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Médica-veterinária alerta para perigo do ISKNV e apresenta estratégias de controle para a tilapicultura

Com o aumento da produção e a modernização dos sistemas aquícolas, surgem novos desafios para os piscicultores, sendo as questões sanitárias um dos maiores obstáculos enfrentados.

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A piscicultura no Brasil tem experimentado um crescimento expressivo nos últimos anos, posicionando o país como um dos principais produtores mundiais de peixes de cultivo, especialmente de tilápia. No entanto, com o aumento da produção e a modernização dos sistemas aquícolas, surgem novos desafios para os piscicultores, sendo as questões sanitárias um dos maiores obstáculos enfrentados. Doenças infecciosas, como as causadas pelo Iridovirus (ISKNV) e diversas bactérias patogênicas, ameaçam não apenas a saúde dos peixes, mas também a rentabilidade das operações. Em um cenário onde a biosseguridade e a vacinação desempenham papéis cruciais, garantir a sanidade dos lotes se tornou prioridade para manter a produtividade e a sustentabilidade da atividade. Durante o 3º Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop), realizado em julho, em Toledo (PR), a médica-veterinária e técnica em Aquicultura, Talita Morgenstern, abordou esses desafios e apresentou soluções essenciais para enfrentar os problemas sanitários que afetam a piscicultura nacional.

Entre os principais agentes patogênicos encontrados nos sistemas produtivos de peixe de cultivo no Brasil, citados pela profissional, estão o Aeromonas spp., Edwardsiella spp., Flavobacterium columnare, Francisella spp., Streptococcus spp e Iridovirus (ISKNV), sendo este último uma preocupação recorrente em todas as regiões produtoras de tilápia no Brasil. “O ISKNV acomete principalmente os peixes jovens, causando mortalidade variável entre 50% e 75% dos animais infectados, prejuízos econômicos ao produtor e comprometimento do controle sanitário do sistema de produção”, ressalta Talita.

A médica-veterinária explica que o vírus atinge as células responsáveis pela imunidade dos peixes, deixando os animais debilitados e mais suscetíveis a outras doenças, como as bacterianas. “Entre os sinais claros da infecção pelo ISKNV estão ascite, palidez branquial, hepatomegalia e vísceras hemorrágicas, presença de líquido na cavidade celomática, congestão hepática, hipoplasia do baço, letargia e escurecimento do corpo”, expõe.

Desde a primeira detecção do Iridovirus no Brasil, em 2020, na represa de São Simão (GO), os casos se espalharam para os estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Bahia e Mato Grosso do Sul. “Os principais gatilhos para o desenvolvimento do ISKNV são variações de temperaturas, altas densidades e manejo inadequado. A transmissão ocorre principalmente de forma horizontal, com a movimentação de água e animais infectados entre regiões”, explica Talita, acrescentando que as perdas não se limitam ao campo. “A mortalidade afeta também o frigorífico, com grandes perdas durante o abate, especialmente no descarte de filés”, pontua.

Controle

Para combater o ISKNV, a técnica em Aquicultura ressalta a importância de seguir protocolos rigorosos de vacinação e biosseguridade. “Boas práticas de produção associadas com uma nutrição equilibrada, manejo adequado e monitoramento constante da qualidade d’água são essenciais para minimizar o impacto do vírus, ajuda a reduzir as perdas e garante a sanidade dos lotes”, enfatiza.

Entre os benefícios dos programas de vacinação estão o aumento do desempenho zootécnico, a redução do uso de medicamentos e uma maior sustentabilidade na produção. “O imunizante vai permitir que os peixes se defendam adequadamente contra patógenos, garantindo que se mantenham saudáveis, que tenham uma boa conversão alimentar, com melhoras no ganho de peso diário”, evidencia Talita.

A profissional reforça que quanto maior o número de animais vacinados, menor será a prevalência de patógenos no ambiente de produção. “A vacina potencializa o desempenho geral dos animais, criando um ciclo de proteção e produtividade”, afirma.

