaguardas adotadas pela China, mas os dados do primeiro bimestre sugerem impacto limitado até o momento. Parte dessa compensação vem dos Estados Unidos, que enfrentam um déficit estrutural de oferta. A estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é de necessidade de importação de 2,5 milhões de toneladas em 2026, o que mantém o país como um dos principais vetores de demanda para a carne bovina brasileira.

Além dos grandes compradores, mercados de médio porte também ampliaram aquisições de forma consistente. Chile, Rússia, Egito, Emirados Árabes, México e Arábia Saudita registraram crescimento relevante nas importações no período, reforçando a dispersão geográfica das vendas brasileiras.

No caso do Oriente Médio, há um fator adicional de risco ligado ao cenário geopolítico. A escalada do conflito na região pode pressionar custos logísticos e afetar fluxos comerciais. Ainda assim, o peso relativo desse mercado nas exportações brasileiras limita o impacto potencial. Em 2025, a região respondeu por 6,65% da receita com carne bovina, em torno de US$ 1,22 bilhão, participação que subiu para 8,5% no primeiro bimestre de 2026, chegando a US$ 244 milhões, o que indica relevância, mas não centralidade na pauta exportadora.

Ciclo pecuário

O crescimento das exportações ocorre em paralelo a uma mudança no ciclo pecuário brasileiro. A valorização dos animais de reposição e a redução do abate de fêmeas indicam um movimento de retenção no campo, o que tende a limitar a oferta de carne bovina ao longo de 2026, justamente em um momento de demanda externa aquecida.

Ao mesmo tempo, há perspectiva de ampliação de mercados. Países como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul estão no radar do setor, seja para consolidação das vendas, seja para abertura

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efetiva, o que pode reforçar a demanda internacional pela proteína brasileira.

Nesse contexto, mesmo em um cenário de esgotamento da cota de exportação para a China isenta da tarifa de 55%, a tendência é de sustentação da demanda por animais. A combinação entre maior procura em diferentes mercados e restrição de oferta interna deve manter o mercado firme ao longo do ano.

Demanda por carne bovina

Os dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex), referente ao primeiro bimestre confirmam esse movimento. Entre janeiro e fevereiro, as exportações de carne bovina, incluindo produtos in natura, industrializados e miudezas, somaram US$ 2,865 bilhões, alta de 39% em relação ao mesmo período de 2025, quando a receita foi de US$ 2,065 bilhões. Em volume, foram embarcadas 557,24 mil toneladas, avanço de 22% sobre as 455,97 mil toneladas do ano anterior.

Considerando apenas o mês de fevereiro de 2026, as exportações alcançaram US$ 1,449 bilhão, crescimento de 39,57% frente aos US$ 1,038 bilhão registrados em fevereiro de 2025. O volume embarcado no mês chegou a 279,26 mil toneladas, aumento de 28,64% em relação às 217,08 mil toneladas do mesmo mês do ano passado.

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Destino da carne bovina brasileira

A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira neste primeiro bimestre do ano, registrando crescimento de 36% frente ao mesmo período do ano anterior, para US$ 1,221 bilhão, com embarques de 223,7 mil toneladas (+21,7%). A participação chinesa no total das exportações se reduziu para 42,6% no primeiro bimestre de 2026, frente a 43,4% no mesmo período de 2025. Quando se consideram apenas as vendas de carne bovina in natura, a participação chinesa foi de 46,5% no primeiro bimestre de 2026, ante 48,6% no primeiro bimestre de 2025, evidenciando o crescimento relativo de outros mercados. Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para a China tiveram valorização de 12% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 5.461 por tonelada.

As vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos, segundo maior comprador externo, cresceram 97,3% no primeiro bimestre de 2026, para US$ 379 milhões, enquanto o volume embarcado teve um incremento de 60%, para 63,08 mil toneladas.

No total, as vendas de carne e subprodutos bovinos para os Estados Unidos alcançaram US$ 448,7 milhões no primeiro bimestre do ano (+56,8%). Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos tiveram valorização de 23,4% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 6.015 por tonelada.

Outros mercados
A União Europeia é outro mercado que segue crescendo firme e com perspectivas favoráveis após a aprovação do Acordo Comercial com o Mercosul. No primeiro bimestre de 2026, as vendas de

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carne bovina in natura para o bloco europeu cresceram 24,6% em receitas, para US$ 121,4 milhões, e 18,8% em volume, para 14,17 mil toneladas. Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para a União Europeia apresentaram valorização de 4,85% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 8.568 por tonelada.

Na América do Sul, o Chile manteve desempenho sólido, com crescimento de 22,4% no volume importado, que atingiu 23.609 toneladas, enquanto o valor das compras avançou 29,3%, totalizando cerca de US$ 135,9 milhões.

A Rússia, por sua vez, apresentou uma das expansões mais expressivas entre os 20 maiores compradores, subindo para a quinta posição. As importações de carne bovina provenientes do Brasil cresceram 106,6% em volume, atingindo 23.349 toneladas, enquanto o valor das compras avançou 132,3%, para aproximadamente US$ 102,6 milhões, refletindo o fortalecimento da presença brasileira naquele mercado.

Os dados dos dois primeiros meses de 2026 apontam para um cenário de expansão das exportações brasileiras de carne bovina, impulsionado principalmente pela Ásia, pelo Oriente Médio e por mercados emergentes, enquanto alguns destinos específicos apresentaram ajustes ou retrações pontuais. O resultado reforça o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína bovina em um contexto de demanda internacional ainda aquecida. No total, 109 países aumentaram suas importações, enquanto outros 42 reduziram as aquisições.

Fonte: Assessoria Abrafrigo
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