Bovinos / Grãos / Máquinas Produtor do Paraná
“Me considero um dos dez mais eficientes produtores de leite do mundo”
Afirmação é do produtor rural Armando Rabbel, de Castro, nos Campos Gerais no Paraná

Na fazenda do produtor rural Armando Rabbel, em Castro, nos Campos Gerais, a vaca entra quando quer na ordenhadeira. Um braço robótico faz todo o trabalho de limpeza, desinfecção e coleta do leite. Quando ele encerra o serviço, faz a higienização dos tetos, os portões se abrem automaticamente e o animal sai para dar lugar a outro. Antes de ela deixar o recinto, o produtor já sabe não somente quando ela produziu, mas quanto cada teto produziu, entre outras informações que o tornam, em sua opinião, um dos dez mais eficientes produtores de leite do mundo. Não duvide: a média das 156 vacas em lactação no dia anterior da Reportagem chegar ao local foi de nada menos que 40,4 litros de leite.
Ao todo, a fazenda tem 423 animais (no momento eram 156 em lactação, 31 secas, 184 bezerras/novilhas e 52 touros para reprodução). Das 156 em lactação, 144 estão no sistema robótico, que está saturado e não consegue receber mais animais. São dois robôs que trabalham simultaneamente. Os robôs ficam no mesmo barracão que as vacas, com a devida estrutura para manter a temperatura e o ambiente adequados para os animais.
Ao lado, Armando observa cada animal por uma janela do escritório que dá de frente para os robôs. Em sua frente, no computador, estão todas as informações que ele precisa para manejar cada animal individualmente e saber o quanto cada um está produzindo. “Com informação fica muito mais fácil a tomada de decisão. Por aqui sei qual vaca está produzindo mais, qual está produzindo menos, e assim posso saber com mais clareza o que fazer para manter elas produtivas”, explica Rabbel.
De acordo com ele, a média por dia que cada robô tem alcançado varia entre 2,9 mil e 3 mil litros. Isso, segundo ele, é produção superior a de países europeus tradicionais na bovinocultura de leite. “cada robô meu tem conseguido média diária acima de 2,9 mil litros. Na Europa, os produtores top estão conseguindo, com o mesmo equipamento, cerca de 2,2 mil a 2,4 mil litros por dia. Hoje me considero um dos dez mais eficientes produtores de leite”, assume Armando Rabbel. “Do mundo?”, questiona a Reportagem. “Do mundo!”, crava o produtor paranaense.
Ele cita ainda alguns números que o agradam além da produtividade da fazenda: “minha taxa de concepção é acima de 35%, a taxa de serviço fica entre 70 e 80%, a taxa de prenhes fica em 25%. São patamares satisfatórios”, sustenta.
Tecnologia
A fazenda de Armando Rabbel foi a primeira na América Latina a adotar esse tipo de equipamento, há oito anos. Ele explica que investir em tecnologia é um princípio que não pode ser esquecido no dia a dia. “Foi o primeiro a ter esse sistema na América latina. Os resultados são excelentes. Investir em tecnologia é necessário a todo momento. Hoje a tecnologia que emprego aqui na nossa propriedade é suficiente para mim, mas em algum tempo ela já pode estar ultrapassada. E precisamos continuar a investir”, sugere o produtor.
Mais com menos
Rabbel explica que suas vacas expressam o máximo potencial produtivo, mas podem ainda render um pouco mais. “Chegamos à meta que tínhamos em produção com esse número de vacas. Mas não podemos parar de evoluir. Agora o desafio é produzir o mesmo que estamos produzindo, mas com menos animais”, aponta.
Ainda, segundo Armando Rabbel, os próximos passos para fazer mais com menos incluem a redução no uso de antibióticos durante o processo produtivo. “Nosso próximo objetivo é melhorar ainda mais a saúde dos animais para diminuir o uso de antibióticos. Em cinco anos quero diminuir o uso desses medicamentos em 50%”, projeta. De acordo com ele, além de melhorar a saúde do animal e ter uma produção mais sustentável, a redução vai melhorar a rentabilidade da fazenda. “Ajuda a diminuir custos”, menciona.
As vacas de Rabbel fazem em média três lactações na vida, mas ele pretende melhorar também esse índice. “Se eu subir de três para quatro, a minha reposição vai diminuir 25%. Vamos perseguir isso. Queremos melhorar isso”.
Desejo
Isso e um pouco mais fazem dos Campos Gerais do Paraná líder nacional em produção leiteira e referência em qualidade. Agora, segundo o produtor de castro, é hora de esperar um ano de recuperação do país. “A gente torce para que o Brasil tome o rumo do crescimento, que garanta uma renda melhor para a população e, com isso, nossos produtos tenham saída e sejam valorizados”, espera Armando Rabbel.
Outras informações você encontra na edição do Anuário do Agronegócio Paranaense de 2018.

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho
Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.
O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).
Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.
Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses
Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).
“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná
Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.
“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.
O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.
“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.
Temas prioritários
Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor
“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.
Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.
Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.