Médica-veterinária e técnica em Aquicultura, Talita Morgenstern: “A limpeza regular com desinfetantes não só mantém o ambiente mais saudável, como também reduz a propagação de patógenos” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Medidas de biosseguridade

Além da imunização, a biosseguridade é um pilar essencial na piscicultura para controlar agentes patogênicos. Entre as medidas adotadas, Talita aponta a desinfecção com produtos adequados, o que inclui a coleta diária de peixes mortos e o armazenamento correto desses resíduos. “A limpeza regular com desinfetantes não só mantém o ambiente mais saudável, como também reduz a propagação de patógenos”, frisa.

Outro ponto importante é a desinfecção de veículos e entradas dos tanques, garantindo que potenciais fontes de contaminação sejam controladas. No entanto, como ressalta a médica-veterinária, a biosseguridade não elimina completamente os patógenos, contudo reduz de maneira expressiva a sua presença. “É como escovar os dentes todos os dias. Não garante que nunca teremos cáries, mas, se deixarmos de fazer, certamente enfrentaremos problemas”, menciona, enfatizando que a aplicação constante dos protocolos de biosseguridade, com barreiras sanitárias, limpeza adequada durante o manejo dos peixes e desinfecção dos comedouros é essencial para minimizar a presença de patógenos. “Essas práticas garantem não apenas a saúde dos animais, mas também a sustentabilidade e a produtividade na piscicultura”, salienta.

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Fonte: O Presente Rural

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Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras

Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

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Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.

O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.

Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.

No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.

Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.

Fonte: Assessoria Cepea
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Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca

Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

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Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.

O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves

Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.

Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.

O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.

Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.

Tramitação

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Fonte: O Presente Rural
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Ruído de embarcações compromete comunicação dos peixes, aponta estudo

Pesquisa da UFPE indica que a poluição sonora pode afetar alimentação, reprodução e defesa de território, com reflexos para a saúde dos recifes e da pesca.

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O ruído de motores de embarcações, como lanchas e motos aquáticas, e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, o que pode causar impactos negativos na alimentação, reprodução e defesa de território de várias espécies. A poluição sonora encobre os sons emitidos pelos peixes e representa risco para a saúde de recifes de corais.

A constatação faz parte de um artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, voltada a estudos científicos.

Foto: MPA

Apesar de a publicação ser em inglês, o periódico é editado pela revista oficial da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI). A ictiologia é o ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos peixes.

De acordo com um dos autores do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a análise mostrou que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”.

Segundo ele, a diminuição foi identificada “justamente” onde havia maior presença de ruído causado pela ação humana. “Isso pode acontecer porque os sons ficam mascarados pelo barulho das embarcações, tornando-se mais difíceis de detectar, ou porque alguns peixes realmente reduzem ou alteram sua produção sonora em resposta ao ruído”, diz.

Ele detalha que muitos peixes utilizam sons durante comportamentos como reprodução, defesa de território e alimentação. “Se essa comunicação for prejudicada, esses comportamentos também podem ser afetados”, assinala.

Praias turísticas

O estudo monitorou ruídos produzidos pela atividade humana, como de motores de embarcações, de parapentes e da própria movimentação de banhistas no mar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acompanharam os sons emitidos por peixes nessas áreas.

Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O trabalho de campo foi conduzido em duas regiões turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe; e Tamandaré, na APA Costa dos Corais.

Essas duas praias foram selecionadas por serem destinos turísticos populares com dinâmicas diferentes, o que permitiu comparar os impactos sonoros.

Carneiros é um destino popular durante o ano todo, enquanto Tamandaré apresenta variações sazonais, com pico no verão.

Em cada praia, os pesquisadores mediram os sons tanto em pontos perto da costa, mais influenciados pela atividade humana; e pontos abrigados, onde a estrutura de recifes serve como barreira para o som.

