Bovinos / Grãos / Máquinas
Medicamentos são imprescindíveis na nutrição animal
Uso responsável garante futuro do uso de medicamentos como ingredientes na nutrição animal
Hoje em dia é motivo de muita discussão a utilização de medicamentos na nutrição animal. A Ractopamina e os promotores de crescimento (antibióticos) são os mais contestados. Contudo, a gerente técnica da MCassab, Denise Gregori ressalta que, em primeiro lugar, é preciso deixar claro a diferença entre medicamentos melhoradores de desempenho e medicamentos curativos utilizados na alimentação animal. Os melhoradores de desempenho são substâncias que melhoram os parâmetros de produtividade e podem ser utilizadas misturadas ao alimento de forma contínua. Já os medicamentos são substâncias com efeito curativo e/ou preventivo, que só pode ser misturados aos alimentos mediante receita e por tempo determinado. “Apenas as moléculas que não tenham indicações terapêuticas consagradas devem ser utilizadas como aditivo melhorador de desempenho na nutrição animal. O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) não permite o registro como melhorador de desempenho de moléculas utilizadas na saúde humana. As demais moléculas devem ser utilizadas como terapêuticos ou preventivos, respeitando a dose e o período de uso. Nos dois casos, devem ser respeitadas as indicações de rótulo”, ressalta.
Denise ressalta, ainda, que os anticoccidianos ionóforos (salinomicina, monensina, maduramicina, narasina, semduramicina e lasalocida) têm também uma atividade antibiótica. Os anticoccianos químicos são apenas eficazes contra os protozoários. Nestes casos, a União Europeia trata estes produtos com diferenciação. Ela expõe, ainda, que o uso da Ractopamina, também classificada como um melhorador de desempenho para suínos e bovinos, ainda causa muita polêmica. “A Rússia e a China consideram insuficientes os estudos e dados sobre a segurança para consumo humano em curto e longo prazo. Porém, grandes órgãos de regulamentação permitem o seu uso dentro de limites estabelecidos e afirmam que a sua presença no alimento não é capaz de trazer risco à saúde”, explica.
Produção
Questionada se é possível produzir carne com a mesma qualidade sem usar na nutrição ingredientes como os melhoradores de desempenho, Denise Gregori ressalta que esses produtos devem ser usados de forma responsável. O controle de doenças deve ser feito, principalmente, com medidas preventivas como vacinação, higiene, controle do trânsito de animais e de pessoas, manejo nutricional e ambiental. O seu uso deve ser feito somente após se avaliar os benefícios e devem ser utilizados conforme indicação do fabricante.
Por outro lado, o uso de melhoradores de desempenho ajuda a evitar o aumento da incidência de doenças infecciosas e melhora a conversão alimentar, reduzindo o custo de produção. “A proibição de seu uso pode levar a um aumento expressivo no uso de antimicrobianos curativos, além da redução do número de animais alojados pelo aumento da incidência de doenças, desuniformidade de lotes alojados e piora na conversão alimentar”, opina a profissional.
Tendências
De acordo com Denise Gregori, o desafio para o futuro da nutrição animal é produzir mais alimentos, usando menos insumos e a um custo competitivo para o consumidor, com segurança e responsabilidade. Para ela, o medicamento continuará tendo um papel imprescindível na produção e o seu uso deverá ser feito baseado nas legislações e nos requisitos internacionais estabelecidos pelo Mercosul, Codex, OMC (Organização Mundial do Comércio) e órgãos auxiliares, como FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), OIE e WHO, e que garanta a segurança dos alimentos disponibilizados aos consumidores.
A profissional cita que o Mapa publicou, em maio deste ano, o Decreto nº 8.448, que altera o regulamento de fiscalização de produtos de uso veterinário e dos estabelecimentos que os fabriquem ou comercializem, aprovado pelo Decreto nº 5.053, de 22 de abril de 2004. Um dos pontos deste decreto define que todos os antimicrobianos com função de melhoradores de desempenho e os anticoccidianos passam a ser tratados como medicamento e os registros ou licenças passam a ser feitos pela Coordenação de Produtos Veterinários (CPV) do Mapa. Contudo, Denise analisa que, para a indústria, alguns pontos não ficaram claros, como a necessidade de receita e controle de processo para a fabricação e comercialização de alimentos que contenham estas moléculas. Também não ficou claro se estes produtos, que hoje podem ter uso contínuo, sofrerão alteração quanto ao modo de uso. Também não foi dado prazo para adequação dos registros destes medicamentos. Mas as associações e sindicatos já estão trabalhando junto ao ministério para normatizar o decreto.
Mais informações você encontra na edição impressa de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2015 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