Forma de medição

Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram nos pontos de monitoramento um sistema de gravação subaquática. Cada sessão de monitoramento teve dez horas contínuas de gravação diária, somando 80 horas de dados acústicos.

Além de captura dos sons, mergulhadores fizeram uma espécie de censo visual, contando a quantidade e espécie de peixes. Foram encontradas de 18 a 23 espécies. Em Carneiros, eles localizaram quase 1,4 mil peixes.

Os registros foram realizados em janeiro e fevereiro de 2022, período de alta temporada, e em abril de 2023.

Sons dos peixes

A pesquisa identificou nove diferentes tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas.

A ictiologia explica que os peixes produzem grande diversidade de sons, que são fundamentais para sua comunicação e sobrevivência nos recifes, que se manifestam por meio de pulsos, às vezes únicos, às vezes repetidos e formando sequências. Alguns peixes não produzem sons.

Foto: Divulgação

Os sons emitidos pelos peixes são relacionados a comportamentos específicos e famílias de peixes. Biologicamente, são essenciais para localização de parceiros e reprodução, defesa de território contra invasores, interações em grupo, e alimentação e detecção de predadores.

A poluição sonora humana foi relacionada também à redução na complexidade acústica – índice que mede a variação de padrões sonoros dos peixes ao longo do tempo.

Os ruídos causam um fenômeno chamado “mascaramento acústico”, quando o som contínuo dos barcos esconde sinais acústicos dos peixes. Outro impacto é a supressão de comportamento, quando o ruído pode levar os peixes a reduzir ou cessar vocalizações.

Consequências

O pesquisador Túlio Freire Xavier destaca que os peixes da região são fundamentais para a saúde dos recifes de corais, contribuindo para o equilíbrio de cadeias alimentares. “Os peixes recifais desempenham papéis importantes no controle de algas, na manutenção dos corais e na produtividade desses ambientes.”

Ele ressalta que os recifes sustentam atividades importantes para a economia da região, como o turismo e a pesca artesanal. “Quando a poluição sonora interfere no comportamento desses peixes, existe o potencial de afetar, ainda que de forma indireta, os serviços ecossistêmicos que esses ambientes oferecem”, diz.

Outras regiões

O especialista da UFPE aponta que, apesar de o experimento ter sido realizado no litoral pernambucano, o impacto de sons da atividade humana na vida dos peixes não é “exclusivo desses locais”. “Sempre que houver intenso tráfego de embarcações, turismo náutico ou outras fontes de ruído subaquático que coincidam com as frequências utilizadas pelos peixes, existe potencial para impactos semelhantes”, afirma.

“A intensidade desses efeitos provavelmente varia de acordo com a quantidade de embarcações, as características do recife e as espécies presentes, mas o problema pode ocorrer em outros importantes recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha”, complementa.

Limites sustentáveis

Túlio Xavier explica que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais voltados à proteção dos peixes. “Esse é um campo que ainda precisa avançar bastante. Estudos como o nosso ajudam justamente a construir esse conhecimento”, diz.

Ele destaca que o conhecimento científico gerado é compartilhado com gestores e comunidades locais, para contribuir com políticas públicas de manejo das regiões.

O especialista em biologia marinha da UFPE sustenta que turismo e conservação não precisam ser incompatíveis, mas que o componente acústico deve passar a ser considerado no planejamento das atividades. “O ruído subaquático é uma forma de poluição que normalmente passa despercebida”, avalia.

Ele aponta que medidas “relativamente simples”, como organizar rotas de embarcações, reduzir a velocidade em áreas sensíveis e evitar concentração excessiva de atividades sobre determinados recifes, podem contribuir para diminuir esse impacto. “Proteger a paisagem sonora significa também ajudar a preservar o funcionamento ecológico desses ecossistemas e os benefícios que eles oferecem à sociedade.”

Fonte: Agência Brasil
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